Pergunte a um Teísta
- Fernando Silva
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- Registrado em: Ter, 11 Fevereiro 2020 - 08:20 am
Suponha que fique provado que uma entidade nos criou. Devemos chamá-la de Deus?
Ou ela é apenas uma entidade superpoderosa?
Religiosos são, de certa forma, como pessoas em várias Cavernas de Platão diferentes.
Acham que sabem das coisas, que conhecem a verdade, estão cheias de certezas.
Se houver um deus, aquilo que veremos dele será infinitamente limitado e, portanto, enganoso.
E indistinguível de uma simples entidade superpoderosa qualquer.
Ou ela é apenas uma entidade superpoderosa?
Religiosos são, de certa forma, como pessoas em várias Cavernas de Platão diferentes.
Acham que sabem das coisas, que conhecem a verdade, estão cheias de certezas.
Se houver um deus, aquilo que veremos dele será infinitamente limitado e, portanto, enganoso.
E indistinguível de uma simples entidade superpoderosa qualquer.
- Fernando Silva
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Algum deus existe? Talvez, mas não há evidências objetivas. Até que surjam, o mais sensato é ignorar a possibilidade.
Se uma entidade surgir diante de nós se dizendo um deus, como saberemos se é verdade? O que pedir como prova se nem sabemos definir um deus? Ter poderes incompreensíveis não é o suficiente. Quem garante que não haverá outras como ela?
Supondo-se que consiga provar o que diz, sabe-se lá como, e daí? Continuará incompreensível e aquilo que veremos não será a realidade e sim apenas o que ela quis que víssemos. O que nos dirá será apenas o que ela quer que pensemos.
E se esse deus nos impuser mandamentos e prometer castigos e recompensas? Talvez tenhamos que obedecer para não sermos castigados, mas nada garantirá que suas promessas de uma recompensa eterna serão verdade. Talvez ele esteja mentindo, ou porque é maligno ou porque seus conceitos de bondade e justiça nos são incompreensíveis.
Deus ou entidade superpoderosa, não teremos nenhum motivo para amá-lo, só para temê-lo.
Se uma entidade surgir diante de nós se dizendo um deus, como saberemos se é verdade? O que pedir como prova se nem sabemos definir um deus? Ter poderes incompreensíveis não é o suficiente. Quem garante que não haverá outras como ela?
Supondo-se que consiga provar o que diz, sabe-se lá como, e daí? Continuará incompreensível e aquilo que veremos não será a realidade e sim apenas o que ela quis que víssemos. O que nos dirá será apenas o que ela quer que pensemos.
E se esse deus nos impuser mandamentos e prometer castigos e recompensas? Talvez tenhamos que obedecer para não sermos castigados, mas nada garantirá que suas promessas de uma recompensa eterna serão verdade. Talvez ele esteja mentindo, ou porque é maligno ou porque seus conceitos de bondade e justiça nos são incompreensíveis.
Deus ou entidade superpoderosa, não teremos nenhum motivo para amá-lo, só para temê-lo.
Acho que na verdade são duas questões distintas. Porque uma coisa é se, internamente ao mundo observável, a humanidade tiver sido resultado, sei lá, da intervenção de alguma civilização superior algo assim; e outra coisa é a razão do próprio "haver um mundo" observável "no interior do qual" hajam tais coisas como vida e civilizações. Em outras palavras - a pergunta pela nossa "gênese" empírica (interna ao manifesto) não é a mesma da pergunta pelo próprio "existir" de uma "manifestação" dentro da qual emergem seres vivos etc. O que quero dizer com isso é que, mesmo se a causa "acidental" ou "ocasional" (no sentido daquilo que "desencadeou" nossa existência) tiver sido algo "interno à existência", ainda assim segue posto o próprio "problema da existência da existência" (O Ser), ou seja, a necessidade de um "Absoluto" que fundamente que haja uma realidade em vez de o Nada.Fernando Silva escreveu: ↑Seg, 27 Abril 2026 - 08:29 amSuponha que fique provado que uma entidade nos criou. Devemos chamá-la de Deus?
Ou ela é apenas uma entidade superpoderosa?
Mas aí é mau uso que se faz da religião. A religião não serve para dar "modelos explicativos" nem "conhecimento empírico". O cara que acha que sabe por seguir revelações está extrapolando o que é da Fé e tomando como conhecimento o que não deveria ser, e o ateu materialista comete o erro ao inverso, porque extrapola os limites da razão para negar aquilo que por sua própria natureza se situa fora da experiência, uma vez que os sentidos, por sua própria natureza, reduzem o observável à materialidade, e, logo, não estamos autorizados a emitir um parecer sobre aquilo que transcende a matéria, visto que estruturalmente não podemos acessar.Fernando Silva escreveu: ↑Seg, 27 Abril 2026 - 08:29 amReligiosos são, de certa forma, como pessoas em várias Cavernas de Platão diferentes.
Acham que sabem das coisas, que conhecem a verdade, estão cheias de certezas.
Concordo com a primeira e discordo da segunda. Sim, nossa compreensão "filtra" e "traduz" esse Absoluto das formas mais folclóricas, alegóricas, mitológicas etc. Projetamos nele características psicológicas nossas. Tudo isso leva a uma caricaturização que projeta uma divindade "à nossa imagem e semelhança" (colérica, vingativa, orgulhosa etc). Mas o problema que devemos colocar não é se essa divindade (fabricada por nós) é real (obviamente não), mas sim se há "algo que cumpre a função cujo slot atribuímos ao que compreendemos como DEUS". Isto é, que corresponda ao papel ao qual colamos a designação "Deus".Fernando Silva escreveu: ↑Seg, 27 Abril 2026 - 08:29 amSe houver um deus, aquilo que veremos dele será infinitamente limitado e, portanto, enganoso.
E indistinguível de uma simples entidade superpoderosa qualquer.
Então Gorducho, eu e você já entramos em consenso de que há de haver "algo auto-existente" (alguma realidade que exista por-si-só ; não-causada por nada mais). O grande problema, no fim das contas, é a pessoalidade ou não, a subjetividade ou não deste "fundamento último". Se é ele uma mera Natureza Impessoal espinosista ou uma consciência cósmica absoluta etc. E o desafio que te coloco é - se não houvesse, no fundo por trás da existência, uma profunda relação com o conhecer e o sentir e o subjetivo etc., como diabos tais "poderes" seriam possíveis nos "efeitos produzidos" (nós) se eles ultrapassariam (anomalamente) as capacidades da própria "natureza cega" impessoal que nos estrutura?
O efeito não pode ser maior do que sua causa.
Tais poderes estão presentes no efeito.
Necessária sua presença na causa.
- Fernando Silva
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E Deus continua sendo algo inventado por nós, cumprindo a função que nós cismamos que ele tem que cumprir.Humanista escreveu: ↑Seg, 27 Abril 2026 - 09:26 amMas o problema que devemos colocar não é se essa divindade (fabricada por nós) é real (obviamente não), mas sim se há "algo que cumpre a função cujo slot atribuímos ao que compreendemos como DEUS". Isto é, que corresponda ao papel ao qual colamos a designação "Deus".
Humanista escreveu:Então Gorducho, eu e você já entramos em consenso de que há de haver "algo auto-existente"
So I'm asking: ¿does God in your model know about life in the Universe?"ask me anything"
In mine, = Natura Naturans, It doesn't, as you know.
O conceito de Deus, sim, é uma construção histórica, linguística, cultural etc. Mas o que está em questão não é a ideia, mas o papel para qual, por meio dela, apontamos. E este papel é necessário. E o fato desse papel ser necessário exige também a existência necessária de um Ser Necessário que necessariamente o cumpre.Fernando Silva escreveu: ↑Seg, 27 Abril 2026 - 12:04 pmE Deus continua sendo algo inventado por nós, cumprindo a função que nós cismamos que ele tem que cumprir.Humanista escreveu: ↑Seg, 27 Abril 2026 - 09:26 amMas o problema que devemos colocar não é se essa divindade (fabricada por nós) é real (obviamente não), mas sim se há "algo que cumpre a função cujo slot atribuímos ao que compreendemos como DEUS". Isto é, que corresponda ao papel ao qual colamos a designação "Deus".
Eu diria que ambos Vida & Mundo "se passam n'Ele", então é diferente do nosso modo empírico de conhecer (que refere a algo além, distante de nós). Deus conhece sem-distância, por ser ele o próprio "palco" de todos os acontecimentos, o "Fundo" da Existência ...Gorducho escreveu: ↑Seg, 27 Abril 2026 - 12:06 pmHumanista escreveu:Então Gorducho, eu e você já entramos em consenso de que há de haver "algo auto-existente"So I'm asking: ¿does God in your model know about life in the Universe?"ask me anything"
In mine, = Natura Naturans, It doesn't, as you know.
Editado pela última vez por Humanista em Seg, 27 Abril 2026 - 12:16 pm, em um total de 1 vez.
- Fernando Silva
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E se ele souber e a tiver criado, mas estiver se lixando para ela?Gorducho escreveu: ↑Seg, 27 Abril 2026 - 12:06 pmHumanista escreveu:Então Gorducho, eu e você já entramos em consenso de que há de haver "algo auto-existente"So I'm asking: ¿does God in your model know about life in the Universe?"ask me anything"
In mine, = Natura Naturans, It doesn't, as you know.
E se aquilo que Deus pretende fazer conosco nos parecer de uma crueldade e uma injustiça infinitas?
Puxa, eu acho esta uma ótima questão, e penso que infelizmente talvez realmente seja mais ou menos por aí mesmo. Porque, pensemos - e se o ideal mais puro de altruísmo exija um grau de sacrifício tão, mas tão acima do nosso sentimento normal de "amor-próprio" e "preservação pessoal" que, na prática, a "Santidade" num sentido divino pareça (para o senso comum, ordinário) algo doloroso e que repugna nossa natureza animal. Eu vejo muito sentido nisso, e parece-me que é realmente assim que funciona. Daí toda a nossa revolta contra o mundo e o problema do mal etc etc.Fernando Silva escreveu: ↑Seg, 27 Abril 2026 - 12:16 pmE se aquilo que Deus pretende fazer conosco nos parecer de uma crueldade e uma injustiça infinitas?