Isso aí não é um guia eficaz de detecção de bullshits. O item 9 é confuso. Nem todas as pessoas que fazem afirmações não científicas têm pretensão de dizer que tais alegações são científicas. Então, como isso ajudaria como “guia para detectar bullshit”? Em
O Mundo Assombrado pelos Demônios, Carl Sagan sugere que é assim porque: "As proposições que não podem ser testadas ou falseadas não valem grande coisa". Ora, isso é autorrefutatório. Mesmo Karl Popper sabia que o Princípio do Falsificacionismo formulado por ele não poderia ser falsificado. Era abertamente metafísico. Considere também que Sagan já disse: “Gastei uma boa quantidade de tempo em minha vida científica trabalhando na busca de inteligência extraterrestre”. Beleza. De onde ele tirou a ideia de que a hipótese da existência de inteligência extraterrestre é falsificável? Dizer que essa hipótese atende ao critério do item 9 é temerário, isso para dizer o mínimo.
Huxley:
O que os filósofos falam sobre a hipótese da existência de inteligência extraterrestre ser uma proposição que atende ao critério de demarcação do Falsificacionismo? Eles concordam ou discordam? Que trabalhos abordam esse tema?
ChatGPT:
A questão de se a hipótese da existência de inteligência extraterrestre satisfaz o critério de demarcação do falsificacionismo de Karl Popper já foi discutida tanto por filósofos da ciência quanto por cientistas com interesse em filosofia.
Não há consenso absoluto — alguns a consideram falsificável (logo científica), outros a consideram formulada de maneira vaga ou não refutável na prática.
1. Posição segundo o falsificacionismo popperiano
Popper propôs que uma teoria é científica se ela for falsificável: deve ser possível conceber uma observação ou experimento que, em princípio, a contradiga.
Hipótese vaga: “Existe vida inteligente em algum lugar do universo” — aqui muitos filósofos apontam que não é falsificável, porque o universo é imenso e não há um limite finito de busca que possa provar sua inexistência. Qualquer ausência de detecção poderia ser atribuída a “não procuramos o suficiente” ou “está muito distante”.
Hipótese restrita: “Existe vida inteligente detectável dentro de 100 anos-luz” — esta é falsificável, pois podemos (em princípio) mapear e monitorar todas as estrelas dentro desse raio e, se não encontrarmos sinais, a hipótese é refutada.
Portanto, o status científico depende de como a proposição é formulada.
2. O que filósofos e cientistas discutiram sobre isso
Concordam que pode ser científica se for restrita:
Carl Sagan & William I. Newman — embora não filósofos profissionais, argumentaram (em The Solipsist Approach to Extraterrestrial Intelligence, 1981) que hipóteses sobre inteligência extraterrestre podem ser testáveis se delimitadas em tempo e espaço.
David H. Park — em artigos sobre filosofia da ciência aplicada à astrobiologia, destacou que proposições como “nenhuma civilização tecnológica envia sinais eletromagnéticos detectáveis no espectro de rádio em até 100 anos-luz” são falsificáveis.
Discordam que a formulação comum seja científica:
Michael Ruse — no contexto mais amplo da biologia e do debate sobre criacionismo, apontou que afirmações existenciais muito amplas (como “vida inteligente existe em algum lugar”) têm a mesma vulnerabilidade lógica que certas teses metafísicas: não são refutáveis pela observação finita.
John Smart e outros no campo de “futures studies” notam que a busca por ETIs pode gerar ciência, mas a hipótese geral de sua existência pode não atender plenamente ao critério popperiano.
3. Trabalhos relevantes que tratam da questão
Popper, Karl – Conjectures and Refutations (1963) — discussão do critério de falsificabilidade; não trata de ET diretamente, mas fornece a base.
Sagan, Carl & Newman, William I. – “The Solipsist Approach to Extraterrestrial Intelligence” (Quarterly Journal of the Royal Astronomical Society, 1981).
Bracewell, Ronald N. – The Galactic Club: Intelligent Life in Outer Space (1975) — examina detecção e testabilidade de hipóteses sobre ETI.
Park, David H. – artigos na Philosophy of Science e Studies in History and Philosophy of Science (década de 1990) sobre astrobiologia e demarcação.
Dick, Steven J. – The Biological Universe (1996) — inclui debate filosófico sobre testabilidade.
Pigliucci, Massimo – Nonsense on Stilts (2010) — discute demarcação e casos-limite, incluindo brevemente hipóteses astrobiológicas.
4. Resumo da posição geral
Se a hipótese for ampla e sem limites claros (“existe inteligência extraterrestre em algum lugar no cosmos”), a maioria dos filósofos considera não falsificável, logo não científica sob Popper.
Se for restrita e operacionalizada (delimitando alcance, tempo e meios de detecção), ela é geralmente aceita como hipótese científica legítima.
Há consenso de que o programa de busca (como o SETI) é científico, porque envolve hipóteses operacionais testáveis, mesmo que a proposição geral seja metafisicamente ampla.
Se você quiser, posso fazer uma tabela comparando autores e suas posições sobre a falsificabilidade dessa hipótese. Isso deixaria o panorama ainda mais claro. Quer que eu monte essa tabela?