Citações

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Re: Citações

CaveCanem
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Registrado em: Sáb, 18 Abril 2026 - 10:09 am

Mensagem por CaveCanem »

Huxley escreveu:
Ter, 14 Julho 2026 - 00:10 am
CaveCanem escreveu:
Seg, 13 Julho 2026 - 20:21 pm


Essa analogia com os Eddas não é apropriada.
Quem hoje le os Eddas e interpreta literalmente o que está lá? Quanto os fazem?
A diferença é da ordem de magnitude de uma centena de millhão no globo inteiro para uma centena de gatos pingados na islandia e escandinavia.

Por outros lado, quantos leem a biblia e interpretam literalmente ou mesmo distorcem o que esta lá?
O Fernado postou sobre um pastor usando coisas da biblia para justificar, por exemplo, escravidão.

Consegue visualizar isso com os Eddas? Eu não.
Isso não me parece relevante para esta discussão. Não há nada que indique que o número de pessoas que acreditam na veracidade literal da Bíblia nos Estados Unidos decorra da leitura de trechos bíblicos em aulas de inglês e literatura.

Além disso, a questão jurídica não depende de quantas pessoas são convencidas pelo texto. Se uma escola pública utiliza a Bíblia para promover o cristianismo, isso pode levantar problemas constitucionais independentemente de o ensino convencer muitas pessoas, poucas pessoas ou ninguém. Da mesma forma, se a utilização dos textos for objetiva, com finalidade literária ou histórica, o simples fato de a Bíblia ainda ser considerada sagrada por milhões de pessoas não transforma automaticamente esse uso em proselitismo.

Em outras palavras, o critério relevante é a forma como o texto é ensinado, e não o número de pessoas que acreditam nele.
CaveCanem escreveu:
Seg, 13 Julho 2026 - 20:21 pm
E ninguem usa Matematica, Fisica, Astronomia, Machado, Harry Potter ou LoTR para justificar politicas esquisitas.
É aí que você se engana. Diversos autores amplamente estudados nas escolas já tiveram suas obras utilizadas ou interpretadas para fundamentar projetos políticos bastante controversos.

Exemplos: Karl Marx, cujas ideias inspiraram diversos regimes comunistas do século XX; Friedrich Nietzsche, sobre quem Norberto Bobbio observou que o nazismo constituiu uma das interpretações historicamente possíveis de sua obra, embora não a única nem necessariamente a mais fiel; e Platão, que Karl Popper considerava uma das influências filosóficas mais importantes do pensamento político autoritário no Ocidente.

Sociologia e Filosofia fazem parte do currículo escolar, e autores como Marx, Nietzsche e Platão são frequentemente estudados. Nem por isso a simples leitura de suas obras é automaticamente confundida com doutrinação ou com adesão às interpretações políticas mais controversas que delas já foram feitas.

Se a lógica for "um texto não pode ser estudado porque já foi usado para justificar políticas problemáticas", então ela também colocaria em xeque o ensino de diversos clássicos da filosofia e das ciências humanas, e não apenas da Bíblia.
CaveCanem escreveu:
Seg, 13 Julho 2026 - 20:21 pm
Finalmente, instituições religiosas já tem escolas e ninguem as proibe de ensinar suas doutrinas nelas.
Se assim é, porque precisariam do mesmo numa escola laica?
Nessas me parece que o correto seria se abster de ensina-las ou ensinar o basico de mais de uma num apanhado.
Não existe religião oficial institucionalizada no Texas nem nos Estados Unidos. Além disso, o ensino religioso confessional já é constitucionalmente vedado nas escolas públicas de qualquer estado americano.

No caso da medida do Texas, a justificativa oficial é que os textos bíblicos sejam estudados em contexto de aulas de inglês e literatura, e não como ensino confessional de religião. Se essa justificativa corresponde à forma como o conteúdo será efetivamente ensinado é justamente uma das questões debatidas.

Quanto à seleção de leituras escolares, ela nunca é completamente neutra. Todo currículo envolve escolhas sobre quais obras merecem ser estudadas e quais podem ficar de fora. Em geral, os responsáveis por essas listas priorizam obras que exerceram maior influência sobre a história, a literatura e a cultura do próprio país. Isso vale para textos religiosos e não religiosos.
Acha impossivel não haver imparcialidade, ainda que o ensino se restrinja a usar passagens biblicas, como numa crestomatia, para se ensinar lingua, gramática ou literatura?
Consigo conceber formas de manipular por essa via e a coisa toda vai parecer inocente ao observadore externo. Posso restringir as seleções que vou usar conforme determinada agenda (sinistra) e assim faze-los ver, de forma dissimulada, o que quero que eles vejam.
Há como fazer com que algo que deveria ser inocente (um recurso pedagogico) se transforme em mais uma ferramenta a serviço de uma ideologia qualquer.
E Isso sim é significativo e relevante em se tratando de biblia dado as inumeras passagens esquisitas e ambiguas que tem no livro.

Há coisas esquisitas em material não-religioso? Sim, com certeza tem. Tem pederastia em alguns nos dialogos platonicos.
Só que ainda há uma diferença: no caso dos diálogos, não há uma deidade sancionando essas ideias estranhas, não há uma religião ou culto dizendo que se deve proceder de tal forma e ponto.

Outro cenario: suponha que todas ou a maioria/maior parte das passagens fossem biblicas. Acharia isso neutro, inocente? A mim pareceria um mal-disfarçado catecismo.

Re: Citações

Huxley
Mensagens: 6668
Registrado em: Sáb, 07 Março 2020 - 20:48 pm

Mensagem por Huxley »

CaveCanem escreveu:
Sex, 24 Julho 2026 - 12:43 pm

Consigo conceber formas de manipular por essa via e a coisa toda vai parecer inocente ao observadore externo. Posso restringir as seleções que vou usar conforme determinada agenda (sinistra) e assim faze-los ver, de forma dissimulada, o que quero que eles vejam.
Há como fazer com que algo que deveria ser inocente (um recurso pedagogico) se transforme em mais uma ferramenta a serviço de uma ideologia qualquer.
E Isso sim é significativo e relevante em se tratando de biblia dado as inumeras passagens esquisitas e ambiguas que tem no livro.
Essa preocupação não decorre especificamente da lei texana. Ela diz respeito a um problema muito mais geral: qualquer conteúdo pode ser apresentado de forma seletiva para favorecer determinada agenda ideológica.

As escolas americanas já têm certa liberdade legal federal para selecionar os textos e as passagens que utilizam em sala de aula, sempre sujeitas aos limites constitucionais. Se a preocupação é o uso seletivo de conteúdos para influenciar alunos, então a discussão é muito mais ampla do que a leitura da Bíblia.

Vamos olhar a questão por outro ângulo. Já vi político “religioso” defender censura “antiwoke” e usar como exemplo um desenho infantil da Netflix por conter uma fala inspirada na teoria queer. Se aceitarmos que o Estado deve censurar determinados textos escolares porque podem ser usados de forma ideológica, qual será o próximo passo? Dar ao governo o poder de decidir quais livros, filmes e obras são ideologicamente aceitáveis?

Esse tipo de poder pode ser usado tanto por militantes religiosos quanto por militantes secularistas. Por isso, prefiro um modelo em que nenhum dos dois tenha poder para censurar conteúdos apenas porque discorda da visão de mundo que eles expressam. O problema está no uso doutrinário do material, não na simples existência ou leitura do material. Mas combater a doutrinação por meio da legislação traz consigo o risco de criar um instrumento arbitrário de censura nas mãos do Estado. E, nesse caso, o remédio pode acabar sendo pior do que a doença.
CaveCanem escreveu:
Sex, 24 Julho 2026 - 12:43 pm

Há coisas esquisitas em material não-religioso? Sim, com certeza tem. Tem pederastia em alguns nos dialogos platonicos.
Só que ainda há uma diferença: no caso dos diálogos, não há uma deidade sancionando essas ideias estranhas,
O seu critério parece ser que uma prescrição moral só representa um risco relevante de influência social quando é apresentada como mandamento de uma divindade. Mas esse critério não se sustenta historicamente.

Qualquer historiador sabe que inúmeras ações antiéticas foram inspiradas ou justificadas por ideias filosóficas, políticas ou ideológicas que não invocavam nenhuma autoridade divina. A influência social de uma ideia não depende da existência de uma deidade que a sancione. Ideias seculares também moldam comportamentos, instituições e políticas públicas, para o bem e para o mal.
CaveCanem escreveu:
Sex, 24 Julho 2026 - 12:43 pm
não há uma religião ou culto dizendo que se deve proceder de tal forma e ponto.
Como não? Há inúmeros livros não religiosos que defendem explicitamente determinadas concepções morais, filosóficas ou políticas. Nietzsche, por exemplo, não se limitava a descrever o mundo: ele criticava a moral cristã e propunha uma reavaliação dos valores. Em Assim Falou Zaratustra, inclusive, adota deliberadamente uma linguagem e uma estrutura que remetem à tradição bíblica para apresentar suas próprias ideias filosóficas.

Nem por isso faz sentido defender uma campanha para banir Nietzsche das escolas ou universidades. O simples fato de uma obra apresentar uma visão de mundo ou tentar persuadir o leitor não significa que sua leitura em contexto educacional constitua doutrinação.

Re: Citações

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Fernando Silva
Conselheiro
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Mensagem por Fernando Silva »

"A relação com Jesus que as igrejas vendem aos fiéis é, no fundo, abusiva.
Usa os mesmos truques psicológicos:

'Você não é ninguém sem mim, você não merece meu amor, eu posso lhe salvar, só eu sei do que você precisa, você tem que se submeter a mim, vou lhe castigar se você me deixar.'

Basta pensar um pouco para perceber que é enganação. Não caia nessa."

Fonte: Marginal Mennonite Society (Facebook)
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