Política brasileira

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Re: Política brasileira

Huxley
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Leiam a coluna do Mário Sabino 👇

"À medida que tudo fica mais claro a respeito do resort Tayayá, no interior do Paraná, tudo deveria ficar mais complicado para o ministro Dias Toffoli.

Os repórteres Valentina Moreira e Samuel Pancher, do Metrópoles, estiveram na casa de um dos irmãos do ministro que teria sido sócio do resort, José Eugênio Dias Toffoli.

A casa está registrada como sede da Maridt Participações, que até março do ano passado detinha 17% das cotas do resort, vendidas por R$ 3,5 milhões a um advogado da J&F. Antes, a Maridt tinha como sócio no Tayayá um cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Localizada em um bairro de classe média baixa de Marília, no interior de São Paulo, é o endereço típico de uma empresa de fachada brasileira: uma casa simples e maltratada, que não poderia ser nem mesmo sede de oficina de conserto de bicicletas.

O grau de degradação chama a atenção: a casa tem rachaduras nas paredes e no piso externos e não vê pintura há bom tempo.

Parece que dentro está muito pior, como disse a mulher de José Eugênio, a senhora Cássia Pires Toffoli, a outro repórter que lá esteve, Pedro Augusto Figueiredo. Ele teve a felicidade de encontrá-la antes que os moradores da casa evaporassem.

O vídeo da conversa entre a cunhada do ministro Dias Toffoli e o repórter, ao portão da casa, é de uma trivialidade humana que dá a medida da nossa tragédia nacional.

Perguntada sobre se a casa era a sede da Maridt Participações, tal como registrado na Junta Comercial, e se o marido havia sido sócio do resort Tayayá, Cássia demonstrou espanto e indignação genuínos.

“Essa casa é minha, financiei com o meu dinheiro por 25 anos. Eu falei para as minhas irmãs que eu tenho vontade de sumir daqui. As pessoas ficam inventando coisas, que (José Eugênio) é dono do Tayayá”, disse a cunhada do ministro Dias Toffoli.

Mas o marido era sócio ou não do Tayayá?, insistiu o repórter.

“Como sócio, moço? Moço, dá uma olhada na minha casa… Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro.”

O irmão de Dias Toffoli já havia ao menos comentado algo sobre o resort Tayayá?

“Eu não sei e não quero saber”, impacientou-se a cunhada do ministro.

Durante o diálogo, ficamos sabendo que Cássia cuidou do pai com Alzheimer até ele morrer e que agora ela abriga em casa o irmão que tem Down.

De tudo o que veio à tona até agora, impõem-se duas questões intrigantes com respostas não necessariamente excludentes.

A primeira delas é se o irmão de Dias Toffoli levaria uma vida dupla: como sujeito de sorte que se tornou sócio de um grande empreendimento turístico (tem uma casa em seu nome no resort, de acordo com a Folha) e, ao mesmo tempo, como engenheiro eletricista que dá um duro desgraçado e é humilde a ponto de não conseguir fazer uma reforma na casa comprada a muito custo.

A segunda questão é se José Eugênio Toffoli apenas emprestou o seu nome e o seu endereço em Marília para encobrir o verdadeiro proprietário do resort Tayayá, sem o conhecimento da mulher (ou quem sabe até à sua própria revelia, que se dê a ele o benefício da dúvida). Nesse caso, José Eugênio seria um laranja dos mais banais.

Há outro irmão, o padre José Carlos Dias Toffoli, e um primo do ministro, Mario Umberto Degani, que constam como sócios do Tayayá. Seriam laranjas também?

De qualquer forma, fiquei com pena de Cássia, a cunhada de Dias Toffoli que foi até o portão da sua casa caindo aos pedaços para conversar com o repórter Pedro Augusto Figueiredo.

Ela me fez concluir que, no Brasil, subvertemos a célebre frase de abertura do romance Anna Kariênina, do russo Tolstói, segundo a qual todas as famílias felizes se parecem, ao passo que cada família infeliz é infeliz à sua maneira. Aqui, as infelicidades familiares são bastante semelhantes umas às outras."

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(João Luiz Mauad)

Fonte: https://x.com/mauad_joao/status/2014403339182653510

Re: Política brasileira

Huxley
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Mais um ótimo artigo do Mário Sabino: 👇

“Despertou grande interesse antropológico em mim a nota do ministro Edson Fachin,presidente do STF, em defesa da atuação de Dias Toffoli no caso do Banco Master.

Mais precisamente, a sua parte final, na qual ele diz o seguinte:

“É induvidoso que todos se submetem à lei, inclusive a própria Corte Constitucional; nada obstante, é preciso afirmar com clareza: o Supremo Tribunal Federal não se curva a ameaças ou intimidações. Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito…”

Se bem entendi, o presidente do STF, um democrata de quatro costados, quis dizer que aqueles que ousam apontar o descalabro das decisões de Toffoli e investigam as suas ligações financeiras com o Master de Daniel Vorcaro estão ameaçando o tribunal e, portanto, a democracia.

Eu pensava que era exatamente o contrário: que estávamos fortalecendo o STF, o Estado de direito e o sistema democrático ao tentar depurá-los. Achava até que ajudávamos Fachin na sua cruzada por um código de conduta para os integrantes do tribunal.

A minha percepção estava errada: para Fachin e os seus colegas, toda crítica a atitudes de um integrante do tribunal, ou revelação de fatos sobre ele, é “irresponsável primitivismo da pancada”, tentativa de “desmoralizar o STF para corroer a sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional”.

Imprensa, PF e BC que tomem cuidado, visto que “a história é implacável com aqueles que tentam destruir instituições para proteger interesses escusos ou projetos de poder; e o STF não permitirá que isso aconteça”.

Soa como intimidação e é intimidação, visto que o tribunal mantém um inquérito sigiloso, aberto de ofício por Dias Toffoli, em 2019, direcionado contra qualquer um que o seu relator, o implacável Alexandre de Moraes, escolhido a dedo por quem abriu o inquérito, julgue ser inimigo do STF.

Com a sua nota que recende a corporativismo, Fachin e os seus colegas jogam repórteres investigativos, articulistas, editorialistas, organismos de fiscalização e controle do mercado financeiro e de combate ao crime na vala comum do bolsonarismo aloprado. Muito conveniente, sem dúvida.

As linhas divulgadas ontem pelo presidente do STF devem ser lidas pelo seu valor de face: são mostra de que vivemos mesmo em outro tempo difícil, dos quais a história está cheia, do manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Talvez eu não tenha juízo, porque, nesta incontornável função jornalística, entre Fachin e Rui Barbosa, ainda fico com o segundo, que escreveu há mais de século:

“A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça.”

https://www.metropoles.com/colunas/mari ... ui-barbosa

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(João Luiz Mauad)

Fonte: https://x.com/mauad_joao/status/2014720447409992083
Editado pela última vez por Huxley em Sex, 23 Janeiro 2026 - 21:05 pm, em um total de 1 vez.

Re: Política brasileira

Huxley
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Fachin afirmou:

"A tentativa de desmoralizar a corte é um ataque à democracia"

O constitucionalismo fala outra coisa:

a leniência com a corrupção funcional na corte é um ataque à democracia
(Conrado Hubner)

Fonte: https://x.com/conradohubner/status/2014691426857099765

Re: Política brasileira

Huxley
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Re: Política brasileira

Huxley
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Novo artigo do Mário Sabino 👇

“Eu deveria pedir emprego a Jaques Wagner. Graças a ele, Guido Mantega conseguiu um salário de R$ 1 milhão por mês, durante quase um ano e meio, do Banco Master. Para quê? Para prestar “consultoria”.

“Os pagamentos a Mantega pela consultoria ao Master podem ter alcançado, no mínimo, R$ 16 milhões. O ex-ministro fez lobby para o Master entre julho e novembro de 2025”, publicou a coluna de Andreza Matais.

Mantega conseguiu que Vorcaro e o então CEO do banco fossem recebidos por Lula, no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, em encontro fora da agenda presidencial. Lula estava acompanhado dos ministros Rui Costa e Alexandre Silveira e de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Deve ter sido a reunião mais cara da história.

Jaques Wagner fez outra boa ação a um amigo: indicou o escritório de advocacia de Ricardo Lewandowski a Daniel Vorcaro, dono do Master. O banco fechou um contrato de R$ 250 mil por mês com o escritório do ex-ministro do STF. Para quê? Para prestar “consultoria”. (…)

Como tudo o que cerca Vorcaro, falta clareza, embora sobrem especulações, a respeito da sua proximidade com Jaques Wagner, um sujeito batuta que propiciou a Mantega e Lewandowski ganhar tantos milhões.

Uma continha singela que inclua o contrato multimilionário do escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes com o banco, contrato de escopo tão vasto quanto insondável, mostra que, entre 2024 e 2025, o Master gastou, direta e indiretamente, R$ 4 milhões e 850 mil por mês apenas com três personagens do círculo do poder brasiliense.

Há também o imbróglio do resort Tayayá, no interior do Paraná, que não pertence a Dias Toffoli, embora todo mundo lá diga que o ministro do STF, que se assenhorou do caso Master, é o verdadeiro dono do empreendimento turístico, assim como ocorria com o Sítio de Lula que não era de Lula. Deve ser alucinação coletiva.

O cunhado de Vorcaro foi sócio do Tayayá por meio de um desses fundos enrolados que operavam com o Master, antes de um advogado da J&F, empresa que teve aquela multa de R$ 10,3 bilhões cancelada por Dias Toffoli, assumir integralmente, no papel, a propriedade do resort.

O fundo ligado ao Master investiu R$ 20 milhões no Tayayá e pagou R$ 3 milhões por metade das cotas dos irmãos de Dias Toffoli, que eram os supostos donos do resort.

Ainda há uma tonelada de informações desconhecidas sobre os pagamentos que Vorcaro fez a gente graúda, de todos os poderes e de todos os lados do espectro político, por meio do seu banco e adjacências.

Infelizmente, porém, não há garantia de que o grosso virá à tona, porque vai longe o tempo em que havia procuradores querendo limpar o Brasil e no qual a imprensa não sofria intimidações da cúpula do Judiciário, apesar de alguns jornalistas continuarem lutando destemidamente para cumprir o seu papel de fiscalizar o poder.

Como o dono do Master comprou uma rede de proteção em Brasília, mas houve quem deixasse de entregar o que vendeu, pode ser que, se as coisas derem muito errado para ele, Vorcaro abra a boca, nem que seja só por vingança. A vingança, não a esperança, é a última que morre.”

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(João Luiz Mauad)

Fonte: https://x.com/mauad_joao/status/2016116244865298512

Re: Política brasileira

Huxley
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Da série: Pindorama, país da censura, do sigilo e dos segredos inconfessáveis 🤡

“As informações requisitadas não dizem respeito ao conteúdo do processo, e sim à tramitação. O objetivo era saber como foi a distribuição do caso para Dias Toffoli (se por sorteio eletrônico ou “prevenção”) e a que horas o relator foi designado. Hoje nem esses dados são divulgados.

O processo foi protocolado no STF no dia 27 de novembro do ano passado. No dia 28, Toffoli impôs sigilo sobre o caso, que havia sido protocolado inicialmente como “segredo de Justiça”. No mesmo dia, o ministro pegou carona em um jatinho privado do empresário Luiz Oswaldo Pastore rumo a Lima, para acompanhar a final da Libertadores entre o Flamengo e o Palmeiras, time pelo qual torce, conforme revelou o colunista do GLOBO Lauro Jardim.

Se tivessem sido disponibilizadas, essas informações permitiriam esclarecer se Toffoli se tornou relator da ação de Vorcaro antes, durante ou depois do voo para Lima. O sigilo sobre o caso foi imposto pelo ministro horas depois após o blog revelar que Vorcaro entrara com uma ação para que as investigações deixassem a Justiça Federal e fossem enviadas para o STF.

Entre os passageiros do jato estava o advogado Augusto de Arruda Botelho, responsável pela defesa do ex-diretor de compliance do Master, Luiz Antonio Bull. Na época da carona, Toffoli disse a interlocutores que a ação de Vorcaro não tinha ainda chegado a ele e afirmou que não conversa sobre processos nessas ocasiões.

Conforme revelou O GLOBO, a mesma aeronave também esteve no ano passado na região do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), do qual parentes do magistrado foram sócios.

A equipe da coluna pediu ao STF acesso à certidão de distribuição do processo. Esse documento é elaborado pela Coordenadoria de Processo Inicial do STF, responsável pelas primeiras etapas da tramitação dos casos e petições que chegam à Corte – e informa como foi a distribuição (se por sorteio eletrônico, ou “prevenção”) e a que horas um relator foi designado.

Em nota enviada ao blog nesta terça-feira (27), o gabinete de Toffoli informou que o ministro “se declara impedido em processos que envolvem o empresário Luiz Pastore” e que, na época da viagem, “não havia sido notificado sobre a distribuição de tais processos, tampouco detinha informações sobre os demais passageiros do voo”. “🤡

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(João Luiz Mauad)

Fonte: https://x.com/mauad_joao/status/2016642986436616224

Re: Política brasileira

Huxley
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Por que os juízes do STF acham que não devem satisfação a ninguém
Porque não vivemos em uma democracia, mas em autocracia comandada pelos juízes do STF, que não têm controle externo e se recusam a ter

Mario Sabino
02/02/2026 11:12, atualizado 02/02/2026 14:12

Uma democracia em que há um grupo de pessoas que concentra poder político e se sente desobrigado a prestar satisfação por seus atos não é democracia. É autocracia. No caso brasileiro, a autocracia é dos juízes do STF.

Na prática, as decisões e os comportamentos desse grupo não têm controle externo nenhum. Além disso, críticas e denúncias provenientes de cidadãos e instituições são passíveis de punição, mesmo quando feitas dentro dos limites da Constituição em vigor.

Explica-se: em uma autocracia, a Constituição é apenas formalidade. São os autocratas que definem o que é legal ou ilegal, ao sabor das suas conveniências políticas e pessoais. O resto é, forçosamente, silêncio.

É assim que começa outro ano judiciário: com Dias Toffoli e Alexandre de Moraes em silêncio sobre as ligações deles com o Banco Master, o que só mostra o desprezo de ambos pela democracia que tanto juram defender. É um silêncio de autocratas.

Edson Fachin diz querer que o STF adote um código de conduta. É lógico que os seus colegas são contra. Seria aceitar que haja controle externo, visto que o desrespeito a um código de conduta implicaria motivos precisos e inquestionáveis para que senadores embasassem processos de impeachment.

A OAB levou a sério a ideia de Fachin e enviou ao STF uma proposta de código de conduta. Eu a li com sorriso sardônico.

No primeiro artigo, o código de conduta apresentado pela OAB veda a um ministro do Supremo “participar de julgamento de processo no qual tenha relação de parentesco até o terceiro grau, ou de amizade íntima, com qualquer da partes ou com qualquer de seus procuradores advogados, bem como com advogado que integre escritório atuante no processo”.

O meu sorriso sardônico evoluiu para risada irônica quando li o segundo artigo: “é permitida a participação em seminários acadêmicos, congressos e eventos jurídicos promovidos por pessoas física ou jurídica, desde que os organizadores ou patrocinadores não tenham interesse econômico em processos pendentes de decisão do Tribunal”.

A risada irônica se transformou em gargalhada de escárnio ao chegar ao terceiro artigo: “os ministros, no exercício de atividade docente autorizada constitucionalmente, não podem ocupar cargo ou função de coordenação, administração, direção ou controle societário de entidade de ensino”.

Com a visão embaçada pelo efeito cômico da proposta, li ainda os artigos que impõem aos ministros do STF manter absoluta reserva sobre matérias em julgamento e se abster de emitir opiniões sobre questões político-partidárias.

O código de conduta elaborado pela OAB é elementar e, como tal, seria o único aceitável, se não vivêssemos em uma autocracia. Como vivemos, eu ri.
Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/mari ... -a-ninguem

Re: Política brasileira

Huxley
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Por um código de ética só de sacanagem
Conrado Hubner Mendes

“Se fosse ministro do centrão supremocrático, eu adotava logo esse código de ética. Sugeriria à advocacia publicar livro em nossa homenagem: "Os Pais Fundadores da Ética no Supremo Tribunal Federal". Faríamos lançamento na biblioteca do STF, daríamos autógrafo e sairíamos de lá cantando: "Se o penhor dessa integridade, conseguimos conquistar com braço forte. Ó corte amada, idolatrada, salve, salve". Entoaríamos o hino toda quarta-feira no plenário. Criaríamos a fumaça do juiz ético.

Se fosse ministro do centrão supremocrático, ficaria mais discreto por uns meses. Faltaria aos fóruns de arranjinho em 2026. Deixaria Lisboa, Madri, Londres e Sardenha para 2027. Faria quarentena de encontros corporativos e da advocacia lobista. E me dedicaria a uma jurisprudência com interpretações do código que logo nos permitissem voltar à libertinagem. Uma jurisprudência que distinga ministros do STF de juízes quaisquer. Que mostre podermos coisas que outros não podem.

Nesse momento, porém, ministros do centrão supremocrático veem um dilema: se correr do código, o impeachment pega; se adotar o código, o impeachment come. Não entenderam que código de ética pode ser salvação, não confissão. Podia até mesmo ser o início de um projeto de regeneração institucional. Mas, se trabalharem direitinho com Maquiavel e conseguirem distrair a sociedade, o código pode virar um bom disfarce.

Foi na última década que ministros do STF conquistaram fluência em promiscuidade, proficiência em quebra de decoro e gosto por delitos éticos de primeiro grau. Não só continuaram a praticá-los, mas passaram a racionalizá-los. Sentiram-se confortáveis para oferecer explicações.

Tentaram nos convencer que a repentina profusão de parentes advogados, até então desconhecidos, atuando nos casos mais rentáveis do capitalismo nacional, decorre do esmero de jovens talentosos em direito; que a profusão de eventos corporativos em destinos de luxo significava "abertura ao diálogo" com "todos" os setores da sociedade.

Disseram que a exigência de publicidade a remunerações extras, a gastos com viagens e à agenda oficial violaria sua independência; que caronas aéreas e entretenimentos pagos por novos amigos ricos estão protegidos pela privacidade; que a suspeição está só nos olhos de quem vê, não nas mãos de quem decide.

Sugeriram que usar jornalistas para mandar recados públicos era parte de sua liberdade, e que falar em "off" era pragmatismo, não covardia. Afinal, o STF é lugar de homens brancos adultos, não de meninas.

Lembraram que nada afeta sua imparcialidade e forjaram um teste: "Se acha que sou suspeito, prove que beneficiei meu amigo". Numa malandragem conceitual, induziram confusão entre suspeição e prova causal de favorecimento. A fórmula "todo juiz é insuspeito até que se prove o contrário" poderia ser só burrice, não fosse ardil patrimonialista e autoritário.

Edson Fachin e Cármen Lúcia são os únicos até aqui a mostrarem clareza e compromisso público. Estão entre os únicos há anos. Fachin afirmou, na abertura do ano judicial, que "chegou a hora de o tribunal sinalizar que o momento é outro", de reconstruir "confiança pública".

Se eu fosse ministro do centrão supremocrático, aprovava logo esse código de ética. Só de sacanagem.”

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Fonte: https://x.com/mauad_joao/status/2019389584019222528

Re: Política brasileira

Huxley
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Re: Política brasileira

Huxley
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Leiam mais um ótimo artigo do Mário Sabino: 👇

“Sob os auspícios de Flávio Dino, o STF validou o aumento de penas em um terço por crimes contra a honra cometidos contra funcionários públicos no exercício das suas funções.

Isso significa que, perante a lei, calúnia, injúria e difamação são consideradas ofensas maiores se dirigidas, por exemplo, aos presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo, incluídos entre outros agentes do Estado.

É evidente absurdo lógico quando se leva em conta que, de acordo com a Constituição, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, a não ser quando se trata de preservar os mais fracos, nunca os mais fortes.

A pretexto de proteger o serviço público, a maioria dos ministros do STF continua firme, portanto, na sua investida contra a liberdade de expressão, iniciada desde que eles se arrogaram o papel de únicos defensores da democracia, na base do prende e arrebenta.

Edson Fachin, atual presidente do Supremo, foi um dos votos vencidos. De acordo com ele, o aumento das penas se choca com a ordem democrática e contraria a jurisprudência do próprio STF em relação ao direito à crítica e ao assédio judicial a jornalistas.

Para Fachin, o direito à crítica contundente a agentes públicos deve ser garantido por eles estarem sujeitos ao maior escrutínio da sociedade. A crítica contundente é até mesmo indispensável ao controle democrático do poder, de acordo com o ministro.

Só que os democratas do STF não querem saber de controle nenhum. Para eles, qualquer controle é ameaça intolerável.

A validação da norma absurda ultrapassa as circunstâncias desta nossa quadra temporal e se inscreve na tradição brasileira de hierarquia, personalismo e desigualdade social.

Tradição que encontra a sua tradução mais sucinta na frase “você sabe com quem está falando?”, como apontou o antropólogo Roberto DaMatta, em Carnavais, Malandros e Heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro.

Ela expressa o polo autoritário da sociedade nacional, que se contrapõe ao polo amigável, do “jeitinho”, que iguala falsamente os brasileiros de todas as extrações.

O “você sabe com quem está falando?” surge quando tentamos evocar a impessoalidade igualitária nas relações cotidianas e nos deparamos com a realidade de uma sociedade regida por uma hierarquia opressora, que se reproduz de alto a baixo, do grande ao pequeno poder, na sua escala de classes e funções.

Ao validar o aumento das penas por crimes contra honra de funcionários públicos, entre os quais presidentes de poderes, o STF gritou um “você sabe com quem está falando?” a todos os cidadãos que ainda nutrem a ilusão de viver sob uma democracia plena, não em um regime em que uns são mais iguais do que os outros.”

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Fonte: https://x.com/mauad_joao/status/2019882859637424373

Re: Política brasileira

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O que mais precisam para afastar Toffoli deste caso? O que mais precisam para promover o impeachment deste cidadão?

"BRASÍLIA – A Polícia Federal encontrou menções ao ministro Dias Toffoli em celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro do Supremo Tribunal Federal é relator da investigação do caso do Banco Master.

Por conta do novo achado a partir de perícias nos aparelhos de Vorcaro, a direção da PF optou por entregar relatório ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.

Como relator, Toffoli deveria ser o destinatário de novas informações sobre as investigações. Todavia, como ele mesmo está citado, a PF repassou o material para Fachin avaliar que medida deve ser adotada."

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(João Luiz Mauad)

Fonte: https://x.com/mauad_joao/status/2021733470863815002

Re: Política brasileira

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Re: Política brasileira

Huxley
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O rolo compressor sobre Toffoli se move rápido. Infelizmente, isto tem tirado o foco daquele contrato milionário da mulher de um outro ministro. 🤬

“O material que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, é mais grave do que sugerem as notas explicativas distribuídas pelo gabinete do ministro Dias Toffoli. O extenso relatório policial expõe indícios de possíveis crimes cometidos por Toffoli no contexto de suas relações com o Master, banco cujas fraudes bilionárias são alvo de inquérito sob relatoria do próprio ministro.

Ao contrário do que disse a nota divulgada pelo gabinete de Toffoli, a PF não pediu a sua “suspeição” no caso Master – isto é, não requisitou que ele deixasse de ser o relator. O que o diretor-geral da PF fez foi cumprir o artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura, que determina o envio dos autos ao tribunal quando surgem indícios de prática de crime por parte de magistrado no curso de um processo que ele relata.

A diferença entre a “suspeição” e o artigo 33 é central. Alega-se a suspeição de um magistrado quando há dúvidas sobre sua imparcialidade – seja porque ele tem relação de amizade íntima com uma das partes, seja porque tem negócios que podem ser impactados pelo processo. O artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura, no entanto, trata de outra hipótese: a existência de elementos que podem configurar ilícito penal. (…)

O conteúdo do relatório policial está mantido sob sigilo, mas investigadores confirmaram reservadamente à piauí que os achados da PF – que incluem mensagens do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master – vão além do já noticiado pagamento à Maridt Participações S.A, empresa da família Dias Toffoli, pela venda das cotas do resort. (…)

Segundo a piauí apurou, o que a PF apresentou a Fachin foi uma Informação de Polícia Judiciária (IPJ) focada exclusivamente em Toffoli. As IPJs são documentos em que a PF condensa evidências de uma investigação, incluindo possíveis desdobramentos que não estavam previstos no âmbito inicial do inqúerito. Nesse tipo de documento, a polícia enumera fatos e hipóteses criminais, mas não chega a pedir indiciamento das pessoas investigadas. É diferente de um relatório final de um inquérito ou de um pedido para decretação de busca e apreensão.” (…)

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(João Luiz Mauad)

Fonte: https://x.com/mauad_joao/status/2022026215784071552

Re: Política brasileira

Huxley
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Da série: a mentira tem perna curta 🤡

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(João Luiz Mauad)

Fonte: https://x.com/mauad_joao/status/2022043627988656244

Re: Política brasileira

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O celular de Vorcaro já deu a primeira alegria: Toffoli
Só depois que a PF descobriu que Toffoli recebeu dinheiro do cunhado de Vorcaro, é que o ministro disse ter sido dono do resort Tayayá

Mario Sabino
12/02/2026 12:06, atualizado 12/02/2026 19:06

O celular de Daniel Vorcaro já deu a primeira alegria: Dias Toffoli. Esperemos que não seja a única.

Só depois que a PF conseguiu acessar o conteúdo do aparelho do banqueiro e descobriu que Dias Toffoli recebeu indiretamente dinheiro do dono do Master, é que o ministro do STF admitiu ter sido dono do resort Tayayá, no interior do Paraná.

Foi dono porque é sócio da Maridt, a empresa da qual recebe dividendos e cuja propriedade era até ontem atribuída apenas a seus irmãos. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, comprou a participação da Maridt no resort por meio de um fundo que faz parte da teia criada pelo banqueiro.

A Maridt é uma sociedade anônima, com capital social de míseros R$ 150 e endereço de fachada, em Marília, no interior de São Paulo, como mostrou a coluna de Andreza Matais. Tem, portanto, características de empresa usada para lavar dinheiro, embora ainda não se possa dizer que essa era a sua finalidade.

Diante da descoberta da PF, fica claro que, na sessão em que Dias Toffoli e Alexandre de Moraes reagiram à iniciativa de Edson Fachin de criar um código de conduta para os integrantes do STF, o ministro sócio da Maridt estava antecipando uma linha de defesa ao dizer que “vários magistrados são donos de empresas, e eles, não excedendo a administração, têm todo o direito aos seus dividendos”.

Como a PGR de Paulo Gonet se recusa a fazer o seu trabalho no caso das implicações de ministros do STF com o dono do Master (tem-se também o caso da mulher advogada de Moraes, que firmou um contrato mirabolante de R$ 129 milhões com o banco de Vorcaro), coube à PF pedir a Edson Fachin que o STF considerasse Toffoli, bastante presente no celular do banqueiro, suspeito para continuar à frente do inquérito que investiga banco e banqueiro, do qual o ministro sócio da Maridt se assenhorou com argumento que não resistia aos fatos.

As conversas e menções a Toffoli encontradas no celular indicam que a ligação do ministro com Vorcaro era perigosa, o que leva a concluir que, fôssemos um país sério, mais do que suspeito para atuar como juiz do imbróglio protagonizado pelo dono do Master, Toffoli deveria estar na condição de investigado a partir de agora.

Aliás, não se esqueça de que o resort Tayayá pertence hoje, ao menos no papel, a um advogado da J&F, empresa dos irmãos Batista beneficiada por uma decisão do ministro, escandalosa de todos os pontos de vista.

A decisão foi a de anular a multa de R$ 10,3 bilhões a ser paga pela J&F no âmbito do acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal, em desdobramento da Lava Jato — a operação anticorrupção da qual Toffoli se empenha em destruir o legado, em missão aplaudida por pares seus.

Tudo é surpreendente, sem deixar de ser previsível. Toffoli ministro do STF é uma criação de Lula destinada a confusões; ministro do STF que acha que pode fazer o quiser, seja na vida privada ou no tribunal, ignorando conflito de interesses (e que interesses…), é fruto da esculhambação promovida contra o Estado de Direito por quem teria a obrigação de defendê-lo.

O celular de Vorcaro pode ser um Deus ex-machina para o caos institucional brasileiro. Aguardemos os próximos atos.
Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/mari ... ia-toffoli

Re: Política brasileira

Huxley
Mensagens: 5921
Registrado em: Sáb, 07 Março 2020 - 20:48 pm

Mensagem por Huxley »

Eu já estava com um pressentimento sutil que outra “coincidência” iria acontecer:

a escolha de André Mendonça se deu por sorteio

o antigo funcionário de toffoli, maior fã do ministro a ponto de escrever livros em homenagens, e o único a criticar a PF ter investigado Toffoli, foi escolhido por sorteio

da mesma forma que Toffoli, o ministro que acabara de receber milhões do banco master e viajado com seu advogado em jatinho particular, foi escolhido por sorteio

ministro do STF tem que ser proibido de jogar na megasena, vai ganhar todas. é muita sorte.
(fried)

Fonte: https://x.com/FriedHardt/status/2022130825895047255

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Fonte: https://x.com/ivanildoiii/status/2022097531887661241

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Fonte: https://x.com/aguedescartoon/status/2022120231473492302
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