Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

Área destinada à discussão sobre Ceticismo e a Incredulidade Humana

Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

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Ricardo
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Registrado em: Sáb, 05 Setembro 2020 - 10:16 am

Mensagem por Ricardo »

Olá pessoal,

Quero abrir uma discussão sobre experiências espirituais, como relatos de mediunidade, aparições ou experiências de quase-morte. Sei que o fórum valoriza muito a investigação baseada em evidências, e respeito totalmente isso.

Minha dúvida é: será que podemos analisar essas experiências de forma crítica, sem simplesmente descartá-las por não se encaixarem na ciência atual?

Algumas perguntas que penso:

Como definir evidência suficiente para experiências que ainda não conseguimos explicar?

É possível investigar isso mantendo rigor lógico, sem cair em negação automática?

Quando algo não tem explicação científica, devemos descartar ou explorar com mente aberta?

Gostaria de ouvir a opinião de vocês: como equilibrar ceticismo genuíno e abertura investigativa diante de fenômenos ainda não explicados?"

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

O primeiro passo é investigar as alegações e verificar se os tais fenômenos realmente ocorrem, independente de serem cientificamente explicáveis.
Se nada for constatado, podem ser ignorados.

Além disto, mesmo que a ciência ainda não consiga explicá-los, nada impede que venha a conseguir no futuro.
Ou seja, é preciso provar que esses fenômenos, além de serem reais, nunca terão explicação científica.

Pergunta: o que é uma experiência espiritual? Se é detectável pelos 5 sentidos ou por instrumentos, não é espiritual. Se não é detectável, como saberemos que ocorreu?

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

fenrir
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Mensagem por fenrir »

Complementando o que o Fernando disse:

Voce, por exemplo, poderia questionar o dito: "Não ha nada no pensamento que não tenha estado antes nos sentidos" ("Nihil est in intellectu quod non fuerit in sensu")
indo por uma linha de que há uma realidade que os sentidos nao abrangem (por exemplo, o espiritual) e esse "não abrange" não seria algo quantitativo, do tipo
"o olho humano não vê no infravermelho" e sim do tipo "o olho humano não pode ver o espiritual".
No primeiro caso, nao vemos IV, mas temos sensores para tanto. Esses sensores são a extensão de nossa visao no IV. No segundo caso, não há como ampliar
ou extender os sentidos de nenhuma forma que seja conhecida da ciencia.

Agora imagine um ser humano que tivesse nascido sem nenhum dos 5 sentidos. Daí pergunto: O que haveria no cerebro dele. Num cérebro com 0 input?
Num proximo passo, extenda essa analogia de forma a incluir todo o aparato que usamos para ampliar nossos sentidos, como sensores de IV e
pense numa situação análoga ao do ser sem sentidos, onde não há como se usar, nem sentidos, nem nenhum aparato que os amplie para ver
o que haveria "lá fora" (chamemos assim o espiritual ou um transcendente).
Ora, estamos de novo numa situação de zero input. Sendo assim, como podemos afirmar o que quer que seja a respeito de um "lá fora", que nos
é inacessivel? Como saber, antes de tudo, se sequer existe ou não esse "lá fora"?

Os defensores do espiritual poderiam rebater dizendo que ha individuos com uma tal sensibilidade que podem vislumbrar esse meio, seja de que forma for.
Mas não havendo meio de confirmar, de forma independente o que dizem esses individuos, como saberemos se o que eles alegam é de fato verdadeiro?
Mesmo que sejam honestos e confiaveis eles podem se enganar, então não há como ter a prova disso e a unica coisa que resta no fim é a palavra do individuo.
Isso não é suficiente do ponto de vista cientifico e cetico.
Ciencia é como Justiça Criminal: os possiveis fatos precisam ser checados, provados, de forma rigorosa, minuciosa, para só dai poder afirmar que são verdadeiros.

Essas experiencias do espiritual só irão atrair a atenção do mainstream quando elas poderem ser medidas, quantificadas, reproduzidas de forma controlavel
por outros grupos alem do primeiro que a reportou. E para que tal aconteça elas tem de fornecer mais do que a palavra de alguem, quer seja bem-intencionado
ou não, confiavel ou não.

Pensei numa outra possível ressalva, por parte do defensor do espiritual:
Se não existe um espiritual, um "lá fora" ou um transcendente, como é então que podemos concebe-lo em pensamento, já que nunca esteve antes nos sentidos?

Retruco dessa forma:
Nossas mentes são plenamente capazes de criar coisas que não existem, a partir de combinações de coisas que existem (e que estiveram nos sentidos).
Por exemplo um Unicórnio, um cavalo com um chifre e asas. A combinação não existe, mas as partes separadamente sim.
Ha como se pensar no mesmo em relação ao espiritual se ele for entendido como negação ou oposto ao material. Tanto material, como negação ou oposto
existem e podem ser combinados como cavalos, chifres e asas.
Então o pressuposto que assumia ser impossivel pensar num transcendente cai por terra, porque para qualquer X, podemos pensar num não-X, num
oposto a X, num complemento de X, num superconjunto de X, como queira.
E disso não segue que tal não-X exista, ainda que o X exista, como não segue que unicornios existam anda que existam cavalos, chifres e asas.
Resumindo: o transcendente não estava nos sentidos, porem as suas partes, como no caso do unicornio, sim.

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

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Ricardo
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Mensagem por Ricardo »

Agradeço as contribuições e compreendo a perspectiva cética. Concordo plenamente que a ciência deve ser rigorosa e baseada em evidências verificáveis. O problema central que vejo é que, embora a ciência seja uma ferramenta poderosa para entender o mundo físico, ela tem limitações no que se refere a fenômenos subjetivos e experiências que não se encaixam facilmente nos parâmetros tradicionais de observação e medição.

Quando falamos de experiências espirituais — sejam elas mediúnicas, místicas ou de quase-morte — não estamos necessariamente afirmando que elas representam uma evidência irrefutável de um "mundo espiritual", mas sim que são fenômenos humanos reais que precisam ser tratados com seriedade, mesmo que não possamos explicá-los cientificamente no momento.

Eu entendo o ponto de que experiências pessoais não podem ser usadas como prova no sentido científico estrito. No entanto, a experiência subjetiva não é algo trivial: a dor, o prazer, o amor, e até mesmo os estados alterados de consciência, todos são fenômenos reais e validamente investigáveis, mesmo que, por natureza, não sejam mensuráveis da mesma forma que um fenômeno físico.

A questão que coloco é: Como podemos balancear o ceticismo genuíno com uma abertura investigativa, sem cair na negação automática de experiências que ainda não entendemos? Não devemos simplesmente descartar algo por não se encaixar nas explicações científicas atuais. A história da ciência está cheia de descobertas que antes pareciam impossíveis, mas que, com o tempo, foram compreendidas.

Portanto, acredito que o objetivo de uma investigação genuína deve ser explorar essas experiências com um olhar aberto e sem preconceitos, sem afirmar ou negar nada sem as evidências necessárias. Isso não significa aceitar essas experiências como uma prova de uma realidade espiritual, mas tratá-las como fenômenos psicológicos e culturais que merecem estudo e reflexão, enquanto seguimos buscando as melhores explicações dentro dos limites da ciência.

Em resumo, sou a favor de uma abertura investigativa que, ao mesmo tempo, não abandone o rigor lógico e científico. Estamos lidando com algo complexo e, como tal, é importante manter a mente aberta, sem afirmar dogmaticamente que tudo é explicável ou, por outro lado, que tudo é uma ilusão.

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

Huxley
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Mensagem por Huxley »

Ricardo escreveu:
Seg, 15 Dezembro 2025 - 14:34 pm
Agradeço as contribuições e compreendo a perspectiva cética. Concordo plenamente que a ciência deve ser rigorosa e baseada em evidências verificáveis. O problema central que vejo é que, embora a ciência seja uma ferramenta poderosa para entender o mundo físico, ela tem limitações no que se refere a fenômenos subjetivos e experiências que não se encaixam facilmente nos parâmetros tradicionais de observação e medição.

Quando falamos de experiências espirituais — sejam elas mediúnicas, místicas ou de quase-morte — não estamos necessariamente afirmando que elas representam uma evidência irrefutável de um "mundo espiritual", mas sim que são fenômenos humanos reais que precisam ser tratados com seriedade, mesmo que não possamos explicá-los cientificamente no momento.

Eu entendo o ponto de que experiências pessoais não podem ser usadas como prova no sentido científico estrito. No entanto, a experiência subjetiva não é algo trivial: a dor, o prazer, o amor, e até mesmo os estados alterados de consciência, todos são fenômenos reais e validamente investigáveis, mesmo que, por natureza, não sejam mensuráveis da mesma forma que um fenômeno físico.

A questão que coloco é: Como podemos balancear o ceticismo genuíno com uma abertura investigativa, sem cair na negação automática de experiências que ainda não entendemos? Não devemos simplesmente descartar algo por não se encaixar nas explicações científicas atuais. A história da ciência está cheia de descobertas que antes pareciam impossíveis, mas que, com o tempo, foram compreendidas.

Portanto, acredito que o objetivo de uma investigação genuína deve ser explorar essas experiências com um olhar aberto e sem preconceitos, sem afirmar ou negar nada sem as evidências necessárias. Isso não significa aceitar essas experiências como uma prova de uma realidade espiritual, mas tratá-las como fenômenos psicológicos e culturais que merecem estudo e reflexão, enquanto seguimos buscando as melhores explicações dentro dos limites da ciência.

Em resumo, sou a favor de uma abertura investigativa que, ao mesmo tempo, não abandone o rigor lógico e científico. Estamos lidando com algo complexo e, como tal, é importante manter a mente aberta, sem afirmar dogmaticamente que tudo é explicável ou, por outro lado, que tudo é uma ilusão.
Segundo a epistemologia da ciência, ninguém tem direito de deslegitimar a verificação da existência de fenômenos apenas pelo fato de seus mecanismos causais não serem claros.

Imaginei um teste em que voluntários de um experimento sobre mediunidade veem um código secreto sorteado aleatoriamente, colocam esse código em uma cápsula do tempo e, após as mortes deles, verifica‑se se existem pessoas que se dizem médiuns capazes de adivinhar o código em uma frequência maior do que a esperada pelo acaso estatístico. Porém, até hoje, não conheço experimento igual ou muito parecido que produziu resultados acima do acaso.

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

fenrir
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Registrado em: Qui, 19 Março 2020 - 21:59 pm

Mensagem por fenrir »

Ricardo escreveu:
Seg, 15 Dezembro 2025 - 14:34 pm
Agradeço as contribuições e compreendo a perspectiva cética. Concordo plenamente que a ciência deve ser rigorosa e baseada em evidências verificáveis. O problema central que vejo é que, embora a ciência seja uma ferramenta poderosa para entender o mundo físico, ela tem limitações no que se refere a fenômenos subjetivos e experiências que não se encaixam facilmente nos parâmetros tradicionais de observação e medição.

Quando falamos de experiências espirituais — sejam elas mediúnicas, místicas ou de quase-morte — não estamos necessariamente afirmando que elas representam uma evidência irrefutável de um "mundo espiritual", mas sim que são fenômenos humanos reais que precisam ser tratados com seriedade, mesmo que não possamos explicá-los cientificamente no momento.

Eu entendo o ponto de que experiências pessoais não podem ser usadas como prova no sentido científico estrito. No entanto, a experiência subjetiva não é algo trivial: a dor, o prazer, o amor, e até mesmo os estados alterados de consciência, todos são fenômenos reais e validamente investigáveis, mesmo que, por natureza, não sejam mensuráveis da mesma forma que um fenômeno físico.

A questão que coloco é: Como podemos balancear o ceticismo genuíno com uma abertura investigativa, sem cair na negação automática de experiências que ainda não entendemos? Não devemos simplesmente descartar algo por não se encaixar nas explicações científicas atuais. A história da ciência está cheia de descobertas que antes pareciam impossíveis, mas que, com o tempo, foram compreendidas.

Portanto, acredito que o objetivo de uma investigação genuína deve ser explorar essas experiências com um olhar aberto e sem preconceitos, sem afirmar ou negar nada sem as evidências necessárias. Isso não significa aceitar essas experiências como uma prova de uma realidade espiritual, mas tratá-las como fenômenos psicológicos e culturais que merecem estudo e reflexão, enquanto seguimos buscando as melhores explicações dentro dos limites da ciência.

Em resumo, sou a favor de uma abertura investigativa que, ao mesmo tempo, não abandone o rigor lógico e científico. Estamos lidando com algo complexo e, como tal, é importante manter a mente aberta, sem afirmar dogmaticamente que tudo é explicável ou, por outro lado, que tudo é uma ilusão.
À parte os casos onde ha farsa e charlatanismo (e são muitos), não é o caso da ciência ou o cético negarem que um médium ou nenhum médium nunca experimentem algo.
O que se questiona é a explicação oferecida, as causas daquilo que o medium experimentou.
Se alguem oferece para tal experiencia uma explicação que já assume a priori a existencia de um mundo espiritual, então está sim assumindo tacitamente que tal evidencia é inquestionavel, dado que a mesma sequer é colocada sobre discussão e todas as deduções que vem em seguida dependem e decorrem desse pressuposto.
E isto é perigoso. Porque se a base estiver errada, tudo o que decorrer dela tambem estará.

A ciencia e os ceticos não negam que exista amor, prazer ou dor. Tanto é fato que essas coisas são estudadas em psicologia.
Repito que o que se questiona muitas vezes não é o fenômeno em si e sim as explicações oferecidas sobre ele, as alegadas causas e consequencias dele.

Sobre preconceitos:
Sendo a ciencia uma "empreitada" humana e sendo humanos sujeitos ao preconceito, nem a ciencia e nem ceticos serão imunes a ele. Isto, como diria o Nelson Rogrigues, é um óbvio ululante.
Porem, o fato da ciencia exigir replicabilidade e multiplas comprovações independentes de um experimento faz com que esses preconceitos não durem muito.
Até hoje se testa a teoria da relatividade, mesmo ela tendo sido comprovada imumeras vezes, de inumeras maneiras distintas!
Essa é a maior prova de que o meio cientifico, mesmo não sendo 100% imune a dogmas, é extremamente hostil a eles.
Em algum momento, grupos independentes começarão a perceber que aquelas teorias que nasceram de uma visão preconceituosa estão erradas e a medida que as evidencias
disso surgirem por todo o lado e se acumularem, mesmo um maintream que mantivesse tal visão preconceituosa teria de se curvar e aceitar e ai aquilo que antes se negava passará a fazer parte do corpus cientifico.
Há vários exemplos assim na história da ciencia.

Eu não creio que seja impossivel de todo que haja um transcendente, um espiritual.
Não sou onisciente e não posso prever o futuro. Se fosse o caso de daqui a 500 anos, o mainstream comprovar que existem espiritos e que tal passe a ser fato cientifico, como haveria eu de saber?
Apenas assumi que não existe, com base no que conhecimento que temos acumulado até aqui.
Não sou contra fazerem experimentos para estudarem tais fenomenos, desde que se pautem pelo metodo cientifico: tais experimentos precisam ser reprodutiveis, terem comprovação independente,
serem exaustivamente testados, re-testados, etc. Esse é o preço a se pagar. Não tem almoço grátis.

O subjetivo tem problema dificil de resolver: como "entrar" na mente de alguem e saber exatamente o que acontece ou aconteceu ali?
Não há como, ou pelo menos não exatamente. Temos só uma idéia, um vislumbre, suponho. É o que a psicologia tenta fazer quando estuda a mente.
E ai, o que temos de concreto é a palavra do individuo. Mas isto somente não basta.
E não basta porque uma pessoa pode ser mal-intencionada e mesmo se bem-intencionada pode se enganar e interpretar de forma incorreta o que ve ou sente.
Aquilo que ve ou sente passa pela lente de emoções, crenças, vieses, expectativas, que irão moldar e distorcer a percepção daquela experiencia.
Isto, em se tratando de natureza humana, infelizmente é regra e não exceção. Daí o fato da ciencia precisar ser tão rigida e inflexivel em suas exigencias.
Se voce busca a verdade não vai querer que ela se assente em bases instaveis ou duvidosas.

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

fenrir
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duplicado

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Ricardo escreveu:
Seg, 15 Dezembro 2025 - 14:34 pm
Agradeço as contribuições e compreendo a perspectiva cética. Concordo plenamente que a ciência deve ser rigorosa e baseada em evidências verificáveis. O problema central que vejo é que, embora a ciência seja uma ferramenta poderosa para entender o mundo físico, ela tem limitações no que se refere a fenômenos subjetivos e experiências que não se encaixam facilmente nos parâmetros tradicionais de observação e medição.
Como provar que tais fenômenos ocorreram se não são detectáveis pelos 5 sentidos ou por instrumentos?

Qual a diferença entre uma alucinação e algo que a pessoa sentiu, mas não tem como provar?

"Ah, mas foram vários casos!"
Cérebros semelhantes estão sujeitos a problemas semelhantes.

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

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Gorducho
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Mensagem por Gorducho »

Sr. Fernando Silva escreveu:
Ter, 16 Dezembro 2025 - 08:22 am
Como provar que tais fenômenos ocorreram se não são detectáveis pelos 5 sentidos ou por instrumentos?
O ESPIRITISMO, es decir, o modelo Espírita, tem sim como ser testado. Como tenho explicado recorrentemente cá, e exaustivamente discutido lá no Obras Psicografadas.
Agora, genericamente não. Como aliás qualquer coisa genericamente descrita, sem especificidades claras.
Qual a diferença entre uma alucinação e algo que a pessoa sentiu, mas não tem como provar?

"Ah, mas foram vários casos!"
Cérebros semelhantes estão sujeitos a problemas semelhantes.
Sim, essa generalidade não vejo como mesmo.

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

fenrir
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Mensagem por fenrir »

Gorducho escreveu:
Ter, 16 Dezembro 2025 - 12:20 pm
Sr. Fernando Silva escreveu:
Ter, 16 Dezembro 2025 - 08:22 am
Como provar que tais fenômenos ocorreram se não são detectáveis pelos 5 sentidos ou por instrumentos?
O ESPIRITISMO, es decir, o modelo Espírita, tem sim como ser testado. Como tenho explicado recorrentemente cá, e exaustivamente discutido lá no Obras Psicografadas.
Agora, genericamente não. Como aliás qualquer coisa genericamente descrita, sem especificidades claras.
Qual a diferença entre uma alucinação e algo que a pessoa sentiu, mas não tem como provar?

"Ah, mas foram vários casos!"
Cérebros semelhantes estão sujeitos a problemas semelhantes.
Sim, essa generalidade não vejo como mesmo.
Explica isso melhor, Sr Gorducho.
A generalidade vem da forma como o Fernando expos o problema, como o mesmo já foi abordado or outros ou é algo inerente a ele?

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

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Gorducho
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Mensagem por Gorducho »

O modelo Espírita é bem específico. E.g.
  • não tem estatísticas como na Parapsicologia;
  • mesas giram então c/1 pouco de engenho se pode por sensores;
  • almas se condensam então se pode filmar em real time;
  • Tk idem (filmar).
Agora genericamente experiências pessoais não tem como testar empiricamente. É o relato de quem experiencia e pronto.
E como ele falou: como os cérebros humanos são semelhantes, relatos comuns não constituem prova de causalidades externas "Sobrenaturais" so to speak às mentes que experienciam.
Só pode ser provado se outros ou instrumentos detectarem qual seja tal agente externo.

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

fenrir
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Gorducho escreveu:
Seg, 29 Dezembro 2025 - 09:05 am
O modelo Espírita é bem específico. E.g.
  • não tem estatísticas como na Parapsicologia;
  • mesas giram então c/1 pouco de engenho se pode por sensores;
  • almas se condensam então se pode filmar em real time;
  • Tk idem (filmar).
Agora genericamente experiências pessoais não tem como testar empiricamente. É o relato de quem experiencia e pronto.
E como ele falou: como os cérebros humanos são semelhantes, relatos comuns não constituem prova de causalidades externas "Sobrenaturais" so to speak às mentes que experienciam.
Só pode ser provado se outros ou instrumentos detectarem qual seja tal agente externo.
Justo :handgestures-thumbup:

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Um texto sobre as regiões do cérebro envolvidas com a crença religiosa:
The Neuro-Architecture of Belief vs. Reason - The science

Neuroimaging studies (fMRI) reveal a fascinating "teeter-totter" effect between two primary neural networks when humans process religious versus analytical information.

1. The Analytic Network (The Task Positive Network)

Located primarily in the Prefrontal Cortex (PFC) and the Right Middle Frontal Gyrus, this network is your "Evidence Auditor." It is activated by arithmetic, logical puzzles, and scientific inquiry.

* Recent Findings: A 2024 meta-analysis found that Christian behavior (like prayer) often correlates with decreased activity in the prefrontal regions associated with working memory and calculation when compared to non-religious cognitive tasks.

* The Satire: To maintain the "faith," one must effectively lower the gain on this auditor. You cannot simultaneously calculate the cooling rate of the Earth’s crust and believe the world is six thousand years old without causing a "blown fuse" in the PFC.

2. The Social-Emotional Network (The Default Mode Network)

Religious belief primarily engages the Default Mode Network (DMN) and areas responsible for Theory of Mind (ToM)—the same circuits we use to understand the feelings and intentions of other people.

* The Hijacking: Research indicates that when people think about God, they use the same brain regions (the ventromedial prefrontal cortex) used for self-representation and thinking about close friends.

* The Result: The brain treats "God" not as a scientific hypothesis to be tested, but as a social relationship to be maintained. This is why "evidence" feels like an "insult" to a believer; it's like asking for a lab report to prove your mother loves you.

The Cognitive "Conflict Detector"

The Anterior Cingulate Cortex (ACC) acts as the brain’s alarm system for conflict and error. It’s what makes you feel "itchy" when things don't add up.

* The Religious Suppression: Studies show that individuals with strong religious convictions actually show reduced activity in the ACC when making mistakes or facing contradictory information.

* Truthful Satire: The man in the image is effectively "muting" his ACC. By declining the brain, he is declining the alarm system that would otherwise scream, "This ancient text contradicts everything we know about physics!"

A Final Thought-Provoking Question

If the brain is "designed" by a creator, why would that creator build a conflict between the organ that seeks truth (the Analytic Network) and the organ that seeks the creator (the Social Network)?
Is it possible that "faith" is simply the sound of the social brain winning a civil war against the logical one?

Would you like me to draft a series of "counter-apologetic" arguments based specifically on these neurological findings?

To substantiate the claim that religious belief functions as a selective "lobotomy" of certain cognitive processes, we can look to the following peer-reviewed research and seminal texts. These sources examine the neural "tug-of-war" between analytical reasoning and the social-emotional networks that facilitate faith.

Key Sources and Citations

1. The Suppression of the "Analytic Network"
* Jack, A. I., et al. (2016). "Why Do You Believe in God? Relationships between Religious Belief, Analytic Thinking, Mentalizing and Moral Concern." PLOS ONE. * The Findings: This study posits a "reciprocal inhibitory relationship" between the brain networks used for critical thinking (Analytic Network) and those used for social-emotional reasoning (Default Mode Network). Essentially, the more one engages in empathetic, "moral concern" thinking—which religion hijacks—the more one suppresses the parts of the brain responsible for logical auditing.
* Academic Insight: Faith doesn't just lack logic; it actively pushes back against it to protect social cohesion.

2. The Muting of the "Cortical Alarm Bell"
* Inzlicht, M., & Tullett, A. M. (2010). "Reflections on God: Religious Priming Can Reduce Neurophysiological Responses to Monitoring Errors." Psychological Science.
* Inzlicht, M., et al. (2009). "Neural Markers of Religious Conviction." Psychological Science.
* The Findings: These studies used EEG to measure activity in the Anterior Cingulate Cortex (ACC)—the brain's "conflict detector." They found that believers showed significantly less ACC activity when making mistakes or encountering contradictions.
* Academic Insight: Religion acts as a "neural palliative," quietening the brain’s ability to recognize logical errors, thus reducing the anxiety that would normally lead a person to correct a false belief.

3. The Overlap of God and Self
* Harris, S., et al. (2009). "The Neural Correlates of Religious and Nonreligious Belief." PLOS ONE.
* The Findings: Using fMRI, researchers found that believing "religious" statements (e.g., about the Virgin Birth) activated the ventromedial prefrontal cortex (VMPFC). This area is associated with self-representation, emotional reward, and "gut feelings."
* Academic Insight: The brain processes "God’s truth" through the same filter it uses for personal identity and emotional safety, rather than through the "fact-checking" networks used for ordinary knowledge.

4. The Global Impact of Analytic Thinking
* Gervais, W. M., & Norenzayan, A. (2012 / Updated 2025). "Analytic Thinking Promotes Religious Disbelief." Science. (Updated data published in Cognition, 2025).
* The Findings: Across multiple cultures and tens of thousands of participants, the tendency to engage in System 2 (slow, analytical, effortful) thinking is a robust predictor of religious disbelief.
* Academic Insight: The "brain" the man in your meme is declining is specifically the "System 2" brain—the one that requires evidence and consistency.

Philosophical & Satirical Foundations
* Harris, Sam (2004). The End of Faith: Religion, Terror, and the Future of Reason. * Harris argues that religion is the only realm of human discourse where "pretending to know things you don't know" is considered a virtue.
* Dennett, Daniel C. (2006). Breaking the Spell: Religion as a Natural Phenomenon.
* Dennett explores the "belief in belief"—the idea that people don't necessarily believe in God, but they believe that believing in God is a moral necessity, leading to the intentional avoidance of contradictory facts.

Questions for Deeper Thinking

* If a "creator" endowed us with the capacity for logic, why is that logic the greatest threat to his existence?
* Does a belief have value if it can only survive by deactivating the brain's error-detection systems?
* If the "peace" that religion provides is merely the result of a muted Anterior Cingulate Cortex, is it actual peace, or just a biological refusal to face reality?
Fonte: Facebook

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

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Humanista
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Mensagem por Humanista »

Ricardo escreveu:
Dom, 14 Dezembro 2025 - 18:51 pm
Olá pessoal,

Quero abrir uma discussão sobre experiências espirituais, como relatos de mediunidade, aparições ou experiências de quase-morte. Sei que o fórum valoriza muito a investigação baseada em evidências, e respeito totalmente isso.

Minha dúvida é: será que podemos analisar essas experiências de forma crítica, sem simplesmente descartá-las por não se encaixarem na ciência atual?

Algumas perguntas que penso:

Como definir evidência suficiente para experiências que ainda não conseguimos explicar?

É possível investigar isso mantendo rigor lógico, sem cair em negação automática?

Quando algo não tem explicação científica, devemos descartar ou explorar com mente aberta?

Gostaria de ouvir a opinião de vocês: como equilibrar ceticismo genuíno e abertura investigativa diante de fenômenos ainda não explicados?"
Muitos supostos céticos na verdade são verdadeiros apologetas do materialismo.
Pensam que são críticos. Mas são "padres-invertidos", e tão dogmáticos quanto.

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

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Gorducho
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Mensagem por Gorducho »

Humanista escreveu:
Seg, 19 Janeiro 2026 - 22:31 pm
Muitos supostos céticos na verdade são verdadeiros apologetas do materialismo.
Pensam que são críticos. Mas são "padres-invertidos", e tão dogmáticos quanto.
Mas a questão proposta por ele acho que foi perfeitamente respondida da nossa parte Cética, sem dogmatismos.
Sendo que em particular da minha parte, respondi que
  1. sim quanto aos fenômenos correspondentes ao Espiritismo;
  2. NDEs sim podem ser estudadas nesses termos rigorosos;
  3. genericamente não vejo como – conforme exposto.

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

fenrir
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Mensagem por fenrir »

Humanista escreveu:
Seg, 19 Janeiro 2026 - 22:31 pm
Ricardo escreveu:
Dom, 14 Dezembro 2025 - 18:51 pm
Olá pessoal,

Quero abrir uma discussão sobre experiências espirituais, como relatos de mediunidade, aparições ou experiências de quase-morte. Sei que o fórum valoriza muito a investigação baseada em evidências, e respeito totalmente isso.

Minha dúvida é: será que podemos analisar essas experiências de forma crítica, sem simplesmente descartá-las por não se encaixarem na ciência atual?

Algumas perguntas que penso:

Como definir evidência suficiente para experiências que ainda não conseguimos explicar?

É possível investigar isso mantendo rigor lógico, sem cair em negação automática?

Quando algo não tem explicação científica, devemos descartar ou explorar com mente aberta?

Gostaria de ouvir a opinião de vocês: como equilibrar ceticismo genuíno e abertura investigativa diante de fenômenos ainda não explicados?"
Muitos supostos céticos na verdade são verdadeiros apologetas do materialismo.
Pensam que são críticos. Mas são "padres-invertidos", e tão dogmáticos quanto.
Cético como sou, peço o obséquio de mostrar como e porque você é antidogmático e porque nós não, feito padres de sinal trocado.
Acha que ser dogmático e crer num uno é mutuamente excludente?
Mais genericamente, acha que ter essas suas opiniões e ser dogmático é mutuamente excludente?

Porque pedir evidencias de algo é ser dogmático?
E se ao te informam alguma e voce não a aceita, então estará sendo dogmático?
A mim parece o certo. Sem isto ciencia, direito e outras mais seriam um caos.

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

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Humanista
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fenrir escreveu:
Qua, 21 Janeiro 2026 - 09:48 am
Cético como sou, peço o obséquio de mostrar como e porque você é antidogmático e porque nós não, feito padres de sinal trocado.
Acha que ser dogmático e crer num uno é mutuamente excludente?
Mais genericamente, acha que ter essas suas opiniões e ser dogmático é mutuamente excludente?
Porque pedir evidencias de algo é ser dogmático?
E se ao te informam alguma e voce não a aceita, então estará sendo dogmático?
A mim parece o certo. Sem isto ciencia, direito e outras mais seriam um caos.
Porque o certo seria suspender os pressupostos metafísicos e comparar sem preconceitos os relatos das descrições dessas experiências.
Agora, não é isso o que a maioria dos "céticos" fazem na prática. Vide como tratam relatos de EQM ou de experiências com Deus etc.
Ele já partem, de antemão, comprometidos com uma ontologia materialista, tentando reduzir tudo a alucinações, reações químicas.
Não estão buscando a verdade. Partem do pressuposto de já tê-la no naturalismo materialista. Querem apenas uma confirmação dela.

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

Huxley
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Humanista escreveu:
Qua, 21 Janeiro 2026 - 09:57 am
fenrir escreveu:
Qua, 21 Janeiro 2026 - 09:48 am
Cético como sou, peço o obséquio de mostrar como e porque você é antidogmático e porque nós não, feito padres de sinal trocado.
Acha que ser dogmático e crer num uno é mutuamente excludente?
Mais genericamente, acha que ter essas suas opiniões e ser dogmático é mutuamente excludente?
Porque pedir evidencias de algo é ser dogmático?
E se ao te informam alguma e voce não a aceita, então estará sendo dogmático?
A mim parece o certo. Sem isto ciencia, direito e outras mais seriam um caos.
Porque o certo seria suspender os pressupostos metafísicos e comparar sem preconceitos os relatos das descrições dessas experiências.
Agora, não é isso o que a maioria dos "céticos" fazem na prática. Vide como tratam relatos de EQM ou de experiências com Deus etc.
Ele já partem, de antemão, comprometidos com uma ontologia materialista, tentando reduzir tudo a alucinações, reações químicas.
Não estão buscando a verdade. Partem do pressuposto de já tê-la no naturalismo materialista. Querem apenas uma confirmação dela.
Não se trata de o ceticismo empírico e o naturalismo metodológico afirmarem que somente causas físicas construíram o mundo que conhecemos, mas sim de reconhecer que apenas causas desse tipo podem ser estudadas e compreendidas. Precisamos investigar com os instrumentos que temos, pois é impossível estudar causas não físicas sem ao menos uma ideia clara do que seriam e de como funcionariam essas supostas “causas não físicas”.

Os testemunhos humanos não são descartados como método de busca desinteressada pela verdade. No entanto, há quem pretenda atribuir aos testemunhos mais credibilidade do que às leis naturais corroboradas por observações e experimentos. O filósofo David Hume já discutiu a confiabilidade epistêmica dos testemunhos.

Seu raciocínio se baseia em três pontos principais:
  • Regularidade da natureza: As leis naturais são confirmadas por uma experiência constante e uniforme.
  • Testemunho humano: O testemunho pode ser falho, sujeito a engano, exagero ou fraude.
  • Comparação de probabilidades: Para aceitar um “milagre”, a credibilidade do testemunho deve superar a improbabilidade do evento relatado.
O que o leva à sua famosa conclusão: “Nenhum testemunho é suficiente para estabelecer um milagre, a menos que o testemunho seja de tal natureza que a sua falsidade fosse mais milagrosa do que o fato que procura estabelecer.”

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

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Humanista
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Huxley escreveu:
Qua, 21 Janeiro 2026 - 11:20 am
Não se trata de o ceticismo empírico e o naturalismo metodológico afirmarem que somente causas físicas construíram o mundo que conhecemos, mas sim de reconhecer que apenas causas desse tipo podem ser estudadas e compreendidas. Precisamos investigar com os instrumentos que temos, pois é impossível estudar causas não físicas sem ao menos uma ideia clara do que seriam e de como funcionariam essas supostas “causas não físicas”.
Os testemunhos humanos não são descartados como método de busca desinteressada pela verdade. No entanto, há quem pretenda atribuir aos testemunhos mais credibilidade do que às leis naturais corroboradas por observações e experimentos. O filósofo David Hume já discutiu a confiabilidade epistêmica dos testemunhos.
Seu raciocínio se baseia em três pontos principais:
  • Regularidade da natureza: As leis naturais são confirmadas por uma experiência constante e uniforme.
  • Testemunho humano: O testemunho pode ser falho, sujeito a engano, exagero ou fraude.
  • Comparação de probabilidades: Para aceitar um “milagre”, a credibilidade do testemunho deve superar a improbabilidade do evento relatado.
O que o leva à sua famosa conclusão: “Nenhum testemunho é suficiente para estabelecer um milagre, a menos que o testemunho seja de tal natureza que a sua falsidade fosse mais milagrosa do que o fato que procura estabelecer.”
Boa. Não tem problema nenhum operarmos com materialismo de uma maneira "instrumental", isto é, procurando causas internas ao mundo observável etc. O problema é dar o salto de absolutizarmos o naturalismo concedendo-lhe o estatuto de uma verdadeira "cosmovisão", o que extrapolar o terreno da ciência. Recentemente eu escrevi um post sobre isso nas redes sociais:
Chrystian Revelles escreveu:A "NATUREZA" NÃO EXISTE!
Husserl escreveu um livro sobre "A Crise Das Ciências Europeias" (Die Krisis). Ele era um anti-naturalista. Significa que questionava os fundamentos do materialismo científico tal como pregado pelos positivistas da época. Claro que uma coisa é a >pesquisa< "materialista" num sentido puramente metodológico (instrumental, como mero método de análise das causas e condições e relações e contradições etc no interior de um sistema, como fez Karl Marx com O Capital); e a outra é quando os materialistas fazem, desse mapa, um território -- ao se pronunciarem acerca da natureza da realidade. Até mesmo um existencialista como Jean-Paul Sartre admite que: "[...] sempre me pareceu que uma hipótese de trabalho tão fecunda como o materialismo histórico não requeria absolutamente como fundamento essa absurdidade que é o materialismo metafísico [...]" (A Transcendência Do Ego, 1936). Isso que chamamos de "leis naturais" nada mais são senão modelos idealizados que nós construímos observando habitualmente as regularidades do que acontece. Não tem problema nenhum utilizarmos estas descrições enquanto nos mantivermos bem cientes de que não passam disso - convenções úteis - reificações operacionais. Pragmaticamente, podemos falar "em termos de" natureza & leis enquanto tais mapas "funcionarem" para "fazer coisas" no-mundo. Mas nada disso legitima o "salto" 'utilidade' → 'metafísica'. Não. Aquele universo puramente abstrato e objetificado da teorização científica é só uma representação útil - elaboração conceptual posterior àquilo que é imediatamente vivido como terreno absoluto -- o fluxo de vivências no qual se originam todas as significações. Os Sujeitos. As Mônadas. Manifestação original do existente como tal: espontaneidade pura -- consciência absoluta -- abertura primordial -- condição primeira e fonte ou essência da Existência que se descobre antes de toda definição (O Ser). Como pensar o existir como objeto se a objetividade dos objetos se constitui na e pela subjetividade dos sujeitos? É con-fundir ontologia com epistemologia / tentar explicar a fundação pelo fundado! Empirismo radical – verdadeiro positivismo –, seria, ao revés, voltar à Vida (Leben)

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

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Fernando Silva
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Humanista escreveu:
Qua, 21 Janeiro 2026 - 09:57 am
fenrir escreveu:
Qua, 21 Janeiro 2026 - 09:48 am
Cético como sou, peço o obséquio de mostrar como e porque você é antidogmático e porque nós não, feito padres de sinal trocado.
Acha que ser dogmático e crer num uno é mutuamente excludente?
Mais genericamente, acha que ter essas suas opiniões e ser dogmático é mutuamente excludente?
Porque pedir evidencias de algo é ser dogmático?
E se ao te informam alguma e voce não a aceita, então estará sendo dogmático?
A mim parece o certo. Sem isto ciencia, direito e outras mais seriam um caos.
Porque o certo seria suspender os pressupostos metafísicos e comparar sem preconceitos os relatos das descrições dessas experiências.
Agora, não é isso o que a maioria dos "céticos" fazem na prática. Vide como tratam relatos de EQM ou de experiências com Deus etc.
Ele já partem, de antemão, comprometidos com uma ontologia materialista, tentando reduzir tudo a alucinações, reações químicas.
Não estão buscando a verdade. Partem do pressuposto de já tê-la no naturalismo materialista. Querem apenas uma confirmação dela.
Relatos de experiências pessoais não detectáveis, mensuráveis, reproduzíveis ou comprováveis são apenas palavras.
Se houver muitos relatos semelhantes, faz sentido investigar possíveis causas, mas sem esquecer que, sim, a primeira hipótese deve ser sempre alucinação.
Nada diferente das intensas experiências que vivemos a cada noite quando sonhamos.

Devemos ainda comparar com todas as pessoas que passaram por situações semelhantes e nada viram, ouviram ou sentiram.
Levando em conta também que um cérebro em condições extremas, como quase morte ou sob influência de alucinógenos, não está funcionando normalmente.
O fato de acontecerem vários casos pode ser tanto o resultado de termos cérebros semelhantes como a influência cultural recebida através de relatos anteriores.

Não é que os céticos "não estejam buscando a verdade" e sim que os religiosos partem do princípio de que existem deuses e vida após a morte. E daí tentam encontrar evidências que suportem suas convicções.

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

Huxley
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Humanista escreveu:
Qua, 21 Janeiro 2026 - 11:46 am
Boa. Não tem problema nenhum operarmos com materialismo de uma maneira "instrumental", isto é, procurando causas internas ao mundo observável etc. O problema é dar o salto de absolutizarmos o naturalismo concedendo-lhe o estatuto de uma verdadeira "cosmovisão", o que extrapolar o terreno da ciência. Recentemente eu escrevi um post sobre isso nas redes sociais:
Chrystian Revelles escreveu:A "NATUREZA" NÃO EXISTE!
Husserl escreveu um livro sobre "A Crise Das Ciências Europeias" (Die Krisis). Ele era um anti-naturalista. Significa que questionava os fundamentos do materialismo científico tal como pregado pelos positivistas da época. Claro que uma coisa é a >pesquisa< "materialista" num sentido puramente metodológico (instrumental, como mero método de análise das causas e condições e relações e contradições etc no interior de um sistema, como fez Karl Marx com O Capital); e a outra é quando os materialistas fazem, desse mapa, um território -- ao se pronunciarem acerca da natureza da realidade. Até mesmo um existencialista como Jean-Paul Sartre admite que: "[...] sempre me pareceu que uma hipótese de trabalho tão fecunda como o materialismo histórico não requeria absolutamente como fundamento essa absurdidade que é o materialismo metafísico [...]" (A Transcendência Do Ego, 1936). Isso que chamamos de "leis naturais" nada mais são senão modelos idealizados que nós construímos observando habitualmente as regularidades do que acontece. Não tem problema nenhum utilizarmos estas descrições enquanto nos mantivermos bem cientes de que não passam disso - convenções úteis - reificações operacionais. Pragmaticamente, podemos falar "em termos de" natureza & leis enquanto tais mapas "funcionarem" para "fazer coisas" no-mundo. Mas nada disso legitima o "salto" 'utilidade' → 'metafísica'. Não. Aquele universo puramente abstrato e objetificado da teorização científica é só uma representação útil - elaboração conceptual posterior àquilo que é imediatamente vivido como terreno absoluto -- o fluxo de vivências no qual se originam todas as significações. Os Sujeitos. As Mônadas. Manifestação original do existente como tal: espontaneidade pura -- consciência absoluta -- abertura primordial -- condição primeira e fonte ou essência da Existência que se descobre antes de toda definição (O Ser). Como pensar o existir como objeto se a objetividade dos objetos se constitui na e pela subjetividade dos sujeitos? É con-fundir ontologia com epistemologia / tentar explicar a fundação pelo fundado! Empirismo radical – verdadeiro positivismo –, seria, ao revés, voltar à Vida (Leben)
No que diz respeito ao naturalismo, não sabemos se uma distinção legítima entre entidades sobrenaturais e entidades naturais é passível de ser feita em termos conceituais. Mesmo que existam divindades, espíritos e fantasmas, nada impede que eles sejam “naturais”, isto é, que façam parte do conjunto de leis, elementos ou fenômenos do mundo físico. Se chamarmos de “sobrenatural” tudo aquilo que parece fugir a qualquer tentativa de compreensão direta, então o sistema de ecolocalização do morcego já foi um exemplo histórico de “sobrenatural”. Ainda assim, mesmo que algo pudesse ser agora alcunhado como “sobrenatural”, duvido que teríamos razão para manter permanentemente o status desse termo, especialmente se a humanidade e o progresso do seu conhecimento sobreviverem por muito tempo.

Agora, mudando de assunto para um questionamento sobre a metafísica da ciência: ela pode ser extrapolada para além da própria ciência? Sim, pode. Vou aqui utilizar um argumento do filósofo John Searle (1932–2025). Negar que exista uma maneira de se verificar como as coisas são no mundo, independentemente de nossas representações, já constituiria um fato sobre como o mundo é, e pressuporia, portanto, o realismo. Por essa razão, em um nível ou outro, o realismo externo não deveria ser tomado apenas como um ponto de vista, uma vez que o antirrealismo é um conceito autorrefutatório.

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

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Humanista
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Huxley escreveu:
Qua, 21 Janeiro 2026 - 21:18 pm
Humanista escreveu:
Qua, 21 Janeiro 2026 - 11:46 am
Boa. Não tem problema nenhum operarmos com materialismo de uma maneira "instrumental", isto é, procurando causas internas ao mundo observável etc. O problema é dar o salto de absolutizarmos o naturalismo concedendo-lhe o estatuto de uma verdadeira "cosmovisão", o que extrapolar o terreno da ciência. Recentemente eu escrevi um post sobre isso nas redes sociais:
Chrystian Revelles escreveu:A "NATUREZA" NÃO EXISTE!
Husserl escreveu um livro sobre "A Crise Das Ciências Europeias" (Die Krisis). Ele era um anti-naturalista. Significa que questionava os fundamentos do materialismo científico tal como pregado pelos positivistas da época. Claro que uma coisa é a >pesquisa< "materialista" num sentido puramente metodológico (instrumental, como mero método de análise das causas e condições e relações e contradições etc no interior de um sistema, como fez Karl Marx com O Capital); e a outra é quando os materialistas fazem, desse mapa, um território -- ao se pronunciarem acerca da natureza da realidade. Até mesmo um existencialista como Jean-Paul Sartre admite que: "[...] sempre me pareceu que uma hipótese de trabalho tão fecunda como o materialismo histórico não requeria absolutamente como fundamento essa absurdidade que é o materialismo metafísico [...]" (A Transcendência Do Ego, 1936). Isso que chamamos de "leis naturais" nada mais são senão modelos idealizados que nós construímos observando habitualmente as regularidades do que acontece. Não tem problema nenhum utilizarmos estas descrições enquanto nos mantivermos bem cientes de que não passam disso - convenções úteis - reificações operacionais. Pragmaticamente, podemos falar "em termos de" natureza & leis enquanto tais mapas "funcionarem" para "fazer coisas" no-mundo. Mas nada disso legitima o "salto" 'utilidade' → 'metafísica'. Não. Aquele universo puramente abstrato e objetificado da teorização científica é só uma representação útil - elaboração conceptual posterior àquilo que é imediatamente vivido como terreno absoluto -- o fluxo de vivências no qual se originam todas as significações. Os Sujeitos. As Mônadas. Manifestação original do existente como tal: espontaneidade pura -- consciência absoluta -- abertura primordial -- condição primeira e fonte ou essência da Existência que se descobre antes de toda definição (O Ser). Como pensar o existir como objeto se a objetividade dos objetos se constitui na e pela subjetividade dos sujeitos? É con-fundir ontologia com epistemologia / tentar explicar a fundação pelo fundado! Empirismo radical – verdadeiro positivismo –, seria, ao revés, voltar à Vida (Leben)
No que diz respeito ao naturalismo, não sabemos se uma distinção legítima entre entidades sobrenaturais e entidades naturais é passível de ser feita em termos conceituais. Mesmo que existam divindades, espíritos e fantasmas, nada impede que eles sejam “naturais”, isto é, que façam parte do conjunto de leis, elementos ou fenômenos do mundo físico. Se chamarmos de “sobrenatural” tudo aquilo que parece fugir a qualquer tentativa de compreensão direta, então o sistema de ecolocalização do morcego já foi um exemplo histórico de “sobrenatural”. Ainda assim, mesmo que algo pudesse ser agora alcunhado como “sobrenatural”, duvido que teríamos razão para manter permanentemente o status desse termo, especialmente se a humanidade e o progresso do seu conhecimento sobreviverem por muito tempo.

Agora, mudando de assunto para um questionamento sobre a metafísica da ciência: ela pode ser extrapolada para além da própria ciência? Sim, pode. Vou aqui utilizar um argumento do filósofo John Searle (1932–2025). Negar que exista uma maneira de se verificar como as coisas são no mundo, independentemente de nossas representações, já constituiria um fato sobre como o mundo é, e pressuporia, portanto, o realismo. Por essa razão, em um nível ou outro, o realismo externo não deveria ser tomado apenas como um ponto de vista, uma vez que o antirrealismo é um conceito autorrefutatório.
Eu prefiro a distinção empírico-transcendental (Kant/Husserl) do que natural-sobrenatural.
Empírico é aquilo que está situado internamente ao observável, a realidade "objetiva" compartilhada por nós.
Só que não podemos esquecer que esta é condicionada pela estrutura das nossas próprias mentes.
Por isso temos que considerar também um outro nível subjacente ("transcendental").
Que não "aparece", por ser a "condição de possibilidade" do "aparecer".

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

Huxley
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Humanista escreveu:
Qui, 22 Janeiro 2026 - 03:59 am
Huxley escreveu:
Qua, 21 Janeiro 2026 - 21:18 pm
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Qua, 21 Janeiro 2026 - 11:46 am
Boa. Não tem problema nenhum operarmos com materialismo de uma maneira "instrumental", isto é, procurando causas internas ao mundo observável etc. O problema é dar o salto de absolutizarmos o naturalismo concedendo-lhe o estatuto de uma verdadeira "cosmovisão", o que extrapolar o terreno da ciência. Recentemente eu escrevi um post sobre isso nas redes sociais:
Chrystian Revelles escreveu:A "NATUREZA" NÃO EXISTE!
Husserl escreveu um livro sobre "A Crise Das Ciências Europeias" (Die Krisis). Ele era um anti-naturalista. Significa que questionava os fundamentos do materialismo científico tal como pregado pelos positivistas da época. Claro que uma coisa é a >pesquisa< "materialista" num sentido puramente metodológico (instrumental, como mero método de análise das causas e condições e relações e contradições etc no interior de um sistema, como fez Karl Marx com O Capital); e a outra é quando os materialistas fazem, desse mapa, um território -- ao se pronunciarem acerca da natureza da realidade. Até mesmo um existencialista como Jean-Paul Sartre admite que: "[...] sempre me pareceu que uma hipótese de trabalho tão fecunda como o materialismo histórico não requeria absolutamente como fundamento essa absurdidade que é o materialismo metafísico [...]" (A Transcendência Do Ego, 1936). Isso que chamamos de "leis naturais" nada mais são senão modelos idealizados que nós construímos observando habitualmente as regularidades do que acontece. Não tem problema nenhum utilizarmos estas descrições enquanto nos mantivermos bem cientes de que não passam disso - convenções úteis - reificações operacionais. Pragmaticamente, podemos falar "em termos de" natureza & leis enquanto tais mapas "funcionarem" para "fazer coisas" no-mundo. Mas nada disso legitima o "salto" 'utilidade' → 'metafísica'. Não. Aquele universo puramente abstrato e objetificado da teorização científica é só uma representação útil - elaboração conceptual posterior àquilo que é imediatamente vivido como terreno absoluto -- o fluxo de vivências no qual se originam todas as significações. Os Sujeitos. As Mônadas. Manifestação original do existente como tal: espontaneidade pura -- consciência absoluta -- abertura primordial -- condição primeira e fonte ou essência da Existência que se descobre antes de toda definição (O Ser). Como pensar o existir como objeto se a objetividade dos objetos se constitui na e pela subjetividade dos sujeitos? É con-fundir ontologia com epistemologia / tentar explicar a fundação pelo fundado! Empirismo radical – verdadeiro positivismo –, seria, ao revés, voltar à Vida (Leben)
No que diz respeito ao naturalismo, não sabemos se uma distinção legítima entre entidades sobrenaturais e entidades naturais é passível de ser feita em termos conceituais. Mesmo que existam divindades, espíritos e fantasmas, nada impede que eles sejam “naturais”, isto é, que façam parte do conjunto de leis, elementos ou fenômenos do mundo físico. Se chamarmos de “sobrenatural” tudo aquilo que parece fugir a qualquer tentativa de compreensão direta, então o sistema de ecolocalização do morcego já foi um exemplo histórico de “sobrenatural”. Ainda assim, mesmo que algo pudesse ser agora alcunhado como “sobrenatural”, duvido que teríamos razão para manter permanentemente o status desse termo, especialmente se a humanidade e o progresso do seu conhecimento sobreviverem por muito tempo.

Agora, mudando de assunto para um questionamento sobre a metafísica da ciência: ela pode ser extrapolada para além da própria ciência? Sim, pode. Vou aqui utilizar um argumento do filósofo John Searle (1932–2025). Negar que exista uma maneira de se verificar como as coisas são no mundo, independentemente de nossas representações, já constituiria um fato sobre como o mundo é, e pressuporia, portanto, o realismo. Por essa razão, em um nível ou outro, o realismo externo não deveria ser tomado apenas como um ponto de vista, uma vez que o antirrealismo é um conceito autorrefutatório.
Eu prefiro a distinção empírico-transcendental (Kant/Husserl) do que natural-sobrenatural.
Empírico é aquilo que está situado internamente ao observável, a realidade "objetiva" compartilhada por nós.
Só que não podemos esquecer que esta é condicionada pela estrutura das nossas próprias mentes.
Por isso temos que considerar também um outro nível subjacente ("transcendental").
Que não "aparece", por ser a "condição de possibilidade" do "aparecer".
Embora nossas construções conceituais sejam humanas e historicamente situadas, o sucesso empírico das teorias científicas não parece depender apenas disso. Ainda que categorias como entidade, lei e causalidade sejam construções conceituais falíveis, o êxito explanatório e tecnológico das teorias indica que elas capturam aspectos reais da estrutura do mundo, independentemente da subjetividade transcendental. As estruturas conceituais funcionam como ferramentas históricas revisáveis, mas o mundo impõe restrições independentes às teorias, não redutíveis às formas da subjetividade. O que tende a sobreviver às mudanças teóricas não são entidades “em si”, mas relações e estruturas que permanecem estáveis através de diferentes quadros conceituais.

Além disso, afirmar que “toda objetividade é constituída na subjetividade transcendental”, para então acrescentar que isso não descreve um fato sobre o mundo, mas apenas elucida o que significa falar de mundo, não escapa à objeção anterior. Falar de “condições de possibilidade universais” já envolve uma afirmação com pretensão objetiva, isto é, uma tese que pretende valer independentemente de perspectivas particulares. Com isso, admite-se implicitamente ao menos um realismo externo mínimo: a existência de fatos que não dependem de nossas representações. É nesse sentido que se pode compreender por que toda afirmação com pretensão objetiva carrega um compromisso ontológico, ainda que se tente apresentá-la como meramente transcendental ou sem implicações metafísicas.

Re: Refletindo sobre ceticismo e experiências espirituais

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Mensagem por Humanista »

Huxley escreveu:
Qui, 22 Janeiro 2026 - 07:25 am
Embora nossas construções conceituais sejam humanas e historicamente situadas, o sucesso empírico das teorias científicas não parece depender apenas disso. Ainda que categorias como entidade, lei e causalidade sejam construções conceituais falíveis, o êxito explanatório e tecnológico das teorias indica que elas capturam aspectos reais da estrutura do mundo, independentemente da subjetividade transcendental. As estruturas conceituais funcionam como ferramentas históricas revisáveis, mas o mundo impõe restrições independentes às teorias, não redutíveis às formas da subjetividade. O que tende a sobreviver às mudanças teóricas não são entidades “em si”, mas relações e estruturas que permanecem estáveis através de diferentes quadros conceituais.
Isso pra mim é um ponto positivo pro teísmo, pois aponta para uma idealidade inerente à realidade, de modo que o conhecimento venha justamente do abstrair destas "estruturas" formais que podem ser representadas sob uma engenharia reversa da qual a mente humana é capaz -- o que é muito estranho para um mero acidente da seleção natural (conseguir inteligir assim, ainda mais com o sucesso da física e da matemática). Se não o teísmo, ou, pelo menos, um certo platonismo deflacionado e sofisticado, mais "estruturalista" do que "idealista" (metafísico).
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