O CASO MARTIN de GALLARDON (1816)

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O CASO MARTIN de GALLARDON (1816)

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JungF
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Mensagem por JungF »

O CASO MARTIN de GALLARDON (1816): Um enigma documental na corte de Luís XVIII

Amigos, gostaria de propor ao debate um caso histórico que até hoje desafia as explicações puramente convencionais, sendo um prato cheio para a análise metodológica e o ceticismo saudável.
Refiro-me ao episódio de Thomas Martin, um lavrador analfabeto do vilarejo de Gallardon que praticamente parou a alta cúpula do governo francês em 1816.
Observem que, para além de argumentos de cunho religioso ou espiritualista, o caso possui um aparato documental que merece respeito:

- A Investigação Policial: Pelo fato de afirmar que recebia visitas de um senhor misterioso que lhe revelava “segredos de Estado”, Martin não foi ignorado. O Ministro da Polícia Geral da França, Élie Decazes, mobilizou a polícia secreta para investigá-lo ativamente, suspeitando de uma conspiração política internacional comandada por opositores da coroa. Nenhuma ligação política jamais foi encontrada.

- O Crivo da Ciência (O Laudo de Charenton): Em março de 1816, Martin foi internado no famoso Asilo de Charenton. Ele foi submetido a exames exaustivos pelo Dr. Antoine-Athanase Royer-Collard, um dos pais da psiquiatria francesa e um cético convicto. O laudo médico oficial concluiu que Martin não sofria de nenhuma alienação mental, psicose ou delírio de grandeza. O médico atestou que o camponês gozava de perfeita lucidez, calma e honesta convicção, recomendando que ele fosse ouvido pelo governo.

- O Fato Político e a Audiência Real: Diante do aval médico e do fracasso da polícia em encontrar fraudes, o impensável aconteceu: em abril de 1816, aquele lavrador analfabeto obteve uma audiência privada com o próprio Rei Luís XVIII no Palácio das Tulherias. Testemunhas da corte registraram o abalo do monarca, que confirmou que o camponês lhe revelara segredos familiares íntimos da época de seu exílio que seriam impossíveis de serem conhecidos por um plebeu do interior.

A navalha de Occam: Se eliminarmos a hipótese de perturbação mental (descartada pela junta médica da época) e a hipótese de espionagem/conspiração política (descartada pela rigorosa investigação da polícia de Decazes), como a metodologia cética explica o acesso desse lavrador a informações tão restritas e seu comportamento psicológico impecável sob extrema pressão?
Estaremos diante de uma fraude sofisticada que enganou a inteligência de um país, ou de um fenômeno que a ciência da época simplesmente não tinha ferramentas para classificar? Os registros oficiais e as memórias do próprio Martin (ditadas em 1828) estão abertos à análise histórica.

Re: O CASO MARTIN de GALLARDON (1816)

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Como levar a sério um relato tão antigo e sem evidências objetivas? Nada além de opiniões dos envolvidos?
Fato curioso? Sim.
"Investigação rigorosa" ? "Exames exaustivos" ? Foi mesmo? Quem garante?
Nenhuma conclusão a ser tirada.

Em resumo: mais uma historinha obscura de uma época obscura sendo desencavada para tentar provar o improvável.

Re: O CASO MARTIN de GALLARDON (1816)

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Gorducho
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Mensagem por Gorducho »

Notar que o que o Anjo materializado falou pra ele foram meras trivialidades. Só como que uma motivação pro Sr. Thomas-Ignace, e "uma espécie de passaporte" como disse o Kardec, pra ter acesso ao Rei.
Separei pra ler o livro
Relation concernant les événemens qui sont arrivés au Sieur Martin, laboureur a Gallardon, en Beauce, dans les premiers mois de 1816
pra ver maiores detalhes...

Re: O CASO MARTIN de GALLARDON (1816)

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JungF
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Mensagem por JungF »

Gorducho escreveu:
Qua, 02 Setembro 2026 - 11:34 am
Notar que o que o Anjo materializado falou pra ele foram meras trivialidades. Só como que uma motivação pro Sr. Thomas-Ignace, e "uma espécie de passaporte" como disse o Kardec, pra ter acesso ao Rei.
Separei pra ler o livro
Relation concernant les événemens qui sont arrivés au Sieur Martin, laboureur a Gallardon, en Beauce, dans les premiers mois de 1816
Material não lhe vai faltar.
- Nota sobre relatos da imprensa da Época e Vazamentos Jornalísticos:
Embora o jornal oficial do governo francês, o Le Moniteur Universel, tenha evitado cobrir os detalhes místicos para proteger a imagem da coroa francesa, o caso vazou internacionalmente devido à imensa curiosidade pública:
[1] (https://fr.anecdotrip.com/martin-de-gal ... 19e-siecle),
[2] (https://pt.wikipedia.org/wiki/Le_Moniteur_Universel),
[3] (https://archives.somme.fr/document/k2)

Jornais Ingleses (1816): Como a imprensa britânica não sofria a censura do governo absolutista francês, jornais de Londres publicaram ativamente relatos sobre "o camponês profeta que perturbava a corte de Luís XVIII".
[1] (https://fr.anecdotrip.com/martin-de-gal ... 19e-siecle)Panfletos e Brochuras Francesas (1816–1820): Diversas brochuras políticas clandestinas e jornais independentes na França publicaram extensas crônicas sobre o camponês de Gallardon.

Em 1828, o próprio Thomas Martin ditou suas memórias completas e detalhadas sobre os fatos ocorridos em 1816. Esse documento foi publicado sob o título: [1] (https://shenandoahdavis.canalblog.com/a ... 54636.html)"Relation concernant les événements de Thomas Martin" (Relato concernente aos acontecimentos de Thomas Martin).
Nessa publicação histórica, constam os relatos exatos de suas viagens, as minúcias dos interrogatórios policiais conduzidos pelo Ministro Decazes e a descrição do ambiente no Palácio das Tulheries

Re: O CASO MARTIN de GALLARDON (1816)

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JungF
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Mensagem por JungF »

Fernando Silva escreveu:
Qua, 02 Setembro 2026 - 10:14 am
Como levar a sério um relato tão antigo e sem evidências objetivas? Nada além de opiniões dos envolvidos?
Fato curioso? Sim.
"Investigação rigorosa" ? "Exames exaustivos" ? Foi mesmo? Quem garante?
Nenhuma conclusão a ser tirada.

Em resumo: mais uma historinha obscura de uma época obscura sendo desencavada para tentar provar o improvável.
Diante de fatos realmente intrigantes preferimos não avançar nas pesquisas, pois corre-se o risco de termos que rever nossas opiniões e isto dói.
Pois, contrariamente do que vc disse, material e evidências não faltam, sobre esse caso.
O Sr Gorducho manifestou interesse em pesquisar, então lhe enviei material e suas fontes.

Re: O CASO MARTIN de GALLARDON (1816)

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

JungF escreveu:
Sex, 04 Setembro 2026 - 17:13 pm
Fernando Silva escreveu:
Qua, 02 Setembro 2026 - 10:14 am
Como levar a sério um relato tão antigo e sem evidências objetivas? Nada além de opiniões dos envolvidos?
Fato curioso? Sim.
"Investigação rigorosa" ? "Exames exaustivos" ? Foi mesmo? Quem garante?
Nenhuma conclusão a ser tirada.

Em resumo: mais uma historinha obscura de uma época obscura sendo desencavada para tentar provar o improvável.
Diante de fatos realmente intrigantes preferimos não avançar nas pesquisas, pois corre-se o risco de termos que rever nossas opiniões e isto dói.
Pois, contrariamente do que vc disse, material e evidências não faltam, sobre esse caso.
Um camponês estava a par das fofocas da corte e isto prova que ele era um vidente ou coisa assim? Não há outra explicação possível?

Documentos da época são evidências apenas de que o assunto chamou a atenção, mas não provam que havia fenômenos sobrenaturais envolvidos.

Podemos dizer o mesmo sobre o farto material a respeito do ET de Varginha.
JungF escreveu:
Sex, 04 Setembro 2026 - 17:13 pm
O Sr Gorducho manifestou interesse em pesquisar, então lhe enviei material e suas fontes.
E a que conclusão ele chegou?

Re: O CASO MARTIN de GALLARDON (1816)

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Repetindo:
Por que as únicas "evidências" apresentadas são sempre coisas que teriam acontecido há muito, muito tempo atrás?

Resposta provável: "Já terminou a era das provas"

Re: O CASO MARTIN de GALLARDON (1816)

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Gorducho
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Mensagem por Gorducho »

Sr. Fernando Silva escreveu:E a que conclusão ele chegou?
Capítulo IV - pg. 54 é a entrevista dele c/o Rei. Que considero ser a fonte na qual devemos nos basear.
Com toda calma li e vou ir relendo no telefone quando deitado...
Até agora não notei nada de extraordinário no que ele falou pro Rei. Exceto, claro, a fantástica coragem dele em se dispor falar c/ele. E a modéstia de ir a pé – como ele diz que basta atravessar o rio não sei se já era no local atual ou ainda + perto :think:
Com toda boa vontade Colega JungF. Sinta-se à vontade pra obtemperar :-BD

Re: O CASO MARTIN de GALLARDON (1816)

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Gorducho
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Mensagem por Gorducho »

Gorducho escreveu:
Sáb, 05 Setembro 2026 - 10:34 am
Com toda boa vontade Colega JungF
🆗 pg. 59 Rei começa a chorar...
On a trahi le Roi, et on le trahira encore ; il s'est sauvé un homme des prisons ; on a fait accroire au Roi que c'était par subtilité, par finesse et par l'effet du hasard ; mais la chose n'est pas telle, elle a été préméditée ; ceux qui auraient dû mettre à sa poursuite, ont négligé les moyens ; ils y ont mis beaucoup de lenteur et de négligence ; ils l'ont fait poursuivre quand il n'était plus possible de l'atteindre. Je ne sais pas qui, on ne me l'a pas dit.
— Je le sais bien, moi, c'est Lavalette.
[...]
Editado pela última vez por Gorducho em Sáb, 05 Setembro 2026 - 19:36 pm, em um total de 3 vezes.

Re: O CASO MARTIN de GALLARDON (1816)

CaveCanem
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Mensagem por CaveCanem »

Um anjo de sobrecasaca e cartola falando trivialidades a um campones e pedindo-o que alertasse o rei da França...

Porque nao alguem mais proximo ao rei ou o proprio?
-Porque precisa de alguem com sensibilidade para ver o anjo e o mais proximo calhou de ser aquele chico bento frances.

Porque a distinção, o privilégio, a exclusividade?
Tal figura peculiar e excepcional - um anjo - se dar ao trabalho de se preocupar em avisar um rei de um perigo menor?
Onde estava esse anjo cartola quando mataram a joana d'arc ou quando o gilles de rais buscava suas vitimas ou quando cortavam cabeças na guilhotina ou quando a maria antonieta mandava os pobres comerem brioches ja que nao tinham pão? Os problemas reais e os perrengues da igreja sempre sao mais importantes, óbvio.

E o que dizer das trivialidades?

E o que dizer dos investigadores e investigação? O Snelling e o Conan Doyle tinham certeza que as duas (supostas) caipiras ingenuas nao tinham massa cinzenta para inventar as fadinhas de Cottingley. Aposto meu ordenado que tais investigações gallardianas foram tão "firmes" quanto as do caso Cottingley, ou seja, que nem prego no angu... só lembrando, o Snelling disse que nao tinha como terem falsificado as fotos e imagino igualmente os investigadores franceses de olhos arregalados na certeza de que não tinha como o caso gallardon ser balela, aquela mesma "certeza" que os ingleses que ja mencionei tinham.
Vai que eles tambem torceram o nariz pro chico bento achando-o incapaz de inventar uma tal história, logo deve ser verdade... como, oh my not-god, tal simplorio poderia inventar uma historia tão fantastica? (Pensando enquanto miram o chico com os narizes empinados) Como aquele capira ze-mane presumidamebte iletrado & ignorante poderia enganar a nós, perspicazes sherloques da policia real francesa? logo so pode ser verdade!!!

Ô arcanjo rafael porque voce nao alertou os nepaleses?
Nao tinha nenhum capones com a sensibilidade da márcia sensitiva ou do joão bidu por perto?
Ah eles devem ser budistas vajrayana. O depto do rafael é o dos assuntos cristãos e depois tem o carma... tá 100% explicado.

Precisa mesmo de boa vontade para ir alem desse ponto.
Editado pela última vez por CaveCanem em Sáb, 05 Setembro 2026 - 19:54 pm, em um total de 7 vezes.

Re: O CASO MARTIN de GALLARDON (1816)

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Gorducho
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Sr. CaveCanem escreveu:
Sáb, 05 Setembro 2026 - 19:12 pm
E o que dizer das trivialidades?
Como o Kardec falou, eram pra servir como que de passaporte pra ele conseguir a audiência. Note que o Rafael acalma ele e diz que vai guiar ele no que deve dizer.
Claro: falar c/o Rei pessoalmente requeria MUITA cautela...
Note que estou ainda redigindo a resposta, acima.
Um anjo de sobrecasaca e cartola
Doutrinariamente perfeito. Se apresentam em trajes identificáveis por quem vai vê-los :-BD

Re: O CASO MARTIN de GALLARDON (1816)

CaveCanem
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Mensagem por CaveCanem »

Gorducho escreveu:
Sáb, 05 Setembro 2026 - 19:16 pm
Sr. CaveCanem escreveu:
Sáb, 05 Setembro 2026 - 19:12 pm
E o que dizer das trivialidades?
Como o Kardec falou, eram pra servir como que de passaporte pra ele conseguir a audiência. Note que já em Paris, o Rafael acalma ele e diz que vai guiar ele no que deve dizer.
Claro: falar c/o Rei pessoalmente requeria MUITA cautela...
Note que estou ainda redigindo a resposta, acima.
Um anjo de sobrecasaca e cartola
Doutrinariamente perfeito. Se apresentam em trajes identificáveis por quem vai vê-los :-BD
Trivialidades eram passaporte para um campones confabular com um rei??? Acho que seria justamente o contrario: isso aborreceria qualquer monarca não favorecendo em nada a audiencia do campones.
Monarcas tem tendencia a aturar o tedio em seus pares e superiores mas nao aquele oriundo de um mero plebeu.
Eles tem assuntos mais urgentes a tratar e se dão mais importancia que um sudito qualquer, ergo seus problemas tambem são igualmente mais importantes & urgentes.
Cautela? Antes disso é preciso ao menos atrair a atenção real.

Ja sobre a vestimenta estilo tio patinhas:
Qual nada, aposto que é mais porque convinha, na moda da época, que uma figura tão distinta vestisse precisamente daquele jeito. Ou era isso que o campones via como sendo conveniente a alguem de uma esfera superior. Se a doutrina do kardec diz que isso é o esperado ela nao diz nem um fio de cabelo alem do que ja sugere o mero bom-senso ou a navalha do ockam em situações analogas, o qual nao depende de nenhum conhecimento oriundo de um transcendente espiritual piolhento.
Editado pela última vez por CaveCanem em Sáb, 05 Setembro 2026 - 20:08 pm, em um total de 1 vez.

Re: O CASO MARTIN de GALLARDON (1816)

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Gorducho
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Mensagem por Gorducho »

CaveCanem escreveu:
Sáb, 05 Setembro 2026 - 19:45 pm
convinha, na moda da época, que uma figura tão distinta vestisse precisamente daquele jeito. Ou era isso que o campones via como sendo conveniente a alguem de uma esfera superior.
:-BD por isso mesmo que eu disse ser Doutrinariamente perfeito.
Anjo = Espírito Puro. Que molda seu perispirito como bem entende. Então resolveu se materializar pra ele n'1 roupa correspondente a alto status social na época.
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