Página 1 de 1

Existencia de almas

Enviado: Sáb, 10 Janeiro 2026 - 09:29 am
por fenrir
Num exercício de tentar aprender a organizar as ideias e a argumentar de forma minimamente decente, apresento-vos:

Argumentos contra a existencia de almas

Pressupostos:

1 Uma alma pode ser:
a) Algo de natureza imaterial, ou seja não-física, OU
b) Algo material, porém de uma natureza distinta de tudo o que a ciência conhece.

2 Todos os seres humanos possuem alma.

3 Embora seres humanos sejam mortais, tais almas seriam imortais, porem talvez não indestrutíveis, já
que há quem sustente que divindades poderiam aniquilá-las.

4 A alma de de uma pessoa dirige, num alto nível (num sentido similar quando esse termo é usado em TI),
o comportamento desta pessoa, que é como que um veículo desta alma.

5 A alma também guardaria de alguma forma informações que a identifiquem como sendo a alma de uma pessoa (religiões abraâmicas),
ou de um substrato comum (pessoa) de encarnações distintas de uma mesma alma (espiritismo, budismo, etc), como numa memória
independentemente do veículo desta alma (a "pessoa física") estar ou não ciente disso.

Argumentos:

1. Da impossibilidade de interação entre alma e matéria

Se a alma for de natureza imaterial (premissa 1a), não teria massa, nem carga elétrica, etc.
A alma seria mais fugidia que um neutrino, que pode passar por um planeta inteiro como se fosse ar.
Nessas condições, como seria possível interagir com o que quer que fosse?
Assim não sofreria ação de nenhuma das forças e seria impossível sua interação com a matéria,
negando os pressupostos 4 e 5.

Poderia se imaginar uma interface entre o meio imaterial e o material, como fazem os espíritas
com o perispírito e neoplatônicos com um exército de emanações entre um transcendente absoluto (deus)
e meros mortais de carne-e-osso. Sustento que isto não só não resolve o problema como o multiplica
tornando-o ainda pior, porque agora em lugar de explicar como é possível uma comunicação/transição
imaterial <-> material
passaria a ser necessário explicar n comunicações/transições
imaterial <-> Xi <-> ... <-> Xn <-> material
e poderia-se dizer que cada Xi acima ainda seria mais fugidio que qualquer neutrino, logo como interagem
entre si e no fim com a matéria? Eis ai o problema multiplicado.

2. Da introdução de complexidade desnecessária nos fenômenos onde a alma supostamente participaria

Se a alma for algo ainda corpóreo (portanto material), porém de uma matéria que não conhecemos (premissa 1b),
ainda que não a detectassemos, veriamos os efeitos de suas ações na matéria conhecida, análogo ao que ocorre
na astronomia onde embora os astrônomos não vejam e não saibam o que é a matéria escura, deduziram sua existência
pelos efeitos dela na matéria conhecida.
Ora, não há nenhum fenômeno no corpo humano que não possa ser explicado pelos processos físicos normais.
Não há nada análogo a uma matéria escura no corpo humano, ou melhor, no cérebro.
Do contrário, neurologistas poderiam ter já formulado uma hipótese dessa natureza e não o fizeram, pois não houve necessidade para tanto.
Se não há necessidade de tal explicação, devemos descartá-la como Occam já havia aconselhado:
"as entidades não devem ser multiplicadas além do necessário, a natureza é por si econômica e não se multiplica em vão"

Por fim, se almas dirigem o comportamento de seus veículos num alto nível, coisa que neurologistas atribuem
ao cérebro, o que resta fazer deste último? Transformá-lo num mero receptor-transmissor de sinais entre a matéria e
esses outros meios? Parece excessivo para um órgão que, com meros 2% de massa corporal (1.5 Kg num adulto de 70 Kg)
consome 20% da energia do corpo que o abriga.
Além disso, se cérebros se ligam a almas, poderia-se no mínimo especular que qualquer animal com cérebro ou
sistema nervoso também teriam almas.
De novo torna-se necessário invocar o dito de Occam, especialmente a última parte dele:
"...a natureza é por si econômica e não se multiplica em vão".

Considerando os pressupostos 4 e 5 como refutados pelos argumentos 1 e 2, poderíamos questionar de todo a necessidade
de supor a existência de almas e aplicando a navalha de Occam mais uma vez, descartá-las, tornando 1,2,3 desnecessárias
e sem sentido.

Nota: embora tenha mencionado no início a premissa 1b, o argumento aqui se aplica tambem a 1a.

3. De outras complicações implicadas pela imaterialidade das almas

Se almas são imateriais não precisam estar sujeitas às leis da física.
Assim seria possível, por exemplo, haver várias delas ocupando o mesmo lugar do espaço.

Ora, o que então impediria uma pessoa de ter não apenas 1, mas várias almas?
Isso entraria em clara contradição com tudo o que alegam praticamente todas as religiões que supõem existirem almas,
com a possível exceção da cientologia, que não merece ser levada a sério nem com a melhor boa-vontade do mundo.

Nessas condições o que impediria ora uma alma, ora outra, de assumir o controle de alguém?
Se tal fosse possível, o comportamento das pessoas seria errático e dificilmente reconheceríamos alguém,
dado que sua personalidade, gostos, etc poderiam variar radicalmente em qualquer momento e várias vezes
ao longo da vida.
Isso já acontece, um defensor das almas poderia retrucar, dado que gostos mudam, há fenômenos mediúnicos e etc.
Porem não mudam na escala, intensidade e frequencia que a admissão dessa possibilidade (n_almas <-> uma pessoa)
tornaria possível.
Tal situação aniquilaria qualquer individualidade e seriam todos como o personagem do suspense psicológico
"fragmentado" (Split) ou até mesmo pior.

Invertendo o relacionamento n:1 para 1:n, também poderíamos questionar, da mesma forma, porque 1 alma não poderia
controlar n individuos? Se a admissão do n:1 já basta para operar um caos na individualidade alheia, o quão
pior seria se admitíssemos também o oposto? Lembrem-se que a imaterialidade da alma não é barreira para tanto,
muito pelo contrário.
Esse 1:n até me lembra o Averroísmo.

...e se imaginássemos também um relacionamento m:n ???

Logo, para evitar essas complicações, faz-se necessário explicar que dispositivo garantiria essa relação 1:1 entre
alma a pessoa e proibiria as relações n:1, 1:n e m:n, mais uma vez introduzindo uma complexidade monumental
que não lança nenhuma luz adicional em nenhum nos fenômenos que a ciência já estuda.

Um defensor da existência de almas poderia retrucar que fenômenos como mediunidade, esquizofrenia, etc
seriam provas dessas possibilidades. Não me parece, pois a psicologia pode bem explicar todos esses fenômenos
sem supor existência de almas e seus relacionamentos com o meio material.
Portanto, também aqui não há nenhuma "matéria escura" agindo de forma a preencher qualquer lacuna no entendimento
desses fenômenos. E se supõe uma tal possibilidade, deve-se submetê-la a prova e experimentação, como já é feito
na ciencia.

Não há nenhuma evidência que isso seja feito. Nesse sentido, o que fazem cranks, pseudocientistas, pregadores
e devotos de alguma religião não prova nada porque torna obrigatório que o indivíduo tenha fé no dizer daqueles.
O problema da fé é que estando intimamente ligada a vontade do indivíduo (o querer crer com ardor) ela pode admitir,
ao gosto desse mesmo indivíduo, qualquer coisa que ele (ou alguém que pense por ele) queira: de fadas a deuses que
que espiam o onanismo alheio.
Assim, a credibilidade da fé é zero e consequentemente sua utilidade nas explicações dos fenômenos é igualmente nula.

---------------------

OBS:
A questão que coloquei no trecho acima, sobre a inutilidade da fé (dada sua natureza) para demonstrar e provar o
que quer que seja, acaba se tornando mais uma premissa nessa minha cadeia de raciocínio

Formalizando e elaborando melhor:
A fé é um querer crer, uma afirmação íntima sobre a certeza de algo.
Portanto, está intimamente e indissoluvelmente ligada a vontade da cada individuo.
Logo essa mesma fé pode dar assentimento a qualquer coisa que queira, ao belprazer do individuo que tem fé,
o que inclui coisas flagrantemente impossiveis, contraditórias, absurdas e fantasiosas.

Um defensor da fé retrucaria que disso não segue que a fé não possa dar assentimento a coisas
que sejam verdadeiras.
Justo.
Porem isso não faz dela critério para distinguir ou arbitrar sobre as coisas que são verdadeiras das falsas,
uma vez que pode aceitar tanto umas quanto as outras, e isso vai de encontro ao que se alega aqui:
de que seu poder como dispositivo de prova e demonstração é nulo.

Re: Existencia de almas

Enviado: Sáb, 10 Janeiro 2026 - 10:44 am
por fenrir
4. Complicações que surgem quando se admite que almas são imortais e imateriais.

Pode fazer sentido que algo imaterial seja tambem imortal.
Pois se não esta sujeita as vississitudes da materia (desgaste, envelhecimento, doença, qualquer tipo de dano físico, morte, etc) parece seguir daí que seja imortal.
Se não se compõe de atomos nem nenhuma particula ou componente de qualquer tipo. Em outras palavras, se não tem partes.
Logo tambem não pode se agregar, nem desagregar, nem ser diminuida nem ser aumentada de nenhuma forma.
Isto parece implicar que é imutável (nao aumenta nem diminui), indivisível (nao tem partes), incriada (nao se agrega) e indestrutivel (nao desagrega).

Assim sendo, como pode ter sido criada? Como pode ser destruida (aniquilada) como afirmam varias crenças que sustentam a existencia de almas imortais?
Sua criação seria um surgir do nada e sua aniquilação um sumir no nada? Como tais coisas são possíveis?

Assim sendo, como guarda informações de seus respectivos veículos? O mero comunicar e trocar informações de e para alma e o ser com alma requer
que almas sofram modificações. Modificação implica informação, que implica entropia, que contradiz o não-poder-se-desagregar, que contradiz imortalidade.

Se, para contornar esses problemas dizemos que existiu, existe e existirá desde sempre, então terá que estar fora do tempo.
Se não nasce, não perece, é imutavel e indivisível, estará fora não só do tempo, mas do próprio espaço, dado que não é um corpo e só corpos ocupam um espaço.

Se esta fora do tempo e do espaço, como pode sequer interagir com coisas que estão sujeitas a ação de ambos?

Não existe qualquer possibilidade de interação entre o A e um transcendente ao A. Nem no passado, nem agora, nem nunca.
O proprio significado de ser transcendente exclui essa possibilidade.

E isso me parece igualar o transcendente ao nada.
E não faz sentido dizer "um nada", nem nadas de naturezas distintas. Somente "o nada".

Re: Existencia de almas

Enviado: Sáb, 10 Janeiro 2026 - 11:10 am
por fenrir
Retrucando o argumento daqueles que alegariam que há coisas imateriais, como por exemplo, pensamentos:

Pensamentos são conceitos abstratos, não tem nenhuma existência independente daquilo que se pensa.
Funcionam como signos ou simbolos daquilo que é pensado, acho. Não são mais diferentes que um texto ou uma gravação explicando algo.
Se ninguem sustentaria que um transcendente imaterial existe porque existe um simbolo ou conceito abstrato qualquer que não "pegamos com as mãos, nem vemos", porque dizer o mesmo de um pensamento?

Mas unicórnios e herois da marvel são pensados e não existem na realidade.
Sim são, porem eles são ou coisas quimericas formadas por partes de coisas que existem (unicornios) ou aumentos e diminuições arbitrários (potencialmente ilimitados) de atributos de coisas tambem existentes:
um herói ou supervilão é um humano aumentado, com mais força, voa como passaros só que mais rápido, etc. Um deus que é o sumo bem tem o atributo bondade amplificado ao infinito...

Em resumo: posso pegar qualquer A e imaginar um A com atributos particulares tão melhorados (ou piorados) quanto eu queira sem que isto implique que o A aumentado exista fora de minha mente. O Superman e o Goku do DragonBall sao assim.
Porque? porque ambos, tanto o objeto (A) como a operação aplicada ao mesmo (aumento, diminuição) existem fora da mente. Vemos coisas aumentando e diminuindo e comparamos os atributos delas entre si todo o tempo.
Por fim posso transplantar um atributo (voar) para um ser que não tem esse atributo (homem). Isso não difere de uma quimera.
O que o pensamento faz é só mostrar a aplicação de uma coisa a outra. E aí o limite está só no limite da criatividade de quem pensa.

Isso negaria a prova de Sto Anselmo e pode ser usado para negar a existencia de Deus.

Para quem não conhece, o argumento do santo é, com minhas palavras, assim:
Se algo é perfeito é necessário que exista na realidade. O não-existir seria imperfeição.
Podemos pensar num (ou melhor, no) deus perfeito, logo é forçoso que exista na realidade.
Um monge (Gaunilo) que viveu na mesma época que o santo, rebateu esse argumento dizendo que
se ele pensasse numa ilha perfeita forçosamente esta ilha teria que existir ou não seria perfeita.

Junto à objeção de Gaunilo o que já disse, que do fato de podermos aumentar atributos de algo o quanto quisermos até o infinito,
não se conclui que a coisa aumentada exista. Do contrário poderiam existir Batman, Homem-Aranha e Wolverine e eu estaria na fila para pegar autógrafos.

Mas, retrucaria alguem usando um exemplo tirado da astrofísica: Anãs marrons não existiam na cabaça de ninguem antes de serem teorizadas na década de 60 e descobertas em 1994
Sim, porem elas compartilham caracteristicas comums com coisas já por nós conhecidas, não são de uma estranheza total, inconcebível e impensável.
Apenas não estávamos cientes de sua existência.
Não é diferente de um doente que ainda não sabe que ainda esta doente. Ou, de forma mais geral, da constatação por parte de alguem, de algo que este alguem não sabia antes.
Se isto pode acontecer com um indivíduo, por que não com todos (como no caso da ignorância da existencia de anâs marrons antes da decada de 60)?

Mas... e a mente por trás dos pensamentos?
Mais uma abstração: pode ser só um termo ou símbolo para indicar a totalidade destes pensamentos ou de tudo o que faz alguem ser aquilo que é.
De novo, isso não implica que exista uma mente alem do abstrato, da mesma forma como pensar em bondade e constatar que ela existe, não implica que haja uma *bondade*, tal como uma idéia platônica "flutuando" algures num transcendente.
Como não vemos pessoas genéricas perambulando por ai, como modelos abstratos de pessoas. Vemos sempre individuos particulares. Esse(a) ou aquele(a) pessoa.

Nada disso prova a existencia, nem de almas, nem de transcendente.
O que isto mostra é que não há nada na mente que não tenha estado antes nos sentidos, quer seja na forma (coisas) como nas operações a que elas estão sujeitas (os "aumentos" e "diminuições").
Tambem mostra que "mente", "pensamento" são apenas termos usados para designar conceitos abstratos.

Se a "pensabilidade" (o poder pensar) estes termos implicasse sua existencia fora da mente, então teríamos que admitir, como Platão, que para qualquer conceito deveria existir um *conceito* arquetípico num mundo etéreo de idéias.
E isso inclui o conceito de coisas feias, imorais, ridículas e inúteis, como o próprio Platão foi forçado a admitir como vemos no dialogo Parmênides...
Alem disso, para cada coisa, ha uma ideia da coisa e para cada par (coisa, ideia da coisa) há uma ideia do par e um par (par, ideia do par) e dai em diante recursivamente, ad infinitum e ad nauseam.
Não é a infinidade em si que incomoda aqui, mas sim a inutilidade e complexidade desnecessárias e escancaradas nesse se multiplicar sem limite as coisas (particulares) e conceitos delas (ideas).
Aristóteles chamou atenção a dificuldades dessa natureza quando rebateu a teoria das ideias de Platão.

Nem Sto Anselmo, nem defensores da existencia de almas prestaram a devida atenção, não perceberam as implicações daquilo que disseram Aristóteles e o estrangeiro eleata.

Re: Existencia de almas

Enviado: Sáb, 10 Janeiro 2026 - 12:43 pm
por fenrir
Os defensores da existencia de almas poderiam se refugiar num argumento assim:

Mesmo se admitissemos num presente momento, de que não temos condições de provar de forma inequivoca que essas coisas existam, isto talvez não implicasse que não pudessemos conhece-las e prova~las num futuro.

Poderia eu usar um exemplo envolvendo um australopitecus e a internet: de que modo nosso pobre antepassado poderia sequer conceber que existiria algo como a internet? Impossivel.
Estariamos nós temporariamente (ou eternamente) num estado de ignorancia similar ao do exemplo acima relativamente a almas, transcendente, deuse(s), & cia ltda?

Se for eternamente, então ninguem jamais o saberá, logo ninguem poderia afirmar que o que diz de tais coisas seja certo sem entrar numa contradição óbvia.
Trocando em miúdos: não há como conciliar, sem contradizer:
a) conhecimento de um X em qualquer época passada, presente ou futura
b) com a ignorância perpétua/perene do mesmo X.

....mas, para isso tem a revelação, diriam.
O que usam para sustentar tal revelação? A fé, a mesma sobre a qual já deixei claro minha opinião aqui: que não é critério fiável de prova de coisa alguma.

Se, por outro lado, tal estado de ignorância for temporário, tentar prever X ou Y não passa de pura especulação e não vejo os defensores de almas tratando do assunto dessa forma, pois que tem suas crenças como certas.
Apenas imaginam (hipoteticamente) seus artigos de fé como possibilidades quanto tal faz parte de uma argumentação de teor apologético.
A fé e a certeza de seu objeto estão ali inabalaveis, à parte qualquer hipótese atenuante provisória e quaisquer possibilidades futuras.

Finalmente, supondo que mesmo com suas modestas capacidades, o australopiteco conhecesse alguma coisa de logica bem basica do tipo principio da identidade A=A e A<>B: "eu e o bicho-feio-da-caverna (urso) não somos a mesma criatura".
Ainda que ele ignorasse totalmente o futuro, ele poderia conceber que em nenhuma época seria possivel demonstrar que ele e o bicho feio eram o mesmo ser, pois isso não faz sentido nem na época dele, nem antes, nem depois.
Seus parcos conhecimentos já bastam para mostrar que não faz sentido.

Penso assim acerca de almas & cia mesmo em relação a um futuro por mim inatingível, mesmo que seja a este respeito tão incapaz quanto era o australopiteco de prever a internet.

Os que discordam podem invocar a fé para seu auxilio. De novo, ja deixei claro aqui o que penso dela.

Re: Existencia de almas

Enviado: Sáb, 10 Janeiro 2026 - 13:22 pm
por fenrir
Queria pregar um ultimo prego na caixão das almas:

Suponhamos que se provasse que algo imaterial (vou chama-lo de IM) existisse de fato.
Considere esse IM o que bem entender. Mente ou Deus, por exemplo, a despeito de tudo o que escrevi anteriormente.
Ora, ainda que IM compartilhe algo em comum com almas (imaterialidade), da existencia de IM não decorre que almas tambem existam.

Descobrir e provar um IM imaterial só demonstraria que "existe este IM, que é imaterial". Isto, por si só, não é o mesmo que demonstrar que existem almas.
Assim como da demonstração/constatação que Marte existe, não decorre que Tatooine - o planeta natal de Luke Skywalker - tambem exista, embora sejam ambos tão planetas quanto IM e almas são imateriais.

Assim, há que se ir alem da prova de que exista um imaterial para provar que almas imateriais existem.
A prova da existência imaterialidade é necessária, porem não suficiente para provar a existencia de almas.

A unica forma de salvar essa situação seria se calhasse desse IM ser justamente uma alma.
Isto é o mesmo que provar que almas existem, que é o que venho questionando neste topico.

P.S.
Isto tambem se aplicaria a hipotese de almas não serem imateriais, mas de uma materia qualquer, desconhecida da ciencia. Vou chama-la de "matéria esquisita".
Analogamente a imaterialidade, antes de provar que almas-de-materia-esquisita existem, há que se provar que a materia esquisita existe e a prova da existencia da mateira esquisita por si só nao prova tambem que existam almas-de-materia-esquisita.

Re: Existencia de almas

Enviado: Sáb, 10 Janeiro 2026 - 13:44 pm
por Gorducho
Sr. fenrir escreveu:Assim, há que se ir alem da prova de que exista um imaterial para provar que almas imateriais existem.
A prova da existência imaterialidade é necessária, porem não suficiente para provar a existencia de almas.
:-BD
É necessário que esse imaterial seja necessário pra "animar" organismos materiais. Havendo interação portanto
imaterial x material.
E perispírito nada ajuda a esclarecer quanto a este ponto, conforme o Sr. sublinhou acima.
Note que ser (esse imaterial) "inteligente" não é necessário – e.g. muitos "animais" e plantas não se pode considerar "inteligentes" até onde sabemos.
E pros alegados fenômenos inteligentes do Espiritismo, basta o perispírito material.

Re: Existencia de almas

Enviado: Sáb, 10 Janeiro 2026 - 14:30 pm
por fenrir
Tem uma parte no meio desse bolo todo que ainda estou em duvida:

Disse que só um corpo (na acepção mais geral do termo) ocupa espaço e que está no espaço.
Se o ponto, a noção matemática dele, que é adimensional tem coordenadas num espaço, poderia eu dizer que tambem está no espaço?
Se almas são como pontos e pontos podem ser localizados no espaço então eu errei numa parte ai atrás.

Ora, um ponto vai ter coordenadas com relação a alguma origem quer seja estabelecida arbitrariamente ou não. Por exemplo o ponto(0,0) num grafico.

Se o espaço como um todo é isotrópico (e seria se o despissemos de todo seu conteudo) como uma posição diferia de qualquer outra?
Numa situação assim não há nenhuma origem definida.
Não teria nenhum centro que pudesse ser usado como origem, caso fosse infinito.
Se fosse finito, se não houvesse um "fora do espaço" sendo usado como origem/referencia não há como diferir um ponto de outro pela localização relativa a este "fora do espaço".
Mas ai teríamos um centro ou não teríamos? Se sim, haveria uma origem, se não, não haveria. Aqui admito que não sei.
Se considerar como espaço a propria espacialidade, o que há "fora" dela? Faz qualquer sentido pensar em algo assim?

Os pontos seriam como vetores equipolentes no espaço V^n qualquer: todos eles são o mesmo vetor.
Vetores equipolentes tem a mesma magnitude, direção e sentido.
Logo, tanto faz desenha-los no fim ou no inicio da página, na china ou num planeta duma galáxia nos confins do universo.
Por isso podemos move-los dum lado a outro quando usamos a regra do paralelogramo. Basta apenas manter direção, sentido e magnitude intactas e voilá, podemos soma-los e subtrai-los.

As noçôes matemáticas de retas e planos tambem são estranhas ao senso comum: retas teriam comprimento, mas não espessura. Planos teriam um X e um Y, mas não "profundidade" (um Z).

A adimensionalidade de um ponto, a ausencia de espessura de uma reta e de profundidade de um plano seria o que mais se aproximaria da algo imaterial para mim.
Mas tais coisas são abstrações matemáticas. Não vemos pontos, retas, planos, nem circulos matematicamente perfeitos no mundo externo (uma objeção de Protágoras - não confundir com Pitágoras - à utilidade prática da matemática).

Seriam certos entes matemáticas tambem produtos de operações de aumento/diminuição que fazemos nos itens na natureza (= que nos vem da experiência)?
Por exemplo, vejo uma rocha que tem um formato razoavelmente esférico. Posso imaginar algo progressivelmente cada vez mais esferico que esta rocha (pelo incremento da "esfericidade" da coisa) até chegar numa esfera matematicamente perfeita.
Por isso suspeito que a própria matemática tambem vem dos nossos sentidos. Pegamos o que vemos e modificamos essas coisas e abstraimos formas matematicas delas.

Mas disso não segue que uma esfera matematicamente perfeita exista na natureza. Sim ou não?

Bom, ainda que a resposta seja sim:
O fato de conceber uma esfera matematicamente perfeita em pensamento e existir alguma algures ai fora (um Pulsar? Buraco Negro?) não segue que qualquer outra coisa que seja concebida na mente exista na realidade, por perfeita que seja.
Isto provaria que esferas perfeitas existem, nao almas e nem deus(es).

Re: Existencia de almas

Enviado: Sáb, 10 Janeiro 2026 - 16:06 pm
por Fernando Silva
fenrir escreveu:
Sáb, 10 Janeiro 2026 - 09:29 am
Se almas são imateriais não precisam estar sujeitas às leis da física.
Assim seria possível, por exemplo, haver várias delas ocupando o mesmo lugar do espaço.

Ora, o que então impediria uma pessoa de ter não apenas 1, mas várias almas?
Como ficam as quimeras, ou seja, pessoas resultantes da fusão dos aglomerados de células gerados por dois óvulos fecundados?
As almas se fundem?

Re: Existencia de almas

Enviado: Sáb, 10 Janeiro 2026 - 16:11 pm
por Fernando Silva
Não basta afirmar que existe um domínio metafísico ou espiritual e dizer que ele está fora do alcance da ciência. É preciso provar sua existência. Como faremos isto?
Tudo o que temos são nossos 5 sentidos (físicos), nossos instrumentos (físicos) e a matemática daí resultante que às vezes permite prever novos fenômenos.
O tal mundo espiritual e seus fenômenos só existem na imaginação das pessoas.
Se forem detectáveis pela ciência, deixarão de ser espirituais.
Aquilo que não pode ser detectado pela ciência porque pertence ao mundo espiritual terá que ser detectado por um 6⁰, 7⁰ etc. sentido, só que espiritual.
Como sabemos que tais sentidos existem? Usando que sentidos ou instrumentos espirituais?

Re: Existencia de almas

Enviado: Sáb, 10 Janeiro 2026 - 16:14 pm
por fenrir
Fernando Silva escreveu:
Sáb, 10 Janeiro 2026 - 16:06 pm
fenrir escreveu:
Sáb, 10 Janeiro 2026 - 09:29 am
Se almas são imateriais não precisam estar sujeitas às leis da física.
Assim seria possível, por exemplo, haver várias delas ocupando o mesmo lugar do espaço.

Ora, o que então impediria uma pessoa de ter não apenas 1, mas várias almas?
Como ficam as quimeras, ou seja, pessoas resultantes da fusão dos aglomerados de células gerados por dois óvulos fecundados?
As almas se fundem?
Sei lá, mas bem colocado.
Poderiam tentar contornar isso dizendo que a alma só "entra" no seu veículo depois de um certo ponto do desenvolvimento do embrião, ai tanto faria se foi naquilo que resultou de um óvulo só ou de mais de um.
Mas e meio ad hoc, ne?

Isso levanta a questão do quando se forma a conexão entre alma e corpo. Tão logo ocorre a fecundação ou não?
Se for tão logo, não faz diferencia ter cerebro para ter alma, pois ovulos e espermatozoides e blástulas e gástrulas não tem sistema nervoso algum. E ai até um protozoário poderia ter alma.

Re: Existencia de almas

Enviado: Sáb, 10 Janeiro 2026 - 16:20 pm
por Fernando Silva
fenrir escreveu:
Sáb, 10 Janeiro 2026 - 16:14 pm
Fernando Silva escreveu:
Sáb, 10 Janeiro 2026 - 16:06 pm
fenrir escreveu:
Sáb, 10 Janeiro 2026 - 09:29 am
Se almas são imateriais não precisam estar sujeitas às leis da física.
Assim seria possível, por exemplo, haver várias delas ocupando o mesmo lugar do espaço.

Ora, o que então impediria uma pessoa de ter não apenas 1, mas várias almas?
Como ficam as quimeras, ou seja, pessoas resultantes da fusão dos aglomerados de células gerados por dois óvulos fecundados?
As almas se fundem?
Sei lá, mas bem colocado.
Poderiam tentar contornar isso dizendo que a alma só "entra" no seu veículo depois de um certo ponto do desenvolvimento do embrião, ai tanto faria se foi naquilo que resultou de um óvulo só ou de mais de um.
Mas e meio ad hoc, ne?

Isso levanta a questão do quando se forma a conexão entre alma e corpo. Tão logo ocorre a fecundação ou não?
Se for tão logo, não faz diferencia ter cerebro para ter alma, pois ovulos e espermatozoides e blástulas e gástrulas não tem sistema nervoso algum. E ai até um protozoário poderia ter alma.
Segundo Tomás de Aquino em sua Summa Theologica, a alma entra no corpo aos 40 dias de gestação se o feto for masculino, ou 80, se for feminino.

Re: Existencia de almas

Enviado: Sáb, 10 Janeiro 2026 - 16:26 pm
por fenrir
Fernando Silva escreveu:
Sáb, 10 Janeiro 2026 - 16:11 pm
Não basta afirmar que existe um domínio metafísico ou espiritual e dizer que ele está fora do alcance da ciência. É preciso provar sua existência. Como faremos isto?
Tudo o que temos são nossos 5 sentidos (físicos), nossos instrumentos (físicos) e a matemática daí resultante que às vezes permite prever novos fenômenos.
O tal mundo espiritual e seus fenômenos só existem na imaginação das pessoas.
Se forem detectáveis pela ciência, deixarão de ser espirituais.
Aquilo que não pode ser detectado pela ciência porque pertence ao mundo espiritual terá que ser detectado por um 6⁰, 7⁰ etc. sentido, só que espiritual.
Como sabemos que tais sentidos existem? Usando que sentidos ou instrumentos espirituais?
Verdade. Se fosse detectados pelos meios que temos, deixaria de ser espiritual e passaria ao ambito da ciencia.
Ja fiz essa ressalva com relação ao espiritismo: se já tivesse sido comprovado cientificamente - como alguns alegam - porque não o vejo sendo estudado nas universidades? Porque não há periódicos tecnicos dedicados e este estudo, como há o Astronomical Journal para a Astrofísica?
Por puro preconceito, retrucariam.
A ciencia não é imune a preconceitos - reconheço isso - porem dada a natureza dela (não tem a si própria como "inerrante") preconceitos não duram indefinidadamente e cedo ou tarde caem por terra. Basta as evidencias a favor atingirem uma massa crítica.
Porque ainda ainda não vi tal preconceito cair então? Já se vão mais de 150 anos a contar de Kardec e mais de dois milênios dos órficos (que acreditavam am almas e reencarnação) ate hoje.
Pode ainda vir a cair? Vá lá saber.
Sinceramente não me parece não, porque o que esta em jogo aqui vai alem de uma mera aversão da ciencia: falta de evidencias minimamente crediveis.

Re: Existencia de almas

Enviado: Dom, 11 Janeiro 2026 - 08:57 am
por Gorducho
Sr. fenrir escreveu:Isso levanta a questão do quando se forma a conexão entre alma e corpo. Tão logo ocorre a fecundação ou não?
Na concepção estabelece-se 1 link (seria como o "cordão de prata") entre o óvulo fecundado e 1 Espírito designado pra reencanar nesse futuro ser.
Daí se depreende que sem algum Espírito disponível não prospera esta.
Este vai se tornando cada x + forte conforme se desenvolve o feto. Então esse Espírito vai ficando gradativamente + perturbado e no nascimento perde a consciência, só a recobrando gradativamente. Aí, já sem as memórias explícitas dos fatos/encarnações anteriores, claro.
Esse é o Canon Doutrinátrio. Mas há certos Estudiosos que consideram este ponto ainda não perfeitamente esclarecido dentro da Doutrina.

Re: Existencia de almas

Enviado: Dom, 11 Janeiro 2026 - 09:36 am
por Fernando Silva
Os mórmons acreditam em que existíamos como espíritos com Deus antes de vir para a Terra, e que Satanás e um terço deles se rebelaram contra Deus e foram expulsos.
E que todos que nascem na Terra escolheram vir para esta vida mortal com pelo menos algum nível de consentimento e compreensão sobre o que vai acontecer.

Re: Existencia de almas

Enviado: Dom, 11 Janeiro 2026 - 09:55 am
por Gorducho
Então tem analogia c/a Prevaricação e Queda do Martinismo. Sem Paraíso material terrícola.
Sr. Fernando Silva escreveu:E que todos que nascem na Terra escolheram vir para esta vida mortal com pelo menos algum nível de consentimento e compreensão sobre o que vai acontecer.
Não entendi :think:
Não tem relação direta c/a Queda "original" :?:

Re: Existencia de almas

Enviado: Dom, 11 Janeiro 2026 - 15:26 pm
por Fernando Silva
Gorducho escreveu:
Dom, 11 Janeiro 2026 - 09:55 am
Então tem analogia c/a Prevaricação e Queda do Martinismo. Sem Paraíso material terrícola.
Sr. Fernando Silva escreveu:E que todos que nascem na Terra escolheram vir para esta vida mortal com pelo menos algum nível de consentimento e compreensão sobre o que vai acontecer.
Não entendi :think:
Não tem relação direta c/a Queda "original" :?:
As almas ou espíritos estão lá no Céu, onde sempre estiveram, esperando sua vez de se encarnar em um ser humano que ainda vai nascer.
Os mórmons são, no máximo, "fringe Christians". Sua crença se baseia na Bíblia como inspiração, mas é só.
Eles acham, por exemplo, que os eleitos se tornarão deuses também, cada um de seu próprio planeta.