CaveCanem = FenrirJungF escreveu: ↑Sex, 24 Abril 2026 - 17:20 pmNo caso de Jesus, manifesta-se um ceticismo generalizado. Assim haverá dúvida até sobre outras figuras históricas.
Questiona-se Paulo de Tarso
Questiona-se Flávio Josefo
Este ceticismo radical se levado ao extremo colocaria em dúvida boa parte da História Antiga.
Há um erro metodológico comum nesse debate, é que a maioria exige:
“prova direta, contemporânea, material”
Mas isso é um padrão impossível para a maioria das figuras antigas.
Por exemplo: PITÁGORAS
Sim, até mesmo ele.
Embora seja tradicionalmente associado ao Teorema de Pitágoras, muitos historiadores questionam o quanto sabemos realmente sobre ele, já que seus ensinamentos foram transmitidos por seguidores e cercados de misticismo.
E mais: Não temos escritos diretos de Sócrates Sabemos dele por discípulos (como Platão)
Ainda assim, ninguém sério diz que ele não existiu
Ou seja: o critério usado contra Jesus, se aplicado de forma consistente, destruiria a História Antiga inteira.
A posição “Jesus nunca existiu” é hoje minoritária.
O estado atual do consenso acadêmico
• Jesus provavelmente existiu como figura histórica
• Foi um pregador judeu do século I
• Foi executado sob Pôncio Pilatos
Isso não é posição religiosa — é histórica.
Mesmo fontes não cristãs como Tácito e Josefo são frequentemente citadas nesse contexto.
"perdi" minha conta e tive que criar outra
(rosnando em diração ao JungF) Ah, o testemunho flaviano, aquele remendo textual cuja autenticidade não é maior que a da doação de constantino?
Sugiro ler: A Eusebian Reading of the Testimonium Flavianum de Ken Olson, que foi aluno de Bart Ehrman em estudos biblicos.
Tácito testemunha a existencia de cristãos, não de Jesus.
Se uma coisa decorresse de outra então a existencia de mitraístas era testemunho da existencia de Mitra, ou da existencia de orfistas, deduziriamos a de Orfeu, ou da dos cultores de Dionisio, deduziriamos a de Dionisio, e segue o barco...
Sobre a piada da existencia de Socrates e outras figuras historicas ser tão incerta quanto de Jesus, quem se interessar que leia aqui
Sobre as "certezas inabalaveis" dos historicistas, Carrier tem isso a dizer: Things Fall Apart Only When You Check: The Main Reason the Historicity of Jesus Continues to Be Believed
Fernando, se quiser ir mais a fundo nisso, de uma olhada nos livros de Robert Price, Carrier, Lataster, Drews, Doherty, Thomas Brodie. Não li o livro do Fitzgerald, mas penso que ele bebeu nessas fontes que citei.
Inclusive, o Carrier lançou um livro novo recentemente.
Evite material de Freke & Gandi, Acharya S. e correlatos. São superficiais e de teor conspiratório, naquela linha de que Jesus foi uma conspiração dos romanos criada para pacificar os judeus.
No campo desses estudos, tais livros seriam o equivalente a um Dan Brown e ainda por cima mal-escrito. Portanto, seu valor academico é nulo.
"Isso não é posição religiosa, é histórica"
...de historiadores que não se aprofundam e não checam (vide link Things fall apart...), e não checam pricipalmente quando certos fatos incomodam e abalam crenças pré-estabelecidas.
Ai o que se faz é fingir que aquilo não existe ou diminuir dizendo que "fringe", visão de minoria, etc. Pesquisadores sérios não agem dessa forma. eles não se furtam de checar.
Essa minoria tem não raro mais conhecimento biblico que os criticos deles e, em seus estudos, não desviam o olhar quando coisas "esquisitas" (do ponto de vista do crente) começam a brotar em todos os cantos.
O relato do amadurecimento intelectual de Bart Ehrman nos estudos biblicos deixa isso claro: ele diz como o aprofundamento nos estudos o transformaram de um crente fundamentalista em agnóstico.
A mesma coisa se deu com Robert Price e até mesmo com o Carrier (ele confessa que antes de se debruçar sobre o assunto, não questionava a existencia de um Jesus histórico, muito pelo
contrário, era da opinião de que se tratava de material fringe, de teorias da conspiração - foi a leitura de Doherty que o fez mudar de idéia).
Como disse o Asimov: "Properly read, the Bible is the most potent force for atheism ever conceived." Imagine então o que acontece com quem vai alem da leitura da biblia e se aprofunda em estudos biblicos...
O Carrier já disse que muita gente na academia não abraça a posição miticista porque seus empregos e carreira estariam em risco (Vide o que aconteceu ao Bruno Bauer e ao Thomas Thompson - e ha mais exemplos),
dado que os financiamento dos estudos biblicos vem em grande parte de instituições religiosas. São poucos os que tem coragem de ir alem e proclamar em alto e bom tom sua visão.
Mas as pessoas são livres para crer no que quiserem, não é?
Já eu gosto de saber de verdade como as coisas são, não como alguma religião diz que é. Não confio nem em religiões, nem em religiosos e nem em livros de religiosos.