A Vida prova DEUS
Enviado: Dom, 25 Janeiro 2026 - 04:11 am
Naturalistas, quando falam da origem da vida, tentam empurrar o debate prum terreno de "loteria cósmica", do tipo, "basta haver uma infinidade de tempo e uma imensidade de espaço que em algum lugar poderá ocorrer". Só que, fazendo isso, eles varrem para debaixo do tapete a pergunta sobre o que é que constitui, em primeiro lugar, para começar, a possibilidade mesma da própria vida. Quando se fala em probabilidade, a aparente retórica pretensamente "objetiva" (números, estatísticas) desvia o olhar para fora da estrutura que já é tomada como dada de antemão sem que ela esteja plenamente justificada -- a pergunta sobre o que pode, em princípio, ser possível ou não.
Quando você joga numa loteria, você já sabe o prêmio, o bilhete, a urna, a sua aposta etc. Você tentar em uma única ou em mil lotéricas (espaço imenso) não abre novas possibilidades, apenas explora mais tentativas de se atualizar alguma delas. Você tentar mil vezes (tempo infinito) não transforma a urna em outra coisa, não transforma o prêmio ou o bilhete em algo de outra natureza -- apenas dá mais oportunidades de realizar aquilo que já era inerente. Logo, apelar quantitativamente para quantidades espaço-temporais é uma forma de fugir da questão mais profunda que é o fato da vida estar estruturalmente inscrita como uma possibilidade real da estrutura da realidade como um Todo.
Possibilidade não é só ser não-contraditório, mas ser efetivamente viável, realizável, permitido. Significa que a existência é de um tal tipo que faz, da vida, possível. Que tipo de realidade tornaria, a vida, possível? O naturalismo pula esse passo e vai direto para a probabilidade sem antes se perguntar sobre as condições que fundamentam haver-algo-como-vida in first place to begin with.
Para que haja um vivente empírico (particular) precisa existir, anteriormente (ontologicamente, não cronologicamente) um "campo transcendental", no interior do qual, tal coisa como "viver" seja sequer possível. O fundamento último (do real) tem que ser aquilo que possibilita a própria experiencialidade do vivenciar. Uma estrutura originária de vitalidade-afetividade-intencionalidade que sirva de "solo ontológico" para categorias como "vida", "afeto", "intenção".
Note que não estou falando de um "antes" cronológico (antes química, depois biologia), mas de uma "base" metafísica (qual a natureza de um Ser que tem, como categoria realizada, a Vida?). Não dos "seres" particulares (com s minúsculo) mas do Ser no qual eles são -- a fundamentação mesma do existir (ela tem que ter um teor tal que viabilize as experiências dos viventes). Não se trata dos "primeiros capítulos" do enredo (reações químicas, etc), mas sim do próprio haver-um-enredo at all. Coisas como abiogênese, auto-organização, seleção natural, emergentismo, evolucionismo, etc., não passam de um "como" (são um "mecanismo", não uma justificação existencial) -- descrevem processos internos-ao-mundo (maneiras/eventos) -- todos eles operam já intermante ao domínio previamente-constituído de uma ordem capaz-de fazer-emergir vitalidade, mentalidade, racionalidade etc. Você já parte do pressuposto destas condições.
A inteligibilidade da vida enquanto vida exige, conceitualmente, categorias que transcendem o próprio naturalismo -- sem as quais "vida" vira um mero rótulo psicológico ou metafórico para certas complexidades exibidas pela matéria (o que por sua vez criaria outras complicações imensas, já que atribuiria à matéria poderes de organização, preservação, informação, interpretação, intencionalidade etc. que vão na contramão de tudo o que tomamos objetivamente como material).
Um sistema vivo não só sofre ações do mundo. Ele mapeia, detecta, seleciona, responde, corrige, organiza, persevera, preserva. Distingue. Tudo isso implica um poder de "ser-sobre" algo (referir-se-a). Um termômetro não "representa" (para-si) a temperatura, ele só reage ao ambiente; um ser vivo, não -- ele introduz um novo nível de realidade no qual há tal coisa como um modelo interno ou representação existencial da sua condição. Emerge uma estrutura formal-normativa que é irredutível à neutralidade das reações químicas. Isso exige um logos, um padrão-estável de organização-informação-interpretação-leitura-resposta-direcionalidade que faz, da realidade, inteligível em seu seio mesmo (havendo objetivamente coisas como erro-acerto, auto-manutenção, normatividade-intencionalidade etc.).
Isso é muito mais parcimonioso do que um universo neutro e morto que, do nada, por um passe de mágica, milagrosamente aprende a errar, corrigir-se e preservar-se. O naturalismo compromete-se (tacitamente) com uma "metafísica do absurdo". Vida depende de códigos-instruções, coisa que não seria possível sem uma inteligibilidade codificável no coração do Ser. Isso aponta para DEUS (uma arquitetura racional para além dos fatos brutos). Se o mundo fosse só descrição sem prescrição, não haveria nenhum "dever" interno mínimo (ex: conservar-se, reproduzir etc). Isso aponta para bens naturais (integridade, preservação, ordem). Também aponta para Deus (como condição da possibilidade destas coisas). A questão não é a chance disso tudo, mas o tipo/teor/natureza de uma existência que permita tudo isso em princípio. Que explique porque a vida é possível (e não provável).
Quando você joga numa loteria, você já sabe o prêmio, o bilhete, a urna, a sua aposta etc. Você tentar em uma única ou em mil lotéricas (espaço imenso) não abre novas possibilidades, apenas explora mais tentativas de se atualizar alguma delas. Você tentar mil vezes (tempo infinito) não transforma a urna em outra coisa, não transforma o prêmio ou o bilhete em algo de outra natureza -- apenas dá mais oportunidades de realizar aquilo que já era inerente. Logo, apelar quantitativamente para quantidades espaço-temporais é uma forma de fugir da questão mais profunda que é o fato da vida estar estruturalmente inscrita como uma possibilidade real da estrutura da realidade como um Todo.
Possibilidade não é só ser não-contraditório, mas ser efetivamente viável, realizável, permitido. Significa que a existência é de um tal tipo que faz, da vida, possível. Que tipo de realidade tornaria, a vida, possível? O naturalismo pula esse passo e vai direto para a probabilidade sem antes se perguntar sobre as condições que fundamentam haver-algo-como-vida in first place to begin with.
Para que haja um vivente empírico (particular) precisa existir, anteriormente (ontologicamente, não cronologicamente) um "campo transcendental", no interior do qual, tal coisa como "viver" seja sequer possível. O fundamento último (do real) tem que ser aquilo que possibilita a própria experiencialidade do vivenciar. Uma estrutura originária de vitalidade-afetividade-intencionalidade que sirva de "solo ontológico" para categorias como "vida", "afeto", "intenção".
Note que não estou falando de um "antes" cronológico (antes química, depois biologia), mas de uma "base" metafísica (qual a natureza de um Ser que tem, como categoria realizada, a Vida?). Não dos "seres" particulares (com s minúsculo) mas do Ser no qual eles são -- a fundamentação mesma do existir (ela tem que ter um teor tal que viabilize as experiências dos viventes). Não se trata dos "primeiros capítulos" do enredo (reações químicas, etc), mas sim do próprio haver-um-enredo at all. Coisas como abiogênese, auto-organização, seleção natural, emergentismo, evolucionismo, etc., não passam de um "como" (são um "mecanismo", não uma justificação existencial) -- descrevem processos internos-ao-mundo (maneiras/eventos) -- todos eles operam já intermante ao domínio previamente-constituído de uma ordem capaz-de fazer-emergir vitalidade, mentalidade, racionalidade etc. Você já parte do pressuposto destas condições.
A inteligibilidade da vida enquanto vida exige, conceitualmente, categorias que transcendem o próprio naturalismo -- sem as quais "vida" vira um mero rótulo psicológico ou metafórico para certas complexidades exibidas pela matéria (o que por sua vez criaria outras complicações imensas, já que atribuiria à matéria poderes de organização, preservação, informação, interpretação, intencionalidade etc. que vão na contramão de tudo o que tomamos objetivamente como material).
Um sistema vivo não só sofre ações do mundo. Ele mapeia, detecta, seleciona, responde, corrige, organiza, persevera, preserva. Distingue. Tudo isso implica um poder de "ser-sobre" algo (referir-se-a). Um termômetro não "representa" (para-si) a temperatura, ele só reage ao ambiente; um ser vivo, não -- ele introduz um novo nível de realidade no qual há tal coisa como um modelo interno ou representação existencial da sua condição. Emerge uma estrutura formal-normativa que é irredutível à neutralidade das reações químicas. Isso exige um logos, um padrão-estável de organização-informação-interpretação-leitura-resposta-direcionalidade que faz, da realidade, inteligível em seu seio mesmo (havendo objetivamente coisas como erro-acerto, auto-manutenção, normatividade-intencionalidade etc.).
Isso é muito mais parcimonioso do que um universo neutro e morto que, do nada, por um passe de mágica, milagrosamente aprende a errar, corrigir-se e preservar-se. O naturalismo compromete-se (tacitamente) com uma "metafísica do absurdo". Vida depende de códigos-instruções, coisa que não seria possível sem uma inteligibilidade codificável no coração do Ser. Isso aponta para DEUS (uma arquitetura racional para além dos fatos brutos). Se o mundo fosse só descrição sem prescrição, não haveria nenhum "dever" interno mínimo (ex: conservar-se, reproduzir etc). Isso aponta para bens naturais (integridade, preservação, ordem). Também aponta para Deus (como condição da possibilidade destas coisas). A questão não é a chance disso tudo, mas o tipo/teor/natureza de uma existência que permita tudo isso em princípio. Que explique porque a vida é possível (e não provável).