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Sobre polícia

Enviado: Qui, 12 Fevereiro 2026 - 03:49 am
por fenrir
Alguns pontos e criticas

Primeiro
O papel da policia não é - feito um clone do Juiz Dredd - julgar, nem aplicar uma pena.
Portanto, se um policial mata, mesmo que seja um criminoso bem ruim, vai ter que no minimo dar alguma explicação, prestar alguma conta disso.
Pois, repetindo, não é ele quem julga, nem ele quem aplica a pena.

E se um policial mata num caso totalmente injustificado (quando não há como invocar autodefesa)
ele deixa de ser policia e passa a ser criminoso.

Logo aquele pensamento de "ciminoso tem mais é que morrer" é sinal de estupidez e tosquice.
(pior é que já pensei assim).
Pois o individuo revela de forma escancarada não saber nem o be-a-bá do que seja justiça e direito.
Confunde polícia com tribunal, juiz, ...

Um ponto de burrice pro justiceiro vingador.

O imbecil cre que esta agindo retamente num espirito de justiça vingativa.
Ora, o que faz quem quer se vingar? invariavelmente mata ou inflige dor, fisica e/ou psiquica.

Porque quem se vinga matando ou infligindo dor supõe estar aplicando a pior das penas.

Ocorre que a morte não é, nem de longe, a pior.
Qual a comparação entre um fim rápido, associado a uma dor que dura um
brevissimo tempo, com um encarceramento por anos, decadas ou mesmo uma vida inteira?

Inflingir dor física ou psíquica (mesmo muita) em alguem tambem não é a pior das penas.

Cesare Beccaria, em seu "dos delitos e das penas" já demonstrou, mais de 200 anos atrás,
que as piores penas são aquelas que são contínuas e que duram muito, não aquelas intensas,
porem passageiras.

Mais um ponto de burrice pro justiceiro vingador.

Segundo
Não se oculta a identidade para agir em favor da lei e sim contra ela.
Porque o infrator deseja cometer o crime e não sendo identificado, subtrair-se a responsabilidade
pelo crime cometido.
É por isso que criminosos usam mascara, balaclava, etc.
Isso é tão óbvio que nem precisaria ser sido dito.

Terceiro
O papel da policia não é a garantir que eleições sejam vencidas à força, nem colocar
ou tirar alguem do governo. Tambem não é papel da polícia ser exercito ou milicia particular
a mercê da vontade de um politico ou partido ou coligação ou cabal, etc.
Tambem não é ser fonte de lucro para governos e seus associados.

Quarto
Um policial não pode entrar na casa de alguem sem um mandato. Isso é cagar na presunção de
inocência, pois da carta branca para entrar, ao belprazer do sujeito ou de quem ele obedece,
em qualquer casa não importando de quem. Abre todo um leque de possibilidades nada
animadoras e tambem é uma forma de infligir o primeiro item, pois procede como se
tivesse permissão para tanto, o mandato. Quem faz isso é um juiz.

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Exceções se aplicam quando o governo ou a lei não é constituido por individuos normais, não por socio/psicopatas.
Em certos governos, é praticamente um dever do cidadão infligir a "lei" e ser um "criminoso".
O Fernando já mencionou esse aspecto no FCC.

É estes pontos são só o que meu intelecto de newbie total em materia de justiça e direito conseguiu vislumbrar.
Alguem com mais ciencia do que eu nesses assuntos faria certamente um estrago.

Agora pergunto, aplicando esses pontos na prática: o ICE os inflige ou respeita?

1o -> Mata sem justificativa individuos que não eram criminosos e não ofereciam ameaça.
Não eram sequer imigrantes ilegais, o suposto alvo deles.
E ainda que fossem, era um erro e um crime mata-los.
E a cereja do bolo é não serem chamados a responsabilidade por isso.

2o -> Usam mascaras, dificultam a identificação.

3o -> Ja foi sugerido, por Bannon, que o ICE seja usado para dar uma "forcinha" nas eleições.
Trump, familia & parças vem ganhando uma fortuna usando o ICE em negócios particulares.
O orçamento do ICE já ultrapassa CIA e FBI juntos,

4o -> O governo trump deu recentemente essa permissão aos milicianos do ICE

Concluindo: o ICE não é, nem de longe, polícia e sim a merda de uma milícia a serviço do trumpismo.

Re: Sobre polícia

Enviado: Qui, 12 Fevereiro 2026 - 04:13 am
por fenrir
Uma ressalva necessária: Por favor me poupem da acusação de "esquerdismo anti-policia"

Não sou contra ela: Onde há crime e criminosos, tem de haver leis e agentes da lei.

Minha tentativa aqui é ver, num nivel bem basico, o que está dentro e o que está fora do escopo da policia.
E critica-la quando age de forma ilegal ou fora do escopo dela.

Isso é algo fundamental e não tem nada que ver com politicagem e ideologia, seja de que espectro for.
Na verdade, o que estraga as instituições é justamente essa politicagem.

Resumindo: criticar ou analisar um X não faz de você um anti-X
Já assumir que um X esteja acima de qualquer crítica e impermeável a análise faz de você um crente de carteirinha de X.
Se é esse seu caso, vai se sentir bem mais a vontade num forum da IURD ou da ICAR ou em alguma bolha ideológica qualquer.

Essas são mais outras coisas tão óbvias que nem deveria precisar te-las escrito.
Mas o mundo de hoje virou um estádio gigante em dia de fla-flu, então...

Re: Sobre polícia

Enviado: Dom, 22 Fevereiro 2026 - 17:45 pm
por Tutu
fenrir escreveu:
Qui, 12 Fevereiro 2026 - 04:13 am
Uma ressalva necessária: Por favor me poupem da acusação de "esquerdismo anti-policia"
Quando comecei a responder pensei que estava com discurso de esquerda e nem imaginei que fosse sobre o ICE americano.
Para não descartar o que escrevi, vou deixar a resposta original abaixo. Ela é para o contexto brasileiro de crimes violentos.
Spoiler:
Logo aquele pensamento de "ciminoso tem mais é que morrer" é sinal de estupidez e tosquice.

Ocorre que a morte não é, nem de longe, a pior.
Qual a comparação entre um fim rápido, associado a uma dor que dura um
brevissimo tempo, com um encarceramento por anos, decadas ou mesmo uma vida inteira?

Inflingir dor física ou psíquica (mesmo muita) em alguem tambem não é a pior das penas.
Temos uma quantidade enorme de bandidos e um Estado ineficiente e com impostos altos numa sociedade.
Eliminar bandidos alivia o sistema carcerário, que está sobrecarregado. O cidadão honesto não quer pagar imposto para sustentar a escória num país onde nada funciona, sem segurança, educação, saúde, cidade limpa, mas com muita pobreza e drogas.
Quando o volume de bandido for menor, então já se pode dar o luxo de menos severidade.

A dor não importa. O que importa é eliminar o mal sem dar prejuízo no orçamento.
Causar sofrimento contínuo é psicótico. Por isso, uma morte rápida já cumpre o objetivo.
Inflingir dor física ou psíquica (mesmo muita) em alguem tambem não é a pior das penas.
Uma pena de dor física seria adequada contra ambulantes de transporte público.
Isso já é ilegal, mas a polícia faz vista grossa.
Prender não é adequado, porque a cadeia está lotada e o cara vai virar bandido de verdade lá.
Multa é inútil, porque o cara não tem nada para o Estado arrancar.
Só resta meter porrada no cara quando ele for pego. O risco da dor acaba desestimulando esse cara a cometer essa infração que incomoda os passageiros inocentes de um sistema de transporte precário.
Segundo
Não se oculta a identidade para agir em favor da lei e sim contra ela.
Desde que o chefe de polícia saiba, não tem problema.
Policial tem família e pode ser perseguido por membros de quadrilha ou militantes vagabundos que protegem bandido.
Terceiro
O papel da policia não é a garantir que eleições sejam vencidas à força
No contexto de polarização política, com direita querendo penas rígidas e esquerda favorecendo o bandido, ou negligenciando.
A verdade é que a violência no Brasil tem índice alto e alguma coisa tem que ser feita.
Se o bandido é "vítima da sociedade", a solução por uma sociedade melhor demora décadas. Temos os bandidos do presente, que não esperarão décadas por um país melhor.
Para piorar, o país nem deu nem o primeiro passo por uma sociedade melhor.