Fórum de discussão sobre ateísmo, ceticismo, religiões, seitas, crenças e mitos, laicismo, política e economia, história, sociedade, comportamento e filosofia, ciência, origens e evolução
Tal como muitos ativistas da New Left, Richard Dawkins não sabe diferenciar sexo de gênero.
Não existem pessoas transgênero cuja identidade de gênero coincida com o sexo que lhes foi atribuído ao nascer. O termo transgênero carrega o prefixo "trans-", que vem do latim e significa "além de", "através de" ou "do outro lado". Quando esse prefixo é unido à palavra gênero, o termo passa a descrever uma pessoa cuja identidade de gênero está além ou em desacordo com aquela que lhe foi originalmente atribuída com base no sexo biológico ao nascer.
O conceito de sexo utiliza órgãos reprodutivos e cromossomos sexuais como critérios de categorização. Já gênero refere-se a características psicológicas, identitárias e/ou papéis sociais. Hoje, entende-se que esses traços são essencialmente determinados de forma interna e natural (genética), tanto em pessoas cisgênero quanto em pessoas transgênero.
Não sei se o Dawkins ignora a diferença usada hoje em dia nos dois termos ou se ele coloca essa diferença em termos bem menos radicais que a militância trans faz. É verdade que os dois termos sempre foram intercambiáveis por um longo período e que essa diferenciação é algo moderno. De qualquer forma, aceitar essa diferença não é a mesma coisa que aceitar que gêneros são puramente construções sociais e/ou que sejam algo totalmente free style e fora do binarismo natural como a militância mais radical defendeu nos últimos anos. A sociedade precisa de critérios objetivos para funcionar, não tem como conviver com "hoje me sinto mulher, então vou usar o banheiro/vestiário feminino". Não é raro ver pessoas dentro desses movimentos indo ainda mais longe dizendo que homens héteros que recusam se relacionar com mulher trans devem ser punidos pelo crime de "transfobia".