Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Cinzu
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Mensagem por Cinzu »

Essa discussão na verdade nem faz sentido. A influência do ambiente no comportamento humano já é consenso em praticamente todas as áreas da ciência. Inclusive, os hábitos sociais mudam conforme a sociedade muda também. A grande questão na verdade é: o quanto o ambiente influencia o comportamento humano? Esta sim é uma questão difícil de responder, e talvez até caberia um tópico próprio pra isso.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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JJ_JJ
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Mensagem por JJ_JJ »

Cinzu escreveu:
Qui, 20 20America/Sao_Paulo Agosto 20America/Sao_Paulo 2020 - 20:54 pm
Essa discussão na verdade nem faz sentido. A influência do ambiente no comportamento humano já é consenso em praticamente todas as áreas da ciência. Inclusive, os hábitos sociais mudam conforme a sociedade muda também. A grande questão na verdade é: o quanto o ambiente influencia o comportamento humano? Esta sim é uma questão difícil de responder, e talvez até caberia um tópico próprio pra isso.


Esta realmente é uma questão muito relevante, pois certamente que há muitos comportamentos que tem forte componente ambiental/social, entretanto certamente que há comportamentos que tem algum componente genético ( e até mesmo um forte componente genético). A questão que podemos ter é: um comportamento X qualquer tem quanto de ambiental/social e/ou quanto de geneticamente determinado (ou causado) ? Ou é exclusivamente social/ambiental ? Ou é primordialmente social/ambiental ? Ou é primordialmente genético ? Ou é exclusivamente genético ?


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Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Agnoscetico
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Mensagem por Agnoscetico »

Tutu escreveu:
Qua, 19 19America/Sao_Paulo Agosto 19America/Sao_Paulo 2020 - 11:59 am
Esqueci de dizer que existe um índice alto de violência doméstica entre gays. É homofobia? :lol:

Acredito que o motivo seja o mesmo no caso de héteros e tem relação com querer ser dominante. É um assunto de estudo da psicologia e não de ideologia.

Entendo nada de psicologia, mas o pessoal do politicamente correto entende menos ainda e considera que 100% do comportamento humano é moldado pela cultura. Muito da cultura humana é consequência da psicologia natural humana. Embora a cultura molde o comportamento humano, muitos comportamentos naturais não podem ser reprimidos pela cultura.
Lembrei dum caso famoso dum estilista que foi morto pelo companheiro:

Caso: Frankie Amaury / Frankie Mackey

- 'Frankie Amaury': assassinato do estilista Amaury Veras vai virar filme

https://vejario.abril.com.br/beira-mar/ ... vira-filme

https://recordtv.r7.com/cidade-alerta/v ... 4-20102018



youtu.be/jx7ftmwN8wQ

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Gabarito
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Mensagem por Gabarito »

Cinzu escreveu:
Qui, 20 20America/Sao_Paulo Agosto 20America/Sao_Paulo 2020 - 20:34 pm
Gabarito escreveu:Evidência, seja ela anedótica ou não, continua habitando o terreno dos FATOS.
Uma evidência anedótica é, na verdade, uma falsa evidência. É anticientífica e não habita o terreno dos FATOS. Por isso fiz a questão de colocar a definição de "evidência anedótica" mais acima.
Certo, certo, então vamos entrar no terreno científico, combinado?
Primeiro, para contrapor todas as minhas "evidências anedóticas", você vai ter que trazer artigos científicos publicados e revisados por pares (aprendi com você, JJ) para corroborar TUDO o que você disse até aqui.
Porque cada linha que você escreveu até agora carece de fontes.
E não são quaisquer fontes.
Estamos no campo científico, não é?
Então nem vale notícia de jornal ou definição de Wikipedia. Tem que ser publicação científica revisada por pares, que sejam falseáveis, possíveis de reproduzir em outros locais, etc e etc.
É assim que se faz?

Se entendi bem, até agora saiu tudo da sua cabeça, da sua vivência, da sua experiência pessoal.
Ou seja, empatou comigo e é tudo evidência anedótica, tudo faz parte do seu universo pessoal, da sua própria concepção de mundo.

Cinzu escreveu:
Qui, 20 20America/Sao_Paulo Agosto 20America/Sao_Paulo 2020 - 20:34 pm
Gabarito escreveu:Que não deixa de ser fato.
Vamos de novo?
"Contra fatos não há argumentos".
¯\_(ツ)_/¯
O que, exatamente é fato? Você extrapolar uma afirmação para todas as 7 bilhões de pessoas do mundo baseando-se na experiência de um único indivíduo? É exatamente isto que significa uma evidência anedótica. E evidências anedóticas levam a generalizações:

Generalização é o processo pelo qual os elementos ou partes do modelo de uma pessoa afastam-se da experiência original e passam a representar toda a categoria da qual a experiência é apenas um exemplo.
Quer negar exemplos concretos que foram os que eu trouxe e dizer que não são fatos?
Por acaso Fernando ou Gorducho são fantasmas que habitam entre nós?
São seres etéreos aos quais apenas fazemos menção de suas experiências reais?
Será mentira o que eles estão afirmando?
Se não são fatos, são o quê?

Ah, "evidência anedótica"...
Pois isso não invalida a existência de uma evidência REAL, concreta, palpável.
Eu ainda vivo no mundo real e essas evidências me bastam. Eu as vejo, eu as constato.
Não só eu; qualquer outra pessoa imparcial ao debate.

Fechar os olhos a isso é como eu disse, negar o debate, fechar os olhos e tapar os ouvidos.
Nada mais do que eu disser vai ter algum valor como argumento porque a própria realidade está sendo negada.
Restou pouco para eu fazer nesse sentido. Aliás, não resta mais nada.
A realidade está sendo negada. Um fato concreto, um exemplo vivo é solenemente ignorado...

E não são únicos indivíduos para eu fazer uma generalização.
Se você se aprofundar, vai ver que existem inúmeros casos semelhantes.
Se você for lá nas publicações, vai existir até artigo científico comprovando o fenômeno.
Porque é algo corriqueiro, acontece no meu bairro, acontece em cada esquina.
Fechar os olhos a isso e exigir "fato científico" é apelar ao tapetão, é sair pela tangente.

Num debate informal como o que temos aqui, basta um pouco de bom-senso e ponderação.
E não é preciso ser muito exigente para se aceitar que os exemplos que dei de Fernando, Gorducho, e o que eu mesmo penso, para se saber que isso é facilmente encontrável em qualquer população.

Cinzu escreveu:
Qui, 20 20America/Sao_Paulo Agosto 20America/Sao_Paulo 2020 - 20:34 pm
Gabarito escreveu:
Cinzu escreveu:Não existem valores morais universais. Toda sociedade tem Leis e valores morais diferentes.
Isso também rende um tópico inteiro e foge completamente do assunto.
Não foge. Cada sociedade tem suas LEIS. Isso sim é fato.

Você pode até acreditar que a SUA moralidade é a única correta no mundo. Mas isso não muda o FATO de que culturas diferentes possuem moralidade diferente.
O que eu aleguei sobre o que penso não é privilégio meu, não. Não sou o único a ter princípios morais que norteiam o meu caminho.
Você mesmo tem o seu conjunto de valores também e, possivelmente, é tão ou mais correto do que o meu.
Em nenhum momento eu afirmei que "minha moralidade é a única correta no mundo".

Cinzu escreveu:
Qui, 20 20America/Sao_Paulo Agosto 20America/Sao_Paulo 2020 - 20:34 pm
Aliás, eu vou até mais além e digo que toda família tem as suas regras. Alguns pais, por exemplo, não deixam os filhos saírem de casa à noite. Outros, não se importam se os mesmos tiram notas baixa na escola. Isto porque cada família tem seu conjunto de regras e moralidade. E é daí que vem a questão do exemplo que os pais dão aos filhos.

Certamente os filhos possuem identidades próprias e não possuirão o mesmo senso de moral dos pais. Mas, a criação que tiveram influencia diretamente em seu comportamento, assim como seu convívio social. O convívio social de um jovem, por exemplo, influencia no seu modo de falar, influencia no seu modo de se vestir, influencia até mesmo nas práticas do dia a dia.

E é importante ressaltar ainda, que o comportamento social de um indivíduo não é o mesmo ao longo de toda sua vida. As pessoas, na verdade passam por várias mudanças e fases diferentes. Isto não deveria acontecer caso nosso comportamento social fosse já pré-estabelecido em nosso gene.
Esses parágrafos convergem para o que eu também penso, mas essa influência familiar não se sobrepõe à voz primitiva que fala dentro de cada um.
Mesmo que o indivíduo adapte e ajuste o seu modo de vestir e falar, ele traz características biológicas que JAMAIS poderão ser sobrepostas. Tenha que família tiver.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Gabarito
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Mensagem por Gabarito »

Enquanto estiver nascendo gente com talentos e aptidões específicas, as provas de que as pessoas trazem suas características de processos biológicos estarão sendo apresentadas a quem estiver disposto e enxergar.

A preferência pessoal, o gosto por determinado tipo de atividade, essas coisas são mais provas de que o indivíduo procura no seu meio, na sua cultura o que ele já traz de berço, reforçando a ideia de que a influência do meio e da cultura é apenas um destino final da vontade desse indivíduo, e não a sua origem.

Quando nasce um Pelé, à medida que for crescendo e se encontrando no mundo, logo de cara ele vai procurar assuntos sobre futebol, vai participar de jogos de rua e procurar seguir carreira.
Se for apresentado a ele o atletismo ou marcha atlética, ele pode até praticar, mas o talento dele será muito melhor aproveitado no futebol e é pra lá que ele tende.
Quando nasce um Ayrton Senna, a mesma coisa. Ele já vai ter no sangue a habilidade com o volante, saber a hora de ultrapassar, jogar melhor do que os adversários quando estiver na pista.

Isso tudo pode ser ensinado, pode ser aprendido, mas o pulo do gato que faz um Pelé ou um Ayrton Senna, não. Eles foram únicos porque trouxeram algo de dentro, algo que veio no organismo e não algo que entrou de fora.

Mas essas coisas não ocorrem só com famosos.
No meu tempo de faculdade, tinha um cara que era fera em matemática. Não só nas provas, mas no dia-a-dia.
Ele fazia cálculos de cabeça mais rápido do que a gente, que catava milho nas calculadoras. Claro que não fazia tudo, mas era muito acima do que a média das pessoas conseguia calcular de cabeça.
Resultado: ele devorava tudo que se relacionasse com matemática, estava por dentro de tudo.

Preferência pessoal? Gosto?
Não.
Era a expressão do DNA (ou conjunto de fatores biológicos) dele no seu meio, no seu ambiente, na sua cultura.
Esse é o papel do meio ambiente ---> fornecer terreno, bancada, local, substrato para o desenvolvimento pleno de aptidões inatas.
Porque se ele "aprendeu" matemática, eu também aprendi. Mas não tinha nem metade de sua habilidade.
O meio em que ele estava inserido era o mesmo que eu também estava.

A mesma coisa para empreendedores, para cientistas, para cantores, etc.
A tendência que cada um já chegou trazendo é a prova mais cabal de que o homem é feito daquilo que carrega e vai encontrar na cultura e no seu meio o local para desenvolver seu potencial.
Você pode querer aplicar na marra uma cultura em cima de qualquer pessoa, mas isso não vai transformá-la.
No fundo, no seu interior, essa pessoa (ou no caso, cobaia) vai continuar com sua identidade que pode até recusar diametralmente aquilo que lhe está sendo imposto.

Ou seja, tudo pode influenciar de fora para dentro, mas até certo ponto.
Vai sempre ser uma alteração mínima que se consegue, porque o principal cada um tem do seu próprio jeito.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Gabarito
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Mensagem por Gabarito »

Creio que já nos estendemos demais sobre esse assunto e fugimos um pouco do tema principal do tópico, "Censura do Politicamente Correto..."
Já fui exaustivo em expor meu ponto de vista e já trouxe vários exemplos.
Eu também já entendi o seu ponto, o de Titoff e o de JJ.
Desconfio que prolongar isso vai nos colocar em círculos e repetição de afirmações.
Despeço-me por aqui.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Cinzu
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Mensagem por Cinzu »

Gabarito escreveu:
Sex, 21 21America/Sao_Paulo Agosto 21America/Sao_Paulo 2020 - 07:39 am
Cinzu escreveu:
Qui, 20 20America/Sao_Paulo Agosto 20America/Sao_Paulo 2020 - 20:34 pm
Gabarito escreveu:Evidência, seja ela anedótica ou não, continua habitando o terreno dos FATOS.
Uma evidência anedótica é, na verdade, uma falsa evidência. É anticientífica e não habita o terreno dos FATOS. Por isso fiz a questão de colocar a definição de "evidência anedótica" mais acima.
Certo, certo, então vamos entrar no terreno científico, combinado?
Primeiro, para contrapor todas as minhas "evidências anedóticas", você vai ter que trazer artigos científicos publicados e revisados por pares (aprendi com você, JJ) para corroborar TUDO o que você disse até aqui.
Porque cada linha que você escreveu até agora carece de fontes.
E não são quaisquer fontes.
Estamos no campo científico, não é?
Então nem vale notícia de jornal ou definição de Wikipedia. Tem que ser publicação científica revisada por pares, que sejam falseáveis, possíveis de reproduzir em outros locais, etc e etc.
É assim que se faz?

Se entendi bem, até agora saiu tudo da sua cabeça, da sua vivência, da sua experiência pessoal.
Ou seja, empatou comigo e é tudo evidência anedótica, tudo faz parte do seu universo pessoal, da sua própria concepção de mundo.
Na verdade quem deve provar a afirmação é quem a faz. O que você sugere, no âmbito acadêmico é uma falácia conhecida como inversão do ônus da prova.

A questão do meio influenciar o comportamento humano já foi amplamente discutido no passado e hoje já é consenso acadêmico em todas as áreas (psicologia, antropologia, biologia, etc). E é exatamente esta influência que faz com que culturas diferentes tenham hábitos e comportamentos tão distintos. Isso ocorre até mesmo regionalmente. Gaúchos por exemplo, possuem sotaque, hábitos, práticas de dança, música e comida diferente de nordestinos, por exemplo. Não porque o gene deles é diferente; mas por conta da influência cultural. Se você levar crianças do RS a viverem no nordeste, elas não falarão com sotaque gaúcho e muito provavelmente não tomarão chimarrão.

Mas, já que você insiste que eu faça seu dever de casa e traga artigos, aqui vai alguns:

http://dx.doi.org/10.7213/estud.biol.7323

https://doi.org/10.1146/annurev-psych-010213-115048

https://doi.org/10.1016/S0272-4944(02)00078-6

https://doi.org/10.1016/j.ijresmar.2012.08.002

https://doi.org/10.1126/science.1226918

https://doi.org/10.1002/ijop.12034

https://doi.org/10.1590/S0103-65642006000400011

https://doi.org/10.1590/0104-4060.126

A posição nativista, no seu extremo, considera que as características básicas do homem (sua inteligência, personalidade, traços físicos etc.) já estão formadas, "prontas" ao nascimento, devido à sua herança biológica (seu dote nativo). Por este motivo, seus adeptos sempre justificaram a presença ou ausência da mesma em um ou em ambos os pais (e mesmo em outros consangüíneos, afastados ou não). Assim, por exemplo, Jorge é inteligente porque seu pai também o é; Aninha só poderia ser uma ótima aluna de balé, pois sua mãe é uma grande bailarina; Mário é delinqüente porque "está no sangue", é "tara de família" etc. Afinal, como "bem" diz o ditado popular, "filho de peixe, peixinho é".

Essa posição nativista resultou na crença de que o comportamento humano (ou grande parte dele) é inato, no sentido de que nós nascemos com determinadas tendências e propensões, que não podem ser alteradas por aprendizagem.

Há dois erros básicos nessa abordagem. O primeiro é que o que passa através das células sexuais não são caracteres, traços ou características (físicas ou comportamentais), mas sim uma informação genética ou genes, para simplificar. Não há genes que tornem alguém um músico ou um cientísta. Os genes criam as bases para os traços culturais, mas não forçam o desenvolvimento de nenhum traço em particular. Caracteres adquiridos não são transmitidos por via biológica.

O segundo erro está relacionado ao significado da palavra inato. Qualquer traço, caráter ou característica que o indivíduo apresenta ao nascer é, por definição, inato ou congênito, mas não necessariamente hereditário (genético), pois há traços causados por fatores ambientais. Como exemplo, podemos citar as alterações produzidas no feto em decorrência do abuso de álcool pela mãe durante a gestação (principalmente durante os 3 primeiros meses); as anomalias produzidas pela gestante no início da gravidez, tais como sífilis, toxoplasmose e rubéola; entre outros.

Há, por outro lado, traços congênitos (inatos) que são genéticos; por exemplo, a cor da pele, certas doenças hereditárias como a aquiropodia (uma amputação congênita quádrupla; Freire-Maia, 1992), a acondroplasia (uma forma de nanismo; Fitzsimmons, 1985) etc.; mas há também muitos traços genéticos que não se manifestam ao nascer. É o caso da coréia de Huntington, uma degeneração progressiva do sistema nervoso central que, em geral, só surge no adulto (Ajmar et al., 1991). Outro exemplo é o de displasia ectodérmica pura que só afeta os cabelos e os dentes (Freire-Maia e Pinheiro, 1984, p.149).

Há, ainda, traços genéticos que são congênitos apenas em parte - a distrofiia muscular progressiva tipo Duchenne é um exemplo: a manifestação clínica da doença não é congênita - a criança nasce normal e só começa a apresentar os primeiros sinais clínicos por volta dos 3 anos; mas a sua manifestação bioquímica é - podemos saber se o recém-nascido é portador do gene as doença por meio de certos testes (Zatz, 1987).


A grande questão, como já mencionei anteriormente, não é SE o ambiente influência o comportamento humano. Até porque pelo que vi, até mesmo você já concordou com essa afirmação, e nem entendi porque ainda bate nessa tecla. O porém é COMO e QUANTO influência. Este, realmente é assunto de debate acadêmico.

Gabarito escreveu:Quer negar exemplos concretos que foram os que eu trouxe e dizer que não são fatos?
Por acaso Fernando ou Gorducho são fantasmas que habitam entre nós?
São seres etéreos aos quais apenas fazemos menção de suas experiências reais?
Será mentira o que eles estão afirmando?
Se não são fatos, são o quê?

Ah, "evidência anedótica"...
Pois isso não invalida a existência de uma evidência REAL, concreta, palpável.
Eu ainda vivo no mundo real e essas evidências me bastam. Eu as vejo, eu as constato.
Não só eu; qualquer outra pessoa imparcial ao debate.

Fechar os olhos a isso é como eu disse, negar o debate, fechar os olhos e tapar os ouvidos.
Nada mais do que eu disser vai ter algum valor como argumento porque a própria realidade está sendo negada.
Restou pouco para eu fazer nesse sentido. Aliás, não resta mais nada.
A realidade está sendo negada. Um fato concreto, um exemplo vivo é solenemente ignorado...

E não são únicos indivíduos para eu fazer uma generalização.
Se você se aprofundar, vai ver que existem inúmeros casos semelhantes.
Se você for lá nas publicações, vai existir até artigo científico comprovando o fenômeno.
Porque é algo corriqueiro, acontece no meu bairro, acontece em cada esquina.
Fechar os olhos a isso e exigir "fato científico" é apelar ao tapetão, é sair pela tangente.

Num debate informal como o que temos aqui, basta um pouco de bom-senso e ponderação.
E não é preciso ser muito exigente para se aceitar que os exemplos que dei de Fernando, Gorducho, e o que eu mesmo penso, para se saber que isso é facilmente encontrável em qualquer população.
Os exemplos que você trouxe são inconsistentes e irrelevantes para o objeto em debate no tópico. Se assim quiser, eu mesmo adiciono mais uma experiência pessoal à sua equação: EU.

Eu fui criado em família religiosa tradicional, onde absolutamente todos em minha família (pais, tios, irmãos, primos, etc) compactuam das mesmas crenças religiosas. E mesmo tendo sido criado neste ambiente, não tive qualquer inclinação à religiões. Muito pelo contrário.

E sim, existem inúmeros casos semelhantes. Assim como também existem inúmeros casos de pessoas que se curaram após se tratarem com medicamentos homeopáticos. É assim que nascem pseudociências: baseando-se em experiências pessoais.

Se crianças são expostas a um ambiente majoritariamente religioso (seja ele qual for), isto não significa que 100% das crianças pertencerão a esta religião. Mas a maioria sim. E é isso que explica o fato de quase 90% da população brasileira ser Cristã, mais de 80% da população da Índia ser hindu, e a grande maioria dos palestinos serem muçulmanos.

Obviamente toda regra tem exceção, pois afinal estou falando de fatores que INFLUENCIAM, e não fatores DETERMINANTES. O ambiente familiar é um fator de influência. Outros fatores de influência, você mesmo levantou quando comentou sobre certas sociedades serem mais violentas que outras: situação econômica, história, estratificação social, etnias e até genética diferentes. Todos estes, com exceção da genética, são fatores AMBIENTAIS.

É simplesmente por este exemplo ser irrelevante que o ignorei e assumi que você tivesse entendimento do que expus acima. Principalmente depois de você concordar com Titoff de que o gene não é fator DETERMINANTE ao comportamento humano, e sim somente um dentre os vários fatores que afetam nosso comportamento. E o melhor exemplo que Titoff pôde trazer é o dos gêmeos, que apesar de possuírem o mesmo GENE, adquirem comportamentos completamente diferentes ao longo da vida.
Editado pela última vez por Cinzu em Sex, 21 21America/Sao_Paulo Agosto 21America/Sao_Paulo 2020 - 10:10 am, em um total de 1 vez.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Cinzu
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Mensagem por Cinzu »

Gabarito escreveu:
Sex, 21 21America/Sao_Paulo Agosto 21America/Sao_Paulo 2020 - 07:42 am
Enquanto estiver nascendo gente com talentos e aptidões específicas, as provas de que as pessoas trazem suas características de processos biológicos estarão sendo apresentadas a quem estiver disposto e enxergar.

A preferência pessoal, o gosto por determinado tipo de atividade, essas coisas são mais provas de que o indivíduo procura no seu meio, na sua cultura o que ele já traz de berço, reforçando a ideia de que a influência do meio e da cultura é apenas um destino final da vontade desse indivíduo, e não a sua origem.

Quando nasce um Pelé, à medida que for crescendo e se encontrando no mundo, logo de cara ele vai procurar assuntos sobre futebol, vai participar de jogos de rua e procurar seguir carreira.
Se for apresentado a ele o atletismo ou marcha atlética, ele pode até praticar, mas o talento dele será muito melhor aproveitado no futebol e é pra lá que ele tende.
Quando nasce um Ayrton Senna, a mesma coisa. Ele já vai ter no sangue a habilidade com o volante, saber a hora de ultrapassar, jogar melhor do que os adversários quando estiver na pista.

Isso tudo pode ser ensinado, pode ser aprendido, mas o pulo do gato que faz um Pelé ou um Ayrton Senna, não. Eles foram únicos porque trouxeram algo de dentro, algo que veio no organismo e não algo que entrou de fora.

Mas essas coisas não ocorrem só com famosos.
No meu tempo de faculdade, tinha um cara que era fera em matemática. Não só nas provas, mas no dia-a-dia.
Ele fazia cálculos de cabeça mais rápido do que a gente, que catava milho nas calculadoras. Claro que não fazia tudo, mas era muito acima do que a média das pessoas conseguia calcular de cabeça.
Resultado: ele devorava tudo que se relacionasse com matemática, estava por dentro de tudo.

Preferência pessoal? Gosto?
Não.
Era a expressão do DNA (ou conjunto de fatores biológicos) dele no seu meio, no seu ambiente, na sua cultura.
Esse é o papel do meio ambiente ---> fornecer terreno, bancada, local, substrato para o desenvolvimento pleno de aptidões inatas.
Porque se ele "aprendeu" matemática, eu também aprendi. Mas não tinha nem metade de sua habilidade.
O meio em que ele estava inserido era o mesmo que eu também estava.

A mesma coisa para empreendedores, para cientistas, para cantores, etc.
A tendência que cada um já chegou trazendo é a prova mais cabal de que o homem é feito daquilo que carrega e vai encontrar na cultura e no seu meio o local para desenvolver seu potencial.
Você pode querer aplicar na marra uma cultura em cima de qualquer pessoa, mas isso não vai transformá-la.
No fundo, no seu interior, essa pessoa (ou no caso, cobaia) vai continuar com sua identidade que pode até recusar diametralmente aquilo que lhe está sendo imposto.

Ou seja, tudo pode influenciar de fora para dentro, mas até certo ponto.
Vai sempre ser uma alteração mínima que se consegue, porque o principal cada um tem do seu próprio jeito.
Tudo isso que você falou é verdade.

Mas, veja bem, você está falando de APTIDÕES. Isso é inapto do ser humano e não há mesmo o que discutir. No entanto, o que foi posto em debate é o COMPORTAMENTO HUMANO.

Comportamento inclui modo de falar, de se vestir, de pensar, de agir, de tomar decisões, de crenças, valores, etc... Tudo isto, como já mencionei anteriormente, é impossível de ser pré-estabelecido porque o comportamento humano não é imutável, mas maleável. O ser humano passa por diferentes fases ao longo de sua vida, e em momentos distintos, possui comportamentos distintos. Conjuntos de crenças, conhecimentos, hábitos, e até mesmo gostos, são alterados ao longo do ciclo humano. Em grande parte, devido às experiências e conhecimentos que adquirimos ao longo da vida. E a única forma de se adquirir experiências e conhecimentos, é através de nossa interação com o meio.

Enfim, também já acho que nos estendemos demais e estamos a andar em círculos.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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JJ_JJ
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Gabarito escreveu:
Sex, 21 21America/Sao_Paulo Agosto 21America/Sao_Paulo 2020 - 07:42 am
Enquanto estiver nascendo gente com talentos e aptidões específicas, as provas de que as pessoas trazem suas características de processos biológicos estarão sendo apresentadas a quem estiver disposto e enxergar.

Algum possível potencial genético (até mesmo a inteligência/QI) depende muitíssimo fortemente das interações sociais/ambientais a que seja exposto. Para exemplificar: uma cria de Homo sapiens sapiens pode nascer com grande potencial de inteligência/QI, mas se for apenas alimentado (e higienizado, e cuidada a saúde física) para sobreviver , se não for exposto a quaisquer interações sociais (incluindo a liguagem, que é social por excelência), esta cria sequer irá adquirir linguagem.

Então, imagine que tal cria continue a ser alimentada e higienizada por 18 anos (e cuidada a saúde física), mas continuando sem que haja qualquer interação social relevante (fora a higienização e tratamento mínimo de saúde para que o ser permaneça vivo, mas que sequer haja qualquer palavra emitida (e que também os agentes que lhe dão comida, higiene e remédios cubram suas caras e corpos com máscaras e roupas e/ou armaduras rígidas, de modo a ficarem parecidos com robôs cuidadores, e assim também não haver linguagem corporal) ao fazer essa interação mínima com o ser ).


Você acha que esta cria/ser da espécie Homo sapiens sapiens, que nasceu com elevado potencial genético irá se tornar algo mais do que um estranho animal ?


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Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

Tutu
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Mensagem por Tutu »

Fernando Silva escreveu:
Qui, 20 20America/Sao_Paulo Agosto 20America/Sao_Paulo 2020 - 10:31 am
Tutu escreveu:
Qua, 19 19America/Sao_Paulo Agosto 19America/Sao_Paulo 2020 - 11:59 am
Esqueci de dizer que existe um índice alto de violência doméstica entre gays. É homofobia? :lol:
Esse índice é significativamente maior que o dos casais hétero?
Não sei achar fontes.
Só lembro que li há anos que metade dos assassinos são o próprio companheiro, por brigas de "disputa por poder" ou ciúme.
Titoff escreveu:
Qui, 20 20America/Sao_Paulo Agosto 20America/Sao_Paulo 2020 - 11:41 am
Ter dinheiro ou não na família não define caráter de ninguém. Dá para se ter uma família rica e desestruturada. Dá para se ter uma família "pobre, porém honrada."
Ter uma família desestruturada ou crescer num ambiente violento e injusto aumentam a probabilidade do indivíduo virar bandido.
Cinzu escreveu:
Qui, 20 20America/Sao_Paulo Agosto 20America/Sao_Paulo 2020 - 15:46 pm
Os antropólogos acreditam que a influencia das características de cada ser humano vem de sua cultura. Uma criança Japonesa que for criada no Brasil, dentro da cultura brasileira, irá acabar tendo os mesmos costumes, todas as crianças tem a mesma capacidade, independente de raça, nacionalidade, sexo ou classe social, desde que tenham as mesmas oportunidades.
Uma coisa que eu gostaria de pesquisar é a influência da luz do sol. O sol influencia o humor.
Comparado com o norte da Europa, no Brasil o povo é mais festeiro e não tem visão de longo prazo.
Gabarito escreveu:
Qui, 20 20America/Sao_Paulo Agosto 20America/Sao_Paulo 2020 - 08:42 am
Nós temos dois grandes exemplos aqui mesmo no fórum que refutam de modo ligeiro essa afirmação.
Sabemos uma parte da vida de Fernando Silva e Gorducho.
Nasceram em lares católico e espírita, respectivamente.
Nós sabemos o que o DNA deles operou quando se deram conta da "influência cultural" a que foram submetidos.
Assim que começaram a ser indivíduos plenos, conscientes, o ceticismo ESCRITO no DNA de cada um deles apitou forte e passaram a questionar aquela cultura católica e espírita, questionando e passando a recusar tudo o que vinha dela.
Nem tudo é determinístico. O tipo e quantidade de nutrientes, além de temperatura, pressão e altitude podem fazer gêmeos idênticos terem número de fios de cabelo diferente e tamanho dos dedos milimetricamente diferentes. Amigos, traumas e ordem de interação também mudam a personalidade.

A maioria dos seres humanos tendem a seguir o grupo ou sociedade na qual pertence. Os poucos com o "gene cético ou lógico" geralmente abandonam a religião, ou se tornam fanáticos após um trauma ou muita leitura religiosa que reforce o viés de confirmação.

Vale lembrar que o que fiéis de igreja evangélica e conservadoras no espectro político tem em comum é a amígdala maior no cérebro. É esse mesmo comportamento que levam elas para a igreja e as tornam conservadoras, e não é a igreja que as tornam conservadoras. A genética está no oposto também, muitos artistas são liberais na política, usam drogas, tem uma vida desregrada e frequentam lugares onde aprendem dogmas do politicamente correto.
Gabarito escreveu:
Qui, 20 20America/Sao_Paulo Agosto 20America/Sao_Paulo 2020 - 19:01 pm
Esse povo não votou para que exterminassem judeus.
O preconceito contra judeus é muito mais antigo do que Hitler.
Foi o preconceito que fez acreditarem no discurso de ódio que culpavam judeus pela crise e os colocavam como ameaça.
Não era um preconceito assassino até o discurso de ódio.
E quem não conhecia judeus simplesmente aderiu ao anti-semitismo porque o resto da sociedade aderiu.
Gabarito escreveu:
Qui, 20 20America/Sao_Paulo Agosto 20America/Sao_Paulo 2020 - 19:01 pm
Tanto é que a Alemanha e o seu povo morre de vergonha por tudo isso, ainda hoje. É quase assunto tabu.
Só morrem de vergonha porque perderam a guerra.
Os EUA fizeram atrocidades durante a história e ainda hoje se acham "campeões".
Muitos países tem histórias sangrentas para contar.
Cinzu escreveu:
Qui, 20 20America/Sao_Paulo Agosto 20America/Sao_Paulo 2020 - 20:54 pm
A grande questão na verdade é: o quanto o ambiente influencia o comportamento humano? Esta sim é uma questão difícil de responder, e talvez até caberia um tópico próprio pra isso.
Essa é a resposta que quero saber principalmente para discutir machismo, feminismo e ideologia de gênero.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Cinzu
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Mensagem por Cinzu »

Tutu escreveu:Uma coisa que eu gostaria de pesquisar é a influência da luz do sol. O sol influencia o humor.
Comparado com o norte da Europa, no Brasil o povo é mais festeiro e não tem visão de longo prazo.
Eu não diria somente o sol, mas questões climáticas no geral afetam o humor das pessoas.

Curitiba, inclusive, é famosa pelas pessoas serem fechadas e rabugentas. O clima é bastante frio e chuvoso, com pouco sol. Apesar da cidade ser muito boa, o céu é sempre cinzento. Lembra aquela série "Dark".
Tutu escreveu:Só morrem de vergonha porque perderam a guerra.
Os EUA fizeram atrocidades durante a história e ainda hoje se acham "campeões".
Muitos países tem histórias sangrentas para contar.
Esse é outro ponto interessante. Muitas destas atrocidades só são vistas assim nos dias de hoje. Mas na época, era comum às pessoas. Escravidão por exemplo, durante muito tempo fez parte dos costumes das sociedades antigas.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Mensagem por Agnoscetico »

Cinzu escreveu:
Sáb, 22 22America/Sao_Paulo Agosto 22America/Sao_Paulo 2020 - 18:07 pm
Tutu escreveu:Uma coisa que eu gostaria de pesquisar é a influência da luz do sol. O sol influencia o humor.
Comparado com o norte da Europa, no Brasil o povo é mais festeiro e não tem visão de longo prazo.
Eu não diria somente o sol, mas questões climáticas no geral afetam o humor das pessoas.

Curitiba, inclusive, é famosa pelas pessoas serem fechadas e rabugentas. O clima é bastante frio e chuvoso, com pouco sol. Apesar da cidade ser muito boa, o céu é sempre cinzento. Lembra aquela série "Dark".
Tutu escreveu:Só morrem de vergonha porque perderam a guerra.
Os EUA fizeram atrocidades durante a história e ainda hoje se acham "campeões".
Muitos países tem histórias sangrentas para contar.
Esse é outro ponto interessante. Muitas destas atrocidades só são vistas assim nos dias de hoje. Mas na época, era comum às pessoas. Escravidão por exemplo, durante muito tempo fez parte dos costumes das sociedades antigas.
Eu não sou de confiar em estatísticas que não seja pra coisas mais exatas como contagem de pessoas, por exemplo, mas e como fica a Dinamarca o país que já foi considerado o mais feliz do mundo? E o Piauí, um estado de clima quente, o com maior índice de suicídio no Brasil?
A questão cultural deve ter um peso bem maior em questões como forma de tratamento.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Cinzu
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Mensagem por Cinzu »

Agnoscetico escreveu:Eu não sou de confiar em estatísticas que não seja pra coisas mais exatas como contagem de pessoas, por exemplo, mas e como fica a Dinamarca o país que já foi considerado o mais feliz do mundo? E o Piauí, um estado de clima quente, o com maior índice de suicídio no Brasil?
A questão cultural deve ter um peso bem maior em questões como forma de tratamento.
Hoje, a ciência sabe que, isoladamente, nem clima nem qualquer outra razão específica detêm tamanho poder sobre as pessoas. Somos resultado de uma série de influências, como cultura, violência, pobreza, experiências de vida e histórico familiar.

— O ambiente influencia o indivíduo e seu comportamento, e o clima é um desses componentes. Pode afetar nossa vida, às vezes mais, às vezes menos, mas nunca determina — pondera Francisco de Assis Mendonça, geógrafo professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador dos impactos do ambiente na saúde.

Feita essa ressalva, somos animais e, portanto, respondemos à natureza. Regiões de clima tropical, com calor e grande luz solar na maior parte do ano, favorecem a interação social na rua. Já países com inverno de frio e chuva incentivam a população a recolher-se em espaços fechados, o que contribui para a introspecção. Basta observar, no Rio Grande do Sul, as calçadas lotadas de cadeiras em frente a bares em contraponto à aparente melancolia do inverno.

A chuva ajuda a pegar no sono – uma das teorias é de que as gotas, ao caírem na superfície, vibram em uma frequência que acalma. E até o consumo pode ser afetado pela meteorologia: estudo feito por pesquisadores de Pequim, na China, apontou que, em dias ensolarados, as pessoas embarcam 20% a mais em promoções do que em dias nublados.


[...]

Além de uma cerveja no happy hour, regiões tropicais favorecem a atividade física esportiva ao ar livre, em contraponto à vontade de ficar debaixo das cobertas, típica do inverno. É um reflexo natural: o frio exige do organismo mais esforço (e, portanto, consome mais calorias) para manter o corpo aquecido. Correr na rua, em um dia gelado, só atrapalha essa tarefa, ainda que faça bem à saúde, destaca Ticiana Rodrigues, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e professora de Medicina da UFRGS:

— A prática de esportes é um cenário reconhecido para elevar os níveis de serotonina, o que protege contra a depressão.

Sabe-se que o calor excessivo (e o amaldiçoado tempo abafado do verão gaúcho) faz mal ao humor. O corpo precisa liberar calor de forma contínua para manter uma temperatura interna de 37ºC. Se essa troca se dá sem esforço, o indivíduo está em uma situação chamada de “conforto térmico”. Mas, se o ambiente está muito quente, o organismo tem dificuldades em manter o equilíbrio, o que resulta em irritação, cansaço e desconforto. Se você pensa que o verão um dia vai fazê-lo cometer uma loucura, talvez não esteja perdendo a razão: há até pesquisas relatando que há alta na criminalidade em dias muito quentes.

Ao analisar dados dos Estados Unidos e da Europa, pesquisadores notaram que crimes contra pessoas aumentam no verão, enquanto que, no inverno, predominam crimes contra a propriedade. Em outra investigação, o jornal norte-americano The New York Times cruzou dados públicos e descobriu que, em dias chuvosos, há menos crimes – em suma, bandidos ficam mais em casa, a não ser que estejam desesperados.

No Brasil, o geógrafo Mendonça, da UFPR, publicou, em 2001, uma pesquisa feita para sua tese exigida para se tornar professor-titular na qual cruzou a temperatura com os índices de homicídio de 10 capitais brasileiras. Em sete das 10, dezembro e janeiro foram os meses de maior violência, enquanto os meses invernais tiveram a menor média de criminalidade.

— O clima quente é um fator estressante que potencializa reações violentas, sobretudo em comunidades mais vulneráveis, que não têm refrigeração. Mas ele não é determinante, entram outras questões. Em dezembro, as pessoas querem realizar seus desejos, comprar presentes, mudar a casa. Em um país de população marcadamente pobre, muitos efetivam isso por meio de roubos e de assaltos. Além disso, em festas de fim de ano, muitos são tomados pela obrigação de serem felizes ou pela melancolia, então recorrem ao álcool e às drogas, também frequentes em fevereiro, mês do Carnaval. O uso dessas substâncias está associado à violência — reflete o pesquisador da UFPR.


https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/v ... onltl.html

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Cinzu escreveu:
Seg, 24 24America/Sao_Paulo Agosto 24America/Sao_Paulo 2020 - 00:18 am
A chuva ajuda a pegar no sono – uma das teorias é de que as gotas, ao caírem na superfície, vibram em uma frequência que acalma. E até o consumo pode ser afetado pela meteorologia: estudo feito por pesquisadores de Pequim, na China, apontou que, em dias ensolarados, as pessoas embarcam 20% a mais em promoções do que em dias nublados.
Talvez seja porque o barulho da chuva nos diz que não há nada a fazer fora de casa, portanto vamos dormir.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Agnoscetico
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Mensagem por Agnoscetico »

Cinzu escreveu:
Seg, 24 24America/Sao_Paulo Agosto 24America/Sao_Paulo 2020 - 00:18 am
ente melancolia do inverno.

Sabe-se que o calor excessivo (e o amaldiçoado tempo abafado do verão gaúcho) faz mal ao humor. O corpo precisa liberar calor de forma contínua para manter uma temperatura interna de 37ºC. Se essa troca se dá sem esforço, o indivíduo está em uma situação chamada de “conforto térmico”. Mas, se o ambiente está muito quente, o organismo tem dificuldades em manter o equilíbrio, o que resulta em irritação, cansaço e desconforto. Se você pensa que o verão um dia vai fazê-lo cometer uma loucura, talvez não esteja perdendo a razão: há até pesquisas relatando que há alta na criminalidade em dias muito quentes.

Ao analisar dados dos Estados Unidos e da Europa, pesquisadores notaram que crimes contra pessoas aumentam no verão, enquanto que, no inverno, predominam crimes contra a propriedade. Em outra investigação, o jornal norte-americano The New York Times cruzou dados públicos e descobriu que, em dias chuvosos, há menos crimes – em suma, bandidos ficam mais em casa, a não ser que estejam desesperados.

No Brasil, o geógrafo Mendonça, da UFPR, publicou, em 2001, uma pesquisa feita para sua tese exigida para se tornar professor-titular na qual cruzou a temperatura com os índices de homicídio de 10 capitais brasileiras. Em sete das 10, dezembro e janeiro foram os meses de maior violência, enquanto os meses invernais tiveram a menor média de criminalidade.

— O clima quente é um fator estressante que potencializa reações violentas, sobretudo em comunidades mais vulneráveis, que não têm refrigeração. Mas ele não é determinante, entram outras questões. Em dezembro, as pessoas querem realizar seus desejos, comprar presentes, mudar a casa. Em um país de população marcadamente pobre, muitos efetivam isso por meio de roubos e de assaltos. Além disso, em festas de fim de ano, muitos são tomados pela obrigação de serem felizes ou pela melancolia, então recorrem ao álcool e às drogas, também frequentes em fevereiro, mês do Carnaval. O uso dessas substâncias está associado à violência — reflete o pesquisador da UFPR. [/i]

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/v ... onltl.html
O calor sem brisa irrita muito. Em Dubai, não sei se tem mesma situação de calor umidade, mas violência parece bem menor.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Gigaview
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Mensagem por Gigaview »

Fernando Silva escreveu:
Seg, 24 24America/Sao_Paulo Agosto 24America/Sao_Paulo 2020 - 08:34 am
Cinzu escreveu:
Seg, 24 24America/Sao_Paulo Agosto 24America/Sao_Paulo 2020 - 00:18 am
A chuva ajuda a pegar no sono – uma das teorias é de que as gotas, ao caírem na superfície, vibram em uma frequência que acalma. E até o consumo pode ser afetado pela meteorologia: estudo feito por pesquisadores de Pequim, na China, apontou que, em dias ensolarados, as pessoas embarcam 20% a mais em promoções do que em dias nublados.
Talvez seja porque o barulho da chuva nos diz que não há nada a fazer fora de casa, portanto vamos dormir.
Atualmente os shoppings concentram a maior parte do movimento do comércio varejista urbano e são projetados para eliminar essas possíveis interferências isolando as pessoas do ambiente externo. Ar condicionado com temperatura e humidade controlas, ausência de janelas e de relógios, dentre outros artifícios, fazem as pessoas perderem a noção do tempo em todos os sentidos. Portanto, nesses recintos o resultado dessa pesquisa deve ser questionado.

Por outro lado, considerando o comércio de rua, shoppings abertos, podemos supor que o movimento do comércio cai naturalmente em dias nublados, consequentemente o resultado de promoções de vendas, não pela influência do clima no consumo mas principalmente pela queda do movimento do comércio porque as pessoas preferem permanecer em casa.

Em relação à frequência, não vejo lógica para supor que o barulho da chuva acalme, principalmente se isso for uma herança comportamental evolucionista. Chuva sempre está associada a riscos para todas as espécies. É a chuva que não para, que alaga, que desmorona, que infiltra, que trás frio, humidade etc. O barulho da chuva deveria trazer reações inconscientes desagradáveis, medo, stress e ansiedade, da mesma forma que a maioria das espécies manifestam, por exemplo, diante das cobras. No entanto não observamos sinais de pânico em nenhuma espécie diante da chuva. A explicação mais econômica continua sendo o ócio. Diante da chuva, nada resta a fazer além de esperar e esperando sem nada para fazer e seguro, o corpo tende a relaxar. Acho que não tem nada a ver com frequência.... :geek:
---------------------------------------------------------------------------------------------
O pensamento crítico não é ofensa, mas direito protegido constitucionalmente pela liberdade de expressão.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

Tutu
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Mensagem por Tutu »

O livro Human Universals fala de coisas que existem em todas as culturas humanas.
Isso ajudaria muito para diferenciar o comportamento biológico do comportamento cultural.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Cinzu
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Mensagem por Cinzu »

Gigaview escreveu:Em relação à frequência, não vejo lógica para supor que o barulho da chuva acalme, principalmente se isso for uma herança comportamental evolucionista. Chuva sempre está associada a riscos para todas as espécies. É a chuva que não para, que alaga, que desmorona, que infiltra, que trás frio, humidade etc. O barulho da chuva deveria trazer reações inconscientes desagradáveis, medo, stress e ansiedade, da mesma forma que a maioria das espécies manifestam, por exemplo, diante das cobras. No entanto não observamos sinais de pânico em nenhuma espécie diante da chuva. A explicação mais econômica continua sendo o ócio. Diante da chuva, nada resta a fazer além de esperar e esperando sem nada para fazer e seguro, o corpo tende a relaxar. Acho que não tem nada a ver com frequência.... :geek:
O som da chuva pode ser classificado como "ruído branco", que são sons caracterizados por manterem constância de potência (intensidade), desde que não se trate de tempestades (chuvas fortes, com trovões, ventos de alta intensidade, granizo, etc). Outros exemplos deste tipo de barulho seria o som da TV, lareira, músicas.

Em outro tópico comento um pouco sobre isso, explicando porque o som de uma melodia é agradável por exemplo, ao passo que barulhos de carro ou obras nos causam desconforto: viewtopic.php?f=21&t=138
Cinzu escreveu:Geralmente os ruídos, são sons desordenados (escapes de motos, roncos de motores e barulhos aleatórios no geral), e nossa mente durante a percepção de barulhos precisa adaptar-se aos sons que são emitidos, por isso variações bruscas de intensidades e frequências causam desconforto, simplesmente porque nós não conseguimos nos adaptar aos padrões e prever a continuidade do barulho. Diferente de uma melodia por exemplo, que é suavizada e harmônica, fazendo com que consigamos perceber o ritmo e a regularidade do estímulo auditivo.

Esse artigo ajuda a esclarecer porque ritmos musicais são agradáveis a nosso cérebro: http://www.scielo.br/scielo.php?script= ... 3000100012
Além disso, esse tipo de som também pode ajudar a abafar ruídos externos (latidas de cachorro, gritarias, etc).

https://www.bbc.com/portuguese/geral-40679798

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias ... o-sono.htm

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Gabarito
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Mensagem por Gabarito »

Oscar adota critérios mínimos de inclusão em busca de premiação mais diversificada
A partir de 2024, só poderão disputar a categoria de melhor filme as obras cuja produção, elenco e argumento incluírem coletivos menos representados

Pablo Ximénez de Sandoval
Los Angeles - 09 sep 2020 - 20:33 UTC

Sete meses se passaram desde que um thriller sul-coreano ganhou o Oscar de melhor filme, mas o caminho para transformar a Academia de Cinema de Hollywood em uma instituição global ainda parece estar pela metade. O próximo passo é exigir certas condições mínimas de diversidade dos filmes que disputem essa categoria. As exigências afetam tanto o que se vê em tela como as equipes de produção, para “refletir melhor a diversidade do público do cinema”, conforme anunciou a Academia na terça-feira.

Nos prêmios de 2025, ou seja, para os longas produzidos em 2024 que quiserem disputar o Oscar de melhor filme, alguma destas condições terá de ser atendida: pelo menos um protagonista que não seja branco; pelo menos 30% de personagens secundários mulheres, minorias, LGBTQ ou deficientes; ou que o tema principal aborde um destes grupos sub-representados na tela.

A trajetória da Academia para se transformar em uma instituição global e diversificada, na qual todas as plateias possam se reconhecer, começou cinco anos atrás, após a polêmica do #Oscarssowhite (“Oscars brancos demais”). Naquele ano, os 20 indicados nas categorias para atores eram brancos, quando havia filmes notáveis com intérpretes negros. Aquela polêmica acendeu um debate em Hollywood, ao que a Academia reagiu estabelecendo objetivos muito ambiciosos para ampliar a diversidade entre seu eleitorado, até então composto majoritariamente até por homens brancos, norte-americanos e de certa idade.

Entre 2015 e 2020, a instituição admitiu novos membros às centenas para corrigir esta situação. O número de mulheres passou de 25% para 33% do eleitorado do Oscar. O número de acadêmicos não brancos subiu de 10% para 19%. A Academia também está empenhada em se tornar mais internacional e em fazer do Oscar um evento global, não só norte-americano, convencida de que esse é o seu único futuro viável. Neste período, admitiu 819 membros novos de 68 países.

As consequências logo seriam vistas. Nos prêmios de 2019, o filme mexicano Roma ganhou quatro estatuetas e esteve perto do Oscar de melhor filme naquele ano. Em fevereiro passado, finalmente, o sul-coreano Parasita fez história ao se tornar o primeiro filme produzido no exterior e rodado em um idioma que não o inglês a receber o Oscar de melhor filme.

A Academia considera que o trabalho não está terminado. Agora pretende se intrometer no conteúdo dos filmes, no que se vê na tela. Entretanto, as novas normas não são tão rigorosas como pode parecer. A diversidade na tela é um entre quatro padrões de inclusão que os filmes devem cumprir. Os outros envolvem as equipes criativas. Por exemplo, que 30% da equipe seja de grupos sub-representados, ou que pelo menos um chefe de equipe seja de uma minoria. Também pode dar oportunidades de estágio a minorias, ou que as equipes de marketing e distribuição sejam diversificadas. Ou seja, se um filme trata de soldados britânicos da Primeira Guerra Mundial, em 1917, não é preciso minorias e mulheres apareçam com destaque na tela. Há outros requisitos de inclusão que o filme poderá cumprir para disputar o prêmio de melhor filme. Estas novas normas não afetam as demais categorias do Oscar, só o prêmio principal.

As normas foram criadas por uma comissão especial formada pelos diretores da Academia e pelos produtores DeVon Franklin e Jim Gianopoulos. Baseiam-se no que a academia britânica aprovou para nortear a concessão do seu prêmio BAFTA. O presidente do Comitê do BAFTA, Marc Samuelson, reagiu na terça-feira à noite com um comunicado em que cumprimentava a Academia de Hollywood pela decisão.

Os novos objetivos aparecem no que a Academia chamou de Iniciativa 2025, um plano de cinco anos que a instituição descreve como “o maior desafio de nossa história para criar uma comunidade mais igualitária e inclusiva”. “Devemos nos abrir para refletir melhor a população global diversa tanto na criação dos filmes como no público que se conecta com eles”, afirmou em nota a executiva-chefe da Academia, Dawn Hudson. “Acreditamos que estas mudanças serão um catalisador para uma mudança duradoura e profunda em nossa indústria.”

A lista a seguir mostra quais são as condições de diversidade e inclusão aprovadas pela Academia. Para disputar o prêmio de melhor filme, as produções rodadas a partir de 2024 as produções terão de cumprir pelo menos dois destes quatro:

1) Representação na tela, temática e argumento.

Para respeitar essa exigência, é preciso cumprir pelo menos uma de três condições:

a) Ao menos um dos atores principais ou coadjuvantes de certa relevância será parte de um dos seguintes grupos raciais ou étnicos:

Asiático;
Latino/Hispânico;
Negro/afro-americano;
Indígena/nativo norte-americano/nativo do Alasca;
Originário de Oriente Médio/Norte da África;
Havaiano nativo ou outro tipo de ilhéu originário da Oceania;
Outra etnia pouco representada.

b) Pelo menos 30% dos atores secundários ou com papéis menores sejam parte de pelo menos dois dos seguintes grupos sub-representados:

Mulheres;
Uma etnia minoritária;
Pessoas LGTBI+;
Pessoas com deficiência física, cognitiva ou auditiva.

c) O argumento ou tema do filme se centra em um dos seguintes grupos:

Mulheres;
Uma etnia pouco representada;
Pessoas LGTBI+;
Pessoas com deficiência física, cognitiva ou auditiva.

2) Liderança criativa e equipe do projeto:

Para respeitar esta exigência, é preciso cumprir pelo menos uma destas condições:

a) No mínimo, dois chefes de departamento ou postos de liderança criativa (direção, montagem, produção, roteiro, direção de elenco, fotografia, música, direção de arte, som, efeitos especiais, cenografia, direção de arte, figurino, maquiagem, penteado) procederão dos seguintes grupos:

Mulheres;
Uma etnia pouco representada;
Pessoas LGTBI+;
Pessoas com deficiência física, cognitiva ou auditiva.

E pelo menos um desses postos deve ser atribuído a um responsável procedente de um dos seguintes grupos raciais ou étnicos:

Asiático;
Latino/Hispânico;
Negro/afro-americano;
Indígena/nativo norte-americano/nativo do Alasca;
Originário de Oriente Médio/Norte da África;
Havaiano nativo ou outro tipo de ilhéu originário da Oceania;
Outra etnia pouco representada.

b) Outras posições importantes:

Pelo menos seis outros membros da equipe ou com atribuições técnicas (com exceção do assistente de produção) serão de um grupo racial ou étnico minoritário.

c) A equipe de rodagem em geral:

No mínimo, 30% da equipe será composta por:

Mulheres;
Uma etnia pouco representada;
Pessoas LGTBI+;
Pessoas com deficiência física, cognitiva ou auditiva.

3) Acesso e oportunidades na indústria cinematográfica.

Para respeitar esta exigência, é preciso cumprir ambas as condições:

a) As empresas que financiem ou distribuam os filmes pagaram bolsas ou estágios a pessoas procedentes de um dos seguintes grupos:

Mulheres;
Uma etnia pouco representada;
Pessoas LGTBI+;
Pessoas com deficiência física, cognitiva ou auditiva.

Os grandes estúdios e distribuidores de filmes deverão ter estágios remunerados, recorrentes e que incluam coletivos sub-representados (incluindo grupos étnicos) em pelo menos um dos seguintes departamentos: pré-produção, produção, pós-produção, música, efeitos especiais, aquisição, administração, distribuição, marketing e publicidade.

Aos estúdios e distribuidores menores e independentes deverão contar com pelo menos dois estagiários que sejam dos grupos já mencionados (um que seja de uma raça ou etnia pouco representada) e que pelo menos um esteja em um dos departamentos mencionados anteriormente.

b) Oportunidades de treinamento e desenvolvimento de habilidades.

A empresa que distribuir, financiar ou produzir o filme oferece oportunidades de trabalho ou para o desenvolvimento de habilidades para pessoas que sejam parte de um dos seguintes grupos:

Mulheres;
Uma etnia pouco representada;
Pessoas LGTBI+;
Pessoas com deficiência física, cognitiva ou auditiva.

4) Desenvolvimento da audiência

O estúdio contará com vários altos executivos em suas equipes de marketing, publicidade ou distribuição que sejam parte de um dos seguintes grupos:

Mulheres;
Uma etnia pouco representada;
Pessoas LGTBI+;
Pessoas com deficiência física, cognitiva ou auditiva.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Gabarito
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Mensagem por Gabarito »

Em sintonia com a matéria acima, teremos o Comitê de Desatribuição do Oscar:

O Comitê de Desatribuição do Oscar se reúne para decidir que estatuetas serão tomadas de volta por descumprir, retroativamente, as regras artísticas de concessão da maior honraria do cinema.

– Vamos lá. “Rain Man”.

– Fica com a estatueta. 50% dos dois protagonistas são autistas, grupo sub-representado.

– Mas ambos são machos brancos héteros. E não consta aqui que as figuras principais dos bastidores sejam mulheres, LGBTQs ou pessoas com deficiência.

– Ok, tira a estatueta.

– “Conduzindo Miss Daisy”.

– Fica, total. Protagonistas são uma mulher e um afroamericano! 100% de protagonismo para grupos sub-representados!

– Uma mulher hétero, da oligarquia dominante e um afroamericano em situação de desvantagem social, em posição subalterna. Sem chance.

– Ok, tira a estatueta.

– “O silêncio dos inocentes”. Psicopata é grupo historicamente desfavorecido, não?

– Sim, e mulher no FBI também.

– Mas o psicopata faz bullying da agente Starling, e a caipirofobia deve ser combatida.

– Sem contar que o vice-psicopata arrancava, literalmente, o couro das mulheres.

– Toma a estatueta de volta e ainda paga multa.

– “Lista de Schindler”. Até que enfim uma que fica!

– Um alemão, sem lugar de fala, que rouba o protagonismo dos judeus? Nem que a vaca cacareje em iídiche!

- “Forrest Gump”. Vamos deixar “Forrest Gump”, por favor.

– Filme dirigido por macho, com roteiro de macho, baseado em livro de macho, estrelado por macho. Preciso dizer mais alguma coisa?

– “Coração Valente”. Ops, foi maus. Tem Mel Gibson. Nem se todo o elenco de apoio fosse de aborígenes albinos canhotos com sobrepeso daria para salvar. Temos que tomar a estatueta, a caixa e a flanelinha. Pulemos para “Titanic”. Caso complexo…

– É um filme do bem. Representa o naufrágio do capitalismo. Traz à tona a luta de classes. E o macho morre no final.

– Mas a mocinha sobreviver agarrada a um pedaço de pau… Sei não. Achei uma metáfora muito infeliz. Teria sido lindo todas as passageiras sobrevivendo de mãos dadas, numa ciranda aquática sob a Aurora Boreal.

– Sem contar que a mocinha era uma aristocrata entediada. A joia que ela jogou ao mar, com o risco de ser engolida por uma leoa marinha, poderia ter sido usada para angariar fundos para o #metoo. Sororidade zero.

– “Gladiador”…

– Devolve.

– “Amadeus”..

– Devolve.

– “Rocky, um lutador”…

– Tu tá de sacanagem comigo, né?

– Sorry. “O poderoso chefão”.

– Máfia é minoria?

– Na Alerj, não.

– Estamos falando em Hollywood. Porque aqui a gente tem que ponderar. São imigrantes, e imigrante conta ponto.

– Mas imigrante macho e branco.

– Macho, branco e pobre.

– Que ficou rico…

– Mas o Dom Corleone tinha uma deficiência física na bochecha, lembra?

– E o Al Pacino era baixinho. Galã baixinho é minoria.

– Vamos deixar “O poderoso chefão” em análise.

– “West side story”. Minorias étnicas e working class desafiando os padrões impostos pela sociedade burguesa estadunidense!

– O casal principal era hétero.

– Mas a mocinha era latina!

– E foi se interessar por um branco? Palmiteiras não passarão!

– “Asas”, será que passa?

– “Asas”?

– Oscar de 1929. Primeira edição. Estrelado pela Clara Bow. Tem superação no roteiro. Ela é motorista de ambulância. Imagine, em 1929, uma mulher com carteira de motorista!

– E ela fala coisas importantes sobre a condição da mulher, discute o machismo, a estrutura falocêntrica do patriarcado?

– Não, até porque é um filme mudo.

– Mulher calada? Sem voz? Manda buscar a estatueta de volta. Now!


Eduardo Affonso

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Agnoscetico
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Mensagem por Agnoscetico »

Esse pessoal do Oscar parece demagogo. Já vi cineasta dizer que Brasil não Oscar porque não mostra diversidade étnica nos filmes como fariam nas novelas . Mas quantos negros costumam ganhar Oscar ?

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

Tutu
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Mensagem por Tutu »

Gabarito escreveu:
Ter, 15 15America/Sao_Paulo Setembro 15America/Sao_Paulo 2020 - 15:52 pm
Embora existam inúmeras pequenas diferenças entre gêneros e raças que impactam o desempenho em atividades específicas, o desempenho de algumas pessoas é o oposto do da maioria da categoria. A única forma de descobrir isso é testando. Na verdade, todos deveriam ser testados de forma igual e justa para saber se tem capacidade e ignorando a categoria. Por isso, acho ridículo o critério racista para incluir ou excluir alguém.
Gabarito escreveu:
Ter, 15 15America/Sao_Paulo Setembro 15America/Sao_Paulo 2020 - 15:52 pm
“o maior desafio de nossa história para criar uma comunidade mais igualitária e inclusiva”.
Ótimo. Quero ver os negros do país com o mesmo nível de educação, emprego e salário usando esse projeto.
Quero ver saber se terá rixas raciais com essa categorização.
Quero ver os empresários não oferecerem sub-emprego a negros e mulheres ou criar cargo de diretoria de fachada só para cumprir cotas.
Gabarito escreveu:
Ter, 15 15America/Sao_Paulo Setembro 15America/Sao_Paulo 2020 - 15:52 pm
Asiático;
Latino/Hispânico;
Negro/afro-americano;
Indígena/nativo norte-americano/nativo do Alasca;
Originário de Oriente Médio/Norte da África;
Havaiano nativo ou outro tipo de ilhéu originário da Oceania;
Outra etnia pouco representada.
Tenho perguntas para eles:

Asiático inclui indianos? E os indonésios? E siberianos? A cor da pele influencia?

Qual é a diferença racial entre Latino/Hispânico e Indígena/nativo norte-americano/nativo do Alasca?
Se o segundo grupo aprender espanhol ele se torna latino?
Se os nativos do Alasca são geneticamente próximos dos siberianos e os nativos norte-americanos próximos dos nativos mexicanos, porque os grupos estão trocados?

Posso entrar como Originário de Oriente Médio/Norte da África? Eu sou descendente dos Mouros? Judeu conta?

Havaianos, assim como os indonésios, possuem a mesma origem linguística o que sugere mesma origem genética.

"Outra etnia pouco representada" - estamos falando de raça ou etnia? Japas, chineses e coreanos não vão gostar de ser tratados como mesma etnia.

E os mestiços? Podem participar em mais de uma categoria? Se for tão misturado e não podermos determinar a raça nem por DNA?

Essa classificação de raça está muito bizarra. Duvido muito que eles fizeram realmente algum estudo para classificar as pessoas. A raça dos olhos puxados está muito dividida aqui. É possível que exista subdivisão nos afros, mas estudar o DNA não fazem. A Europa tem mestiços caucasianos, enquanto a diferença entre o norte da Europa e o norte da África é clara, no sul da Europa não tem traços raciais bem definidos.

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

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Agnoscetico
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Mensagem por Agnoscetico »

Tutu escreveu:
Qui, 17 17America/Sao_Paulo Setembro 17America/Sao_Paulo 2020 - 00:38 am
Gabarito escreveu:
Ter, 15 15America/Sao_Paulo Setembro 15America/Sao_Paulo 2020 - 15:52 pm
Embora existam inúmeras pequenas diferenças entre gêneros e raças que impactam o desempenho em atividades específicas, o desempenho de algumas pessoas é o oposto do da maioria da categoria. A única forma de descobrir isso é testando. Na verdade, todos deveriam ser testados de forma igual e justa para saber se tem capacidade e ignorando a categoria. Por isso, acho ridículo o critério racista para incluir ou excluir alguém.
Gabarito escreveu:
Ter, 15 15America/Sao_Paulo Setembro 15America/Sao_Paulo 2020 - 15:52 pm
“o maior desafio de nossa história para criar uma comunidade mais igualitária e inclusiva”.
Ótimo. Quero ver os negros do país com o mesmo nível de educação, emprego e salário usando esse projeto.
Quero ver saber se terá rixas raciais com essa categorização.
Quero ver os empresários não oferecerem sub-emprego a negros e mulheres ou criar cargo de diretoria de fachada só para cumprir cotas.
Gabarito escreveu:
Ter, 15 15America/Sao_Paulo Setembro 15America/Sao_Paulo 2020 - 15:52 pm
Asiático;
Latino/Hispânico;
Negro/afro-americano;
Indígena/nativo norte-americano/nativo do Alasca;
Originário de Oriente Médio/Norte da África;
Havaiano nativo ou outro tipo de ilhéu originário da Oceania;
Outra etnia pouco representada.
Tenho perguntas para eles:

Asiático inclui indianos? E os indonésios? E siberianos? A cor da pele influencia?

Qual é a diferença racial entre Latino/Hispânico e Indígena/nativo norte-americano/nativo do Alasca?
Se o segundo grupo aprender espanhol ele se torna latino?
Se os nativos do Alasca são geneticamente próximos dos siberianos e os nativos norte-americanos próximos dos nativos mexicanos, porque os grupos estão trocados?

Posso entrar como Originário de Oriente Médio/Norte da África? Eu sou descendente dos Mouros? Judeu conta?

Havaianos, assim como os indonésios, possuem a mesma origem linguística o que sugere mesma origem genética.

"Outra etnia pouco representada" - estamos falando de raça ou etnia? Japas, chineses e coreanos não vão gostar de ser tratados como mesma etnia.

E os mestiços? Podem participar em mais de uma categoria? Se for tão misturado e não podermos determinar a raça nem por DNA?

Essa classificação de raça está muito bizarra. Duvido muito que eles fizeram realmente algum estudo para classificar as pessoas. A raça dos olhos puxados está muito dividida aqui. É possível que exista subdivisão nos afros, mas estudar o DNA não fazem. A Europa tem mestiços caucasianos, enquanto a diferença entre o norte da Europa e o norte da África é clara, no sul da Europa não tem traços raciais bem definidos.
Zidani, norte-africano, não poderia ser confundido com um escandinavo caso não soubessem a origem dele?

Re: Censura do Politicamente Correto - Batalha de estátuas, apagar a história

Tutu
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Mensagem por Tutu »

Agnoscetico escreveu:
Sex, 18 18America/Sao_Paulo Setembro 18America/Sao_Paulo 2020 - 23:29 pm
Zidani, norte-africano, não poderia ser confundido com um escandinavo caso não soubessem a origem dele?
Sem cabelo fica difícil adivinhar a origem genética, mas um foto jovem:
Imagem

O conceito biológico de raça é quando populações isoladas se tornam fisicamente diferentes. As raças não são puras nem na Europa e é comum ter genes dos vizinhos. A frança tem genes germânicos, ibéricos (que tem genes dos mouros), genes do norte da África (das ex-colônias Argélia) e genes das ex-colônias subsaarianas.

No futebol tem o racismo. Se é bom de bola, é "francês", caso contrário é "imigrante". Falando em seleção francesa, acho que precisam de cotas racistas para os franceses de bisavós europeus. :lol:

A constituição francesa proíbe distinção por raça, etnia e gênero, e por isso não tem estatísticas raciais no censo e não tem ações afirmativas. Mas recentemente o politicamente correto tem atacado muito esse princípio constitucional.
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