Ditadura Militar de 1964

Área destinada a discussões sobre História, Sociedade, Comportamento e Filosofia

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Fernando Silva
Conselheiro
Mensagens: 756
Registrado em: Ter, 11 11America/Sao_Paulo Fevereiro 11America/Sao_Paulo 2020 - 08:20 am

Mensagem por Fernando Silva »

JJ_JJ escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:15 pm
Fernando Silva escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 11:27 am
Eu apresentei evidências de que havia guerrilheiros em treinamento no Brasil, com financiamento de Cuba e China, antes mesmo de 1964.
Apresentei artigos de jornais da época e links para sites de esquerda que confirmam isto.

A resposta foi que "eram movimentos insignificantes que não representavam perigo". Isto é uma admissão de que o perigo existia.
Mesmo que houvesse “guerrilheiros em treinamento no Brasil” :

1) Qual a quantidade ?

2) Cadê as provas ?

E supondo que seja verdade que havia “guerrilheiros em treinamento no Brasil” ,

A) Isto era crime ?

B) Se era crime, qual o procedimento legal a ser adotado ?

Consegue mostrar que isso era crime e consegue mostar qual o procedimento legal a ser adotado quando há suspeita de que um crime está sendo cometido ?
Sou de opinião que, se a própria esquerda fala desses guerrilheiros, então é verdade.
Ou devo supor que a esquerda acreditou na propaganda dos militares?

Sim, é crime, ainda mais porque eles já tinham começado a agir incendiando fazendas. E entendo que grupos armados planejando instalar uma ditadura são culpados até prova em contrário.

Não sei o que diz o código penal a respeito, mas também é preciso levar em conta, como também já disse, que a revolução cubana era recente e que havia gente dizendo abertamente que a intenção era fazer do Brasil uma nova Cuba para entender o clima de tensão da época.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Titoff
Mensagens: 349
Registrado em: Ter, 17 17America/Sao_Paulo Março 17America/Sao_Paulo 2020 - 11:47 am

Mensagem por Titoff »

Frencisco Toucinho escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:36 pm
Titoff escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:11 pm
Tem umas figuras "interessantes" na história das ditaduras brasileiras

O Olimpio Mourão Filho inventou o plano cohen para a ditadura do Estado Novo, e depois esteve presente de novo na ditadura de 64.

Se tivesse um pingo de justiça no país, o bandido FDP já teria sido pendurado pelo pescoço em praça pública na primeira vez.

Já foi colocado aqui: geralmente a extrema esquerda toma o poder através de revolta armada, a extrema direita através de conspirações e inventando inimigos.
PLANO COHEN e a INTENTONA
O plano, supostamente apreendido pelas Forças Armadas, anunciava uma nova insurreição armada, semelhante à Intentona de 1935. A invasão comunista previa a agitação de operários e estudantes, a liberdade de presos políticos, o incêndio de casas e prédios públicos, manifestações populares que terminariam em saques e depredações, além da eliminação de autoridades civis e militares que se opusessem à tomada do poder.
https://www.sohistoria.com.br/ef2/eravargas/p4.php

.
Então a população preferiu abraçar a ditadura do Getúlio Vargas ao inferno comunista. Parece que temos mais um precedente, ora, ora.
.

Pena que o documento era falso, né? Os bandidos da extrema direita inventam inimigos e conspirações, como eu disse

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Fernando Silva
Conselheiro
Mensagens: 756
Registrado em: Ter, 11 11America/Sao_Paulo Fevereiro 11America/Sao_Paulo 2020 - 08:20 am

Mensagem por Fernando Silva »

JJ_JJ escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:18 pm
Fernando Silva escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 11:27 am
Quando Brizola incentivou a luta de classes dentro das Forças Armadas, jogando baixas patentes contra as altas, os militares não podiam ficar parados assistindo.
1) Brizola cometeu algum crime ? Qual o artigo do código penal da época que mostra realmente que o que o Brizola fez poderia ser realmente caracterizado como crime ?

2) Qual o procedimento legal que poderia ter sido adotado na suspeita de que o Brizola tivesse cometido tal crime ? O que a legislação da época prescrevia que deveria ser feito ?
Incitação à violência é crime.

Em nenhum lugar do mundo as forças armadas vão ficar inertes assistindo a bandidos tentarem semear a discórdia entre eles e o conflito interno.
A lição de 1917 foi aprendida.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Fernando Silva
Conselheiro
Mensagens: 756
Registrado em: Ter, 11 11America/Sao_Paulo Fevereiro 11America/Sao_Paulo 2020 - 08:20 am

Mensagem por Fernando Silva »

Titoff escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 14:30 pm
Frencisco Toucinho escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:36 pm
Titoff escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:11 pm
Tem umas figuras "interessantes" na história das ditaduras brasileiras

O Olimpio Mourão Filho inventou o plano cohen para a ditadura do Estado Novo, e depois esteve presente de novo na ditadura de 64.

Se tivesse um pingo de justiça no país, o bandido FDP já teria sido pendurado pelo pescoço em praça pública na primeira vez.

Já foi colocado aqui: geralmente a extrema esquerda toma o poder através de revolta armada, a extrema direita através de conspirações e inventando inimigos.
PLANO COHEN e a INTENTONA
O plano, supostamente apreendido pelas Forças Armadas, anunciava uma nova insurreição armada, semelhante à Intentona de 1935. A invasão comunista previa a agitação de operários e estudantes, a liberdade de presos políticos, o incêndio de casas e prédios públicos, manifestações populares que terminariam em saques e depredações, além da eliminação de autoridades civis e militares que se opusessem à tomada do poder.
https://www.sohistoria.com.br/ef2/eravargas/p4.php

.
Então a população preferiu abraçar a ditadura do Getúlio Vargas ao inferno comunista. Parece que temos mais um precedente, ora, ora.
Pena que o documento era falso, né? Os bandidos da extrema direita inventam inimigos e conspirações, como eu disse
A Coluna Prestes não existiu? Foi só mentira da direita?
A Intentona de 1935 não existiu? Fake news?

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Titoff
Mensagens: 349
Registrado em: Ter, 17 17America/Sao_Paulo Março 17America/Sao_Paulo 2020 - 11:47 am

Mensagem por Titoff »

Frencisco Toucinho escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:31 pm
Titoff escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:05 pm
Frencisco Toucinho escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 11:48 am
Titoff escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 11:39 am
O que se tem de números da época mostra que a violencia cresceu bastante no período, inclusive com membros das forças de segurança formando grupos criminosos.
Você está fazendo uma comparação entre o período PRÉ-ditadura com o período da ditadura. Eu estou fazendo uma comparação do período PÓS-ditadura com a ditadura. Ou seja, a criminalidade do regime brasileiro piorou a situação. Não entregou a promessa de paz, em muitos aspectos. Sou favorável à democracia, mas algo deve ter dado muito errado no caso do Brasil, já que o crime aumentou (não deveria).
Sim, eu comparo com o que se tinha antes. Se a criminalidade começou a aumentar na didatura, com formação de grupos criminosos infiltrados no estado, isso tem que ser dito.

E depois da ditadura passou a se poder noticiar os podres. Antes não existia pois não se podia falar a respeito.
.
A criminalidade continuou a escalada após a CF de 1988. A culpa é de quem, então? Colocar a culpa da existência do crime na polícia é um paradoxo inacreditável. Mais coerente falar que os democratas eleitos a partir 1988 eram incompetentes e corruptos. Muito mais plausível.
.
E precisou vir governos civis para começar a baixar os indices de criminalidade e controlar a inflação criada pelos bandidos que tomaram o poder em 1964.

E você está passando pano para policiais que criaram grupos de exterminio e começaram a se associar ao tráfico de drogas durante a ditadura, aumentando os índices de criminalidade. Isso não é ser policial.

Mas claro, denunciar isso na época seria "coisa de comunista."

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Frencisco Toucinho
Mensagens: 158
Registrado em: Qua, 17 17America/Sao_Paulo Junho 17America/Sao_Paulo 2020 - 21:14 pm
Localização: São Paulo

Mensagem por Frencisco Toucinho »

Titoff escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 14:34 pm
Frencisco Toucinho escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:31 pm
Titoff escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:05 pm
Frencisco Toucinho escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 11:48 am
Titoff escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 11:39 am
O que se tem de números da época mostra que a violencia cresceu bastante no período, inclusive com membros das forças de segurança formando grupos criminosos.
Você está fazendo uma comparação entre o período PRÉ-ditadura com o período da ditadura. Eu estou fazendo uma comparação do período PÓS-ditadura com a ditadura. Ou seja, a criminalidade do regime brasileiro piorou a situação. Não entregou a promessa de paz, em muitos aspectos. Sou favorável à democracia, mas algo deve ter dado muito errado no caso do Brasil, já que o crime aumentou (não deveria).
Sim, eu comparo com o que se tinha antes. Se a criminalidade começou a aumentar na didatura, com formação de grupos criminosos infiltrados no estado, isso tem que ser dito.

E depois da ditadura passou a se poder noticiar os podres. Antes não existia pois não se podia falar a respeito.
.
A criminalidade continuou a escalada após a CF de 1988. A culpa é de quem, então? Colocar a culpa da existência do crime na polícia é um paradoxo inacreditável. Mais coerente falar que os democratas eleitos a partir 1988 eram incompetentes e corruptos. Muito mais plausível.
.
E precisou vir governos civis para começar a baixar os indices de criminalidade e controlar a inflação criada pelos bandidos que tomaram o poder em 1964.

E você está passando pano para policiais que criaram grupos de exterminio e começaram a se associar ao tráfico de drogas durante a ditadura, aumentando os índices de criminalidade. Isso não é ser policial.

Mas claro, denunciar isso na época seria "coisa de comunista."
Não vou passar o pano. Se você acha assim, acerte com o Fernando. Acho que a ditadura militar foi melhor negócio que o comunismo que estava às portas. Só.

Aliás, o caso dos presos políticos é bem divulgado, mas não sabia desse negócio de envolvimento com o tráfico. Há como provar? ou é só conversa?

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Titoff
Mensagens: 349
Registrado em: Ter, 17 17America/Sao_Paulo Março 17America/Sao_Paulo 2020 - 11:47 am

Mensagem por Titoff »

Frencisco Toucinho escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 14:41 pm
Titoff escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 14:34 pm
Frencisco Toucinho escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:31 pm
Titoff escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:05 pm
Frencisco Toucinho escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 11:48 am
Titoff escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 11:39 am
O que se tem de números da época mostra que a violencia cresceu bastante no período, inclusive com membros das forças de segurança formando grupos criminosos.
Você está fazendo uma comparação entre o período PRÉ-ditadura com o período da ditadura. Eu estou fazendo uma comparação do período PÓS-ditadura com a ditadura. Ou seja, a criminalidade do regime brasileiro piorou a situação. Não entregou a promessa de paz, em muitos aspectos. Sou favorável à democracia, mas algo deve ter dado muito errado no caso do Brasil, já que o crime aumentou (não deveria).
Sim, eu comparo com o que se tinha antes. Se a criminalidade começou a aumentar na didatura, com formação de grupos criminosos infiltrados no estado, isso tem que ser dito.

E depois da ditadura passou a se poder noticiar os podres. Antes não existia pois não se podia falar a respeito.
.
A criminalidade continuou a escalada após a CF de 1988. A culpa é de quem, então? Colocar a culpa da existência do crime na polícia é um paradoxo inacreditável. Mais coerente falar que os democratas eleitos a partir 1988 eram incompetentes e corruptos. Muito mais plausível.
.
E precisou vir governos civis para começar a baixar os indices de criminalidade e controlar a inflação criada pelos bandidos que tomaram o poder em 1964.

E você está passando pano para policiais que criaram grupos de exterminio e começaram a se associar ao tráfico de drogas durante a ditadura, aumentando os índices de criminalidade. Isso não é ser policial.

Mas claro, denunciar isso na época seria "coisa de comunista."
Não vou passar o pano. Se você acha assim, acerte com o Fernando. Acho que a ditadura militar foi melhor negócio que o comunismo que estava às portas. Só.

Aliás, o caso dos presos políticos é bem divulgado, mas não sabia desse negócio de envolvimento com o tráfico. Há como provar? ou é só conversa?
Vejo como outra falsa dualidade: tínhamos que escolher entre uma ditadura ou outra. Você está confiando na palavra de bandidos como o Mourão Filho, que para o primeiro golpe de estado inventou que havia uma conspiração dos judeus e dos comunistas para tomar o Brasil.

De gente que realizou atentado terrorista contra a própria população (todo mundo que defende a bandidagem da ditadura finge que não vê quando isso é levantado).

De novo: é como se uma teocracia evangélica fosse implementada e justificada pois se descobriu uma célula de terrorismo islamico no país. Tem até gente que deve achar isso uma boa ideia.

Quanto aos policiais estarem se envolvendo com a bandidagem, pode pesquisar pelo delegado Fleury, que foi um dos exemplos mais famosos. Se dizia "matador de bandido" (o que já é crime), mas viu-se que ele era tão matador de bandido quanto alguém do CV matando alguém de uma facção rival: está é atacando a "concorrencia." Há ligações dele com o tráfico. Como ele era herói da ditadura, isso foi abafado.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Titoff
Mensagens: 349
Registrado em: Ter, 17 17America/Sao_Paulo Março 17America/Sao_Paulo 2020 - 11:47 am

Mensagem por Titoff »

Fernando Silva escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 14:32 pm
Titoff escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 14:30 pm
Frencisco Toucinho escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:36 pm
Titoff escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:11 pm
Tem umas figuras "interessantes" na história das ditaduras brasileiras

O Olimpio Mourão Filho inventou o plano cohen para a ditadura do Estado Novo, e depois esteve presente de novo na ditadura de 64.

Se tivesse um pingo de justiça no país, o bandido FDP já teria sido pendurado pelo pescoço em praça pública na primeira vez.

Já foi colocado aqui: geralmente a extrema esquerda toma o poder através de revolta armada, a extrema direita através de conspirações e inventando inimigos.
PLANO COHEN e a INTENTONA
O plano, supostamente apreendido pelas Forças Armadas, anunciava uma nova insurreição armada, semelhante à Intentona de 1935. A invasão comunista previa a agitação de operários e estudantes, a liberdade de presos políticos, o incêndio de casas e prédios públicos, manifestações populares que terminariam em saques e depredações, além da eliminação de autoridades civis e militares que se opusessem à tomada do poder.
https://www.sohistoria.com.br/ef2/eravargas/p4.php

.
Então a população preferiu abraçar a ditadura do Getúlio Vargas ao inferno comunista. Parece que temos mais um precedente, ora, ora.
Pena que o documento era falso, né? Os bandidos da extrema direita inventam inimigos e conspirações, como eu disse
A Coluna Prestes não existiu? Foi só mentira da direita?
A Intentona de 1935 não existiu? Fake news?
Plano cohen com a conspiração dos judeus e comunistas? Falso, né?

Essa de uma ditadura ou outra é falsa dualidade.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
JJ_JJ
Mensagens: 611
Registrado em: Sex, 06 06America/Sao_Paulo Março 06America/Sao_Paulo 2020 - 10:32 am
Localização: Goiás

Mensagem por JJ_JJ »

Fernando Silva escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 14:31 pm
JJ_JJ escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:18 pm
Fernando Silva escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 11:27 am
Quando Brizola incentivou a luta de classes dentro das Forças Armadas, jogando baixas patentes contra as altas, os militares não podiam ficar parados assistindo.
1) Brizola cometeu algum crime ? Qual o artigo do código penal da época que mostra realmente que o que o Brizola fez poderia ser realmente caracterizado como crime ?

2) Qual o procedimento legal que poderia ter sido adotado na suspeita de que o Brizola tivesse cometido tal crime ? O que a legislação da época prescrevia que deveria ser feito ?
Incitação à violência é crime.
Supondo que fosse o caso, qual era o procedimento LEGAL que era previsto para suspeito de crime de incitação à violência ?

O que é o normal de se fazer dentro de um Estado Democrático de Direito se alguém é suspeito de ter cometido algum crime ?

.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Frencisco Toucinho
Mensagens: 158
Registrado em: Qua, 17 17America/Sao_Paulo Junho 17America/Sao_Paulo 2020 - 21:14 pm
Localização: São Paulo

Mensagem por Frencisco Toucinho »

Titoff escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 15:31 pm
Essa de uma ditadura ou outra é falsa dualidade.
Não sei se o Brasil possuía alguma saída democrática para o dilema da época. De qualquer maneira há gente mais competente que eu se debruçando sobre o assunto. Espero que cheguem a alguma conclusão, principalmente em razão de não haver consenso, bem como tendo em vista as manifestações ditatoriais dos apoiadores do Bolsonaro. Espero que a saída seja democrática.

Li sobre o delegado que você falou. A história é de gelar os ossos, mas as histórias que sobrevivem dos regimes socialistas também são. Não vou fazer contagem de corpos. Acho que deveríamos resolver a disputa em outro campo, que não a quantificação da violência e mentira aplicadas contra a população. Não temos nada a ganhar com isso.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Cinzu
Mensagens: 465
Registrado em: Seg, 02 02America/Sao_Paulo Março 02America/Sao_Paulo 2020 - 16:06 pm

Mensagem por Cinzu »

Eu tenho um questionamento aos que afirmam que a tomada de poder dos militares em 64 foi necessária para evitar uma ditadura comunista.

O AI-5 em 1968 também foi necessário?

Re: Ditadura Militar de 1964

Cortina
Mensagens: 1
Registrado em: Qui, 02 02America/Sao_Paulo Julho 02America/Sao_Paulo 2020 - 22:29 pm

Mensagem por Cortina »

JJ_JJ escreveu:
Ter, 30 30America/Sao_Paulo Junho 30America/Sao_Paulo 2020 - 22:44 pm
nem mesmo bem posteriormente ao golpe chegou a realmente existir grupos equipados e financiados no Brasil em reais condições de fazer uma revolução comunista
"Reais condições" são difíceis de constatar. A operação clandestina revolucionária no Brasil se deu de maneira velada antes mesmo da instauração do PC-SBIC; este, por exemplo foi criado tendo como molde a tática leninista, baseando-se em alta capilaridade com pequenos núcleos espalhados pelo país e plena secritude interna garantida por alta compartimentalização de funções.
O que temos disponível é uma série de dados e fatores que compuseram as tensões humanas da época; a notação do ganho de força da ação revolucionária foi uma no caldo.

"Revolução comunista" é um termo muito amplo. Nunca houve na história do país uma força suficiente para fazer uma revolução armada, ou seja, fundamentada no conflito armado. Tratando da década de 60, por exemplo, o dinheiro enviado por Cuba não era suficiente para manter toda operação guerrilheira e o armamento quando muito servia para os roubos que compunham o resto do financiamento dos grupos. Além disso, o exército brasileiro sempre teve maior número, melhor treinamento e mais dinheiro, além de altíssimo moral em suas ações táticas.
Todavia, desde os anos 20 haviam grupos politicamente dispostos e intelectualmente capacitados para tocar a revolução através da política e da cultura. Pode-se observar, por exemplo, que o PC-SBIC sozinho foi matriz fundamental para a difusão dos ideais revolucionários no Brasil, dando origem a partidos políticos, movimentos revolucionários, dissidências, jornais, frentes de luta e coletivos.
JJ_JJ escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 12:15 pm
Mesmo que houvesse “guerrilheiros em treinamento no Brasil” :

1) Qual a quantidade ?

2) Cadê as provas ?

E supondo que seja verdade que havia “guerrilheiros em treinamento no Brasil” ,

A) Isto era crime ?

B) Se era crime, qual o procedimento legal a ser adotado ?

Consegue mostrar que isso era crime e consegue mostar qual o procedimento legal a ser adotado quando há suspeita de que um crime está sendo cometido ?
A quantidade exata de especialistas em guerrilha em solo nacional jamais será descoberta dada a natureza do objeto. De fato haviam treinamentos no Brasil, o Movimento Revolucionário Tiradentes foi um dos expoentes, antes de 1964.
O Centro de Informação do Exército em 1972 publicou lista que contava 219 brasileiros relacionados ao treinamento militar em Cuba, dados levantados entre 1960 e 1970. De acordo com o DEOPS, entre 2.000 e 3.000 guerrilheiros latino-americanos foram treinados em Cuba entre 1962 e 1967. Estes números foram levantados por Moniz Bandeira em 1988. Pode-se estimar confiantemente que havia número suficiente de guerrilheiros para formar diversas companhias ou até mesmo um punhado de batalhões.

Evidentemente, o treinamento de forças guerrilheiras era crime, aliás, a operação subversiva comunista no Brasil sempre foi fundamentalmente ilegal. São as leis a Primeira e a Segunda Lei de Segurança Nacional, sendo a Primeira a Lei 38 de 1935 e a Segunda a Lei 1.802 de 1953. O procedimento legal era fundamentalmente o mesmo do que é praticado hoje no Brasil, visto que o Código Penal e o Processual Penal estavam em vigor desde os anos 40. Pode-se fazer uma analogia comparando como hoje é feito o combate às facções criminosas.

* * *
Frencisco Toucinho escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 16:03 pm
Não sei se o Brasil possuía alguma saída democrática para o dilema da época. De qualquer maneira há gente mais competente que eu se debruçando sobre o assunto.
Aqui vai uma ponderação superficial. A operação revolucionária no Brasil seguiu os ditames do que se pode compreender como "bolshevismo", ou o modus operandi do comunismo soviético. No bolshevismo está sempre implícita a noção do conflito de classes e nele a motivação da luta revolucionária. A visão bolshevista implica, portanto, em um lado, no combate que se deve instalar onde quer que haja conflito de classes, e em outro, na coexistência pacífica temporária com a classe opressora. Esse combate pode tomar forma armada, política, social, cultural, econômica, midiática ou até mesmo psicológica; este entendimento data desde 1920: Aktivnye meropriyatiya é seu nome em Russo, em português brasileiro a tática mascarou-se como "frente ampla de luta (ou de ação)".

Não se pode conceber um combate democrático, ou ainda meramente político, contra uma força supra-política.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
JJ_JJ
Mensagens: 611
Registrado em: Sex, 06 06America/Sao_Paulo Março 06America/Sao_Paulo 2020 - 10:32 am
Localização: Goiás

Mensagem por JJ_JJ »

Cortina escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 22:35 pm
O procedimento legal era fundamentalmente o mesmo do que é praticado hoje no Brasil, visto que o Código Penal e o Processual Penal estavam em vigor desde os anos 40.

Se realmente havia algo ilegal, era de se esperar que se seguisse a lei para resolver a questão. Mas, preferiram o caminho do golpe. E não estenderei com isso, pois quem defende golpe militar já jogou o Estado Democrático de Direito na lata de lixo.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
JJ_JJ
Mensagens: 611
Registrado em: Sex, 06 06America/Sao_Paulo Março 06America/Sao_Paulo 2020 - 10:32 am
Localização: Goiás

Mensagem por JJ_JJ »

E só para constar a resposta, nem de longe satisfaz o que foi solicitado:

Então repetindo a solicitação:

Você consegue indicar 2 pesquisas histórico científicas sérias e de relevância acadêmica, publicadas em periódicos científicos relevantes, que corroborem com fortes evidências a proposição de que o golpe de março de 64 aconteceu porque havia fortes evidências de que haviam grupos já equipados e financiados no Brasil em reais condições de fazer uma revolução comunista ?

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Fernando Silva
Conselheiro
Mensagens: 756
Registrado em: Ter, 11 11America/Sao_Paulo Fevereiro 11America/Sao_Paulo 2020 - 08:20 am

Mensagem por Fernando Silva »

Cinzu escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 19:04 pm
Eu tenho um questionamento aos que afirmam que a tomada de poder dos militares em 64 foi necessária para evitar uma ditadura comunista.

O AI-5 em 1968 também foi necessário?
Acho que não. Ele foi o resultado de uma disputa entre a facção moderada e a radical das Forças Armadas.

Talvez estivéssemos melhor hoje sem ele e se a abertura tivesse vindo mais cedo. Ou se, logo após a revolução, o vice tivesse assumido e depois viessem eleições normais.

Por outro lado, talvez não tivéssemos Itaipu ou Embratel, portanto é difícil dizer.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
JJ_JJ
Mensagens: 611
Registrado em: Sex, 06 06America/Sao_Paulo Março 06America/Sao_Paulo 2020 - 10:32 am
Localização: Goiás

Mensagem por JJ_JJ »

Cinzu escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 19:04 pm
Eu tenho um questionamento aos que afirmam que a tomada de poder dos militares em 64 foi necessária para evitar uma ditadura comunista.

O AI-5 em 1968 também foi necessário?

Necessidade pode ser algo subjetivo, como você não especificou para que, então algum direitista mais autoritário pode simplesmente responder que sim, pois do ponto de vista dele caçar opositores ao regime seria necessário para calar de vez e impedir ações da oposição.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Fernando Silva
Conselheiro
Mensagens: 756
Registrado em: Ter, 11 11America/Sao_Paulo Fevereiro 11America/Sao_Paulo 2020 - 08:20 am

Mensagem por Fernando Silva »

JJ_JJ escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 23:35 pm
Então repetindo a solicitação:

Você consegue indicar 2 pesquisas histórico científicas sérias e de relevância acadêmica, publicadas em periódicos científicos relevantes, que corroborem com fortes evidências a proposição de que o golpe de março de 64 aconteceu porque havia fortes evidências de que haviam grupos já equipados e financiados no Brasil em reais condições de fazer uma revolução comunista ?
As "reais condições" não vêm ao caso. Estamos julgando algo que aconteceu há quase 60 anos com a visão que temos hoje.

Na época, em plena Guerra Fria e, como já disse, pouco depois da revolução cubana, o medo era real.

O povo gritava "Cadê os militares que não fazem nada?", fazia passeatas gigantescas, os militares não estavam nada tranquilos com os conflitos internos às Forças Armadas, greves por toda parte (causando falta de gás de cozinha no Rio, por exemplo).

O Arnaldo Jabor era membro de uma organização comunista de esquerda na época. Ele disse que "a revolução do proletariado foi derrotada pelas tias velhas rezando o terço no quarto dos fundos". Pouco antes do 31 de março, ele passou pelo Aterro do Flamengo voltando de uma reunião do "partido" e viu velas acesas em todas as janelas de todos os prédios ao longo do caminho, indicando quem era anticomunista. Foi nesse momento, segundo ele, que ele percebeu que não ia dar certo.

Foi neste clima que as coisas aconteceram e é com base nisto que a revolução tem que ser analisada.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
JJ_JJ
Mensagens: 611
Registrado em: Sex, 06 06America/Sao_Paulo Março 06America/Sao_Paulo 2020 - 10:32 am
Localização: Goiás

Mensagem por JJ_JJ »

Fernando Silva escreveu:
Sáb, 04 04America/Sao_Paulo Julho 04America/Sao_Paulo 2020 - 09:49 am
JJ_JJ escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 23:35 pm
Então repetindo a solicitação:

Você consegue indicar 2 pesquisas histórico científicas sérias e de relevância acadêmica, publicadas em periódicos científicos relevantes, que corroborem com fortes evidências a proposição de que o golpe de março de 64 aconteceu porque havia fortes evidências de que haviam grupos já equipados e financiados no Brasil em reais condições de fazer uma revolução comunista ?
As "reais condições" não vêm ao caso. Estamos julgando algo que aconteceu há quase 60 anos com a visão que temos hoje.

Na época, em plena Guerra Fria e, como já disse, pouco depois da revolução cubana, o medo era real.

O povo gritava "Cadê os militares que não fazem nada?", fazia passeatas gigantescas, os militares não estavam nada tranquilos com os conflitos internos às Forças Armadas, greves por toda parte (causando falta de gás de cozinha no Rio, por exemplo).

O Arnaldo Jabor era membro de uma organização comunista de esquerda na época. Ele disse que "a revolução do proletariado foi derrotada pelas tias velhas rezando o terço no quarto dos fundos". Pouco antes do 31 de março, ele passou pelo Aterro do Flamengo voltando de uma reunião do "partido" e viu velas acesas em todas as janelas de todos os prédios ao longo do caminho, indicando quem era anticomunista. Foi nesse momento, segundo ele, que ele percebeu que não ia dar certo.

Foi neste clima que as coisas aconteceram e é com base nisto que a revolução tem que ser analisada.


Negativo. Isso é senso comum rasteiro pró golpe. Para considerar um suposto evento histórico (ainda mais sendo recente em termos históricos, não estamos falando de um suposto evento de 2.500 anos) como verdadeiro são necessárias evidências histórico científicas, as quais os pró golpistas ilegalistas não tem como apresentar, pois não existem.



.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Fernando Silva
Conselheiro
Mensagens: 756
Registrado em: Ter, 11 11America/Sao_Paulo Fevereiro 11America/Sao_Paulo 2020 - 08:20 am

Mensagem por Fernando Silva »

JJ_JJ escreveu:
Sáb, 04 04America/Sao_Paulo Julho 04America/Sao_Paulo 2020 - 10:10 am
Fernando Silva escreveu:
Sáb, 04 04America/Sao_Paulo Julho 04America/Sao_Paulo 2020 - 09:49 am
JJ_JJ escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 23:35 pm
Então repetindo a solicitação:

Você consegue indicar 2 pesquisas histórico científicas sérias e de relevância acadêmica, publicadas em periódicos científicos relevantes, que corroborem com fortes evidências a proposição de que o golpe de março de 64 aconteceu porque havia fortes evidências de que haviam grupos já equipados e financiados no Brasil em reais condições de fazer uma revolução comunista ?
As "reais condições" não vêm ao caso. Estamos julgando algo que aconteceu há quase 60 anos com a visão que temos hoje.

Na época, em plena Guerra Fria e, como já disse, pouco depois da revolução cubana, o medo era real.

O povo gritava "Cadê os militares que não fazem nada?", fazia passeatas gigantescas, os militares não estavam nada tranquilos com os conflitos internos às Forças Armadas, greves por toda parte (causando falta de gás de cozinha no Rio, por exemplo).

O Arnaldo Jabor era membro de uma organização comunista de esquerda na época. Ele disse que "a revolução do proletariado foi derrotada pelas tias velhas rezando o terço no quarto dos fundos". Pouco antes do 31 de março, ele passou pelo Aterro do Flamengo voltando de uma reunião do "partido" e viu velas acesas em todas as janelas de todos os prédios ao longo do caminho, indicando quem era anticomunista. Foi nesse momento, segundo ele, que ele percebeu que não ia dar certo.

Foi neste clima que as coisas aconteceram e é com base nisto que a revolução tem que ser analisada.
Negativo. Isso é senso comum rasteiro pró golpe. Para considerar um suposto evento histórico (ainda mais sendo recente em termos históricos, não estamos falando de um suposto evento de 2.500 anos) como verdadeiro são necessárias evidências histórico científicas, as quais os pró golpistas ilegalistas não tem como apresentar, pois não existem.
Você pode até contestar que a situação fosse tão grave que justificasse a revolução de 1964, mas não pode contestar o clima da época.
Eu estava lá. Eu lembro.
As pessoas agiram com base naquilo que achavam ser a realidade.

Da mesma forma, você não pode afirmar com certeza que o Brasil teria continuado dentro da normalidade democrática, sem nenhuma "revolução do proletariado". Também é achismo.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Gabarito
Site Admin
Mensagens: 631
Registrado em: Seg, 02 02America/Sao_Paulo Março 02America/Sao_Paulo 2020 - 06:49 am

Mensagem por Gabarito »

Cortina escreveu:
Sex, 03 03America/Sao_Paulo Julho 03America/Sao_Paulo 2020 - 22:35 pm
JJ_JJ escreveu:
Ter, 30 30America/Sao_Paulo Junho 30America/Sao_Paulo 2020 - 22:44 pm
nem mesmo bem posteriormente ao golpe chegou a realmente existir grupos equipados e financiados no Brasil em reais condições de fazer uma revolução comunista
"Reais condições" são difíceis de constatar. A operação clandestina revolucionária no Brasil se deu de maneira velada antes mesmo da instauração do PC-SBIC; este, por exemplo foi criado tendo como molde a tática leninista, baseando-se em alta capilaridade com pequenos núcleos espalhados pelo país e plena secritude interna garantida por alta compartimentalização de funções.
O que temos disponível é uma série de dados e fatores que compuseram as tensões humanas da época; a notação do ganho de força da ação revolucionária foi uma no caldo.

"Revolução comunista" é um termo muito amplo. Nunca houve na história do país uma força suficiente para fazer uma revolução armada, ou seja, fundamentada no conflito armado. Tratando da década de 60, por exemplo, o dinheiro enviado por Cuba não era suficiente para manter toda operação guerrilheira e o armamento quando muito servia para os roubos que compunham o resto do financiamento dos grupos. Além disso, o exército brasileiro sempre teve maior número, melhor treinamento e mais dinheiro, além de altíssimo moral em suas ações táticas.
Todavia, desde os anos 20 haviam grupos politicamente dispostos e intelectualmente capacitados para tocar a revolução através da política e da cultura. Pode-se observar, por exemplo, que o PC-SBIC sozinho foi matriz fundamental para a difusão dos ideais revolucionários no Brasil, dando origem a partidos políticos, movimentos revolucionários, dissidências, jornais, frentes de luta e coletivos.

[...]

Seja bem-vindo(a), Cortina.

Temos um tópico de apresentações.
Se quiser dar um alô sobre si mesmo(a), dê uma passada lá.
Imagem

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Arcanjo Lúcifer
Mensagens: 325
Registrado em: Qua, 04 04America/Sao_Paulo Março 04America/Sao_Paulo 2020 - 20:44 pm

Mensagem por Arcanjo Lúcifer »

JJ_JJ escreveu:
Ter, 30 30America/Sao_Paulo Junho 30America/Sao_Paulo 2020 - 22:44 pm
A verdade é simples, nem mesmo bem posteriormente ao golpe chegou a realmente existir grupos equipados e financiados no Brasil em reais condições de fazer uma revolução comunista

A proposição de que em março de 64 existia tal coisa é proposição nível tipo bó lavismo e congêneres , é coisa de nível terraplana e/ou NOM e/ou coisa semelhante.




.
É fácil ser general depois da batalha e dizer que não tinham isso ou aquilo, mas se vc vivesse na época e soubesse da existência de grupos armados no país recebendo grana e treinamento dados por governos estrangeiros não teria com o saber da extensão da coisa.

Lembro que no meio do anos 90, nada a ver com tópico, apenas usando o caso como exemplo, tinha gente no governo negando a existência do PCC nos presídios.

Ouvi um secretário de segurança dizendo que a hipótese de existir um grupo atuando dentro dos presídios com gente pagando mensalidade com um estatuto e comandantes era absurda.

O que vc vê hoje é o PCC bancando eleições, apoiando partidos, pagando juízes mas na época não se sabia exatamente o tamanho da coisa.

A partir do momento em que vc toma conhecimento dessa gente tem que usar a força necessária para barrar o esquema ou a coisa cresce ao ponto de começar a influenciar eleições e infiltrar nos tribunais e governos.

Sinto muito se vc discorda, mas acho que o governo militar foi necessário ou hoje vc estaria vivendo na Venezuela.

Só para lembrar que a turma do Chapolim Colorado tb tomou o poder por eleições.

Re: Ditadura Militar de 1964

Huxley
Mensagens: 334
Registrado em: Sáb, 07 07America/Sao_Paulo Março 07America/Sao_Paulo 2020 - 20:48 pm

Mensagem por Huxley »

Arcanjo Lúcifer escreveu:
Dom, 05 05America/Sao_Paulo Julho 05America/Sao_Paulo 2020 - 20:14 pm
JJ_JJ escreveu:
Ter, 30 30America/Sao_Paulo Junho 30America/Sao_Paulo 2020 - 22:44 pm
A verdade é simples, nem mesmo bem posteriormente ao golpe chegou a realmente existir grupos equipados e financiados no Brasil em reais condições de fazer uma revolução comunista

A proposição de que em março de 64 existia tal coisa é proposição nível tipo bó lavismo e congêneres , é coisa de nível terraplana e/ou NOM e/ou coisa semelhante.




.
É fácil ser general depois da batalha e dizer que não tinham isso ou aquilo, mas se vc vivesse na época e soubesse da existência de grupos armados no país recebendo grana e treinamento dados por governos estrangeiros não teria com o saber da extensão da coisa.

Lembro que no meio do anos 90, nada a ver com tópico, apenas usando o caso como exemplo, tinha gente no governo negando a existência do PCC nos presídios.

Ouvi um secretário de segurança dizendo que a hipótese de existir um grupo atuando dentro dos presídios com gente pagando mensalidade com um estatuto e comandantes era absurda.

O que vc vê hoje é o PCC bancando eleições, apoiando partidos, pagando juízes mas na época não se sabia exatamente o tamanho da coisa.

A partir do momento em que vc toma conhecimento dessa gente tem que usar a força necessária para barrar o esquema ou a coisa cresce ao ponto de começar a influenciar eleições e infiltrar nos tribunais e governos.

Sinto muito se vc discorda, mas acho que o governo militar foi necessário ou hoje vc estaria vivendo na Venezuela.

Só para lembrar que a turma do Chapolim Colorado tb tomou o poder por eleições.

Nem seria preciso uma tomada formal do governo para um grupo de guerrilheiros unidos infernizar o Brasil sob a bandeira do socialismo. Basta ver o que aconteceu com as Farcs na Colômbia para entender o porquê.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Arcanjo Lúcifer
Mensagens: 325
Registrado em: Qua, 04 04America/Sao_Paulo Março 04America/Sao_Paulo 2020 - 20:44 pm

Mensagem por Arcanjo Lúcifer »

É exatamente o que digo, com financiamento externo e apoio de governo estrangeiro vc só precisa de um grupo pequeno para infernizar o país todo.

Precisamos agradecer aos militares pela ditamole, acho que foram bonzinhos até demais se vc levar em consideração o nível de gente como o Dirceu e o que eles são capazes de fazer.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Titoff
Mensagens: 349
Registrado em: Ter, 17 17America/Sao_Paulo Março 17America/Sao_Paulo 2020 - 11:47 am

Mensagem por Titoff »

Não só os heróis fardados realizaram atentados terroristas para matar a população nos centros urbanos, como também até usaram armas biológicas contra crianças indígenas.
Os ataques iam de envenenamento por alimentos misturados com arsênico a aviões que atiravam para as crianças das aldeias brinquedos contaminados com vírus de sarampo ou varíola.

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/ ... eira.phtml
Gente de bem! Ainda bem que cometeram esses atos de extrema coragem e honradez para nós salvar dos 14 guerrilheiros que iam transformar o Brasil numa Cuba!

Re: Ditadura Militar de 1964

Pedro Reis
Mensagens: 219
Registrado em: Ter, 24 24America/Sao_Paulo Março 24America/Sao_Paulo 2020 - 11:28 am

Mensagem por Pedro Reis »

Titoff escreveu:
Qui, 09 09America/Sao_Paulo Julho 09America/Sao_Paulo 2020 - 17:22 pm
Não só os heróis fardados realizaram atentados terroristas para matar a população nos centros urbanos, como também até usaram armas biológicas contra crianças indígenas.
Os ataques iam de envenenamento por alimentos misturados com arsênico a aviões que atiravam para as crianças das aldeias brinquedos contaminados com vírus de sarampo ou varíola.

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/ ... eira.phtml
Gente de bem! Ainda bem que cometeram esses atos de extrema coragem e honradez para nós salvar dos 14 guerrilheiros que iam transformar o Brasil numa Cuba!
Eu sempre ouvi a história do major Dickson Grael, que correndo risco pessoal impediu os militares de explodirem a gasômetro do Rio de Janeiro, bem na entrada da cidade. O plano seria colocar a culpa nos subversivos o que acarretaria no endurecimento do regime.

Algo que acabou acontecendo de qualquer forma com o AI-5.

Mas engraçado... agora procurei sobre isso no Google e não encontrei nada.

Será que procede? Talvez o Gigaview saiba alguma coisa. Ele é sócio do clube de vela dos Grael.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Gigaview
Moderador
Mensagens: 1095
Registrado em: Seg, 02 02America/Sao_Paulo Março 02America/Sao_Paulo 2020 - 13:48 pm

Mensagem por Gigaview »

Pedro Reis escreveu:
Qui, 09 09America/Sao_Paulo Julho 09America/Sao_Paulo 2020 - 18:19 pm
Titoff escreveu:
Qui, 09 09America/Sao_Paulo Julho 09America/Sao_Paulo 2020 - 17:22 pm
Não só os heróis fardados realizaram atentados terroristas para matar a população nos centros urbanos, como também até usaram armas biológicas contra crianças indígenas.
Os ataques iam de envenenamento por alimentos misturados com arsênico a aviões que atiravam para as crianças das aldeias brinquedos contaminados com vírus de sarampo ou varíola.

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/ ... eira.phtml
Gente de bem! Ainda bem que cometeram esses atos de extrema coragem e honradez para nós salvar dos 14 guerrilheiros que iam transformar o Brasil numa Cuba!
Eu sempre ouvi a história do major Dickson Grael, que correndo risco pessoal impediu os militares de explodirem a gasômetro do Rio de Janeiro, bem na entrada da cidade. O plano seria colocar a culpa nos subversivos o que acarretaria no endurecimento do regime.

Algo que acabou acontecendo de qualquer forma com o AI-5.

Mas engraçado... agora procurei sobre isso no Google e não encontrei nada.

Será que procede? Talvez o Gigaview saiba alguma coisa. Ele é sócio do clube de vela dos Grael.
Não acompanhei pessoalmente o caso. Nessa época estava no Vietnã.
Imagem

Mas voltando ao assunto, acho que talvez você superestimando a participação do (então) Capitão Dickson nesse episódio. Veja abaixo:

https://www.notibras.com/site/em-tempo- ... om-geisel/

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Titoff
Mensagens: 349
Registrado em: Ter, 17 17America/Sao_Paulo Março 17America/Sao_Paulo 2020 - 11:47 am

Mensagem por Titoff »

Sergio Carvalho é um exemplo de herói militar durante a ditadura, e não os traídores terroristas que tomaram o país.

Re: Ditadura Militar de 1964

Pedro Reis
Mensagens: 219
Registrado em: Ter, 24 24America/Sao_Paulo Março 24America/Sao_Paulo 2020 - 11:28 am

Mensagem por Pedro Reis »

Gigaview escreveu:
Qui, 09 09America/Sao_Paulo Julho 09America/Sao_Paulo 2020 - 19:37 pm


Mas voltando ao assunto, acho que talvez você superestimando a participação do (então) Capitão Dickson nesse episódio. Veja abaixo:

https://www.notibras.com/site/em-tempo- ... om-geisel/
Eu só tô vendendo o peixe que me venderam. Sempre vi comentarem que o Dickson nunca chegou a general por conta desse caso.

Essa matéria diz que ele também denunciou o plano. Afinal, qual foi a participação do capitão, você sabe?

Quando tava googleando esse caso do gasômetro, descobri que o Dickson Grael também se opôs a um plano de invasão do Uruguai.

Veja só!, os milicos doidos planejaram invadir o Uruguai (antes de virar uma ditadura também). Qualquer semelhança com o Bozo querendo entrar em guerra com a Venezuela deve ser mais que mera coincidência.

Ele também escreveu um livro em que relata episódios como esse. Inclusive o desastrado plano do atentado ao Riocentro.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Cinzu
Mensagens: 465
Registrado em: Seg, 02 02America/Sao_Paulo Março 02America/Sao_Paulo 2020 - 16:06 pm

Mensagem por Cinzu »

Para quem branda aos quatro ventos que no período militar não havia corrupção (talvez por haver censura da imprensa e os casos dificilmente virem a público), vai uma lista com alguns esquemas dos militares:
1- Contrabando na Polícia do Exército.
A partir de 1970, dentro da 1ª Companhia do 2º Batalhão da Polícia do Exército, no Rio de Janeiro, sargentos, capitães e cabos começaram a se relacionar com o contrabando carioca. O capitão Aílton Guimarães Jorge, que já havia recebido a honra da Medalha do Pacificador pelo combate à guerrilha, era um dos integrantes da quadrilha que comercializava ilegalmente caixas de uísques, perfumes e roupas de luxo, inclusive roubando a carga de outros contrabandistas. Os militares escoltavam e intermediavam negócios dos contraventores. Foram presos pelo SNI (Serviço Nacional de Informações) e torturados, mas acabaram inocentados porque os depoimentos foram colhidos com uso de violência, direito de que os civis não dispunham em seus processos na época. O capitão Guimarães, posteriormente, deixaria o Exército para virar um dos principais nomes do jogo do bicho no Rio, ganhando fama também no meio do samba carioca. Foi patrono da Vila Isabel e presidente da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba)

2- As ligações de Delegado Fleury com o tráfico.
Um dos nomes mais conhecidos da repressão, atuando na captura, na tortura e no assassinato de presos políticos, o delegado paulista Sérgio Fernandes Paranhos Fleury foi acusado pelo Ministério Público de associação ao tráfico de drogas e extermínios. Apontado como líder do Esquadrão da Morte, um grupo paramilitar que cometia execuções, Fleury também era ligado a criminosos comuns, segundo o MP, fornecendo serviço de proteção ao traficante José Iglesias, o “Juca”, na guerra de quadrilhas paulistanas. No fim de 1968, ele teria metralhado o traficante rival Domiciano Antunes Filho, o “Luciano”, com outro comparsa, e capturado, na companhia de outros policiais associados ao crime, uma caderneta que detalhava as propinas pagas a detetives, comissários e delegados pelos traficantes. O caso chegou a ser divulgado à imprensa por um alcaguete, Odilon Marcheronide Queiróz (“Carioca”), que acabou preso por Fleury e, posteriormente, desmentiu a história a jornais de São Paulo. Carioca seria morto pelo investigador Adhemar Augusto de Oliveira, segundo o próprio revelaria a um jornalista, tempos depois.

Os atos do delegado na repressão, no entanto, lhe renderam uma Medalha do Pacificador e muita blindagem dentro do Exército, que deixou de investigar as denúncias. Promotores do MP foram alertados para interromper as investigações contra Fleury. De acordo com o relato publicado em “A Ditadura Escancarada”, o procurador-geral da Justiça, Oscar Xavier de Freitas, avisou dois promotores em 1973: “Eu não recebo solicitações, apenas ordens. (…) Esqueçam tudo, não se metam em mais nada. Existem olheiros em toda parte, nos fiscalizando. Nossos telefones estão censurados”.

No fim daquele ano de 1973, o delegado chegou a ter a prisão preventiva decretada pelo assassinato de um traficante, mas o Código Penal foi reescrito para que réus primários com “bons antecedentes” tivessem direito à liberdade durante a tramitação dos recursos. Em uma conversa com Heitor Ferreira, secretário do presidente Ernesto Geisel (1974-1979), o general Golbery do Couto e Silva – então ministro do Gabinete Civil e um dos principais articuladores da ditadura militar – classificou assim o delegado Fleury, quando pensava em afastá-lo: “Esse é um bandido. Agora, prestou serviços e sabe muita coisa”. Fleury morreu em 1979, quando ainda estava sob investigação da Justiça.

3- Governadores biônicos e o Caso Magnesita.
Em 1970, uma avaliação feita pelo SNI ajudou a determinar quais seriam os governadores do Estado indicados pelo presidente Médici (1969-1974). No Paraná, Haroldo Leon Peres foi escolhido após ser elogiado pela postura favorável ao regime; um ano depois, foi pego extorquindo um empreiteiro em US$ 1 milhão e obrigado a renunciar. Segundo o general João Baptista Figueiredo, chefe do SNI no governo Geisel, os agentes teriam descoberto que Peres “era ladrão em Maringá” se o tivessem investigado adequadamente. Na Bahia, Antônio Carlos Magalhães, em seu primeiro mandato no Estado, foi acusado em 1972 de beneficiar a Magnesita, da qual seria acionista, abatendo em 50% as dívidas da empresa.

4 - O Caso Luftalla.
Outro governador envolvido em denúncias foi o paulista Paulo Maluf. Dois anos antes de assumir o Estado, em 1979, ele foi acusado de corrupção no caso conhecido como Lutfalla – empresa têxtil de sua mulher, Sylvia, que recebeu empréstimos do BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento) quando estava em processo de falência. As denúncias envolviam também o ministro do Planejamento Reis Velloso, que negou as irregularidades, e terminou sem punições.

Corria também pelos bastidores que Maluf haveria conseguido confiança dos militares pois pagava as dívidas de jogos que o general Costa e Silva acumulava no carteado.

5- Mordomias do Geisel.
Em 1976, as Redações de jornal já tinham maior liberdade, apesar de ainda estarem sob censura. O jornalista Ricardo Kotscho publicou no “Estado de São Paulo” reportagens expondo as mordomias de que ministros e servidores, financiados por dinheiro público, dispunham em Brasília. Uma piscina térmica banhava a casa do ministro de Minas e Energia, enquanto o ministro do Trabalho contava com 28 empregados. Na casa do governador de Brasília, frascos de laquê e alimentos eram comprados em quantidades desmedidas – 6.800 pãezinhos teriam sido adquiridos num mesmo dia. Filmes proibidos pela censura, como o erótico “Emmanuelle”, eram permitidos na casa dos servidores que os requisitavam. Na época, os ministros não viajavam em voos de carreira, e sim em jatos da Força Aérea.

Antes disso, no governo Médici já se observavam outras regalias: o ministro do Exército, cuja pasta ficava em Brasília, tinha uma casa de veraneio na serra fluminense, com direito a mordomo. Os generais de exército (quatro estrelas) possuíam dois carros, três empregados e casa decorada; os generais de brigada (duas estrelas) que iam para Brasília contavam com US$ 27 mil para comprar mobília. Cabos e sargentos prestavam serviços domésticos às autoridades, e o Planalto também pagou transporte e hospedagem a aspirantes para um churrasco na capital federal.

6- Camargo Corrêa? Sim, desde os militares.
Delfim Netto – ministro da Fazenda durante os governos Costa e Silva (1967-1969) e Médici, embaixador brasileiro na França no governo Geisel e ministro da Agricultura (depois Planejamento) no governo Figueiredo – sofreu algumas acusações de corrupção. Na primeira delas, em 1974, foi acusado pelo próprio Figueiredo (ainda chefe do SNI), em conversas reservadas com Geisel e Heitor Ferreira. Delfim teria beneficiado a empreiteira Camargo Corrêa a ganhar a concorrência da construção da hidrelétrica de Água Vermelha (MG). Anos depois, como embaixador, foi acusado pelo francês Jacques de la Broissia de ter prejudicado seu banco, o Crédit Commercial de France, que teria se recusado a fornecer US$ 60 milhões para a construção da usina hidrelétrica de Tucuruí, obra também executada pela Camargo Corrêa.

Delfim, único ministro vivo da época declarou: “Trata-se de velhas intrigas que sempre foram esclarecidas. Nunca tive participação nos eventos relatados”.

7- Caso General Electric.
Durante um processo no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em 1976, o presidente da General Electric no Brasil, Gerald Thomas Smilley, admitiu que a empresa pagou comissão a alguns funcionários no país para vender locomotivas à estatal Rede Ferroviária Federal, segundo noticiou a “Folha de S.Paulo” na época. Em 1969, a Junta Militar que sucedeu Costa e Silva e precedeu Médici havia aprovado um decreto-lei que destinava “fundos especiais” para a compra de 180 locomotivas da GE. Na época, um dos diretores da empresa no Brasil na época era Alcio Costa e Silva, irmão do ex-presidente, morto naquele mesmo ano de 1969. Na investigação de 1976, o Cade apurava a formação de um cartel de multinacionais no Brasil e o pagamento de subornos e comissões a autoridades para a obtenção de contratos.

8- Dossiê Baumgarten
O jornalista Alexandre von Baumgarten, colaborador do SNI, foi assassinado em 1982, pouco depois de publicar um dossiê acusando o general Newton Cruz de planejar sua morte – segundo o ex-delegado do Dops, Cláudio Guerra, em declaração de 2012, a ordem partiu do próprio SNI. A morte do jornalista teria ligação com seu conhecimento sobre as denúncias envolvendo Cruz e outros agentes do Serviço no escândalo da Agropecuária Capemi, empresa dirigida por militares, contratada para comercializar a madeira da região do futuro lago de Tucuruí. Pelo menos US$ 10 milhões teriam sido desviados para beneficiar agentes do SNI no início da década de 1980. O general foi inocentado pela morte do jornalista.

9- Caso Coroa-Brastel
Delfim Netto sofreria uma terceira acusação direta de corrupção, dessa vez como ministro do Planejamento, ao lado de Ernane Galvêas, ministro da Fazenda, durante o governo Figueiredo. Segundo a acusação apresentada em 1985 pelo procurador-geral da República José Paulo Sepúlveda Pertence, os dois teriam desviado irregularmente recursos públicos por meio de um empréstimo da Caixa Econômica Federal ao empresário Assis Paim, dono do grupo Coroa-Brastel, em 1981. Galvêas foi absolvido em 1994, e a acusação contra Delfim – que disse na época que a denúncia era de "iniciativa política" – não chegou a ser examinada.

10- Grupo Delfin
Denúncia feita pela “Folha de S.Paulo” de dezembro de 1982 apontou que o Grupo Delfin, empresa privada de crédito imobiliário, foi beneficiado pelo governo por meio do Banco Nacional da Habitação ao obter Cr$ 70 bilhões para abater parte dos Cr$ 82 bilhões devidos ao banco. Segundo a reportagem, o valor total dos terrenos usados para a quitação era de apenas Cr$ 9 bilhões. Assustados com a notícia, clientes do grupo retiraram seus fundos, o que levou a empresa à falência pouco depois. A denúncia envolveu os nomes dos ministros Mário Andreazza (Interior), Delfim Netto (Planejamento) e Ernane Galvêas (Fazenda), que chegaram a ser acusados judicialmente por causa do acordo.

11- Caso Halles
O Banco Halles foi um conglomerado estimulado a crescer no governo Médici por medida do ministro da fazenda Delfim Netto como parte do PND. Porém, na troca para o governo Geisel, quando o então ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen verificou que o conglomerado recebia gigantescos aportes financeiros, o que estava dificultando as finanças brasileiras nos esforços para conter a crise do petróleo de 1973. Então, Simonsen cortou os incentivos e aportes ao conglomerado, que entrou em uma brutal falência devido a ser uma fonte de desvios de dinheiro.

A medida fez com Geisel retirasse a autonomia de Simonsen no ministério e promovesse um aporte de 8 bilhões de cruzeiros, cotado em 1974 em 1,2 bilhões de dólares. Porém o banco, fonte de desvios de verba, não resistiu e sucumbiu à falência, tendo de ser aportado ao Banco do Estado da Guanabara (BEG) no mesmo ano. O ministro trabalharia engessado o resto da gestão.

12 - Caso Paulipetro
Durante a segunda crise do Petróleo em 1979, o então governador de São Paulo, Paulo Maluf, criou a Paulipetro (Paulista Petróleo) que foi uma empresa criada com o intuito de extrair petróleo e gás natural na bacia do rio Paraná.

Foi firmado um contrato com a Petrobrás e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Somente depois de perfurados 69 poços na bacia, constatou-se que nenhuma jazida era tecnológica e economicamente viável para a exploração. Em valores atualizados, os gastos chegaram na casa de R$ 4 bilhões, valor este que deverá ser devolvido à Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, segundo determinação do Supremo Tribunal Federal, e como a decisão foi transitada em julgado no início de dezembro de 2007, por isso, não cabem mais recursos.


OBRAS FARAÔNICAS E SUPERFATURADAS

O regime investiu num modelo desenvolvimentista marcado por empresas estatais e obras públicas gigantescas nas áreas de transporte, energia e estratégia militar, que buscavam a soberania do Brasil.

Apelidadas de “obras faraônicas” pela imprensa da época, neste período foram construídas a rodovia Transamazônica (BR-230), as hidrelétricas de Tucuruí, Balbina e Itaipu (a maior do Brasil), a ponte Rio-Niterói, as usinas nucleares de Angra, a Ferrovia do Aço e o projeto de minério de ferro de Carajás e de celulose de Jari.

1. Hidrelétrica de Itaipu
A maior produtora de energia elétrica do mundo provavelmente também foi a obra em que mais se desviou verba pública durante o regime militar. Em 1979, o embaixador José Jobim foi encontrado morto com uma corda no pescoço. Sua filha afirma que uma semana antes ele estava na posse de João Figueiredo e havia anunciado que escreveria um livro sobre a corrupção na construção da usina. Jobim participou do empreendimento indo ao Paraguai para negociar as turbinas com a empresa Siemens.

Sinais de sangue nas roupas e os pés encostados no chão, mas o investigador concluiu que teria sido "suicídio" sem sequer abrir o inquérito.

2. Transamazônica
Conhecida por ser a a estrada que liga o nada ao lugar nenhum, a Transamazônica foi uma obra faraônica bilionária e inconclusa por parte dos militares, durante o governo Médici (1969 - 1974). O projeto previa a ligação do Cabedelo, na Paraíba, à cidade de fronteira Benjamin Constant, no Amazonas. A ideia era seguir até o pacífico pelo Peru e o Equador, um roubalheira realmente sem limites, combinado ao desmatamento da mata, expulsão de povos indígenas e seringueiros. No fim, a Transamazônica terminou 687 km antes, em Lábrea, e, claro, sem asfalto. Nem por isso, deixou de custar a bagatela de US$ 1,5 bilhões de dólares na época

3. Paulipetro
"Rouba mas faz" foi o slogan de ninguém menos que Paulo Maluf, que teve empresa criada para a perfuração de petróleo enquanto foi governador de São Paulo. Depois de perfurados 69 poços, constatou-se que não havia petróleo algum e que R$ 4 bilhões foram gastos na "empreitada". Belo presente da ditadura militar, tão aclamada pelos saudosistas dos coturnos e uniformes verde e amarelo, proporcionou à política brasileira.

4. Ponte "Costa e Silva" (Rio-Niterói)
O primeiro grande empreendimento faraônico dos militares, a Ponte Rio-Niterói demorou 5 anos para ser entregue e passou por dois consórcios diferentes. O general Costa e Silva, que "humildemente" deu o próprio nome à ponte, licitou a Construtora Ferraz Cavalcanti, a Construtora Brasileira de Estradas, a Empresa de Melhoramentos e Construções S.A. e a Servix Engenharia S.A, que entregariam a obra por 238 milhões de cruzeiros em 1971.

Com o atraso nas obras e inúmeros acidentes que levaram a morte de muitos operários, o ministro dos Transportes, Mário Andreazza, da alta cúpula das obras faraônicas dos militares, adiou a inauguração e entregou a obra para a Camargo Corrêa, Mendes Júnior e Construtores Rabelo Sérgio Marques de Souza.

Até hoje não se sabe ao certo o valor final do empreendimento, cujas fontes citam de R$ 1 a R$ 5 bilhões.

5. Hidrelétricas de Água Vermelha e Tucuruí
Delfim Neto foi ministro da Fazenda durante o governo Costa e Silva, Médici, embaixador na França durante o governo Geisel e ministro da Agricultura no governo Figueiredo.

Sobre ele pesam as suspeitas, também abafadas pela censura e pelo encobrimento de tudo o que ocorreu durante os governos militares, de ter facilitado a Camargo Correa na construção de outras duas hidrelétricas, de Água Vermelha (MG) e de Tucuruí. As denúncias foram publicadas em no livro "Ditadura Acabada" de Élio Gaspari.

A hidrelétrica de Tucuruí, no projeto US$ 2,5 bilhões, acabou custando US$ 10 bilhões de dólares.


BÔNUS:

Supersalário
Os servidores brasileiros de elite ganhavam 5% mais do que os americanos. O presidente do Banco do Brasil recebia Cr$ 1 milhão por ano, o que hoje equivaleria a cerca de US$ 4,2 milhões anuais – mais benefícios. Estatais distribuíam participação nos “lucros” mesmo quando tinham prejuízos. Diretores da Eletrobrás receberiam até 17º salário.

Mercadão
Compras de mercado ficavam por conta do governo. Isso levou a abusos como o do governador Elmo Serejo Farias (DF). Num só dia, comprou 17 kg de melão, 23 kg de uva, 14 kg de ameixa, 11,3 kg de mamão, 21 caixas de pêssego e 16 dúzias de bananas. Outro dia, foram 6.825 pães franceses, 280 litros de leite e 7 pacotes de pão de forma.

Criadagem
Ter empregados pagos pelo governo era de praxe na elite funcionalista. Mas nada se comparava à casa do ministro do Trabalho Arnaldo da Costa Prieto, que ostentava 28 funcionários fixos.

Impunidade
Não havia legislação específica que permitisse ao Congresso e aos Tribunais de Contas fiscalizar os gastos dos superfuncionários. Abusos podiam ser encobertos sob o manto da “segurança nacional".

Jatinhos
Órgãos públicos mantinham jatinhos, que eram frequentemente usados de forma abusiva. Ministros usavam jatos da FAB de forma tão indiscriminada que o Planalto precisou explicar numa circular: seu uso era de caráter excepcional.

Clube de vantagens
Os altos funcionários não precisavam pagar aluguel da mansão no Lago Sul, contas de água, luz e telefone, conservação de piscina, criadagem, IPTU, vigilância nem despesas com o cartão corporativo.
Fontes:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/0 ... 65925.html
https://noticias.uol.com.br/politica/ul ... ilitar.htm
https://super.abril.com.br/historia/mit ... corrupcao/
https://www.redebrasilatual.com.br/poli ... storiador/
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-38337544
https://guiadoestudante.abril.com.br/bl ... e-militar/
https://vestibular.uol.com.br/resumo-da ... regime.htm
https://istoe.com.br/274208_A+PONTE+DE+R+7+BILHOES/
https://www.scielo.br/scielo.php?script ... so&tlng=pt

Re: Ditadura Militar de 1964

Pedro Reis
Mensagens: 219
Registrado em: Ter, 24 24America/Sao_Paulo Março 24America/Sao_Paulo 2020 - 11:28 am

Mensagem por Pedro Reis »

Negrão de Lima, Paulo Salim Maluf, família Sarney, Orestes Quércia e similares era o que tinha na ARENA, partido do governo.

Não que o MDB fosse muito melhor.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Fernando Silva
Conselheiro
Mensagens: 756
Registrado em: Ter, 11 11America/Sao_Paulo Fevereiro 11America/Sao_Paulo 2020 - 08:20 am

Mensagem por Fernando Silva »

Cinzu escreveu:
Sex, 31 31America/Sao_Paulo Julho 31America/Sao_Paulo 2020 - 20:16 pm
Para quem branda aos quatro ventos que no período militar não havia corrupção (talvez por haver censura da imprensa e os casos dificilmente virem a público), vai uma lista com alguns esquemas dos militares:
Esqueceram da Transit, estatal que deveria desenvolver a indústria de semicondutores nacional.
Gastou-se uma fortuna e nada foi desenvolvido ou produzido, segundo me consta.
Esse ciclo de indústria de semicondutores inacabadas, em Minas, veio na ditadura militar, com a 1974, Transit Semicondutores, em Montes Claros. O projeto era liderado por Hidenburgo Pereira Diniz, ex-presidente do BDMG. A cidade, à época, não tinha infraestrutura para comportar projeto daquela natureza. Além disso, fora da rota dos centros indústrias consumidores de chips e outros itens de microeletrônica. Mas os generais estavam determinados em atender ao governador Rondon Pacheco, ex-chefe da Casa Civil do ditador Garrastazu Médici. Estava na área da Sudene e, portando, poderia receber rios de dinheiro e incentivos do Finor, além de linhas favorecidas do BNDES. Fechou em 1981. Até mês passado, seu esqueleto tem partes na Fazenda Nacional e Justiça do Trabalho.
https://alemdofato.uai.com.br/economia/ ... -em-minas/

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Cinzu
Mensagens: 465
Registrado em: Seg, 02 02America/Sao_Paulo Março 02America/Sao_Paulo 2020 - 16:06 pm

Mensagem por Cinzu »

Quanto mais pesquisamos, mais descobrimos. A Usina de Belo Monte, por exemplo, também teve suas origens na época do regime.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Fernando Silva
Conselheiro
Mensagens: 756
Registrado em: Ter, 11 11America/Sao_Paulo Fevereiro 11America/Sao_Paulo 2020 - 08:20 am

Mensagem por Fernando Silva »

Cinzu escreveu:
Dom, 02 02America/Sao_Paulo Agosto 02America/Sao_Paulo 2020 - 12:00 pm
Quanto mais pesquisamos, mais descobrimos. A Usina de Belo Monte, por exemplo, também teve suas origens na época do regime.
Com uma diferença: os militares desistiram da construção. Já o PT foi em frente, destruindo a natureza, expulsando os índios e reprimindo as greves dos operários com violência.

Re: Ditadura Militar de 1964

Avatar do usuário
Agnoscetico
Mensagens: 383
Registrado em: Sáb, 21 21America/Sao_Paulo Março 21America/Sao_Paulo 2020 - 11:46 am

Mensagem por Agnoscetico »

Pros que gistam de usar clichê tipo "antigamente na ditadura era melhor", pistolagem ocorria com vista grossa e até passa pano por membros de ditadura.

Cenas de filme: conheça a história de Adélcio Leite, mandante da Chacina de Malacacheta

Assassinado em Lagoa Santa nessa sexta-feira (17), Adélcio Leite escapou de outras emboscadas e protagonizou fuga e prisão cinematográficas. Ele e os irmãos aterrorizavam cidades do interior de Minas na década de 1980

https://www.em.com.br/app/noticia/gerai ... 9/amp.html

Imagem

Os irmãos Leite foram personagens da cobertura policial do Estado de Minas ao longo de décadas (foto: Reprodução)
Adélcio Nunes Leite, de 79 anos, assassinado com dois tiros ao sair de uma barbearia, em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de BH, na manhã dessa sexta-feira (17), teve uma vida marcada por várias ações, incluindo fugas e prisão cinematográficas. Também já havia escapado de uma tentativa de assassinato, por meio de pistolagem, tipo de crime que deu fama à sua família, "Os Irmãos Leite”, que aterrorizaram o Vale do Mucuri.

Entre as várias ações criminosas atribuídas aos “Irmãos Leite”, está a “Chacina de Malacacheta”, ocorrida em 15 de janeiro de 1990, que resultou nas mortes de sete pessoas de uma família em uma fazenda no município do Vale do Mucuri.

Adélcio não somente encomendou o crime, praticado por oito pistoleiros, como também esteve no local do crime no dia da chacina.

Ele e outros integrantes da família foram personagem da cobertura policial do Estado de Minas e de outros jornais mineiros ao longo de décadas.

Adélcio esteve preso na Penitenciaria Nélson Hungria por cerca de 20 anos. Deixou a prisão em 2013, graças a um indulto, por causa de sua idade. Há três anos, foi viver em Lagoa Santa.

Na manhã da última sexta-feira, quando deixava uma barbearia, no Bairro Várzea, na cidade da Grande BH, Adélcio Leite foi morto depois de ser atingido por dois tiros - um no tórax e outro no abdômen. Os disparos foram efetuados por um homem, que estava em um HB20 preto. A vítima tentou sacar uma arma que carregava na cintura e foi alvejado antes de reagir. O assassino fugiu em seguida, em alta velocidade, sem deixar pistas.

Morte ao algoz

No início da década de 1980, após uma série de assassinatos de proprietários rurais e outros moradores de cidades do Vale do Mucuri, crimes motivados pela tomada de terras atribuídos à família Leite, Adélcio Leite sofreu uma tentativa de homicídio por um pistoleiro em uma emboscada. Chegou a ser alvejado e conseguiu escapar, matando o seu algoz, numa situação que se assemelhou a um filme de ação.

De acordo com relatos de um antigo policial da região, dois fazendeiros do Mucuri contrataram um pistoleiro para eliminar os integrantes da família Leite, sendo Adélcio “escolhido” como o primeiro a ser morto. O matador esperou o alvo perto de uma lagoa. Ao chegar ao local, o homem fez vários disparos em sua direção.

Adélcio foi atingido em uma das pernas e revidou: sacou uma arma e fez cinco disparos em direção do pistoleiro, sem acertá-lo. Na sequência, ele mergulhou na lagoa e afundou no meio de uma vegetação, junto ao barro e ao lodo.

De acordo com o relato do policial aposentado, o pistoleiro pensou que Adélcio estava morto e se aproximou do corpo para arrancar uma orelha, que seria usada como prova do “serviço” para o recebimento do pagamento. Nesse instante, Adélcio se movimentou rapidamente e atirou na cabeça do pistoleiro, que teve morte instantânea.

Quarteto famoso

Os irmãos Leite eram temidos em Minas Gerais. O quarteto era formado por Adélcio, Zé Leite, o mais velho e mentor intelectual dos crimes, Alírio – ambos morreram de morte natural –, e Toninho, o mais novo, que também morreu assassinado.

Eles eram famosos em Santa Maria do Suaçuí, a terra dos Leite, e eram acusados de diversos crimes. Mas logo ganhariam fama por serviços de pistolagem em todo o Vale do Mucuri. Governador Valadares, Diamantina e Teófilo Otoni formavam um triângulo e, dentro dele, os Leite agiam. Capelinha, Água Boa, Malacacheta, em especial, ficaram conhecidas como palcos de seus crimes.

Em 1974, os Leite, com a participação de Adélcio, foram responsáveis pelo assassinato do ex-deputado estadual Wander Campos. O político tinha fama de pistoleiro. Chegou a ser preso por um dos crimes dos quais era acusado, ficando detido no DOPS.

Os irmãos Leite havia se aproximado dos militares, e, assim, conseguiam proteção para seus crimes. Pouco tempo depois, tinham uma lista de quem deveria morrer. Eles também focaram conhecidos por realizarem chacinas para tomar terras por causa de pedras preciosas.

Prisão no Pará

Os irmãos José e Adélcio Leite foram presos nove meses após a chacina de Malacacheta, em outubro de 1990. Eles foram capturados por policiais civis mineiros em uma casa de praia, que seria de propriedade de um oficial da Polícia Militar do estado vizinho.

Em junho de 1993, Adélcio Nunes Leite fugiu do Departamento de Investigações (DI). Ele escapou após convencer dois carcereiros a lhe concederem uma “saidinha” e levá-lo até uma casa no Bairro Santa Helena, em Contagem, onde usaria um telefone para trata de negócios.

Chegando ao local indicado, ele despistou os carceiros da escolta e fugiu em um carro, que já o aguardava no fundo da casa. Na ocasião, a Polícia Mineira iniciou um serviço de inteligência e de levantamento de informações a fim de localizar e recapturar o fugitivo.

Depois de buscas em municípios de vários estados, Adélcio foi preso numa grande operação de uma equipe da Polícia Civil de Minas Gerais, que conseguiu localizá-lo em uma fazenda no interior do Pará. A mulher dele estava no local e também foi presa.

A equipe policial chegou a usar um avião para ir até o Pará para prender Adélcio Leite e transportá-lo de volta para Minas Geras. Na época, a ação foi noticiada como uma “prisão cinematográfica”.







Responder