Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Agnoscetico
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Mensagem por Agnoscetico »

Eu tinha criado um tópico no Clube Cético sobre a questão de pessoas que costumam comentar em vídeos de épocas passadas coisas do "Antigamente era melhor", "Antigamente não tinha lacração, funk, blá blá blá" - ossp tanto no Brasil como vídeos de estrangeiros. Muitas vezes eles ignoram que no passado a medicina era pior e vídeos como esses não costuma mostrar mazelas como racismo (Klu KLux Klna, Leis de Jim Crow, Apartheid, nazismo, etc), colonialismo, exclusão social (e se mostrarm, mostram de forma superficial, amena ou racionalizada demais).
E, geralmente, quando mostram, o pessoal tem nostalgia duma era que eles não viveram ou viverarm com memória afetiva que consciente ou inconscientemente bloqueiam o que era ruim ou amenizam comparando com época atual.


Olha esse post do ex-obreiro ateu:

https://www.youtube.com/channel/UCqwETf ... cq94AaABCQ

Estava vendo um vídeo do Rio de Janeiro do anos de 1890 e constatei 3 coisas:
1°) O estado foi destruído por políticas nefastas (principalmente que tirou a capital do Brasil do RJ e construíram o projeto soviético de cidade que é Brasília)
2°) O estado foi destruído por ideologias culturais implantadas pela esquerda que degradou os costumes e comportamentos...
3°) Uma questão curiosa mostrada na foto, é que tem coisas que parem um tipo de maldição do lugar rsrs

Vídeo do rio Antigo:


youtu.be/njUVvF4AfmU

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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JungF
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Mensagem por JungF »

Talvez que essa memória afetiva funcione como uma fuga, ou racionalização, ante os medos que o momento atual, certamente pior que naqueles tempos, estejam causando a essas pessoas.
Se considerarmos que o cérebro encontra recursos de certa complexidade para manter nossa sanidade mental talvez possamos justificar, racionalmente, este recurso à memória afetiva.
Certo é que, afora os cataclismos geológicos que sempre amedrontaram até os mais valentes, as ameaças, nos tempos atuais, à nossa segurança física e psicológica estão como a Espada de Dâmocles, assombrando nossos dias.

Supondo-se, constatado e confirmado este cenário de cálido terror que fermenta no inconsciente de cada qual, os distúrbios mentais transparecem, de forma mais ou menos acentuada no comportamento do homem moderno.

Destaca-se ao olhar crítico, os "idiotas da pandemia": aqueles que contrariam a ciência e até mesmo às mínimas condições de segurança pessoal e se expõem, a si e aos demais, à essa calamidade cada vez mais presente em nosso meio.

Temos o grupo ameaçador dos "animais urbanos": aqueles que com dissimulada brutalidade, reagem intempestivamente com ação violenta e criminosa ante contratempos do dia a dia, como seja um desentendimento no trânsito, na fila de um banco, mas com maior destaque quando participam em grupos de vandalismo, como as torcidas organizadas de futebol.etc.
Resta, por último, mas não menos significativo, exatamente por se constituírem em maioria, aqueles que frequentam os gabinetes do ódio, os exaltados das redes sociais, os fomentadores das fake news, e "os imorais", que são aqueles "corruptos respeitáveis", presentes em todos os seguimentos de nossa sociedade, por eles atormentada e enferma.

Mas para que não nos sintamos impotentes e receosos ante o futuro, compreendamos que as grande perturbações de nossos dias também trazem consigo grandes lições, através das quais se imunizarão nossos filhos.., as futuras gerações.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Antigamente, as mulheres não tinham direitos. Saíam da autoridade do pai para a autoridade do marido. Se não conseguissem casar, viravam umas pobres coitadas. Mas o certo era assim e ninguém reclamava.

Antigamente, não se falava em racismo. As coisas eram daquele jeito e pronto. Ninguém discutia.

Antigamente, havia uma impressão de tranquilidade, de vida pacífica nas cidades. Sim, porque os pobres ficavam lá longe, nos subúrbios distantes, e não se queixavam. Ou a gente não ouvia. E nem via.

Mas hoje esse pessoal desandou a reclamar e exigir direitos, por isso nos sentimos incomodados.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

fenrir
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Mensagem por fenrir »

Fernando Silva escreveu:
Sáb, 20 20America/Sao_Paulo Março 20America/Sao_Paulo 2021 - 09:51 am
Antigamente, as mulheres não tinham direitos. Saíam da autoridade do pai para a autoridade do marido. Se não conseguissem casar, viravam umas pobres coitadas. Mas o certo era assim e ninguém reclamava.

Antigamente, não se falava em racismo. As coisas eram daquele jeito e pronto. Ninguém discutia.

Antigamente, havia uma impressão de tranquilidade, de vida pacífica nas cidades. Sim, porque os pobres ficavam lá longe, nos subúrbios distantes, e não se queixavam. Ou a gente não ouvia. E nem via.

Mas hoje esse pessoal desandou a reclamar e exigir direitos, por isso nos sentimos incomodados.
Concordo com tudo isso.

Mas tinha pelo menos um aspecto melhor: menos gente.
Menos gente = menos sujeira, menos trânsito, menos um monte de coisas problemáticas e irritantes.
Menos gente = mais natureza tambem.

Devia ter um jeito de combinar o mehor do presente e de todas as épocas numa época só.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Agnoscetico
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Mensagem por Agnoscetico »

Geralmente esse passadismo parece se manifestar em locais onde há alguma degradação (já num nível bem visível, já que no passado a limpeza das ruas, o modo das pessoas, etc, disfarçava )

Imagino que muitos desses saudosistas não conhecem outras realidades como a da Estônia, ex-república soviética, que hoje é o tido como o país mais irreligioso e pessoas não tem medo de criminalidade, deixando crianças irem sozinhas pra escolas.

https://www.youtube.com/watch?v=ziobdM6 ... 1YBtORyv8d



youtu.be/lUH8KZX22Q8

Sobre como época maravilhosa da ditadura "bandido bom é bandido morto". Quando veem os vídeos e confere que não era essa maravilha toda, apelam pro "Ah, mas pelos menos se falava melhor e não essa gírias de hoje".


youtu.be/Q4BT9AlBx3k

Mas tem que se dar um desconto, na época da ditadura (talvez no período de abrandamento e anistia) uma discussão sobre a discussão sobre a questão da violência questionando a forma como autoridades agiam foi feita (não teve censura):
Debate que se segue à reportagem Pauliceia Amedrontada realizada pela equipe de produção do programa televisivo Metrópolis registrando a intranquilidade da população. Sob a coordenação do repórter Armando Figueiredo Netto a discussão trata da violência nas grandes cidades com o crescimento da miséria no Brasil, do aumento da criminalidade, do combate ao crime e da relação com os direitos humanos e as formas de punição, a falta de recursos adequados para enfrentar o problema ou remunerar os profissionais envolvidos e o papel das polícias civil e militar. Participam: o jurista J. B. Viana de Moraes, presidente da comissão do Ministério da Justiça sobre criminalidade e violência, do jurista Miguel Reale Jr., do jornalista do Jornal da Tarde, Percival de Souza e do jornalista dos Diários Associados, Orlando Criscuolo.

youtu.be/Wf8npjr0Uqs

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Titoff
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Mensagem por Titoff »

Também vejo por aí. Claro que tem coisas que se passaram e podemos sentir falta, mas as "lentes rosas da nostalgia" são uma realidade.

Lembro-me de ter lido comentários no youtube* sobre "como era boa essa época" (anos 50, 60 nos EUA), e alguém respondeu "talvez para sua família. Para os negros era terrível, com segregação racial estatal."

A resposta foi algo nas linha de "é, mas os negros são parte da causa por tudo ter ficado pior. Eu preferia antes."

Não dá para saber se essas pessoas comentando realmente viveram tal época, mas já mostra o aspecto reacionário fdp nessa idealização do passado.

* era um vídeo que tinha a música tema do "a summer place," filme antigo dos EUA. A música é conhecida e realmente me passa uma sensação de nostalgia de uma época que nem vivi. Engraçado.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Agnoscetico
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Mensagem por Agnoscetico »

Titoff escreveu:
Sáb, 20 20America/Sao_Paulo Março 20America/Sao_Paulo 2021 - 14:46 pm
Também vejo por aí. Claro que tem coisas que se passaram e podemos sentir falta, mas as "lentes rosas da nostalgia" são uma realidade.

Lembro-me de ter lido comentários no youtube* sobre "como era boa essa época" (anos 50, 60 nos EUA), e alguém respondeu "talvez para sua família. Para os negros era terrível, com segregação racial estatal."

A resposta foi algo nas linha de "é, mas os negros são parte da causa por tudo ter ficado pior. Eu preferia antes."

Não dá para saber se essas pessoas comentando realmente viveram tal época, mas já mostra o aspecto reacionário fdp nessa idealização do passado.

* era um vídeo que tinha a música tema do "a summer place," filme antigo dos EUA. A música é conhecida e realmente me passa uma sensação de nostalgia de uma época que nem vivi. Engraçado.
Percebi isso também. Essa memória afetiva pode ter como efeito colateral falsas correlações tipo "Os negros eram mais comportados, mulheres eram submissas sem mimimi, etc", podendo levar alguém ficar reacionário (isso se já não tinha predisposição).

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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JungF
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Mensagem por JungF »

Fernando Silva escreveu: Antigamente, as mulheres não tinham direitos. Saíam da autoridade do pai para a autoridade do marido. Se não conseguissem casar, viravam umas pobres coitadas. Mas o certo era assim e ninguém reclamava.

Antigamente, não se falava em racismo. As coisas eram daquele jeito e pronto. Ninguém discutia.

Antigamente, havia uma impressão de tranquilidade, de vida pacífica nas cidades. Sim, porque os pobres ficavam lá longe, nos subúrbios distantes, e não se queixavam. Ou a gente não ouvia. E nem via.

Mas hoje esse pessoal desandou a reclamar e exigir direitos, por isso nos sentimos incomodados.
Não ficou claro o quanto de mordacidade e ironia existe no texto, mas ressaltou a ausência de motivação, na época, para se sair da "zona de conforto", quer dizer, permanecer-se quieto, calado, e não provocar a reação do grupo dominante.
Por exemplo, no caso das mulheres "submissas", toda a sociedade estava de acordo em rejeitar as que saiam da linha.
Com relação às classes mais pobres era como se houvesse uma acomodação. Afinal, comia-se, bebia-se e havia um teto sobre a cabeça. O que mais desejar?

O Capitalismo fez emergir uma "elite ostentação", que a par dos benefícios do progresso também despertou o desejo do consumo, a cobiça por bens, antes apenas imaginados ou vistos nas telas de cinema.
Os jovens, estudantes ou operários, buscaram na droga e na marginalidade meios de se fazerem ouvir.
As camadas inferiores da sociedade se revoltava.

Restou-nos o passadismo.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Titoff escreveu:
Sáb, 20 20America/Sao_Paulo Março 20America/Sao_Paulo 2021 - 14:46 pm
Também vejo por aí. Claro que tem coisas que se passaram e podemos sentir falta, mas as "lentes rosas da nostalgia" são uma realidade.
Nossa memória é seletiva. Essa de "bons tempos aqueles..." é uma autoilusão.
Pode até ser verdade se antes você tinha uma boa vida e agora está na miséria, mas, para a média das pessoas, trata-se de amnésia.

Um exemplo: você pode até ter lembranças felizes do tempo em que brincava na areia com um baldinho, mas ... será que acharia graça nisto hoje em dia? Pode lembrar das emoções da adolescência, mas ... será que gostaria de viver com todos aqueles limites e restrições de novo?

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Fernando Silva
Conselheiro
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Mensagem por Fernando Silva »

JungF escreveu:
Dom, 21 21America/Sao_Paulo Março 21America/Sao_Paulo 2021 - 03:55 am
O Capitalismo fez emergir uma "elite ostentação", que a par dos benefícios do progresso também despertou o desejo do consumo, a cobiça por bens, antes apenas imaginados ou vistos nas telas de cinema.
Os jovens, estudantes ou operários, buscaram na droga e na marginalidade meios de se fazerem ouvir.
As camadas inferiores da sociedade se revoltava.

Restou-nos o passadismo.
Você pode citar alguma época em que não houve ostentação da elite, cobiça por bens, droga e marginalidade ou revoltas?

Pelo contrário, ao mudar a ênfase para o quanto de dinheiro uma pessoa tem e não em que classe social ela nasceu, permitiu que as portas se abrissem para muita gente que vem lá de baixo. Na Idade Média, por exemplo, nobre nascia e morria nobre, servo nascia e morria servo, escravo era escravo a vida toda.

O preconceito de milênios não vai desaparecer em poucas gerações, mas muita coisa já mudou.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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JungF
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Mensagem por JungF »

Fernando Silva escreveu:
JungF escreveu:
Dom, 21 21America/Sao_Paulo Março 21America/Sao_Paulo 2021 - 03:55 am
O Capitalismo fez emergir uma "elite ostentação", que a par dos benefícios do progresso também despertou o desejo do consumo, a cobiça por bens, antes apenas imaginados ou vistos nas telas de cinema.
Os jovens, estudantes ou operários, buscaram na droga e na marginalidade meios de se fazerem ouvir.
As camadas inferiores da sociedade se revoltava.

Restou-nos o passadismo.
Você pode citar alguma época em que não houve ostentação da elite, cobiça por bens, droga e marginalidade ou revoltas?

Pelo contrário, ao mudar a ênfase para o quanto de dinheiro uma pessoa tem e não em que classe social ela nasceu, permitiu que as portas se abrissem para muita gente que vem lá de baixo. Na Idade Média, por exemplo, nobre nascia e morria nobre, servo nascia e morria servo, escravo era escravo a vida toda.

O preconceito de milênios não vai desaparecer em poucas gerações, mas muita coisa já mudou.
Simples, meu caro Fernando. Vamos citar o exemplo da idade média, lembrado por você:
O Rei, era um só, e mesmo os nobres da corte passavam necessidades. Distinguiam-se por privilégios e um sistema que penalizava os demais, uma justiça feita a favor deles.
Tinham escravos ou servos mas sofriam com pulgas, verminoses, falta de higiene, alimentação farta mas sem qualidade e por isso, não raro, morriam cedo e dolorosamente.
A fortuna e os verdadeiramente ricos, aos moldes atuais, não eram tantos em relação à população.

Se você entendeu que eu criticava o capitalismo entendeu mal. Apenas explicava a razão pela qual o desejo de consumo trouxe à tona anseios até então ignorados ou não tão valorizados.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

fenrir
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Mensagem por fenrir »

JungF escreveu:
Dom, 21 21America/Sao_Paulo Março 21America/Sao_Paulo 2021 - 11:11 am
Fernando Silva escreveu:
JungF escreveu:
Dom, 21 21America/Sao_Paulo Março 21America/Sao_Paulo 2021 - 03:55 am
O Capitalismo fez emergir uma "elite ostentação", que a par dos benefícios do progresso também despertou o desejo do consumo, a cobiça por bens, antes apenas imaginados ou vistos nas telas de cinema.
Os jovens, estudantes ou operários, buscaram na droga e na marginalidade meios de se fazerem ouvir.
As camadas inferiores da sociedade se revoltava.

Restou-nos o passadismo.
Você pode citar alguma época em que não houve ostentação da elite, cobiça por bens, droga e marginalidade ou revoltas?

Pelo contrário, ao mudar a ênfase para o quanto de dinheiro uma pessoa tem e não em que classe social ela nasceu, permitiu que as portas se abrissem para muita gente que vem lá de baixo. Na Idade Média, por exemplo, nobre nascia e morria nobre, servo nascia e morria servo, escravo era escravo a vida toda.

O preconceito de milênios não vai desaparecer em poucas gerações, mas muita coisa já mudou.
Simples, meu caro Fernando. Vamos citar o exemplo da idade média, lembrado por você:
O Rei, era um só, e mesmo os nobres da corte passavam necessidades. Distinguiam-se por privilégios e um sistema que penalizava os demais, uma justiça feita a favor deles.
Tinham escravos ou servos mas sofriam com pulgas, verminoses, falta de higiene, alimentação farta mas sem qualidade e por isso, não raro, morriam cedo e dolorosamente.
A fortuna e os verdadeiramente ricos, aos moldes atuais, não eram tantos em relação à população.

Se você entendeu que eu criticava o capitalismo entendeu mal. Apenas explicava a razão pela qual o desejo de consumo trouxe à tona anseios até então ignorados ou não tão valorizados.
Como se reis não pudessem ter verminoses.
Viveram numa época onde médicos ainda não sabiam que precisavam lavar as mãos antes de fazer um parto e que ratos podiam ser criados a partir de roupas suadas num monte de feno...
Logo, não me parece que "problemas de pequena nobreza" que exemplificou sejam devido a ter menos posses e poder em relação ao monarca.
Qualquer baronete e visconde daquela época vivia muito melhor que um joão-ninguem do campo. Escravo então, nem se fala.

E esquece que a população aumentou daquela época para cá (isso inclui não só ricos, mas pobres tambem).
Portanto, não dá para dizer sem recurso a números que a proporção de um grupo aumentou em relação ao outro grupo.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

JungF escreveu:
Dom, 21 21America/Sao_Paulo Março 21America/Sao_Paulo 2021 - 11:11 am
Fernando Silva escreveu: Você pode citar alguma época em que não houve ostentação da elite, cobiça por bens, droga e marginalidade ou revoltas?
Simples, meu caro Fernando. Vamos citar o exemplo da idade média, lembrado por você:
O Rei, era um só, e mesmo os nobres da corte passavam necessidades. Distinguiam-se por privilégios e um sistema que penalizava os demais, uma justiça feita a favor deles.
Tinham escravos ou servos mas sofriam com pulgas, verminoses, falta de higiene, alimentação farta mas sem qualidade e por isso, não raro, morriam cedo e dolorosamente.
A fortuna e os verdadeiramente ricos, aos moldes atuais, não eram tantos em relação à população.

Se você entendeu que eu criticava o capitalismo entendeu mal. Apenas explicava a razão pela qual o desejo de consumo trouxe à tona anseios até então ignorados ou não tão valorizados.
Não entendi sua resposta.

Desejo de consumo sempre houve, desejo de se sentir superior aos outros, também.

Hoje há muito mais coisas para se desejar, mas as pessoas não mudaram.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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JungF
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Mensagem por JungF »

Fernando Silva escreveu:
JungF escreveu:
Fernando Silva escreveu: Você pode citar alguma época em que não houve ostentação da elite, cobiça por bens, droga e marginalidade ou revoltas?
Simples, meu caro Fernando. Vamos citar o exemplo da idade média, lembrado por você:
O Rei, era um só, e mesmo os nobres da corte passavam necessidades. Distinguiam-se por privilégios e um sistema que penalizava os demais, uma justiça feita a favor deles.
Tinham escravos ou servos mas sofriam com pulgas, verminoses, falta de higiene, alimentação farta mas sem qualidade e por isso, não raro, morriam cedo e dolorosamente.
A fortuna e os verdadeiramente ricos, aos moldes atuais, não eram tantos em relação à população.

Se você entendeu que eu criticava o capitalismo entendeu mal. Apenas explicava a razão pela qual o desejo de consumo trouxe à tona anseios até então ignorados ou não tão valorizados.
Não entendi sua resposta.

Desejo de consumo sempre houve, desejo de se sentir superior aos outros, também.

Hoje há muito mais coisas para se desejar, mas as pessoas não mudaram.
Fernando Silva escreveu: Hoje há muito mais coisas para se desejar, mas as pessoas não mudaram.

Exatamente! Mais coisas para se desejar, maior a cobiça e maior a frustração. Desaparece a memória afetiva que dá lugar à mágoa e revolta. Elementos suficientes para induzir mentes instáveis à marginalidade.
Quem assistiu à série Mad Man teve a oportunidade de observar técnicas de marketing explorando a psicologia do consumo.
Nem sempre se compra um carro novo porque o seu não mais atende, mas porque seu vizinho morrerá de inveja ante a sua aquisição.
Ele então não medirá esforços para trocar seu carro velho.
Claro que nem todas as pessoas, abastadas ou não, pautam suas ações movidas pela inveja, mas os fabricantes jogam com a imaturidade dos demais. As dívidas assumidas podem ter consequências graves.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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JungF
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Mensagem por JungF »

fenrir escreveu:
JungF escreveu:
Fernando Silva escreveu:
JungF escreveu:
Dom, 21 21America/Sao_Paulo Março 21America/Sao_Paulo 2021 - 03:55 am
O Capitalismo fez emergir uma "elite ostentação", que a par dos benefícios do progresso também despertou o desejo do consumo, a cobiça por bens, antes apenas imaginados ou vistos nas telas de cinema.
Os jovens, estudantes ou operários, buscaram na droga e na marginalidade meios de se fazerem ouvir.
As camadas inferiores da sociedade se revoltava.

Restou-nos o passadismo.
Você pode citar alguma época em que não houve ostentação da elite, cobiça por bens, droga e marginalidade ou revoltas?

Pelo contrário, ao mudar a ênfase para o quanto de dinheiro uma pessoa tem e não em que classe social ela nasceu, permitiu que as portas se abrissem para muita gente que vem lá de baixo. Na Idade Média, por exemplo, nobre nascia e morria nobre, servo nascia e morria servo, escravo era escravo a vida toda.

O preconceito de milênios não vai desaparecer em poucas gerações, mas muita coisa já mudou.
Simples, meu caro Fernando. Vamos citar o exemplo da idade média, lembrado por você:
O Rei, era um só, e mesmo os nobres da corte passavam necessidades. Distinguiam-se por privilégios e um sistema que penalizava os demais, uma justiça feita a favor deles.
Tinham escravos ou servos mas sofriam com pulgas, verminoses, falta de higiene, alimentação farta mas sem qualidade e por isso, não raro, morriam cedo e dolorosamente.
A fortuna e os verdadeiramente ricos, aos moldes atuais, não eram tantos em relação à população.

Se você entendeu que eu criticava o capitalismo entendeu mal. Apenas explicava a razão pela qual o desejo de consumo trouxe à tona anseios até então ignorados ou não tão valorizados.
Como se reis não pudessem ter verminoses.
Viveram numa época onde médicos ainda não sabiam que precisavam lavar as mãos antes de fazer um parto e que ratos podiam ser criados a partir de roupas suadas num monte de feno...
Logo, não me parece que "problemas de pequena nobreza" que exemplificou sejam devido a ter menos posses e poder em relação ao monarca.
Qualquer baronete e visconde daquela época vivia muito melhor que um joão-ninguem do campo. Escravo então, nem se fala.

E esquece que a população aumentou daquela época para cá (isso inclui não só ricos, mas pobres tambem).
Portanto, não dá para dizer sem recurso a números que a proporção de um grupo aumentou em relação ao outro grupo.
O fato de o rei ser um só ilustrava o que eu dizia sobre a pobreza na idade média, em que até os reis sofriam de uma carência que somente a modernidade trazida pelo capitalismo pôde proporcionar. Nada lhes adiantava os servos e os bajuladores da corte... ele tinha apenas o poder e a coroa.

A memória afetiva não abarcava a idade das trevas.
Hoje há espaço para ela, pois recordamos a singeleza dos campos, a simplicidade das pessoas, os respeitáveis costumes de uma classe média digna, e com forte senso de civismo. Passadismo.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Gigaview
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Mensagem por Gigaview »

Hoje há espaço para ela, pois recordamos a singeleza dos campos, a simplicidade das pessoas, os respeitáveis costumes de uma classe média digna, e com forte senso de civismo. Passadismo.
:violin:

Muita gente "aprende" história assistindo filmes. Hollywood forma opiniões.

------
O pensamento crítico não é ofensa, mas direito protegido constitucionalmente pela liberdade de expressão.

"Quod gratis asseritur, gratis negatur" ("o que é livremente afirmado é livremente negado")

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Agnoscetico
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Mensagem por Agnoscetico »

Spoiler:
JungF escreveu:
Seg, 22 22America/Sao_Paulo Março 22America/Sao_Paulo 2021 - 16:50 pm
fenrir escreveu:
JungF escreveu:
Fernando Silva escreveu:
JungF escreveu:
Dom, 21 21America/Sao_Paulo Março 21America/Sao_Paulo 2021 - 03:55 am
O Capitalismo fez emergir uma "elite ostentação", que a par dos benefícios do progresso também despertou o desejo do consumo, a cobiça por bens, antes apenas imaginados ou vistos nas telas de cinema.
Os jovens, estudantes ou operários, buscaram na droga e na marginalidade meios de se fazerem ouvir.
As camadas inferiores da sociedade se revoltava.

Restou-nos o passadismo.
Você pode citar alguma época em que não houve ostentação da elite, cobiça por bens, droga e marginalidade ou revoltas?

Pelo contrário, ao mudar a ênfase para o quanto de dinheiro uma pessoa tem e não em que classe social ela nasceu, permitiu que as portas se abrissem para muita gente que vem lá de baixo. Na Idade Média, por exemplo, nobre nascia e morria nobre, servo nascia e morria servo, escravo era escravo a vida toda.

O preconceito de milênios não vai desaparecer em poucas gerações, mas muita coisa já mudou.
Simples, meu caro Fernando. Vamos citar o exemplo da idade média, lembrado por você:
O Rei, era um só, e mesmo os nobres da corte passavam necessidades. Distinguiam-se por privilégios e um sistema que penalizava os demais, uma justiça feita a favor deles.
Tinham escravos ou servos mas sofriam com pulgas, verminoses, falta de higiene, alimentação farta mas sem qualidade e por isso, não raro, morriam cedo e dolorosamente.
A fortuna e os verdadeiramente ricos, aos moldes atuais, não eram tantos em relação à população.

Se você entendeu que eu criticava o capitalismo entendeu mal. Apenas explicava a razão pela qual o desejo de consumo trouxe à tona anseios até então ignorados ou não tão valorizados.
Como se reis não pudessem ter verminoses.
Viveram numa época onde médicos ainda não sabiam que precisavam lavar as mãos antes de fazer um parto e que ratos podiam ser criados a partir de roupas suadas num monte de feno...
Logo, não me parece que "problemas de pequena nobreza" que exemplificou sejam devido a ter menos posses e poder em relação ao monarca.
Qualquer baronete e visconde daquela época vivia muito melhor que um joão-ninguem do campo. Escravo então, nem se fala.

E esquece que a população aumentou daquela época para cá (isso inclui não só ricos, mas pobres tambem).
Portanto, não dá para dizer sem recurso a números que a proporção de um grupo aumentou em relação ao outro grupo.
O fato de o rei ser um só ilustrava o que eu dizia sobre a pobreza na idade média, em que até os reis sofriam de uma carência que somente a modernidade trazida pelo capitalismo pôde proporcionar. Nada lhes adiantava os servos e os bajuladores da corte... ele tinha apenas o poder e a coroa.

A memória afetiva não abarcava a idade das trevas.
Hoje há espaço para ela, pois recordamos a singeleza dos campos, a simplicidade das pessoas, os respeitáveis costumes de uma classe média digna, e com forte senso de civismo. Passadismo.
A estórias de carochinha, o Trovadorismo (com exaltação do cavaleiro medieval como os contos dos Cavaleirros da Távola redonda), etc, era um exemplo da exaltação do passado. E na Idade Média se idealizava a era onde Jesus teria vivido e a grandeza do Império Romano. Dom Quixote foi uma crítica a essa visão idealizada sobre a era da cavalaria.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

fenrir
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Gigaview escreveu:
Seg, 22 22America/Sao_Paulo Março 22America/Sao_Paulo 2021 - 23:25 pm
Hoje há espaço para ela, pois recordamos a singeleza dos campos, a simplicidade das pessoas, os respeitáveis costumes de uma classe média digna, e com forte senso de civismo. Passadismo.
:violin:

Muita gente "aprende" história assistindo filmes. Hollywood forma opiniões.
Recordamos a singeleza de corpos apodrecendo nos campos após uma peste e/ou raid qualquer
a simplicidade das pessoas julgando casos de possessão demoníaca
os respeitáveis costumes de uma classe média inexistente e um senso de civismo firme que nem prego no angu.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

JungF escreveu:
Seg, 22 22America/Sao_Paulo Março 22America/Sao_Paulo 2021 - 16:50 pm
Hoje há espaço para ela, pois recordamos a singeleza dos campos, a simplicidade das pessoas, os respeitáveis costumes de uma classe média digna, e com forte senso de civismo. Passadismo.
O passado foi sujo e violento. Pessoas analfabetas, rudes, embrutecidas, trabalhando duro nos campos tentando não morrer de fome.
Sujeitas a todo tipo de violência por parte dos nobres, até mesmo por diversão, por serem consideradas de natureza inferior.

Epidemias devastadoras que se espalhavam rapidamente devido à imundície das cidades, onde o esgoto corria a céu aberto e o lixo era jogado nas ruas.
Com ou sem epidemias, a medicina era primitiva e era normal não passar dos 30 anos (há 100 anos, essa era a média de vida no Brasil).
As famílias tinham 15 filhos ou mais na esperança de que alguns sobrevivessem (ainda era assim na época das minhas bisavós).

E essas famílias enormes e seus agregados dormiam amontoados para se aquecer uns aos outros. As crianças não precisavam de educação sexual, já que era tudo explícito e escancarado. As pessoas comiam com as mãos (sujas) e manuais de boas maneiras da época recomendavam coisas como não cuspir a comida de volta na mesa. Tomar banho era uma frescura pecaminosa.

Guerras a toda hora em que os derrotados eram queimados vivos em suas cidades.

Você acha que "Game of Thrones" era exageradamente cruel? Nada disso. A série é uma boa descrição do que foi a Europa. Ela se inspirou na Guerra das Rosas inglesa, mas a Guerra dos 30 Anos na Alemanha (1618-1648) foi daquele jeito e matou metade da população.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

fenrir
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Mensagem por fenrir »

Fernando Silva escreveu:
Ter, 23 23America/Sao_Paulo Março 23America/Sao_Paulo 2021 - 07:55 am
JungF escreveu:
Seg, 22 22America/Sao_Paulo Março 22America/Sao_Paulo 2021 - 16:50 pm
Hoje há espaço para ela, pois recordamos a singeleza dos campos, a simplicidade das pessoas, os respeitáveis costumes de uma classe média digna, e com forte senso de civismo. Passadismo.
O passado foi sujo e violento. Pessoas analfabetas, rudes, embrutecidas, trabalhando duro nos campos tentando não morrer de fome.
Sujeitas a todo tipo de violência por parte dos nobres, até mesmo por diversão, por serem consideradas de natureza inferior.

Epidemias devastadoras que se espalhavam rapidamente devido à imundície das cidades, onde o esgoto corria a céu aberto e o lixo era jogado nas ruas.
Com ou sem epidemias, a medicina era primitiva e era normal não passar dos 30 anos (há 100 anos, essa era a média de vida no Brasil).
As famílias tinham 15 filhos ou mais na esperança de que alguns sobrevivessem (ainda era assim na época das minhas bisavós).

E essas famílias enormes e seus agregados dormiam amontoados para se aquecer uns aos outros. As crianças não precisavam de educação sexual, já que era tudo explícito e escancarado. As pessoas comiam com as mãos (sujas) e manuais de boas maneiras da época recomendavam coisas como não cuspir a comida de volta na mesa. Tomar banho era uma frescura pecaminosa.

Guerras a toda hora em que os derrotados eram queimados vivos em suas cidades.

Você acha que "Game of Thrones" era exageradamente cruel? Nada disso. A série é uma boa descrição do que foi a Europa. Ela se inspirou na Guerra das Rosas inglesa, mas a Guerra dos 30 Anos na Alemanha (1618-1648) foi daquele jeito e matou metade da população.
E a criatividade nos métodos de tortura? Sabem de onde veio o nome da banda Iron Maiden?
E as "bruxas" queimadas na fogueira?
E tenho dó das cidades que estiveram no caminho de raids e ataques de Vikings, Hunos, Mongois, dentre outros.
Acho que foi bem um GoT mesmo, tirando dragões, magia e white walkers.

E para fechar não haviam dentistas, nem oculistas e anestesia devia ser uísque.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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JungF
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Mensagem por JungF »

Como é mesmo o nome daquela disfunção pela qual se lê alguma coisa e não se consegue interpretar conforme a proposta?

Por favor, leiam a proposta do tópico.

Feito isto, não é necessário se desculparem.

Basta o mico... Todos se juntaram, defendendo a pp obtusidade.kkkkkkk

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

JungF escreveu:
Ter, 23 23America/Sao_Paulo Março 23America/Sao_Paulo 2021 - 09:48 am
Como é mesmo o nome daquela disfunção pela qual se lê alguma coisa e não se consegue interpretar conforme a proposta?

Por favor, leiam a proposta do tópico.

Feito isto, não é necessário se desculparem.

Basta o mico... Todos se juntaram, defendendo a pp obtusidade.kkkkkkk
Proposta do tópico: "Passado amenizado ou idealizado".

Você está "se lembrando" de um passado onde as pessoas eram simples, honestas e felizes.

Nós mostramos que suas "memórias" são falsas.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

fenrir escreveu:
Ter, 23 23America/Sao_Paulo Março 23America/Sao_Paulo 2021 - 09:37 am
E a criatividade nos métodos de tortura? Sabem de onde veio o nome da banda Iron Maiden?
E as "bruxas" queimadas na fogueira?
E tenho dó das cidades que estiveram no caminho de raids e ataques de Vikings, Hunos, Mongois, dentre outros.
Acho que foi bem um GoT mesmo, tirando dragões, magia e white walkers.

E para fechar não haviam dentistas, nem oculistas e anestesia devia ser uísque.
Consta que "iron maiden" é uma ficção e não teria realmente existido na Idade Média.
Mas o resto está valendo.
Aliás, não só "bruxas", mas também judeus e hereges foram torturados e queimados nos "Autos da Fé".

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Mensagem por JungF »

Fernando Silva escreveu:
JungF escreveu: Como é mesmo o nome daquela disfunção pela qual se lê alguma coisa e não se consegue interpretar conforme a proposta?

Por favor, leiam a proposta do tópico.

Feito isto, não é necessário se desculparem.

Basta o mico... Todos se juntaram, defendendo a pp obtusidade.kkkkkkk
Proposta do tópico: "Passado amenizado ou idealizado".

Você está "se lembrando" de um passado onde as pessoas eram simples, honestas e felizes.

Nós mostramos que suas "memórias" são falsas.
Não. O texto também faz menção a um passado que existiu e não era uma ficção idealizada por mentes dominadas pela auto ilusão. Dá-nos a chance de comparar uma notável realidade passada com algo que concomitantemente era perverso, mesmo que involuntário.

Seria estúpido ignorar as guerras, as epidemias, a miséria que sempre acompanharam nossa história.
Mas o que o texto trouxe, e talvez nem fosse a intenção do autor, foi que para muitos, algo existira, belo e real e que valia a pena disto se lembrar, em vez de apenas nos entregarmos às memórias que envileceram as ações humanas sobre a terra.

É por isto que a natureza humana tem aspectos inescrutáveis.

Sempre haverá os que, sem nenhuma utilidade prática, estão a contemplar aquelas mesmas tragédias que deveriam apenas servir como lição, e no entanto reviram a carniça enchendo os pulmões com o ar da pestilência exposta.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

fenrir
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Mensagem por fenrir »

Fernando Silva escreveu:
Qua, 24 24America/Sao_Paulo Março 24America/Sao_Paulo 2021 - 10:31 am
fenrir escreveu:
Ter, 23 23America/Sao_Paulo Março 23America/Sao_Paulo 2021 - 09:37 am
E a criatividade nos métodos de tortura? Sabem de onde veio o nome da banda Iron Maiden?
E as "bruxas" queimadas na fogueira?
E tenho dó das cidades que estiveram no caminho de raids e ataques de Vikings, Hunos, Mongois, dentre outros.
Acho que foi bem um GoT mesmo, tirando dragões, magia e white walkers.

E para fechar não haviam dentistas, nem oculistas e anestesia devia ser uísque.
Consta que "iron maiden" é uma ficção e não teria realmente existido na Idade Média.
Mas o resto está valendo.
Aliás, não só "bruxas", mas também judeus e hereges foram torturados e queimados nos "Autos da Fé".
Pois então? eram todos tidos por "bruxas(os)" e executados sobre este pretexto.
Judeus, hereges (provavelmente protestantes tambem), viuvas sem filhos e com bens, qualquer desafeto da igreja ou de alguem poderoso e com conexões - eis as bruxas da inquisição.
Bem de vez em quando aparecia alguem ruim no meio, como o serial killer/pedófilo Gilles de Rais, o infame "barba azul" (se a acusação procede ou não eu não sei).
Teve até um caso que começou numa vingança por amor não correpondido de Jeanne des Anges, desprezada por Urbain Grandier.
Este último foi acusado de assinar um pacto satânico com ninguem menos que o diabo e outros demonios de 2o escalão, com direito a assinaturas.

Suponho que, naquela época e lugar, correriam para a fogueira com qualquer cético/ateu que incorresse na burrice de lançar suas opiniões aos quatro ventos.
Tambem imagino que qualquer tipo de "misfit": gente tida como feia, estranha, desajustada tambem estaria a um passo do fogo.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

Tutu
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Mensagem por Tutu »

Hoje tem medicina e smartphone, mas algumas áreas da sociedade pioraram.

Quando vejo vídeos da década de 60 do RJ, mesmo sem ter vivido a época, sou obrigado a concordar que a cidade era mais bonita e limpa. Tinha muito menos favelas e violência e nem tinha "funk". Ocorreu então o processo de urbanização e explosão demográfica e a cidade cresceu de forma descontrolada e sem planejamento urbano. O trânsito tem ficado a cada dia mais lento.

Um comentário do vídeo no Youtube percebeu que as pessoas eram mais magras. Isso mostra que o sedentarismo aumentou e academia não é algo que a maioria das pessoas gosta. Possivelmente a alimentação de quem não passava fome piorou, mas ainda assim a alimentação no Brasil é muito melhor do que a nos EUA.

Noutro comentário discutiram se as mulheres da época eram mais bonitas. A conclusão que tiro é que as antigas eram mais bonitas considerando a beleza natural, mas as de hoje parecem mais bonitas por causa de maquiagem, salão de beleza e a infinidade de produtos que existem hoje. Por isso hoje é comum ouvir: Nunca me deitei com uma mulher feia, mas acordei com várias.

Hoje existe avanços na ciência, mas o cidadão não se tornou mais inteligente. As pessoas não tinham acesso a conhecimento científico, mas hoje têm mas preferem fake news. Antes as pessoas eram mais religiosas, mas hoje tendem a acreditar mais em teoria das conspiração e ideologias. E parece que as ideologias substituíram o papel da religião e produzem o mesmo efeito nelas.

Vários conceitos morais de certo/errado da época eram diferentes de hoje, mas não significa que os de hoje sejam mais evoluídos. São opiniões diferentes. Por isso prefiro sempre avaliar de forma universal que independe da época. O que é a moral?

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Cinzu
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Mensagem por Cinzu »

O famoso "saudosismo".

Em parte isso é um efeito psicológico dos mais velhos em terem nostalgia de sua juventude.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Gigaview
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Mensagem por Gigaview »

Tutu escreveu:
Sex, 02 02America/Sao_Paulo Abril 02America/Sao_Paulo 2021 - 15:09 pm
Hoje tem medicina e smartphone, mas algumas áreas da sociedade pioraram.

Quando vejo vídeos da década de 60 do RJ, mesmo sem ter vivido a época, sou obrigado a concordar que a cidade era mais bonita e limpa.
Sim, o que aparece no vídeo, mas nos arredores existiam ruas sem asfalto e sem saneamento básico, cheias de buracos, muita lama e esgoto a céu aberto. A memória afetiva de um morador de subúrbio certamente não concorda com a memória afetiva de um morador de Botafogo dessa época.
Tinha muito menos favelas e violência e nem tinha "funk".
...mas também tinha menos população em geral.
Ocorreu então o processo de urbanização e explosão demográfica e a cidade cresceu de forma descontrolada e sem planejamento urbano. O trânsito tem ficado a cada dia mais lento.
Sem dúvida, mas no passado as pessoas também tinham menos lugares para ir.
Um comentário do vídeo no Youtube percebeu que as pessoas eram mais magras.
Saudosismo de uma época em que as pessoas não comiam besteiras engordativas porque não havia besteiras engordativas para comer na quantidade que existem hoje?
Isso mostra que o sedentarismo aumentou e academia não é algo que a maioria das pessoas gosta. Possivelmente a alimentação de quem não passava fome piorou, mas ainda assim a alimentação no Brasil é muito melhor do que a nos EUA.
Concordo, mas o conceito de academia/malhação é uma invenção recente. Até a década de 70 as academias eram para halterofilistas, muitas vezes cercadas de preconceitos.
Noutro comentário discutiram se as mulheres da época eram mais bonitas. A conclusão que tiro é que as antigas eram mais bonitas considerando a beleza natural, mas as de hoje parecem mais bonitas por causa de maquiagem, salão de beleza e a infinidade de produtos que existem hoje. Por isso hoje é comum ouvir: Nunca me deitei com uma mulher feia, mas acordei com várias.
O conceito de beleza muda o tempo todo. A modelo Twiggy e Brigite Bardot eram o ideal de beleza nos anos 60 - magras como palitos. Parecia que a humanidade estava se esquecendo dos seios de Sophia Loren.
Hoje existe avanços na ciência, mas o cidadão não se tornou mais inteligente.
Concordo, mas atualmente o cidadão é obrigado a usar sua inteligência o tempo todo, coisa que não acontecia no ambiente bucólico do passado.
As pessoas não tinham acesso a conhecimento científico, mas hoje têm mas preferem fake news.
Não tinham acesso porque não existia acesso. Um livro importado recém lançado no exterior demorava 4 ou 5 meses para chegar aqui até a década de 80. As fake news decorrem da facilidade de comunicação, do excesso e da incapacidade de se filtrar essa informação. Não acho que seja preferência por fake news, mas absorção de informações sem juízo crítico.
Antes as pessoas eram mais religiosas, mas hoje tendem a acreditar mais em teoria das conspiração e ideologias. E parece que as ideologias substituíram o papel da religião e produzem o mesmo efeito nelas.
Acho que as pessoas continuam tão religiosas quanto antes, mas aumentou o leque de opções com alternativas que competem com as religiões como essas ideologias, conspirações, cultos modernos, etc.
Vários conceitos morais de certo/errado da época eram diferentes de hoje, mas não significa que os de hoje sejam mais evoluídos. São opiniões diferentes. Por isso prefiro sempre avaliar de forma universal que independe da época. O que é a moral?
Moral é um conjunto de valores que impõe regras de convívio e deve ser estudada de acordo com o contexto histórico/cultural de cada época por isso é difícil fazer comparações. A moral também é dinâmica apesar das mudanças serem sutis demais para serem observadas ao longo de algumas gerações.

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O pensamento crítico não é ofensa, mas direito protegido constitucionalmente pela liberdade de expressão.

"Quod gratis asseritur, gratis negatur" ("o que é livremente afirmado é livremente negado")

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

Tutu
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Mensagem por Tutu »

Gigaview escreveu:
Sex, 02 02America/Sao_Paulo Abril 02America/Sao_Paulo 2021 - 19:16 pm
Quando vejo vídeos da década de 60 do RJ, mesmo sem ter vivido a época, sou obrigado a concordar que a cidade era mais bonita e limpa.
Sim, o que aparece no vídeo, mas nos arredores existiam ruas sem asfalto e sem saneamento básico, cheias de buracos, muita lama e esgoto a céu aberto. A memória afetiva de um morador de subúrbio certamente não concorda com a memória afetiva de um morador de Botafogo dessa época.
Pois é. Acho que as pessoas só registram o que é agradável e deseja recordar. Quem divulga uma cidade não vai querer mostrar lama e esgoto. Numa época em que foto e vídeo era difícil, registrar coisas feia era desperdício de recursos.

Isso parece ocorrer em história em geral. Quando estudam a cultura e sociedade de séculos atrás, parece que o foco é só na elite alfabetizada, que representava menos de 10% da população. Estudar festas, músicas e danças populares antigas, para saber a origem, é mais difícil ainda por causa da falta de registros históricos.

Concordo, mas o conceito de academia/malhação é uma invenção recente. Até a década de 70 as academias eram para halterofilistas, muitas vezes cercadas de preconceitos.
Na época, as pessoas tinham que fazer mais esforço físico no cotidiano normal. Andavam mais a pé, não tinha comércio eletrônico. Isso economiza muito tempo, mas acabam não tendo atividades que demandam esforço físico. Academia e caminhada são vistas como inúteis no curto prazo.

Conheço jovens que chamam Uber para andar somente 800 metros ou usam elevador para subir do primeiro ao quarto andar (elevador lento, porque chego ao quarto antes delas).



Também percebo que as relações ficaram mais rasas. Antigamente, o povo usava cartas e era difícil fazer um telefone por não ter aparelho em casa. Então, as cartas e telefonemas eram valorizados. Hoje com a facilidade de enviar mensagem, as pessoas recebem muita mensagem, não tem paciência com texto grande e tem preguiça de chamada de voz. Por se sentirem mais próximas, acabaram diminuindo os encontros presenciais.

Gigaview escreveu:
Sex, 02 02America/Sao_Paulo Abril 02America/Sao_Paulo 2021 - 19:16 pm
Acho que as pessoas continuam tão religiosas quanto antes, mas aumentou o leque de opções com alternativas que competem com as religiões como essas ideologias, conspirações, cultos modernos, etc.
Hoje parece que a pessoas são deístas (dizem: "creio em 'Deus', mas não tenho religião"), que na prática não segue religião. No século passado, dizer que é ateu era mal visto.

Antigamente a maior parte da população morava em cidades pequenos ou áreas rurais e a igreja funcionava como um ponto de encontro, além de promover festivais locais. Com a urbanização, passaram a ter mais opções do que fazer.

O que aumentou foi o número de evangélicos e eles são mais fanáticos. Parece que isso passa a impressão de que a religiosidade da população geral continua a mesma, apesar do número de religiosos estar diminuindo.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Tutu escreveu:
Sex, 02 02America/Sao_Paulo Abril 02America/Sao_Paulo 2021 - 15:09 pm
Quando vejo vídeos da década de 60 do RJ, mesmo sem ter vivido a época, sou obrigado a concordar que a cidade era mais bonita e limpa. Tinha muito menos favelas e violência e nem tinha "funk". Ocorreu então o processo de urbanização e explosão demográfica e a cidade cresceu de forma descontrolada e sem planejamento urbano. O trânsito tem ficado a cada dia mais lento.
Morei a vida todo no mesmo bairro. Posso dizer que havia mais segurança no passado (pelo menos nos bairros de classe média), mas também havia menos gente e as favelas eram menores.
Por outro lado, as ruas eram esburacadas e havia terrenos baldios que viravam depósitos de lixo fedorentos. E isto num bairro de classe média / média alta, o que seria impensável hoje.

O que se vê nos vídeos antigos é uma coisa seletiva onde só aparecem os bairros ricos e turísticos (e só a parte bonita). Os subúrbios feios e pobres não são mostrados. Mas há muitas fotos tiradas por repórteres de jornais mostrando ruas esburacadas, cheias de mato e entulho de obras inacabadas.
Tutu escreveu:
Sex, 02 02America/Sao_Paulo Abril 02America/Sao_Paulo 2021 - 15:09 pm
Um comentário do vídeo no Youtube percebeu que as pessoas eram mais magras. Isso mostra que o sedentarismo aumentou e academia não é algo que a maioria das pessoas gosta. Possivelmente a alimentação de quem não passava fome piorou, mas ainda assim a alimentação no Brasil é muito melhor do que a nos EUA.
As pessoas morriam cedo. Há um século, a expectativa de vida no Brasil era de 30 anos. Havia muitos jovens e os poucos idosos ficavam em casa, cheios de problemas. A alimentação podia ser mais saudável, mas apenas por falta de opção, já que não havia a preocupação e a consciência atuais de que é preciso cuidar da saúde. Ou os conhecimentos para tal. Fumava-se muito (e se morria disto).
Tutu escreveu:
Sex, 02 02America/Sao_Paulo Abril 02America/Sao_Paulo 2021 - 15:09 pm
Noutro comentário discutiram se as mulheres da época eram mais bonitas. A conclusão que tiro é que as antigas eram mais bonitas considerando a beleza natural, mas as de hoje parecem mais bonitas por causa de maquiagem, salão de beleza e a infinidade de produtos que existem hoje. Por isso hoje é comum ouvir: Nunca me deitei com uma mulher feia, mas acordei com várias.
A impressão que tenho é que as de hoje, na média, são mais bonitas. E ficam bonitas por mais tempo. Antigamente, aos 40 anos, já estavam acabadas.
Quando olho fotos de concursos de beleza do passado, não vejo nada de interessante.
Tutu escreveu:
Sex, 02 02America/Sao_Paulo Abril 02America/Sao_Paulo 2021 - 15:09 pm
Hoje existe avanços na ciência, mas o cidadão não se tornou mais inteligente. As pessoas não tinham acesso a conhecimento científico, mas hoje têm mas preferem fake news. Antes as pessoas eram mais religiosas, mas hoje tendem a acreditar mais em teoria das conspiração e ideologias. E parece que as ideologias substituíram o papel da religião e produzem o mesmo efeito nelas.
Fake news sempre existiram, mas a divulgação era mais lenta por falta de Internet. Por outro lado, eram fake news mais duradouras porque não havia como pesquisar a verdade.
Quando só havia o catolicismo e o espiritismo e as religiões de origem africana eram toleradas, havia menos fanatismo. O que havia era uma maior repressão às coisas consideradas imorais e que hoje são escancaradas.
Quando eu era criança, todo mundo era católico por definição, até mesmo pais de santo e similares, por isto não havia conflito entre igrejas.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Agnoscetico
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Mensagem por Agnoscetico »

As pessoas não tinham acesso a conhecimento científico, mas hoje têm mas preferem fake news.
Fake news sempre houve. Tinha nomes como senso-comum, calúnia, difamação, lendas urbanas, e até o hoax, etc. Hoje deram nome esse termo de fake news.
Também percebo que as relações ficaram mais rasas. Antigamente, o povo usava cartas e era difícil fazer um telefone por não ter aparelho em casa. Então, as cartas e telefonemas eram valorizados. Hoje com a facilidade de enviar mensagem, as pessoas recebem muita mensagem, não tem paciência com texto grande e tem preguiça de chamada de voz. Por se sentirem mais próximas, acabaram diminuindo os encontros presenciais.
Mandar mensagens por cartas tinha mais limitação de espaço que mandar por email, etc, por isso as mensagens tinham que ser mais curtas e direto ao ponto. Com capacidade maior e mais facilidade de enviar mensagens, a tendência é as pessoas escreverem mais sem preocupação de serem mais econômicas e verborragicas como costumam de forma presencial.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

fenrir
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Mensagem por fenrir »

Agnoscetico escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 10:06 am
Fake news sempre houve. Tinha nomes como senso-comum, calúnia, difamação, lendas urbanas, e até o hoax, etc. Hoje deram nome esse termo de fake news.

...
Em épocas bem recuadas eram conhecidas tambem por "libelo" (do inglês "libel")
Eis exemplos bem antigos:

Libelo de sangue (alvo: Judeus) - https://en.wikipedia.org/wiki/Blood_libel
Fraude de Taxil (alvo: Maçonaria e oposição da igreja católica a mesma)- https://en.wikipedia.org/wiki/Taxil_hoax
Possessão das Freiras de Loudun (alvo: Urbain Grandier)- https://en.wikipedia.org/wiki/Loudun_possessions

E dois hoaxes:

Doação de constantino - https://en.wikipedia.org/wiki/Donation_of_Constantine
Os Protocolos dos Sábios de Sião - https://en.wikipedia.org/wiki/The_Proto ... rs_of_Zion

Todos relacionados com religião, de longe o tipo de terreno mais fértil para calúnia, difamação e fraudes.

Então esse tipo de coisa é antigo.
Mas a internet as tornou mais comuns e possibilitou atingir uma audiência de um tamanho alem dos delírios de qualquer difamador de outrora...
Editado pela última vez por fenrir em Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 11:54 am, em um total de 1 vez.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

Tutu
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Mensagem por Tutu »

Agnoscetico escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 10:06 am
Fake news sempre houve. Tinha nomes como senso-comum, calúnia, difamação, lendas urbanas, e até o hoax, etc. Hoje deram nome esse termo de fake news.
E também superstição e religião. :mrgreen:

Parece que é assim que surgiram as lendas de milagres, que dão origem a canonização. A ressurreição de Cristo foi uma coisa assim.

Fernando Silva escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 08:54 am
Morei a vida todo no mesmo bairro. Posso dizer que havia mais segurança no passado (pelo menos nos bairros de classe média), mas também havia menos gente e as favelas eram menores.
Há 50 anos as pessoas não precisavam trancar as portas de casa e podiam sair de noite sem medo (se a cidade tiver lampião aceso).

A violência cresceu muito na América Latina a partir da década de 1980. As causas eu não conheço, mas pode estar relacionada com o narcotráfico e pobreza. O ciclo vicioso foi se realimentando que a violência se tornou cultural.

Quando só havia o catolicismo e o espiritismo e as religiões de origem africana eram toleradas, havia menos fanatismo. O que havia era uma maior repressão às coisas consideradas imorais e que hoje são escancaradas.
O preconceito é antigo.

Antigamente falavam que espíritas incorporam o capiroto no corpo. Hoje o preconceito não existe mais, porque o espiritismo se tornou coisa de classe média a classe média alta. Os evanjegues odeiam o espiritismo, mas como eles são mais pobres, a hostilidade acaba não se manifestando.

As religiões africanas sempre sofreram preconceito e sempre foram acusados de macumba, mandinga e trabalho para o diabo. A umbanda foi criada como forma de esconder a religião atrás de uma fachada católica, chamando o orixá pai de "Deus" e usando nossa senhora para representar Yemanjá. Com o crescimento do número de evanjegues, a hostilidade se tornou mais visível. Para eles, é interessante acabar com religiões concorrentes pelo bem dos negócios.

Charlatões existem em todas as religiões. O espiritismo teve João de Deus, a umbanda tem as mães de santo que trazem a pessoa amada em três dias e os evangélicos tem pastores sonegadores.

PS: Os orixás são muito mais bacanas do que os deuses gregos. :lol:

As músicas dos protestantes americanos do século 19 eram massa. Os órgãos e corais influenciaram o rock e o soul. Hoje na modernidade, o chamado góspel brasileiro é deprimente e soa como propaganda.
Mas com os africanos ocorreu o oposto. Antigamente as músicas deles eram basicamente tambores tribais, mas com os recursos modernos, aprenderam a fazer músicas ótimas no Brasil e em Cuba.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Tutu escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 11:19 am
Fernando Silva escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 08:54 am
Quando só havia o catolicismo e o espiritismo e as religiões de origem africana eram toleradas, havia menos fanatismo. O que havia era uma maior repressão às coisas consideradas imorais e que hoje são escancaradas.
O preconceito é antigo.

Antigamente falavam que espíritas incorporam o capiroto no corpo. Hoje o preconceito não existe mais, porque o espiritismo se tornou coisa de classe média a classe média alta. Os evanjegues odeiam o espiritismo, mas como eles são mais pobres, a hostilidade acaba não se manifestando.

As religiões africanas sempre sofreram preconceito e sempre foram acusados de macumba, mandinga e trabalho para o diabo. A umbanda foi criada como forma de esconder a religião atrás de uma fachada católica, chamando o orixá pai de "Deus" e usando nossa senhora para representar Yemanjá. Com o crescimento do número de evanjegues, a hostilidade se tornou mais visível. Para eles, é interessante acabar com religiões concorrentes pelo bem dos negócios.
A minha família era puramente católica, mas a vizinhança era cheia de gente que ia à missa de manhã e ao terreiro de macumba ou centro espírita à noite.
Reuniam um monte de vizinhos para fazer novena, mas chamavam um pai-de-santo para benzer a casa.
Acompanhavam procissão, mas arriavam despacho na encruzilhada.

E não vinha nenhum crentelho para gritar que era coisa do demônio. Quem não acreditava, apenas não fazia. Achava pitoresco, apenas.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Tutu escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 11:19 am
As músicas dos protestantes americanos do século 19 eram massa. Os órgãos e corais influenciaram o rock e o soul. Hoje na modernidade, o chamado góspel brasileiro é deprimente e soa como propaganda.
O que influenciou o rock e o soul foram o gospel e os spirituals dos negros, nas igrejas dos negros.
As igrejas dos branquelos eram caretíssimas.

O que temos no Brasil é lixo. Qualquer tipo de música vira gospel aqui, até funk.
Tutu escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 11:19 am
Mas com os africanos ocorreu o oposto. Antigamente as músicas deles eram basicamente tambores tribais, mas com os recursos modernos, aprenderam a fazer músicas ótimas no Brasil e em Cuba.
Brasileiros, cubanos e outros tinham a percussão. Os negros americanos não podiam batucar e a música deles seguiu caminhos diferentes.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

Tutu
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Mensagem por Tutu »

Fernando Silva escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 16:00 pm
E não vinha nenhum crentelho para gritar que era coisa do demônio. Quem não acreditava, apenas não fazia. Achava pitoresco, apenas.
Parece que isso depende do estado ou se é região rural.
Minha família veio do interior, onde não existia nada de religião africana. Eles foram parte do fluxo migratório da década de 70. Na cidade grande, aprenderam que essas religiões são coisa do capeta.
Os negros americanos não podiam batucar e a música deles seguiu caminhos diferentes.
Sem o blues, os americanos teriam praticamente só música clássica, marcha militar e a música eclesiástica. O blues, criado pelos negros, é a base de quase toda música americana. Os pioneiros eram negros e os que faziam sucesso anos depois eram artistas brancos. Jazz, boogie-woogie, country, e rhythm & blues são filhos do blues. E o R&B deu origem ao moderno: soul, funk (o verdadeiro), disco, rock, new wave, hip hop.

Mas existe o elemento branco na mistura. A maioria dos instrumentos musicais são de origem europeia. Elvis Presley começou cantando em igreja.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

fenrir
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Mensagem por fenrir »

Tutu escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 17:43 pm
Fernando Silva escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 16:00 pm
E não vinha nenhum crentelho para gritar que era coisa do demônio. Quem não acreditava, apenas não fazia. Achava pitoresco, apenas.
Parece que isso depende do estado ou se é região rural.
Minha família veio do interior, onde não existia nada de religião africana. Eles foram parte do fluxo migratório da década de 70. Na cidade grande, aprenderam que essas religiões são coisa do capeta.
Os negros americanos não podiam batucar e a música deles seguiu caminhos diferentes.
Sem o blues, os americanos teriam praticamente só música clássica, marcha militar e a música eclesiástica. O blues, criado pelos negros, é a base de quase toda música americana. Os pioneiros eram negros e os que faziam sucesso anos depois eram artistas brancos. Jazz, boogie-woogie, country, e rhythm & blues são filhos do blues. E o R&B deu origem ao moderno: soul, funk (o verdadeiro), disco, rock, new wave, hip hop.

Mas existe o elemento branco na mistura. A maioria dos instrumentos musicais são de origem europeia. Elvis Presley começou cantando em igreja.
Parece ter começado aqui
https://rateyourmusic.com/artist/brilliant_quartette
Foi referencia mais antiga que encontrei das work songs, que deram origem ao spirituals e depois gospel e blues
Tipo o trisavô do rock e tataravô do heavy metal

Não, espera ai: Coon Song, Ragtime, Novelty, Vaudeville são gêneros que precedem o de cima em pelo menos 1 ano:
Esse cara: https://rateyourmusic.com/artist/george_w__johnson
1890 - pasme!

Tambem aqui:
https://rateyourmusic.com/genre/American+Folk+Music/

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Mensagem por Agnoscetico »

Música country seria mais de origem européia de classe baixa, assim como no Brasil teve festa junina de origem celta. (Não sei se country americano tem exatamente mesma origem que música de festa junina, mas talvez tenha algo em comum).
https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_country

(...)
As origens da música country são a música tradicional da classe trabalhadora americana, que misturava canções populares e melodias celtas e irlandesas do fiddle, baladas tradicionais inglesas, canções de cowboy e várias tradições musicais de imigrantes europeus.
(...)

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Tutu escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 17:43 pm
Fernando Silva escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 16:00 pm
E não vinha nenhum crentelho para gritar que era coisa do demônio. Quem não acreditava, apenas não fazia. Achava pitoresco, apenas.
Parece que isso depende do estado ou se é região rural.
Minha família veio do interior, onde não existia nada de religião africana. Eles foram parte do fluxo migratório da década de 70. Na cidade grande, aprenderam que essas religiões são coisa do capeta.
A infestação crentelha começou nos anos 70. Antes disto, era muito difícil encontrar um pentecostal.

E eu nunca tinha visto alguém questionar Darwin antes disso. Estudei em colégios católicos e a evolução era um fato, mais nada.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Agnoscetico escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 19:19 pm
Música country seria mais de origem européia de classe baixa, assim como no Brasil teve festa junina de origem celta. (Não sei se country americano tem exatamente mesma origem que música de festa junina, mas talvez tenha algo em comum).
Música de festa junina no Brasil vem da França. E é por isso que o MC grita: "En avant! En arrièrre! Tour!"
As mesmas raízes da música cajun da Louisiana nos EUA.

youtu.be/3SimVjf3DLE

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

fenrir
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Mensagem por fenrir »

fenrir escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 18:25 pm
Tutu escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 17:43 pm
Fernando Silva escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 16:00 pm
E não vinha nenhum crentelho para gritar que era coisa do demônio. Quem não acreditava, apenas não fazia. Achava pitoresco, apenas.
Parece que isso depende do estado ou se é região rural.
Minha família veio do interior, onde não existia nada de religião africana. Eles foram parte do fluxo migratório da década de 70. Na cidade grande, aprenderam que essas religiões são coisa do capeta.
Os negros americanos não podiam batucar e a música deles seguiu caminhos diferentes.
Sem o blues, os americanos teriam praticamente só música clássica, marcha militar e a música eclesiástica. O blues, criado pelos negros, é a base de quase toda música americana. Os pioneiros eram negros e os que faziam sucesso anos depois eram artistas brancos. Jazz, boogie-woogie, country, e rhythm & blues são filhos do blues. E o R&B deu origem ao moderno: soul, funk (o verdadeiro), disco, rock, new wave, hip hop.

Mas existe o elemento branco na mistura. A maioria dos instrumentos musicais são de origem europeia. Elvis Presley começou cantando em igreja.
Parece ter começado aqui
https://rateyourmusic.com/artist/brilliant_quartette
Foi referencia mais antiga que encontrei das work songs, que deram origem ao spirituals e depois gospel e blues
Tipo o trisavô do rock e tataravô do heavy metal

Não, espera ai: Coon Song, Ragtime, Novelty, Vaudeville são gêneros que precedem o de cima em pelo menos 1 ano:
Esse cara: https://rateyourmusic.com/artist/george_w__johnson
1890 - pasme!

Tambem aqui:
https://rateyourmusic.com/genre/American+Folk+Music/
Me ocorreu que o ano é tal porque devem ter começado a gravar nos EUA naquela época, em vinil ou seja lá que material usassem.
A primeira gravação de qualquer som foi provavelmente feita em 1860 por Édouard-Léon Scott de Martinville e
nos EUA deve ter sido em 1877 por Edison, com seu fonógrafo.
E as work songs dos escravos nos EUA remontam aos 1860s ou mesmo antes.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

Tutu
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Mensagem por Tutu »

Agnoscetico escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 19:19 pm
Música country seria mais de origem européia de classe baixa, assim como no Brasil teve festa junina de origem celta.
O próprio artigo fala da importância do blues. Sem falar que os exemplos de country que ouço é parecido com blues. O blues é diferente em cada época, porque são mais de 100 anos de história.
Agnoscetico escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 19:19 pm
(Não sei se country americano tem exatamente mesma origem que música de festa junina, mas talvez tenha algo em comum).
Tem relação nenhuma. A marcha junina veio de um tipo de polca, originada na Áustria ou Tchéquia e trazida pelos portugas. Não sei dizer se surgiu como conversão do xote (um tipo de polca quaternária) em marcha, ou se veio direto da polca.

As grandes lacunas históricas estão entre a polca europeia e as gravações de Luiz Gonzaga. Descobrir a origem de música popular é muito difícil porque não tem registros históricos disponíveis, principalmente porque na época o povo não era alfabetizado e não tinha câmera. Além disso, a extensão territorial do país é enorme e as músicas tem desenvolvimento diferente em cada região. O que tem de registro são gravações em centros urbanos.


Chegou a Hora da Fogueira - Carmen Miranda (1933): Marchinha totalmente urbana e não parece nada com música da roça. Só décadas depois que regravaram com instrumentos de forró.
https://www.youtube.com/watch?v=qWAfrZCvgaU

Forró na roça - Xerém,Tapuya e sua Tribo (1937): Uma marcha da roça, embora diferente das marchas juninas de hoje. De certa forma, é parecida com Vira e Mexe (1941) de Luiz Gonzaga.
https://www.youtube.com/watch?v=Q4o4GsVB7pY

Dança Do Macaco - Luiz Gonzaga (1945): A primeira música de Gonzaga destinada a festa junina.
https://www.youtube.com/watch?v=914gWTZLVTQ

Olha Pro Céu - Luiz Gonzaga (1951): Uma já conhecida nos dias de hoje. Daqui em diante, podemos ver como as marchas juninas evoluíram.
https://www.youtube.com/watch?v=fzjwNhhTSg0

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Gigaview
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Mensagem por Gigaview »

Vou postar aqui porque ilustra alguns pontos citados. As imagens são raras.


youtu.be/gHlRddkYdLw

------
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"Quod gratis asseritur, gratis negatur" ("o que é livremente afirmado é livremente negado")

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Agnoscetico
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Mensagem por Agnoscetico »

A violência cresceu muito na América Latina a partir da década de 1980. As causas eu não conheço, mas pode estar relacionada com o narcotráfico e pobreza. O ciclo vicioso foi se realimentando que a violência se tornou cultural.
Na verdade bem antes, eu postei vídeos sobre violência já na década de 70, e havia mais liberdade pra porte de armas, mesmo assim a criminalidade foi crescendo. Mas dependendo do lugar (se cidades grandes ou pequenas) essa criminalidade só foi se tornar corriqueira lá pra década de 90 (do fim em diante). Assalto a mão armada (com caras em moto) não era comum em muitos locais, como no interior mesmo em alguma capitais.

Tá na parte com vídeos como "Paulicéia amedrontada":

viewtopic.php?p=13682#p13682

(...)
Tutu escreveu:
Dom, 04 04America/Sao_Paulo Abril 04America/Sao_Paulo 2021 - 14:20 pm
Agnoscetico escreveu:
Sáb, 03 03America/Sao_Paulo Abril 03America/Sao_Paulo 2021 - 19:19 pm
(Não sei se country americano tem exatamente mesma origem que música de festa junina, mas talvez tenha algo em comum).
Tem relação nenhuma. A marcha junina veio de um tipo de polca, originada na Áustria ou Tchéquia e trazida pelos portugas. Não sei dizer se surgiu como conversão do xote (um tipo de polca quaternária) em marcha, ou se veio direto da polca.

As grandes lacunas históricas estão entre a polca europeia e as gravações de Luiz Gonzaga. Descobrir a origem de música popular é muito difícil porque não tem registros históricos disponíveis, principalmente porque na época o povo não era alfabetizado e não tinha câmera. Além disso, a extensão territorial do país é enorme e as músicas tem desenvolvimento diferente em cada região. O que tem de registro são gravações em centros urbanos.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Festa_junina

Festas juninas, festas dos santos populares ou celebração do meio do verão (em inglês: Midsummer) são o período centrado no solstício de verão (no hemisfério norte) e de inverno (no hemisfério sul) e, mais especificamente, nas celebrações do Norte da Europa que ocorrem entre 19 de junho e 25 de junho. As datas exatas variam entre as diferentes culturas.

A Igreja Cristã designa 24 de junho como o dia de festa em homenagem ao mártir cristão São João Batista e celebra a Véspera de São João e o Nascimento de João Batista.

Essas celebrações são particularmente importantes no Norte da Europa − Dinamarca, Estónia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Noruega e Suécia −, mas também ocorrem em grande escala na Irlanda, na Galiza, em partes do Reino Unido (especialmente na Cornualha), França, Itália, Malta, Portugal, Espanha, Ucrânia, outras partes da Europa, e em outros países como Canadá, Estados Unidos, Porto Rico, Brasil e Austrália.

[...]

Os feriados europeus relacionados às tradições e celebrações do midsommar têm origens pré-cristãs. Eles são particularmente importantes no Norte da Europa - Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia, Estônia, Letônia e Lituânia -, mas também é muito fortemente observado na Polônia, Rússia, Bielorrússia, Alemanha, Países Baixos, Irlanda, partes do Reino Unido (especialmente Cornualha), França, Itália, Malta, Portugal, Espanha, Ucrânia, outras partes da Europa e em outros lugares - como Canadá, Estados Unidos, Porto Rico e também no Hemisfério Sul (principalmente Brasil, Argentina e Austrália).

OBS: Esse tópico já ta virando "Etimologia cultural".

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Agnoscetico
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Mensagem por Agnoscetico »

Vi uns vídeos sobre período da independência da Índia, onde mostra muitos miseráveis pedindo esmola (perto disso a quantidade de pedintes do Brasil atual nas ruas, dependendo do lugar, chega ser até um paraíso). Esse é duns tipos de vídeo que não maquiam a realidade do passado:


youtu.be/YkgtAVdLWIY

Esse aqui derruba mito de muitos que achavam que homens de antigamente eram conservadores que nunca agiam de forma afeminada, etc. No Carnaval a situação era diferente, vestiam e faziam movimentos de forma afeminada (travestismo) e algumas pessoas vestiam de forma até ousada (ou quase nem vestiam) pra época. E ainda teve uns comentando, pra amenizar, coisas sem sem relação com moralidade ou progresso tipo "as pessoas eram mais magras"; mas outras tinha comentários tipo "as pessoas eram mais civilizadas, não tinha brigas" (até pq se tivesse a polícia da época deveria meter o porrete ou quando tinha não era mostrado pois isso era vídeo pra turista gringo), etc.

- Ver em 3:02 (um de vários exemplos de homens vestidos e com trejeitos afeminados).


youtu.be/Xmmel1WrXXE

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

Tutu
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Mensagem por Tutu »

Antigamente as coisas eram melhor.
Com uma coisa podemos concordar, a arquitetura e as roupas de antigamente eram muito mais bonitas.

Os edifícios antigos sofrem apenas com a falta de sistema elétrico e hidráulico, mas o estilo deles é muito mais próximo da arquitetura europeia.

E as roupas tinham muito mais personalidade e representavam a cultura regional. As roupas hoje são baratas de produzir, genéricas e muito iguais no país inteiro.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Mensagem por Agnoscetico »

Tutu escreveu:
Seg, 05 05America/Sao_Paulo Abril 05America/Sao_Paulo 2021 - 09:47 am
Antigamente as coisas eram melhor.
Com uma coisa podemos concordar, a arquitetura e as roupas de antigamente eram muito mais bonitas.

Os edifícios antigos sofrem apenas com a falta de sistema elétrico e hidráulico, mas o estilo deles é muito mais próximo da arquitetura europeia.

E as roupas tinham muito mais personalidade e representavam a cultura regional. As roupas hoje são baratas de produzir, genéricas e muito iguais no país inteiro.
Beleza arquitetônica e de vestimenta são subjetivas. A cultura européia foi generalizante quando foi imposta como superior. Muitas obras da arquitetura européia se sobreporam a arquiteturas em países onde tinha civilizações pré-colombianas, pra construir igrejas, ec.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

Tutu
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Mensagem por Tutu »

Agnoscetico escreveu:
Seg, 05 05America/Sao_Paulo Abril 05America/Sao_Paulo 2021 - 10:23 am
Beleza arquitetônica e de vestimenta são subjetivas. A cultura européia foi generalizante quando foi imposta como superior. Muitas obras da arquitetura européia se sobreporam a arquiteturas em países onde tinha civilizações pré-colombianas, pra construir igrejas, ec.
No Brasil, praticamente não existia estilo arquitetônico porque o povo era tribal.
A arquitetura sólida chegou aqui com os portugas. Os nativos nem tiveram a oportunidade de desenvolver o próprio estilo usando as tecnologias novas porque estavam tendo a cultura destruída.

Minha critica é exemplificada melhor comparando Petrópolis (que é mais europeu) com Brasília (que é pós-moderno).

Em outros países, o mesmo fenômeno está ocorrendo. A China tem abandonada a beleza de sua arquitetura clássica e erguido projetos imensos com prédios muito genéricos (iguais ao do resto do mundo) ou estilo pós-moderno. O Japão havia passado por isso também. A Índia será a próxima.

Re: Memória afetiva: Passado amenizado ou idealizado

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Mensagem por Agnoscetico »

Tutu escreveu:
Seg, 05 05America/Sao_Paulo Abril 05America/Sao_Paulo 2021 - 11:29 am
Agnoscetico escreveu:
Seg, 05 05America/Sao_Paulo Abril 05America/Sao_Paulo 2021 - 10:23 am
Beleza arquitetônica e de vestimenta são subjetivas. A cultura européia foi generalizante quando foi imposta como superior. Muitas obras da arquitetura européia se sobreporam a arquiteturas em países onde tinha civilizações pré-colombianas, pra construir igrejas, ec.
No Brasil, praticamente não existia estilo arquitetônico porque o povo era tribal.
A arquitetura sólida chegou aqui com os portugas. Os nativos nem tiveram a oportunidade de desenvolver o próprio estilo usando as tecnologias novas porque estavam tendo a cultura destruída.

Minha critica é exemplificada melhor comparando Petrópolis (que é mais europeu) com Brasília (que é pós-moderno).

Em outros países, o mesmo fenômeno está ocorrendo. A China tem abandonada a beleza de sua arquitetura clássica e erguido projetos imensos com prédios muito genéricos (iguais ao do resto do mundo) ou estilo pós-moderno. O Japão havia passado por isso também. A Índia será a próxima.
Sim, no Brasil não tinha. Mas como não especificou o lugar, postei aquilo.
Mas, arquitetura chinesa ou européia? Porque na China tá sendo construído prédios com arquitetura mais no estilo clássico europeu, como em algumas universidades pro exemplo, mas descaracteriza a arquitetura local.
Hoje em dia as pessoas tão ficando em coisas mais minimalistas e funcionais e menos em beleza em decoração (que custam mais).
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