conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

Gilberto de Paiva
Mensagens: 4
Registrado em: Sáb, 11 Julho 2026 - 09:47 am

Mensagem por Gilberto de Paiva »

Olá Humanista,
Humanista escreveu:
Qui, 27 Agosto 2026 - 18:21 pm
...o fisicalismo s...não esgota nosso acesso à realidade...sonhando...sem recorrer ao mundo lá fora.
O fisicalismo pode considerar o sonho como uma simulação.
Humanista escreveu:
Qui, 27 Agosto 2026 - 18:21 pm
...é o único conhecimento verdadeiramente ABSOLUTO, no sentido de fundado em si, "intuído" ...
O problema que vejo em frases como essa é a falta de justificação por evidências. O mesmo pode ser dito com relação ao que é geramente considerado a realidade objetiva, física, etc. E pelo menos a descrição física científica tem demonstrado o aprofundamento do conhecimento dentro de seu próprio formalismo (evolução exponencial da ciência). Já propostas de "conhecimento absoluto" por outras vias não conseguiram até agora um arcabouço mínimo de evidências e aprimoramento epistemológico.
Humanista escreveu:
Qui, 27 Agosto 2026 - 18:21 pm
...mas não vai captar aquela sua intenção imediata que estabeleceu a finalidade de levantá-lo. A análise fisicalista não capta sua intencionalidade...
Não vejo problema nenhum nisso. Um conjunto bem estabelecido de atividades neuronais, neurotransmissores, etc, podem muito bem se correlacionar a situações consideradas intencionais e por consequência serem fisicamente consideradas como intencionalidade. Inclusive acho que já há propostas nesse sentido até para IA.
Humanista escreveu:
Qui, 27 Agosto 2026 - 18:21 pm
...Observador cujo observar é vivido por dentro, não por fora. Temos, então, dois regimes de ser que não se reduzem um ao outro. Pois um depende do outro sem que o outro dependa de um.
Sem problemas para o fisicalismo. Vários sistemas físicos, mecanismos, etc, tem propriedades internas que influenciam e até determinam o resultado final. Retroalimentação, feedback, sistemas dinâmicos, são conceitos científicos físicos que podem lidar completamente com o que você está falando.
Humanista escreveu:
Qui, 27 Agosto 2026 - 18:21 pm
Essa frase se auto-refuta: como você vai obter evidências empíricas descartando aquilo que é a própria condição da empiria mesma?
Me fale um exemplo do que você está falando e posso tentar contrapor. Nunca vi um caso de estudo, conceito ou fenômeno em que a abordagem empírica é limitada por si mesma. Gostaria de saber de alguma.
Humanista escreveu:
Qui, 27 Agosto 2026 - 18:21 pm
...A investigação naturalista depende de uma abertura mais primordial do que o naturalismo....
Afirmações como essa precisam de exemplos onde algumas investigações não naturalistas expliquem melhor ou pelo menos igualem explicações naturalistas. Sou curioso de existir alguma, mas não conheço nenhum caso.
Humanista escreveu:
Qui, 27 Agosto 2026 - 18:21 pm
...vejo a consciência, não só como clara e evidente...
Pelo menos nisso concordamos um pouco. Mas vejo, defino inclusive, o conceito de consciência como reconhecimento de padrões, ou seja, um mecanismo empírico. Daí minha proposta forte de que toda atividade física são padrões, pois são conhecidas obrigatóriamente por mecanismos de reconhecimento de padrões.
Humanista escreveu:
Qui, 27 Agosto 2026 - 20:46 pm
Experimento mental: suponha que uma pessoa que nunca sentiu dor estude ao máximo todas as informações descritivas, fisicalistas, acerca da dor. Ela lê sobre os nervos, músculos, hormônios, sinapses, tudo que o fisicalismo descreve. Um belo dia, ela tropeça e cai e se machuca. Pela primeira vez sente dor. Algo novo foi acessado? Se sim, há uma diferença intransponível entre as descrições fisicalistas e esta outra propriedade.
O fisicalismo tem várias respostas a essa pergunta:
Se ela sabe tudo, soube também simular todas as reações neurais e fisiológicas da dor em si mesma sem que os neurônios sensoriais iniciais fossem ativados. Somente ativou os neurônios e neuroquímica posteriores. Seria algo oposto a anestesia. Dessa forma pela primeira vez que ela sentir a dor sem simulação, ela já tinha experimentado cognitivamente a sensação. O mesmo para o caso do quarto da Mary. Sem problemas para o fisicalismo.
Sem falar que com o fisicalismo podemos descrever várias variantes de como abordar e responder esses casos. Falta propostas concorrentes mostrarem impossibilidades físicas de explicação.
Pelo fisicalismo podemos descrever muito bem a diferença de atividades cognitivas do que podem ser considerado como conhecimento, conhecimento consciente ou inconsciente, experiência, etc. Não sei como propostas não fisicalistas dão explicações melhores em qualquer nível que seja.

Pelo que vejo, as propostas não fisicalistas se limitam a lançar dúvidas para o fisicalismo, sem sucesso até agora. Tem a sua utilidade em testar o mesmo, mas não ganhou um único round ainda.
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