conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

Área destinada à discussão sobre Ceticismo e a Incredulidade Humana

conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Ricardo
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olha eu sei que o dennett é gigante pra vcs e o cara era brilhante em mta coisa mas vamo fala a real nem ele conseguiu resolve o qualia ele tentou explica a conciencia falando que é tudo ilusao mas o nagel ja mostrou que essa saida nao faz sentido logico da pra admira o legado do dennett e msm assim admiti que o materialismo dele deixou um buraco enorme sem resposta fingir que o problema nao existe nao é ciencia é só teimosia na minha opiniao

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Fernando Silva
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Ricardo escreveu:
Sex, 03 Abril 2026 - 10:20 am
olha eu sei que o dennett é gigante pra vcs e o cara era brilhante em mta coisa mas vamo fala a real nem ele conseguiu resolve o qualia ele tentou explica a conciencia falando que é tudo ilusao mas o nagel ja mostrou que essa saida nao faz sentido logico da pra admira o legado do dennett e msm assim admiti que o materialismo dele deixou um buraco enorme sem resposta fingir que o problema nao existe nao é ciencia é só teimosia na minha opiniao
Até prova em contrário, a consciência é resultado do funcionamento do cérebro.
Resultado de algo material, que é tudo o que temos, não de entidades imateriais que serão imaginárias até surgirem evidências.

Aliás, qual é o problema do materialismo?
Quem tem problema é quem afirma a existência de coisas que não pode provar.

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Gorducho
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Até porque é muito + complicado supor 1 "coisa" flutuando sozinha n'algum tipo de "espaço" — eis que a priori não será nesse [x, y, z] no qual temos impressão de tarmos imersos — do que supor que seja dentro dos cérebros que sabemos existirem.

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Fernando Silva
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Gorducho escreveu:
Sáb, 04 Abril 2026 - 10:47 am
Até porque é muito + complicado supor 1 "coisa" flutuando sozinha n'algum tipo de "espaço" — eis que a priori não será nesse [x, y, z] no qual temos impressão de tarmos imersos — do que supor que seja dentro dos cérebros que sabemos existirem.
O tal do "ghost in the machine".

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Ricardo
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Fernando Silva escreveu:
Sáb, 04 Abril 2026 - 09:56 am
Ricardo escreveu:
Sex, 03 Abril 2026 - 10:20 am
olha eu sei que o dennett é gigante pra vcs e o cara era brilhante em mta coisa mas vamo fala a real nem ele conseguiu resolve o qualia ele tentou explica a conciencia falando que é tudo ilusao mas o nagel ja mostrou que essa saida nao faz sentido logico da pra admira o legado do dennett e msm assim admiti que o materialismo dele deixou um buraco enorme sem resposta fingir que o problema nao existe nao é ciencia é só teimosia na minha opiniao
Até prova em contrário, a consciência é resultado do funcionamento do cérebro.
Resultado de algo material, que é tudo o que temos, não de entidades imateriais que serão imaginárias até surgirem evidências.

Aliás, qual é o problema do materialismo?
Quem tem problema é quem afirma a existência de coisas que não pode provar.
olha fernando eu entendo seu ponto e pela lógica do materialismo clássico faz todo sentido manter os pés no que é físico até que se prove o contrário mas o ponto do nagel e do chalmers que a annaka harris traz de novo não é sobre afirmar entidades imateriais ou coisas imaginárias é sobre admitir que a nossa definição de matéria pode estar incompleta o problema do materialismo não é ser racional é achar que porque a gente mapeou o neurônio a gente explicou a experiência subjetiva o dennett era brilhante mas chamar o qualia de ilusão é só um jeito elegante de varrer o problema pra debaixo do tapete porque a ilusão ainda é um fato consciente que precisa de explicação o que o ricardo ta dizendo é que a ciência avança quando admite o que não sabe e hoje o materialismo reducionista tem um buraco enorme no meio dele que ninguém conseguiu fechar fingir que esse buraco não existe não é ser cético é ser dogmático e como o próprio kumar disse as vezes é melhor ficar na incerteza do que numa certeza absoluta que não explica a realidade do observador

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Ricardo
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Gorducho escreveu:
Sáb, 04 Abril 2026 - 10:47 am
Até porque é muito + complicado supor 1 "coisa" flutuando sozinha n'algum tipo de "espaço" — eis que a priori não será nesse [x, y, z] no qual temos impressão de tarmos imersos — do que supor que seja dentro dos cérebros que sabemos existirem.
gorducho eu entendo que parece muito mais simples supor que tudo tá dentro do cérebro porque é o que a gente vê o tempo todo mas o ponto da annaka harris e do hoffman não é que existe uma coisa flutuando no espaço vazio o que eles argumentam é que o próprio espaço x y z que você citou é uma construção da nossa percepção e não a realidade fundamental em si o problema é que o materialismo clássico assume que a interface é a realidade total e ignora que até agora ninguém provou como a matéria morta gera a experiência de ser alguém o cérebro é a representação física dessa interface mas explicar o ícone não é explicar o código fonte por trás dele o que eu to trazendo é uma discussão sobre a base da realidade e não sobre entidades flutuando em lugar nenhum o materialismo é uma ferramenta ótima mas tratar ele como uma verdade absoluta que já resolveu o problema da consciência é fechar os olhos pro maior mistério da ciência atual

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Fernando Silva escreveu:
Sáb, 04 Abril 2026 - 15:12 pm
Gorducho escreveu:
Sáb, 04 Abril 2026 - 10:47 am
Até porque é muito + complicado supor 1 "coisa" flutuando sozinha n'algum tipo de "espaço" — eis que a priori não será nesse [x, y, z] no qual temos impressão de tarmos imersos — do que supor que seja dentro dos cérebros que sabemos existirem.
O tal do "ghost in the machine".
usar o termo ghost in the machine é um jeito clássico de tentar simplificar o debate mas o que a annaka harris e o chalmers propõem não tem nada a ver com um fantasma mágico dentro de uma máquina o ponto é que a própria definição de máquina do materialismo reducionista não consegue explicar por que a máquina sente alguma coisa em vez de ser apenas um processador de dados no escuro o dualismo do descartes ficou no passado o que a gente discute hoje na neurociência e na filosofia da mente é se a consciência é uma propriedade emergente que ninguém provou como emerge ou se ela é um componente fundamental da realidade como a própria física quântica sugere em vários experimentos se você chama de fantasma qualquer coisa que o materialismo clássico não explica então a gravidade e o tempo também seriam fantasmas até a gente entender a mecânica por trás o que eu tô trazendo é um questionamento sobre os limites do nosso modelo atual e não uma defesa de misticismo ou almas flutuando

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Fernando Silva
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Ricardo escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 09:24 am
o materialismo é uma ferramenta ótima mas tratar ele como uma verdade absoluta que já resolveu o problema da consciência é fechar os olhos pro maior mistério da ciência atual
Não acho que o funcionamento da consciência tenha sido explicado. Acho apenas que é mais sensato aguardar que a ciência avance do que supor algo imaterial.

E acontece que a ciência já mapeou boa parte do cérebro.
Há pelo menos um século, um operário sofreu um acidente que destruiu a parte frontal de seu cérebro. Ele continuou sua vida normalmente, mas sua personalidade mudou.
Hoje em dia, há instrumentos bem mais precisos para localizar quais regiões são ativadas em quais situações.

Gerado por IA:
Phineas Gage (1823–1860) foi um operário ferroviário americano que,em 13 de setembro de 1848, sobreviveu a um acidente grave onde uma barra de ferro atravessou seu crânio, destruindo parte do lobo frontal. O caso é um marco na neurociência, pois, apesar de sobreviver e manter funções motoras e de fala, sua personalidade mudou drasticamente, tornando-se impulsivo e agressivo.

Detalhes do Acidente e Sobrevivência:

O Incidente: Aos 25 anos, Gage trabalhava na construção de uma ferrovia em Vermont. Uma faísca acidental detonou pólvora, lançando uma barra de ferro de 6 kg e mais de 1 metro de comprimento, que entrou por sua bochecha e saiu pelo topo da cabeça.

Recuperação: Contra as expectativas, Gage não morreu no momento. O Dr. John Harlow, médico que o acompanhou, relatou convulsões e delírios, mas em dois meses Gage começou a andar e se recuperar fisicamente.

Mudança de Personalidade: Antes do acidente, era descrito como responsável e trabalhador. Depois, tornou-se, segundo relatos, impaciente, grosseiro e incapaz de planejar o futuro, evidenciando o papel do lobo frontal na personalidade e controle de impulsos.

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Mensagem por Fernando Silva »

Ricardo escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 09:27 am
Fernando Silva escreveu:
Sáb, 04 Abril 2026 - 15:12 pm
Gorducho escreveu:
Sáb, 04 Abril 2026 - 10:47 am
Até porque é muito + complicado supor 1 "coisa" flutuando sozinha n'algum tipo de "espaço" — eis que a priori não será nesse [x, y, z] no qual temos impressão de tarmos imersos — do que supor que seja dentro dos cérebros que sabemos existirem.
O tal do "ghost in the machine".
usar o termo ghost in the machine é um jeito clássico de tentar simplificar o debate mas o que a annaka harris e o chalmers propõem não tem nada a ver com um fantasma mágico dentro de uma máquina o ponto é que a própria definição de máquina do materialismo reducionista não consegue explicar por que a máquina sente alguma coisa em vez de ser apenas um processador de dados no escuro o dualismo do descartes ficou no passado o que a gente discute hoje na neurociência e na filosofia da mente é se a consciência é uma propriedade emergente que ninguém provou como emerge ou se ela é um componente fundamental da realidade como a própria física quântica sugere em vários experimentos se você chama de fantasma qualquer coisa que o materialismo clássico não explica então a gravidade e o tempo também seriam fantasmas até a gente entender a mecânica por trás o que eu tô trazendo é um questionamento sobre os limites do nosso modelo atual e não uma defesa de misticismo ou almas flutuando
Se ainda não conseguimos explicar, então vamos continuar pesquisando.
Qualquer outra coisa é divagação.

Sim, a consciência é como no caso da gravidade. Não sabemos ainda como funciona. Talvez nunca saibamos, mas nada de inventar explicações fantásticas.

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Ricardo
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Fernando Silva escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 09:34 am
Ricardo escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 09:24 am
o materialismo é uma ferramenta ótima mas tratar ele como uma verdade absoluta que já resolveu o problema da consciência é fechar os olhos pro maior mistério da ciência atual
Não acho que o funcionamento da consciência tenha sido explicado. Acho apenas que é mais sensato aguardar que a ciência avance do que supor algo imaterial.

E acontece que a ciência já mapeou boa parte do cérebro.
Há pelo menos um século, um operário sofreu um acidente que destruiu a parte frontal de seu cérebro. Ele continuou sua vida normalmente, mas sua personalidade mudou.
Hoje em dia, há instrumentos bem mais precisos para localizar quais regiões são ativadas em quais situações.

Gerado por IA:
Phineas Gage (1823–1860) foi um operário ferroviário americano que,em 13 de setembro de 1848, sobreviveu a um acidente grave onde uma barra de ferro atravessou seu crânio, destruindo parte do lobo frontal. O caso é um marco na neurociência, pois, apesar de sobreviver e manter funções motoras e de fala, sua personalidade mudou drasticamente, tornando-se impulsivo e agressivo.

Detalhes do Acidente e Sobrevivência:

O Incidente: Aos 25 anos, Gage trabalhava na construção de uma ferrovia em Vermont. Uma faísca acidental detonou pólvora, lançando uma barra de ferro de 6 kg e mais de 1 metro de comprimento, que entrou por sua bochecha e saiu pelo topo da cabeça.

Recuperação: Contra as expectativas, Gage não morreu no momento. O Dr. John Harlow, médico que o acompanhou, relatou convulsões e delírios, mas em dois meses Gage começou a andar e se recuperar fisicamente.

Mudança de Personalidade: Antes do acidente, era descrito como responsável e trabalhador. Depois, tornou-se, segundo relatos, impaciente, grosseiro e incapaz de planejar o futuro, evidenciando o papel do lobo frontal na personalidade e controle de impulsos.
esse caso do phineas gage é um clássico da neurociência mas ele não prova o que você acha que prova o fato de uma lesão no lobo frontal mudar a personalidade só mostra que o cérebro é o rádio que sintoniza a consciência e se você quebra o rádio a música sai distorcida isso não quer dizer que o rádio criou a música mas sim que a interface física foi danificada a annaka harris fala exatamente disso o mapeamento cerebral que você citou mostra o onde e o quando as coisas acontecem mas não explica o como o disparo de um neurônio vira uma experiência subjetiva esperar a ciência avançar é importante mas a ciência de ponta hoje já admite que o materialismo reducionista não tem essa resposta e engraçado você colar um texto gerado por ia pra falar de cérebro sendo que o debate aqui é justamente sobre o que nos diferencia de um processamento de dados puro o ponto não é supor algo imaterial mas admitir que a nossa definição de matéria atual pode estar incompleta pra explicar o observador

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Ricardo escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 09:48 am
o ponto não é supor algo imaterial mas admitir que a nossa definição de matéria atual pode estar incompleta pra explicar o observador
Sim, claro que está incompleta.
E a solução é continuar pesquisando.
Ricardo escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 09:48 am
esse caso do phineas gage é um clássico da neurociência mas ele não prova o que você acha que prova o fato de uma lesão no lobo frontal mudar a personalidade só mostra que o cérebro é o rádio que sintoniza a consciência e se você quebra o rádio a música sai distorcida isso não quer dizer que o rádio criou a música mas sim que a interface física foi danificada.
Acontece que isto pressupõe que haja algo exterior ao cérebro e que este apenas seja um receptor dos comandos desse algo.

Afirmar que a consciência é exterior ao cérebro material é inventar uma entidade desnecessária que só complica as coisas sem explicar nada.

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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https://www.youtube.com/watch?v=jinkGDp-CZ8&t=30s
pessoal esse vídeo da annaka harris é o xeque-mate no que a gente tava discutindo sobre o phineas gage e o materialismo clássico ela explica como mudou de ideia e passou a ver que a consciência ser fundamental faz muito mais sentido científico do que a ideia de que ela surge do nada quando o cérebro fica complexo assistam a partir dos dez minutos onde ela fala que a própria neurociência tá dando sinais de que o modelo reducionista não fecha a conta o ceticismo de verdade é ter coragem de mudar de ideia quando a lógica aponta pra um caminho novo e a annaka faz exatamente isso sem precisar de misticismo nenhum

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Ricardo
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Mensagem por Ricardo »

Fernando Silva escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 09:58 am
Ricardo escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 09:48 am
o ponto não é supor algo imaterial mas admitir que a nossa definição de matéria atual pode estar incompleta pra explicar o observador
Sim, claro que está incompleta.
E a solução é continuar pesquisando.
Ricardo escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 09:48 am
o problema é que continuar pesquisando dentro de um modelo que já se provou insuficiente pra explicar a subjetividade é o mesmo que tentar medir a temperatura com uma régua a gente pode pesquisar pra sempre mas a ferramenta tá errada pro objeto de estudo o que a annaka harris e o chalmers propõem não é parar a ciência mas expandir o que a gente entende por matéria porque se a consciência é uma propriedade fundamental e não algo que brota da complexidade então toda a nossa pesquisa atual tá olhando pro lado errado mapear o cérebro é essencial mas achar que isso vai explicar o sentimento de ser alguém é um salto de fé que o materialismo dá sem nenhuma prova lógica admitir que a definição de matéria está incompleta exige que a gente mude as perguntas e não apenas que a gente espere por respostas que o modelo atual nem consegue formular
esse caso do phineas gage é um clássico da neurociência mas ele não prova o que você acha que prova o fato de uma lesão no lobo frontal mudar a personalidade só mostra que o cérebro é o rádio que sintoniza a consciência e se você quebra o rádio a música sai distorcida isso não quer dizer que o rádio criou a música mas sim que a interface física foi danificada.
Acontece que isto pressupõe que haja algo exterior ao cérebro e que este apenas seja um receptor dos comandos desse algo.

Afirmar que a consciência é exterior ao cérebro material é inventar uma entidade desnecessária que só complica as coisas sem explicar nada.
a navalha de ockham serve pra descartar entidades desnecessárias mas ela não serve pra ignorar fatos que a teoria atual não explica o ponto não é inventar uma entidade mágica exterior ao cérebro mas sim questionar se a nossa definição de matéria já não deveria incluir a consciência como uma propriedade fundamental desde o início o erro do materialismo reducionista é achar que a simplicidade justifica ignorar o abismo que existe entre um neurônio disparando e a sensação de eu a annaka harris e o chalmers mostram que tratar a consciência como fundamental não complica as coisas mas sim resolve o paradoxo que o materialismo cria ao tentar fazer a consciência surgir do nada se a gente segue a sua lógica de que tudo o que não entendemos é inventar entidade então a própria gravidade ou o tempo seriam invenções desnecessárias até a gente ter a matemática pra eles o que eu tô propondo é uma ciência que não tenha medo de olhar pro observador sem tentar reduzir ele a um subproduto acidental da matéria

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Ricardo escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 10:17 am
tratar a consciência como fundamental não complica as coisas mas sim resolve o paradoxo que o materialismo cria ao tentar fazer a consciência surgir do nada
Não resolve nada, apenas cria uma nova hipótese para aquilo que não sabemos.
No fim, continuamos sem saber.
Ricardo escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 10:17 am
se a gente segue a sua lógica de que tudo o que não entendemos é inventar entidade então a própria gravidade ou o tempo seriam invenções desnecessárias até a gente ter a matemática pra eles o que eu tô propondo é uma ciência que não tenha medo de olhar pro observador sem tentar reduzir ele a um subproduto acidental da matéria
Não sabemos explicar a gravidade, mas ela existe. É um fato e não uma invenção desnecessária.

Sim, podemos supor que a consciência seja algo imaterial, mas continuará sendo uma hipótese entre tantas.

Se é para a ciência não ter medo, então vamos começar por aceitar que a magia existe, por exemplo.

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

Huxley
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Mensagem por Huxley »

Este é um tópico cujo autor se perde em uma confusão conceitual. Primeiro, começa criticando a teoria da mente de Daniel Dennett. Depois, critica o suposto materialismo “é tudo ilusão” dele. Em seguida, endossa a teoria da mente de David Chalmers e, por fim, volta a criticar o materialismo reducionista — sem deixar claro que está tratando de posições distintas ao longo do percurso.

A vertente de pensamento de Dennett sobre a mente não corresponde ao materialismo reducionista tradicional. Tampouco é adequado classificá-la simplesmente como materialismo eliminativista no sentido clássico (como em Paul e Patricia Churchland). Dennett rejeita a noção robusta de qualia como entidades intrínsecas, privadas e inefáveis, mas não nega a existência de estados mentais em geral; sua posição é melhor caracterizada como um tipo de funcionalismo ou interpretativismo, no qual os estados mentais são entendidos em termos de seus papéis funcionais e de sua interpretação em contextos explicativos.

Já a teoria da mente de Chalmers não endossa o não materialismo no sentido de um dualismo de substâncias, mas sim o chamado dualismo de propriedades. Segundo essa visão, a realidade fundamental possui propriedades físicas e propriedades fenomenais (ou mentais), sendo estas últimas irredutíveis às primeiras. Ainda assim, isso não implica a existência de duas substâncias distintas (como no dualismo cartesiano), mas apenas de dois tipos de propriedades que coexistem no mesmo substrato.

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Gorducho
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Mensagem por Gorducho »

Sr. Huxley escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 16:48 pm
dois tipos de propriedades que coexistem no mesmo substrato.
Perfeito :clap:
Sr. Ricardo escreveu:tratar a consciência como fundamental
Podemos tratar como "fundamental" no sentido de serem conceitos primitivos análogos e.g. aos de ponto; amor; ; ...
O que não quer dizer que não precise de meio material pra existir de fato explicitamente, e não se extinga cada individuação do fenômeno quando tal meio material deixe de ser funcional.

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Ricardo
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Mensagem por Ricardo »

Fernando Silva escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 10:31 am
Ricardo escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 10:17 am
tratar a consciência como fundamental não complica as coisas mas sim resolve o paradoxo que o materialismo cria ao tentar fazer a consciência surgir do nada
Não resolve nada, apenas cria uma nova hipótese para aquilo que não sabemos.
No fim, continuamos sem saber. dizer que continuamos sem saber é um truísmo mas a ciência não avança esperando a onisciência ela avança escolhendo o modelo com maior poder explicativo o materialismo tem o que chamamos de hard problem problema difícil não existe nenhuma lei física que explique como matéria morta e inconsciente ao ser batida no liquidificador da evolução subitamente acende a luz da experiência subjetiva no materialismo a consciência é um milagre biológico ela surge do nada ao tratar a consciência como fundamental como propõe o panpsiquismo de goff ou a teoria da transmissão de annaka harris nós não estamos inventando uma hipótese vazia estamos aplicando a navalha de occam no materialismo você tem que explicar a matéria mais o surgimento milagroso da mente no panpsiquismo transmissão você tem a consciência como propriedade intrínseca da matéria um sistema unificado se o cérebro for um transmissor filtro as anomalias que o materialismo ignora como eqms estados alterados e a unidade do eu passam a fazer sentido matemático e biológico chamar isso de apenas uma nova hipótese é como um astrônomo do século xvi dizer que o heliocentrismo era apenas uma hipótese porque ele ainda não conseguia ver a gravidade a hipótese que resolve o paradoxo é por definição superior à que o mantém o materialismo não é um fato é uma crença metafísica que faliu ao tentar explicar o observador
Ricardo escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 10:17 am
se a gente segue a sua lógica de que tudo o que não entendemos é inventar entidade então a própria gravidade ou o tempo seriam invenções desnecessárias até a gente ter a matemática pra eles o que eu tô propondo é uma ciência que não tenha medo de olhar pro observador sem tentar reduzir ele a um subproduto acidental da matéria
Não sabemos explicar a gravidade, mas ela existe. É um fato e não uma invenção desnecessária.

Sim, podemos supor que a consciência seja algo imaterial, mas continuará sendo uma hipótese entre tantas.

Se é para a ciência não ter medo, então vamos começar por aceitar que a magia existe, por exemplo.
dizer que a gravidade existe sem explicação completa é justamente o argumento a favor da consciência fundamental fernando pois a gravidade é uma propriedade intrínseca da matéria que aceitamos sem saber a causa última assim como o panpsiquismo propõe para a mente comparar o maior debate da filosofia da mente moderna com magia é um espantalho grosseiro e um sinal de preguiça intelectual a ciência não lida com magia mas com modelos de realidade e o materialismo falhou em explicar o observador tratar a consciência como um campo ou propriedade não é misticismo é parcimônia lógica para evitar o milagre biológico de algo físico criar algo subjetivo se você aceita a gravidade como propriedade fundamental da matéria por que rejeita a consciência como propriedade fundamental da existência o heliocentrismo também parecia magia para quem só confiava nos próprios sentidos mas a matemática provou o contrário a consciência como rádio resolve anomalias que o seu materialismo simplesmente finge que não existem por falta de coragem de atualizar o paradigma o materialismo é a única crença que tenta provar que quem prova não existe

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Ricardo
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Mensagem por Ricardo »

Huxley escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 16:48 pm
Este é um tópico cujo autor se perde em uma confusão conceitual. Primeiro, começa criticando a teoria da mente de Daniel Dennett. Depois, critica o suposto materialismo “é tudo ilusão” dele. Em seguida, endossa a teoria da mente de David Chalmers e, por fim, volta a criticar o materialismo reducionista — sem deixar claro que está tratando de posições distintas ao longo do percurso.

A vertente de pensamento de Dennett sobre a mente não corresponde ao materialismo reducionista tradicional. Tampouco é adequado classificá-la simplesmente como materialismo eliminativista no sentido clássico (como em Paul e Patricia Churchland). Dennett rejeita a noção robusta de qualia como entidades intrínsecas, privadas e inefáveis, mas não nega a existência de estados mentais em geral; sua posição é melhor caracterizada como um tipo de funcionalismo ou interpretativismo, no qual os estados mentais são entendidos em termos de seus papéis funcionais e de sua interpretação em contextos explicativos.

Já a teoria da mente de Chalmers não endossa o não materialismo no sentido de um dualismo de substâncias, mas sim o chamado dualismo de propriedades. Segundo essa visão, a realidade fundamental possui propriedades físicas e propriedades fenomenais (ou mentais), sendo estas últimas irredutíveis às primeiras. Ainda assim, isso não implica a existência de duas substâncias distintas (como no dualismo cartesiano), mas apenas de dois tipos de propriedades que coexistem no mesmo substrato.
sua tentativa de salvar dennett através do funcionalismo não muda o fato de que para ele a consciência qualitativa é uma ilusão de usuário o que é apenas um reducionismo com nome mais bonito não importa se ele chama de papel funcional ou interpretação se no fim do dia ele nega a realidade intrínseca do que é ser algo ele está fugindo do problema difícil a distinção que você faz sobre chalmers entre dualismo de substância e de propriedades apenas reforça o meu ponto pois se as propriedades fenomenais são irredutíveis às físicas como o próprio chalmers defende então o materialismo tradicional que afirma que tudo emerge da física está incompleto ou errado aceitar o dualismo de propriedades é admitir que a física não é a história toda da realidade o que abre as portas exatamente para o panpsiquismo de goff e para a ideia de annaka harris de que a consciência é um elemento fundamental e não um subproduto funcional de processamento de dados você se apega a classificações de dicionário para ignorar que tanto no eliminativismo quanto no seu funcionalismo interpretativo o observador continua sendo tratado como um fantasma na máquina ou uma falha de lógica enquanto nós estamos buscando a ontologia real do fenômeno a ciência avança quebrando esses seus rótulos acadêmicos que não explicam por que eu sinto e não apenas processo informações o funcionalismo é apenas um materialismo que trocou de roupa mas continua cego para a luz da consciência

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Ricardo
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Mensagem por Ricardo »

Gorducho escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 19:59 pm
Sr. Huxley escreveu:
Dom, 05 Abril 2026 - 16:48 pm
dois tipos de propriedades que coexistem no mesmo substrato.
Perfeito :clap:
Sr. Ricardo escreveu:tratar a consciência como fundamental
Podemos tratar como "fundamental" no sentido de serem conceitos primitivos análogos e.g. aos de ponto; amor; ; ...
O que não quer dizer que não precise de meio material pra existir de fato explicitamente, e não se extinga cada individuação do fenômeno quando tal meio material deixe de ser funcional.
sua analogia com pontos ou números é um erro de categoria gritante pois pontos e números são abstrações matemáticas sem experiência subjetiva enquanto a consciência é o único fato imediato do qual não se pode duvidar tratar a mente como um conceito primitivo que morre com o corpo é apenas um materialismo envergonhado que usa palavras bonitas para esconder o velho reducionismo se a consciência fosse apenas um subproduto da funcionalidade material as anomalias de lucidez terminal e experiências fora do corpo em cérebros sem atividade elétrica seriam impossíveis mas elas ocorrem e desafiam seu modelo de extinção individual o modelo do rádio de annaka harris e o panpsiquismo mostram que a funcionalidade material explica a transmissão e não a geração do fenômeno dizer que a consciência precisa do meio para existir é como dizer que a música deixa de existir só porque o rádio quebrou você confunde o instrumento com o músico e a manifestação com a essência seu conceito de fundamental é vazio porque retira da consciência a única coisa que a torna especial que é a sua irredutibilidade e permanência ontológica diante da matéria mutável o que você chama de extinção é apenas o fim da sintonização biológica de um princípio que por definição não pode ser criado nem destruído pela física fragmentada que você defende

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

Huxley
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Mensagem por Huxley »

Ricardo escreveu:
Seg, 06 Abril 2026 - 17:43 pm
sua tentativa de salvar dennett através do funcionalismo não muda o fato de que para ele a consciência qualitativa é uma ilusão de usuário o que é apenas um reducionismo com nome mais bonito não importa se ele chama de papel funcional ou interpretação se no fim do dia ele nega a realidade intrínseca do que é ser algo
Eu nunca disse que defendo a concepção de Dennett sobre a consciência; limitei-me a descrevê-la.

A posição de Dennett se aproxima mais de uma forma de eliminativismo do que de um reducionismo clássico, mas com uma diferença importante: ele não nega explicitamente a existência da consciência. Em vez disso, procura explicá-la por meio de uma reformulação em termos funcionais e de terceira pessoa.

O problema — e aqui sigo uma crítica comum na filosofia da mente — é que essa estratégia tende a redefinir a consciência de modo que ela deixa de incluir justamente aquilo que parecia exigir explicação, isto é, o caráter subjetivo da experiência. Nesse sentido, trata-se menos de uma redução bem-sucedida e mais de uma mudança de objeto: preserva-se o vocabulário, mas altera-se o fenômeno.

Por isso, pode-se dizer que a teoria de Dennett funciona como uma forma de “eliminativismo indireto”: não elimina a consciência por negação explícita, mas a dissolve conceitualmente ao reinterpretá-la em termos que não preservam sua subjetividade intrínseca.

Assim, o ponto não é simplesmente que Dennett seja reducionista, mas que sua explicação corre o risco de não dar conta do próprio fenômeno que pretende explicar.
Ricardo escreveu:
Seg, 06 Abril 2026 - 17:43 pm
ele está fugindo do problema difícil
Independentemente de a visão de Dennett sobre a consciência estar errada, não acho que o “problema difícil da consciência” tenha sua pergunta central — “Por que e como processos físicos no cérebro produzem experiência subjetiva (qualia)?” — respondida pelo paradigma de David Chalmers. Eu já expliquei neste post porque penso assim: viewtopic.php?p=46662#p46662
Ricardo escreveu:
Seg, 06 Abril 2026 - 17:43 pm
a distinção que você faz sobre chalmers entre dualismo de substância e de propriedades apenas reforça o meu ponto pois se as propriedades fenomenais são irredutíveis às físicas como o próprio chalmers defende então o materialismo tradicional que afirma que tudo emerge da física está incompleto ou errado aceitar o dualismo de propriedades é admitir que a física não é a história toda da realidade
O seu argumento pressupõe uma concepção de materialismo que já não é dominante na filosofia da ciência contemporânea. A ideia de que “se não é redutível à física fundamental, então a física não é toda a história da realidade” depende de um modelo reducionista forte que poucos filósofos hoje aceitam.

Mesmo que todas as entidades que existem sejam físicas, isso não implica que todas as explicações científicas relevantes sejam redutíveis, de forma estrita, à microfísica. Há um consenso amplo de que a ciência opera com múltiplos níveis de descrição relativamente autônomos. A biologia é o exemplo clássico: embora organismos sejam sistemas físicos, teorias biológicas não são redutíveis, nem mesmo em princípio, a teorias físico-químicas mais básicas.

Como argumenta David Hull, relações entre níveis científicos não são linearmente redutivas. Em áreas como a genética, há relações de muitos-para-muitos: múltiplas configurações moleculares podem realizar um mesmo traço fenotípico, e uma única entidade molecular pode participar de diferentes funções em níveis superiores. Isso inviabiliza reduções interteóricas completas no sentido clássico.

Dado isso, o fato de propriedades fenomenais não serem redutíveis a descrições físico-químicas não implica automaticamente que elas sejam “não físicas” ou que a física seja ontologicamente incompleta. Pode simplesmente indicar que estamos diante de um fenômeno de alto nível cuja explicação exige conceitos próprios, assim como ocorre em outras ciências especiais.

Portanto, a alternativa não é entre “materialismo reducionista” e “dualismo de propriedades”. Existe uma terceira via bem estabelecida: um fisicalismo não-reducionista, no qual todos os fenômenos são realizados fisicamente, mas nem todos são redutíveis a descrições de nível mais baixo.

Nesse sentido, apelar ao dualismo de propriedades, como faz David Chalmers, não é uma consequência obrigatória da falha do reducionismo. É uma posição filosófica adicional, que exige argumentos próprios — e não algo que decorre automaticamente da estrutura da ciência contemporânea.
Ricardo escreveu:
Seg, 06 Abril 2026 - 17:43 pm
o que abre as portas exatamente para o panpsiquismo de goff e
Não abre as portas e posso explicar isso com uma analogia. Liquidez não está presente em moléculas isoladas, mas emerge de sistemas organizados. O fato de a liquidez não ser redutível não nos leva ao “panliquidismo”. Do mesmo modo, não devemos adotar o panpsiquismo só porque a consciência não é redutível.
Ricardo escreveu:
Seg, 06 Abril 2026 - 17:43 pm
e para a ideia de annaka harris de que a consciência é um elemento fundamental e não um subproduto funcional de processamento de dados
Dizer que a consciência é fundamental porque não conseguimos reduzi-la é um erro. Há muitos fenômenos emergentes (como liquidez) que não são redutíveis a descrições de nível inferior, mas nem por isso são fundamentais. A consciência é um fenômeno biológico do mesmo tipo — especial por ser subjetivo, mas ainda assim causado por processos físicos. Então, a consciência não é um “ingrediente básico do universo”, mas um produto biológico real e irredutível de sistemas físicos específicos (cérebros).
Ricardo escreveu:
Seg, 06 Abril 2026 - 17:43 pm
você se apega a classificações de dicionário para ignorar que tanto no eliminativismo quanto no seu funcionalismo interpretativo o observador continua sendo tratado como um fantasma na máquina ou uma falha de lógica enquanto nós estamos buscando a ontologia real do fenômeno a ciência avança quebrando esses seus rótulos acadêmicos que não explicam por que eu sinto e não apenas processo informações o funcionalismo é apenas um materialismo que trocou de roupa mas continua cego para a luz da consciência
Não chamo a concepção de consciência que expus neste tópico de “materialismo eliminativista”, nem de “funcionalismo interpretativo”, mas sim de “naturalismo biológico”.

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

Huxley
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Registrado em: Sáb, 07 Março 2020 - 20:48 pm

Mensagem por Huxley »

Ricardo escreveu:
Seg, 06 Abril 2026 - 17:43 pm
se a consciência fosse apenas um subproduto da funcionalidade material as anomalias de lucidez terminal e experiências fora do corpo em cérebros sem atividade elétrica seriam impossíveis mas elas ocorrem
No caso da lucidez terminal, o cérebro danificado (1) não está completamente inativo; (2) certas capacidades podem persistir em circuitos ainda parcialmente funcionais; e (3) condições fisiológicas extremas podem gerar reorganizações ou ativações transitórias da atividade neural. Estudos recentes, especialmente em pacientes críticos, mostram que, pouco antes da morte, podem ocorrer aumentos súbitos de atividade elétrica coordenada, com padrões que lembram estados conscientes. Ou seja, não se trata de uma “recuperação da mente”, mas de uma breve reconfiguração de processos cerebrais ainda operantes.

Sistemas físicos complexos podem apresentar picos inesperados de funcionamento antes de falhar, sem que isso implique que a função esteja “fora” do sistema. A lucidez terminal, portanto, não demonstra que a mente transcende o cérebro; indica apenas que nossa compreensão dos processos neurais em estado terminal ainda é limitada. Além disso, parte dos relatos envolve reconstruções retrospectivas, frequentemente influenciadas por fatores emocionais, viés de percepção e interpretação narrativa após o falecimento.

Quanto às chamadas “projeções astrais”, não há evidência científica confiável de que ocorram em cérebros sem atividade elétrica. Experiências fora do corpo são bem documentadas, mas aparecem associadas a estados cerebrais alterados — como anestesia, trauma ou situações de quase-morte — e têm correlações com regiões envolvidas na integração multisensorial do corpo, como a junção temporoparietal. Um EEG plano em contexto clínico não garante ausência total de atividade neural, pois pode não captar atividade residual ou profunda, e há evidências de que o cérebro pode apresentar surtos transitórios de atividade organizada próximo à morte. Além disso, essas experiências podem ocorrer antes da perda completa da atividade cerebral ou durante a recuperação. Até hoje, não há nenhum caso replicável que demonstre experiência consciente verificável na ausência total de atividade neural. Assim, a hipótese mais parcimoniosa continua sendo que tais experiências são produtos de estados cerebrais extremos, e não evidência de que a consciência possa existir independentemente do cérebro.

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Gorducho
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Mensagem por Gorducho »

Sr. Ricardo escreveu:sua analogia com pontos ou números é um erro de categoria gritante
Analogia c/CONCEITOS primitivos, Sr. Ricardo. CONCEITOS... não funcionalidades.
a consciência precisa do meio para existir é como dizer que a música deixa de existir só porque o rádio quebrou
Claro que precisa.
Ou
  • dos músicos ao vivo;
  • se considerarmos "música" os ficheiros, dos meios físicos onde se gravam os bits, e idem os respectivos meios físicos pra gravações analógicas;
  • de alto falantes/fones se não tiverem fisicamente os músicos executando-a.

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Ricardo
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Mensagem por Ricardo »

esta é uma crítica construtiva necessária porque em 2026 o tipo de ceticismo praticado aqui se tornou um fóssil intelectual continuar preso aos dogmas materialistas do século passado não é ser racional é ser reacionário enquanto vocês perdem tempo ironizando teorias que não compreendem a ciência avançou para uma compreensão muito mais profunda da realidade o trabalho de donald hoffman já provou que nossas percepções não são uma janela para a verdade objetiva mas apenas uma interface de sobrevivência o que torna o realismo ingênuo de vocês obsoleto além disso a falência persistente do fisicalismo em resolver o problema difícil da consciência transformou o modelo de transmissão e o panpsiquismo nas fronteiras mais lógicas para pesquisadores sérios como annaka harris e philip goff o verdadeiro ceticismo deveria ser aplicado à própria premissa não provada de vocês de que a matéria morta magicamente gera sentimento meu conselho para a libertação intelectual de vocês é simples parem de usar o ceticismo como um escudo contra verdades desconfortáveis e comecem a seguir a lógica do século vinte e um onde a consciência não é mais um acidente secundário mas uma realidade fundamental

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

Huxley
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Mensagem por Huxley »

Ricardo escreveu:
Ter, 07 Abril 2026 - 12:46 pm
esta é uma crítica construtiva necessária porque em 2026 o tipo de ceticismo praticado aqui se tornou um fóssil intelectual continuar preso aos dogmas materialistas do século passado não é ser racional é ser reacionário enquanto vocês perdem tempo ironizando teorias que não compreendem a ciência avançou para uma compreensão muito mais profunda da realidade o trabalho de donald hoffman já provou que nossas percepções não são uma janela para a verdade objetiva mas apenas uma interface de sobrevivência o que torna o realismo ingênuo de vocês obsoleto além disso a falência persistente do fisicalismo em resolver o problema difícil da consciência transformou o modelo de transmissão e o panpsiquismo nas fronteiras mais lógicas para pesquisadores sérios como annaka harris e philip goff o verdadeiro ceticismo deveria ser aplicado à própria premissa não provada de vocês de que a matéria morta magicamente gera sentimento meu conselho para a libertação intelectual de vocês é simples parem de usar o ceticismo como um escudo contra verdades desconfortáveis e comecem a seguir a lógica do século vinte e um onde a consciência não é mais um acidente secundário mas uma realidade fundamental
O Fisicalismo de que falo e que você apresenta como bicho-papão que come criancinhas no jantar é simplesmente o Monismo de Substância. O que tem de errado nisso?

Além disso, até agora você não demonstrou qualquer evidência de que a consciência não depende do cérebro para existir. Fazer apelo a nomes de intelectuais sem mostrar evidências é algo indistinguível de conteúdo vazio.

Re: conciencia e o problema do materialismo (nagel e chalmers)

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Ricardo escreveu:
Ter, 07 Abril 2026 - 12:46 pm
meu conselho para a libertação intelectual de vocês é simples parem de usar o ceticismo como um escudo contra verdades desconfortáveis e comecem a seguir a lógica do século vinte e um onde a consciência não é mais um acidente secundário mas uma realidade fundamental
Uma afirmação só se torna verdade, desconfortável ou não, depois que evidências incontestáveis são apresentadas.

Até agora, só temos opiniões.
a falência persistente do fisicalismo em resolver o problema difícil da consciência transformou o modelo de transmissão e o panpsiquismo nas fronteiras mais lógicas para pesquisadores sérios como annaka harris e philip goff
Por que "falência"? Só porque, até agora, não se encontrou uma explicação "materialista" significa que está provado que nunca se encontrará?

Por que eu deveria aceitar a opinião deles? Só porque eles são "sérios"?
Responder