Heurística e Vieses Cognitivos

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Heurística e Vieses Cognitivos

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Gigaview
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Mensagem por Gigaview »

Cinzu escreveu:Um viés cognitivo (ou tendência cognitiva) é um padrão de distorção de julgamento que ocorre em situações particulares, levando à distorção perceptual, julgamento pouco acurado, interpretação ilógica, ou o que é amplamente chamado de irracionalidade. Implícito no conceito de um “padrão de desvio” está também o objeto de comparação, ou o que é esperado; isso pode ser o julgamento de pessoas que estão fora das situações em específico, ou pode ser um aglomerado de fatos verificáveis independentemente.

Vieses cognitivos são instâncias de um comportamento mental evoluído. Alguns são presumidamente adaptivos (resultado do processo de adaptação do ser humano), por exemplo, visto que levam a ações mais efetivas em determinados contextos ou possibilitam decisões mais rápidas quando estas são de maior valor (conhecidos como heurística). Outros presumidamente resultam de uma falta de mecanismos mentais apropriados (racionalidade cerceada), ou simplesmente de falta de clareza mental ou distorções de mesma natureza.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Vi%C3%A9s_cognitivo
Duas formas de pensar

De acordo com Daniel Kahneman, existem duas formas de pensar. Este autor coloca as duas formas de pensamento em dois sistemas que ele chama de “pensar rápido” e “pensar lentamente”. O primeiro sistema, pelo qual pensamos rápido, é automático. Este sistema geralmente opera abaixo do nosso nível de consciência. As emoções influenciam muito esse tipo de pensamento e, muitas vezes, levam a pensamentos estereotipados. A sua função é gerar intuições que podem nos ajudar, mas também nos trair.

O segundo sistema corresponde ao pensamento lento. Esse tipo de pensamento é menos frequente e exige mais esforço. Este pensamento ocorre de forma consciente, em oposição ao pensamento rápido, lógico e calculista. A sua principal função é tomar as decisões finais, depois de observar e controlar as intuições do pensamento rápido.

O primeiro sistema tende a ser mais dominante. Por oposição, o segundo sistema tende a ser mais preguiçoso. Normalmente, nos deixamos guiar pelo pensamento rápido. Uma tendência que pode ter repercussões negativas, como chegar a conclusões precipitadas, exagerar o efeito das primeiras impressões, confundir as relações com a causalidade e confiar excessivamente nos dados que já conhecemos (sem levar em consideração outros dados também disponíveis).

Heurísticas do pensamento

Uma heurística é considerada um atalho para processos mentais ativos e, portanto, é uma medida que economiza os recursos mentais. Uma vez que nossa capacidade cognitiva (mental) é limitada, repartimos os recursos, dedicando uma quantidade maior a esses elementos que precisam de um trabalho mental maior como as preocupações, atividades, pessoas, etc.

Nós podemos caminhar sem prestar atenção, mas se o caminho é acidentado e acreditamos que poderemos tropeçar e cair, lhe atribuiremos mais recursos cognitivos, atenção e olhamos onde pisamos. Entre as heurísticas existentes, algumas das mais importantes são:

Heurística de disponibilidade: é usada para estimar a probabilidade da ocorrência de um evento, pois confiamos nas informações anteriores que temos. As pessoas que assistem muita televisão, dada a grande quantidade de violência que aparece, acreditam que são cometidos muitos mais crimes violentos do que as pessoas que veem menos televisão.

Heurística de simulação: é a tendência das pessoas de estimar a probabilidade de um evento com base na facilidade com que podem imaginá-lo. Se é mais fácil de imaginar, é mais provável que aconteça. Quando há um atentado, é mais fácil pensarmos que foi cometido por jihadistas do que por grupos que atacam com menos frequência ou cujo modo de agir seja diferente.

Heurística de ancoragem: usada para esclarecer incertezas, tomando como referência um ponto de partida, a âncora, que depois ajustamos para chegar à conclusão final. Se o meu time venceu o campeonato no ano passado, pensarei que é mais provável que ganhe novamente neste ano, embora em toda a sua história tenha ganhado apenas uma vez.

Heurística de representatividade: inferência sobre a probabilidade de que um estímulo (pessoa, ação, evento) pertença a uma determinada categoria. Se um indivíduo tem sido um bom estudante das disciplinas científicas e o encontrarmos daqui alguns anos vestindo um jaleco branco, imaginaremos que ele é um cientista, não um açougueiro. Mas, na realidade, não temos certeza.

Conhecer os vieses cognitivos e as heurísticas nos tornará mais eficientes para tomar decisões. Embora sejam difíceis de evitar, impossível às vezes, os vieses de pensamento podem ser reduzidos a partir do conhecimento de como eles operam. Avaliar todas as alternativas e procurar informações que apoiem e que contradigam as nossas crenças iniciais é uma forma de reduzi-los. Além disso, evitar os vieses pode tornar o nosso pensamento muito mais criativo.

https://amenteemaravilhosa.com.br/vieses-cognitivos/
O School of Thought, uma organização internacional sem fins lucrativos dedicada ao ensino de habilidades de pensamento crítico e criativo, selecionou os 24 vieses cognitivos que mais embaraçam a sua vida.

A lista foi publicada em dezembro do ano passado no site do Fórum Econômico Mundial. Confira:

Ancoragem
A ordem em que recebemos as informações contribui para determinar o curso das nossas percepções. Por isso, a primeira informação que acessamos é sempre a mais relevante e influencia todos os demais julgamentos.
Dica: fique atento a esse viés especialmente durante negociações, como a compra de uma casa ou de um carro. O preço inicial oferecido terá um efeito significativo na sua mente na hora de fechar o negócio.
Custo afundado
Um projeto no qual investimos tempo, dinheiro ou emoções é mais difícil de ser abandonado. Por causa desse apego irracional ao que já nos custou algo, podemos distorcer os julgamentos e fazer investimentos imprudentes.
Dica: pergunte a si mesmo se você já não investiu o suficiente em algum projeto sem retorno, se você repetiria esse investimento caso pudesse voltar atrás e como aconselharia um amigo na mesma situação.
Otimismo
Resultados positivos costumam ser superestimados. Até pode ser benéfico manter uma atitude positiva, mas é imprudente permitir que ela afete a nossa habilidade de fazer julgamentos racionais.
Dica: faça julgamentos realísticos.
Pessimismo
A probabilidade de resultados negativos também pode ser superestimada. Esse costuma ser um mecanismo de defesa contra desapontamentos, mas pode levar a quadros de depressão e ansiedade.
Dica: lembre-se de que, mesmo se algo de bom acontecer, você tende a continuar pessimista.
Efeito Dunning-Kruger
O quanto menos sabemos sobre um assunto, mais confiantes nos sentimos sobre ele. E o contrário também é verdadeiro. Por isso, muitos especialistas tendem a subestimar suas próprias habilidades, reconhecendo o quanto ainda desconhecem.
Dica: procure desconfiar das suas certezas. Em um mundo cada vez mais dinâmico e rápido, lembre de questionar as respostas simples dadas para problemas complexos.
Efeito Backfire (tiro pela culatra)
Desafios às nossas crenças nos levam a acreditar de modo ainda mais forte nelas. Assim, sentimos que um ataque a uma ideia parece um ataque contra nós mesmos.
Dica: aquilo que desconhece nunca irá colocá-lo em encrenca, mas aquilo que você sabe, irá.
Efeito de enquadramento
O contexto influencia muito. Acreditamos que pensamos de modo independente, mas somos condicionados pela forma como as informações são apresentadas e pelas sugestões sutis que elas oferecem.
Dica: tenha humildade intelectual para aceitar que você pode ser manipulado e procure estabelecer limites a essa influência, prestando atenção ao modo como as coisas são apresentadas – as propagandas, por exemplo.
Egoísmo
Nossos fracassos tendem a ser percebidos como fruto de fatores externos. Porém, os sucessos são vistos como mérito próprio.
Dica: pare de culpar as circunstâncias pelos erros e se conscientize desse viés antes de julgar os outros.
Efeito Barnum
As declarações vagas fazem com que tapemos os seus buracos, uma vez que a nossa mente está sempre em busca de conexões. Por isso, nos apropriamos de manifestações nebulosas para interpretá-las e fazê-las parecerem pessoais.
Dica: profissionais como astrólogos e médiuns se utilizam desse viés para fazer você sentir que estão falando algo relevante. Mas essas coisas podem se aplicar a qualquer um, não só a você.
Hipótese do mundo justo
O desejo de que o mundo seja justo nos leva a presumir que ele existe. Por isso, uma realidade em que as pessoas nem sempre recebem aquilo que merecem ameaça a narrativa que construímos na mente.
Dica: dê mais ênfase à compreensão do que à culpa. Cada um tem a sua própria história, todos podem cometer falhas e coisas ruins acontecem mesmo com pessoas boas.
Endogrupal
O sentimento de pertencimento faz favorecer quem se parece conosco.
Dica: imagine-se na posição de quem está de fora do seu grupo e tente ser desapaixonado com quem está dentro dele.
Erro fundamental de atribuição
O julgamento que fazemos dos outros sempre é pelas suas características, enquanto nos julgamos pela situação. Se tivemos uma noite ruim de sono, sabemos por que estamos mais lentos no dia seguinte. Se vemos alguém mais devagar, presumimos que é uma pessoa lenta.
Dica: você será mais atencioso – e objetivo – ao reconhecer o contexto em que vive outra pessoa.
Efeito do espectador
Em uma emergência em espaço público, presumimos que alguém irá tomar alguma atitude e não reagimos. Ocorre uma espécie de paralisia mental que nos distrai do senso de responsabilidade pessoal.
Dica: presuma que você será a pessoa que irá ajudar ou chamar ajuda. Tente ser a mudança que você quer ver no mundo.
Heurística de disponibilidade
Os nossos julgamentos são influenciados pelo que nos salta à mente com mais facilidade. Por isso, memórias recentes são mais poderosas e parecem mais relevantes.
Dica: procure novas perspectivas e estatísticas ao invés de confiar no seu primeiro julgamento.
Maldição do conhecimento
Uma vez que entendemos algo, presumimos ser óbvio para todos. Assim, acabamos esquecendo o quão complicado é o caminho para o conhecimento.
Dica: tente ir devagar ao ensinar algo novo a alguém, repita as informações mais importantes e cite exemplos práticos.
Crença
Uma conclusão que vai de encontro às nossas crenças tende a ser racionalizada e amparada. Por isso, é tão difícil nos afastarmos do que acreditamos e levar em consideração os méritos de um argumento. Na prática, é como se nossas ideias fossem impenetráveis à crítica.
Dica: pergunte a si mesmo quando e como você chegou a essa crença ao invés de defendê-las automaticamente.
Declinismo
O passado tende a ser lembrado melhor do que realmente foi, enquanto esperamos um futuro bem pior do que provavelmente seja. Mesmo estando no momento mais próspero e pacífico da história, muitos acreditamos que está ficando pior.
Dica: desvie dos pensamentos nostálgicos e use métricas mensuráveis – como a expectativa de vida, os dados de criminalidade e os índices de qualidade de vida.
Pensamento de grupo
A dinâmica social influencia nossas decisões em uma situação de grupo, uma vez que a divergência pode ser desconfortável e perigosa. A opinião daquela pessoa mais confiante – ou da que fala primeiro – costuma determinar a decisão dos demais.
Dica: procure manter um pensamento crítico em atividades em grupo e avaliar as situações com objetividade.
Negatividade
Sentimos a dor do sofrimento e da perda com mais intensidade do que a alegria da gratificação e do prazer.
Dica: liste os prós e os contras para fazer avaliações mais objetivas.
Efeito placebo
Um remédio, mesmo falso, pode fazer efeito se acreditarmos que ele irá funcionar. Isso pode acontecer em situações que são controladas pela nossa mente, como dores, mas não em viroses ou fraturas.
Dica: a homeopatia, a acupuntura e outras formas de medicina natural são mais efetivas do que o efeito placebo. Mantenha-se saudável usando a medicina baseada em evidências e consultando um médico.
Confirmação
Informações que confirmam nossas crenças recebem atenção especial. Somos mais propensos a procurar e concordar com aquilo que consente com nossas hipóteses e ignorar e discordar do que contrasta.
Dica: assuma suas ideias como uma espécie de software no qual você está tentando encontrar problemas em vez de procurar pensamentos para serem defendidos.
Efeito auréola
O quanto gostamos ou achamos alguém atraente influencia o nosso julgamento sobre essa pessoa. Isso ocorre porque os nossos juízos são automáticos e é especialmente importante na vida profissional.
Dica: fique atento aos seus julgamentos. Se quiser ser objetivo, você precisa controlar conscientemente essas influências.
Reatância
O oposto do que alguém nos pede costuma ganhar mais a nossa disposição do que o pedido em si. Isso porque sentimentos que a nossa liberdade está sendo ameaçada e queremos resistir.
Dica: cuide para não perder a objetividade quando alguém está lhe pedindo algo. A sabedoria está mais ligada à reflexão do que à reação.
Efeito holofote
O que os outros pensam sobre nós mesmos costuma ser superestimado. No geral, a maioria das pessoas está bem mais preocupada em si mesmo do que em você.
Dica: considere como você faz os outros se sentirem ao invés de se preocupar como lhe julgam. É assim que as pessoas lembram umas das outras.
https://gauchazh.clicrbs.com.br/comport ... vzac9.html
Apenas reproduzi algumas postagens que acho relevantes sobre o tema. Não vejo motivos em fazer uma longa lista ou trazer conteúdo em demasia sobre um assunto que é amplamente difundido pela internet. Porém, é algo que deveria ser estudado por todo cético que se preze, e inclusive tomarmos cuidados para não estamos utilizando de vieses e nos enganando quanto a nosso ceticismo.

Re: Heurística e Vieses Cognitivos

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Fernando Silva
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Mensagem por Fernando Silva »

Declinismo

O passado tende a ser lembrado melhor do que realmente foi, enquanto esperamos um futuro bem pior do que provavelmente seja. Mesmo estando no momento mais próspero e pacífico da história, muitos acreditamos que está ficando pior.
Dica: desvie dos pensamentos nostálgicos e use métricas mensuráveis – como a expectativa de vida, os dados de criminalidade e os índices de qualidade de vida.
Quando dizemos "bons tempos, aqueles", estamos lembrando das emoções que sentimos na época.
Tudo era aventura, tudo era pela primeira vez, estávamos cheios de sonhos e esperanças.

Hoje, com a cabeça e a experiência que temos, acharíamos aquela vida uma bosta.

Sem falar em que muita gente guarda só as partes boas e minimiza ou esquece das ruins.

Re: Heurística e Vieses Cognitivos

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Cinzu
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Mensagem por Cinzu »

Fernando Silva escreveu:
Seg, 23 23America/Sao_Paulo Março 23America/Sao_Paulo 2020 - 08:34 am
Declinismo

O passado tende a ser lembrado melhor do que realmente foi, enquanto esperamos um futuro bem pior do que provavelmente seja. Mesmo estando no momento mais próspero e pacífico da história, muitos acreditamos que está ficando pior.
Dica: desvie dos pensamentos nostálgicos e use métricas mensuráveis – como a expectativa de vida, os dados de criminalidade e os índices de qualidade de vida.
Quando dizemos "bons tempos, aqueles", estamos lembrando das emoções que sentimos na época.
Tudo era aventura, tudo era pela primeira vez, estávamos cheios de sonhos e esperanças.

Hoje, com a cabeça e a experiência que temos, acharíamos aquela vida uma bosta.

Sem falar em que muita gente guarda só as partes boas e minimiza ou esquece das ruins.

youtu.be/YZ3ZYcCaEi0
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