
Clube Ceticismo
Religião afasta as pessoas de Deus
Autor: Humanista | Categoria: Ateísmo e Agnosticismo | Exibições: 116066 Comentários: 185
Apelido:
Humanista
Papel:
Usuário
Registrado em:
09/01/2026, 18:46
Comentários: 152
Tópicos criados: 6
País:
A ideia de DEUS foi alcançada, independentemente, por místicos e sábios de vários povos antigos: egípcios, indianos, chineses, gregos, persas, árabes etc. Mesmo no Ocidente, filósofos como Spinoza, Fichte, Schelling, alcançaram igualmente, mas intelectualmente, a necessidade de "Um Absoluto" ou "Realidade Última" por uma via independente de quaisquer escrituras religiosas ou revelações particulares dos credos confessionais -- sendo, por isso, considerados "teólogos naturais". Infelizmente, na nossa sociedade, o contato com o conceito de Deus costuma vir intermediado pelo contexto de pastores, igrejas, moralismo, charlatanismo, hipocrisia, fanatismo, superstição, idolatria etc. Isso faz com que o ateu acabe atrelando uma coisa à outra, e criando um preconceito contra a própria noção teísta, fazendo com que se feche para a possibilidade de relação com essa Unidade Transcendente. Só que o cristianismo não é dono de Deus. Deus não depende da Bíblia. As instituições religiosas, historicamente construídas, dogmatizaram em cima das experiências místicas, impondo-lhes uma "interpretação oficial", e logo o mapa foi sendo tomado pelo território. As teologias são pedagogias, mas nenhuma delas pode esgotar ou capturar o Inefável. É um fenômeno análogo ao que ocorre quando esquerdistas rejeitam o valor do nióbio só pelo tanto que isso chegou a eles por meio do Bolsonaro. Associam uma coisa à outra e pensam que o nióbio não presta porque ficaram sabendo pelos lábios do Bolsonaro. Mas o nióbio nada tem a ver com o Bolsonaro, assim como Deus não tem nada com Edir Macedo ou Silas Malafaia. Platão, Aristóteles, Plotino, Pitágoras, Descartes, Spinoza, Leibniz, Fichte, Schelling, Hegel -- todos contemplaram esse Ser Universal para além das mitologias humanas.
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/01/2026, 18:40

Apelido:
Gorducho
Papel:
Usuário
Registrado em:
02/06/2015, 08:08
Comentários: 6434
Tópicos criados: 4
País:
🤔
Indianos + Chineses têm esse conceito :?:
Sem nenhuma sacanagem subjacente – pergunta mesmo :think:
Indianos + Chineses têm esse conceito :?:
Sem nenhuma sacanagem subjacente – pergunta mesmo :think:
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/01/2026, 21:08
Apelido:
Humanista
Papel:
Usuário
Registrado em:
09/01/2026, 18:46
Comentários: 152
Tópicos criados: 6
País:
Gorducho
🤔
Indianos + Chineses têm esse conceito :?:
Sem nenhuma sacanagem subjacente – pergunta mesmo :think:
Mas é claro mano Gorducho!
O Rigveda, a escritura sagrada mais antiga da humanidade, de milênios atrás, diz:
"Ao que é Um, os sábios dão muitos nomes" - ou, - "Os sábios dão muitos nomes ao Uno."
Esse "único" de que eles falam seria uma mente cósmica universal, por vezes chamada "Brahman".
Os Upanishads, que são reflexões da filosofia védica, falam de um "Eu Supremo" omnipresente.
Já os chineses tinham o conceito de "Shangdi" para se referir à deidade primordial transcendente.
Tudo isso sem depender em nada de bíblia, judaísmo, cristianismo, profetas, revelações particulares.
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/01/2026, 21:32
Apelido:
Humanista
Papel:
Usuário
Registrado em:
09/01/2026, 18:46
Comentários: 152
Tópicos criados: 6
País:
ChatGPT:
Você está montando um argumento que eu chamaria de “desintoxicação do conceito de Deus”: arrancar a ideia do Absoluto das mãos das instituições que a sequestraram — e devolvê-la ao seu habitat original, que é a experiência humana do mistério, da ordem, do fundamento e do infinito. E, do jeito que você formulou, há uma intuição muito forte (e bem moderna, no melhor sentido): **não confundir a questão metafísica “há um Fundamento Último?” com a questão sociológica “o que as religiões historicamente fizeram com isso?”**. Porque a segunda pergunta pode ter respostas horríveis sem que a primeira fique automaticamente anulada. Isso é um ponto de honestidade intelectual que costuma faltar tanto no ateísmo militante quanto na religião militante: um lado diz “há charlatanismo, logo Deus é fraude”; o outro diz “há Deus, logo meu clero está certo”. Os dois pulam degraus demais na escada. A sua analogia do nióbio funciona justamente por ser uma vacina contra esse tipo de salto lógico: a contaminação afetiva por uma mediação tóxica não transforma o objeto mediado numa toxicidade intrínseca — ela só mostra que **o canal de acesso é ruim**, não que o conteúdo é falso. Só que dá pra deixar isso ainda mais blindado filosoficamente se você afinar uma coisa: quando você fala que egípcios, indianos, chineses, gregos etc “alcançaram Deus”, você está certo no sentido de que vários povos chegaram a algum tipo de **Unidade suprema / Princípio último / Realidade absoluta**; mas nem sempre isso equivale ao “Deus” que o ouvido ocidental moderno imagina (um sujeito pessoal, criador, providente, legislador moral). Às vezes é mais “Fonte”, “Uno”, “Ser”, “Tao”, “Brahman”, “Bem”, “Intelecto”, “Ordem” — e isso não diminui nada; na verdade, aumenta seu argumento, porque mostra que a intuição do absoluto é mais antiga e mais vasta do que a forma pastor-igreja-culpa que virou quase sinônimo na nossa cultura. Inclusive, a frase que você citou do Rigveda, na formulação clássica (“**A Verdade é uma; os sábios a chamam por muitos nomes**”, frequentemente atribuída ao hino 1.164.46), é ótima porque ela não diz “todas as religiões são iguais” (isso seria um perennialismo fácil e discutível), mas diz algo mais sutil e profundo: o real pode ser unitário e inexaurível, e as línguas humanas o recortam por múltiplas perspectivas. Você também acerta quando diz que “teologias são pedagogias”: teologia, no seu melhor, é um **mapa de navegação existencial**, não um cativeiro ontológico do Inefável. O problema começa quando o mapa exige ser o território, e quando a pedagogia vira polícia metafísica. Agora, pra deixar seu texto ainda mais forte contra as objeções previsíveis de um ateu inteligente (não o ateu de meme, mas o que leu alguma coisa), eu só apertaria dois parafusos: primeiro, reconhecer que Spinoza, Fichte, Schelling, Hegel e cia. não são “teólogos naturais” no sentido simples de “defensores de Deus” — muitos deles foram vistos como heréticos precisamente porque **o Absoluto deles não é o Deus devocional do senso comum** (Spinoza é o caso clássico: “Deus ou Natureza” desloca Deus do registro de “pessoa” para o registro de “substância infinita”; Fichte foi acusado de ateísmo; Hegel é frequentemente lido como fazendo de Deus o próprio movimento do espírito). Isso não enfraquece sua tese; fortalece, porque prova que até dentro do Ocidente a ideia de Deus pode ser reimaginada para além do moralismo e do clericalismo. Segundo, você pode admitir que instituições religiosas não “inventam” do nada — elas canalizam experiências reais, mas as traduzem em linguagem de massa, e nesse processo aparecem tanto beleza (comunidade, consolo, símbolos) quanto deformações (poder, controle, superstição). Ou seja: o seu alvo não precisa ser “religião”, mas **a captura do Absoluto por interesses humanos**. Com isso, você escapa de um anticlericalismo automático e vira alguém mais perigoso (no bom sentido): alguém que exige que religião e ateísmo sejam intelectualmente adultos. E aí o ponto decisivo do seu argumento aparece com clareza: o ateu que rejeita “Deus” porque odeia “pastor” está fazendo uma crítica moral e política a uma instituição — o que pode ser totalmente justo —, mas está usando essa crítica como se fosse uma refutação ontológica. É como se dissesse: “X é usado para manipular, então X não existe”; isso é psicologia social, não metafísica. Se você quiser dar um acabamento ainda mais fenomenológico (bem na sua praia), dá pra dizer assim: a pergunta sobre Deus não é primeiro uma pergunta sobre “explicações do mundo”, mas sobre o que aparece na experiência humana como **chamado ao sentido, ao valor, ao fundamento e ao infinito** — e então as religiões históricas são tentativas, muitas vezes belas e muitas vezes deformadas, de responder a esse chamado. A advertência final, só pra não cair num outro erro simétrico, é não trocar o dogmatismo do pastor pelo dogmatismo do “Uno” genérico: dizer “todos falam do mesmo” pode virar uma maneira de apagar diferenças reais e profundas entre as tradições (e aí você comete, sem querer, o mesmo gesto de colonização que critica). O caminho mais robusto é este: **Deus não pertence a nenhum credo, mas também não cabe em nenhum rótulo universal fácil**; o Absoluto é grande demais para virar propriedade privada e sutil demais para virar slogan ecumênico. Mantendo isso, seu texto vira não só uma defesa do teísmo independente das igrejas, mas um convite à coragem intelectual: investigar o que a ideia de Deus significa sem terceirizar a própria mente para Edir Macedo, Malafaia, ou para o ateísmo reativo que eles mesmos alimentam.
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/01/2026, 21:44
Apelido:
Humanista
Papel:
Usuário
Registrado em:
09/01/2026, 18:46
Comentários: 152
Tópicos criados: 6
País:
O ChatGPT me corrigiu dizendo que nem sempre esse conceito, naqueles outros povos, teve um tom antropomórfico/pessoal/etc. Mas, na minha opinião, isso só torna a tese mais forte ainda, porque mostra que a grande maioria dos ateus acaba se atendo à caricatura do divino que foi feita pelos próprios crentes. Sendo que existem outros modos de se conceber DEUS. Um dos meus preferidos é o de Plotino ("O Uno"). Deus como a Unidade Transcendente subjacente à multiplicidade manifestada no mundo fenomênico. Ou seja, um "fundo" ou nível mais fundamental no qual tudo está unificado "por baixo" da aparente separação dos entes. Emanacionismo em vez de "criacionismo".
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/01/2026, 21:50
Apelido:
eremita
Papel:
Usuário
Registrado em:
05/10/2006, 07:41
Comentários: 3824
Tópicos criados: 21
País:
Primeiro que as ideias (sim, plural) de deuses (sim, plural também) são uma bagunça. A gente coloca tudo no mesmo balaio, mas são conceitos completamente diferentes.
Pega a mitologia grega antiga por exemplo. Os gregos claramente viam os deuses como entidades superpoderosas, que comandavam aspectos da natureza. São falíveis, e dados a emoções humanas como inveja (vide o julgamento de Páris) e vaidade (vide 90% das histórias com Zeus); e você pode enganá-los em algumas situações. E a entidade chefe (Zeus) não era o criador do universo; dependendo da vertente era o Caos ou a Gaia. A Gaia, aliás, não é nem a "regente" da Terra, ela é a personificação da Terra, como se a deusa e o planeta fossem a mesma coisa.
Compara isto com a mitologia judaico-cristã-islâmica. O deus dessas mitologias não tem nada a ver com os deuses acima. É descrito como algo incompreensível pelos seres humanos, uno, oniciente, onipresente, "onibondoso". E diverge mesmo entre estas mitologias, no cristianismo por exemplo o deus Yahweh seria a mesma entidade que seu enviado, o tal Yehoshua / Jesus; em compensação nem os judeus nem os muçulmanos acreditam nisso do enviado do deus ser o próprio deus.
Daí você pega a religião romana. Ela mudou muito com o passar dos séculos; mas lá pelo ano mil depois da fundação de Roma, você encontra algo maaaais ou menos parecido com o deus cristão. Basicamente devido a filosofia neoplatônica / plotinista, tentando reduzir tudo a um princípio uno.
Daí você vai ver os deuses do xintoísmo, e é algo completamente além tanto da mitologia clássica como da mitologia abraâmica. Os "kami" não são algo além da natureza, como Yahweh ou os deuses gregos; eles são parte da mesma. Ou mesmo os ancestrais duma família, podem ser cultuados como kami. Não vivem no nosso mundo, mas num mundo paralelo, o shinkai.
Francamente, fingir que isto tudo é a mesma ideia "alcançada, independentemente, por místicos e sábios de vários povos antigos", é ilusão. É mais ou menos como dizer que uma cadeira e um gato são o mesmo "conceito" de quatro patas.
Os seres humanos escrevem sua história, mas não escrevem-na da forma que querem, pois são produto das condições duma época.
O mesmo se aplica a esses filósofos. Não tão alcançando a ideia dum deus independentemente do cristianismo; fazem-no por causa do criistianismo.
Há muito ateu que simplesmente vê tantos motivos para acreditar em deuses (incluindo o das mitologias abraâmicas) quanto vê para acreditar na Fada dos Dentes, nos Centauros, na mboi-tatá, e por aí vai: nenhum. Não é por causa das igrejas, é rejeição aos conceitos mitológicos dos quais você fala.
Meu, sei que isto é completamente fora do tópico, mas tome muito cuidado com o que esses robôs de "inteligência" artificial escrevem. Vomitam certeza demais, falam abobrinha demais, e a não ser que você entenda bem do que o robô está falando, passa batido.
Pega a mitologia grega antiga por exemplo. Os gregos claramente viam os deuses como entidades superpoderosas, que comandavam aspectos da natureza. São falíveis, e dados a emoções humanas como inveja (vide o julgamento de Páris) e vaidade (vide 90% das histórias com Zeus); e você pode enganá-los em algumas situações. E a entidade chefe (Zeus) não era o criador do universo; dependendo da vertente era o Caos ou a Gaia. A Gaia, aliás, não é nem a "regente" da Terra, ela é a personificação da Terra, como se a deusa e o planeta fossem a mesma coisa.
Compara isto com a mitologia judaico-cristã-islâmica. O deus dessas mitologias não tem nada a ver com os deuses acima. É descrito como algo incompreensível pelos seres humanos, uno, oniciente, onipresente, "onibondoso". E diverge mesmo entre estas mitologias, no cristianismo por exemplo o deus Yahweh seria a mesma entidade que seu enviado, o tal Yehoshua / Jesus; em compensação nem os judeus nem os muçulmanos acreditam nisso do enviado do deus ser o próprio deus.
Daí você pega a religião romana. Ela mudou muito com o passar dos séculos; mas lá pelo ano mil depois da fundação de Roma, você encontra algo maaaais ou menos parecido com o deus cristão. Basicamente devido a filosofia neoplatônica / plotinista, tentando reduzir tudo a um princípio uno.
Daí você vai ver os deuses do xintoísmo, e é algo completamente além tanto da mitologia clássica como da mitologia abraâmica. Os "kami" não são algo além da natureza, como Yahweh ou os deuses gregos; eles são parte da mesma. Ou mesmo os ancestrais duma família, podem ser cultuados como kami. Não vivem no nosso mundo, mas num mundo paralelo, o shinkai.
Francamente, fingir que isto tudo é a mesma ideia "alcançada, independentemente, por místicos e sábios de vários povos antigos", é ilusão. É mais ou menos como dizer que uma cadeira e um gato são o mesmo "conceito" de quatro patas.
Mesmo no Ocidente, filósofos como Spinoza, Fichte, Schelling, alcançaram igualmente
Os seres humanos escrevem sua história, mas não escrevem-na da forma que querem, pois são produto das condições duma época.
O mesmo se aplica a esses filósofos. Não tão alcançando a ideia dum deus independentemente do cristianismo; fazem-no por causa do criistianismo.
Isso faz com que o ateu acabe atrelando uma coisa à outra
Há muito ateu que simplesmente vê tantos motivos para acreditar em deuses (incluindo o das mitologias abraâmicas) quanto vê para acreditar na Fada dos Dentes, nos Centauros, na mboi-tatá, e por aí vai: nenhum. Não é por causa das igrejas, é rejeição aos conceitos mitológicos dos quais você fala.
[saída do ChatGPT]
Meu, sei que isto é completamente fora do tópico, mas tome muito cuidado com o que esses robôs de "inteligência" artificial escrevem. Vomitam certeza demais, falam abobrinha demais, e a não ser que você entenda bem do que o robô está falando, passa batido.
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/01/2026, 23:18
Apelido:
Humanista
Papel:
Usuário
Registrado em:
09/01/2026, 18:46
Comentários: 152
Tópicos criados: 6
País:
Primeiro que as ideias (sim, plural) de deuses (sim, plural também) são uma bagunça. A gente coloca tudo no mesmo balaio, mas são conceitos completamente diferentes.
Mano Eremita, você está supostamente tentando me corrigir que, na verdade, todas essas concepções do divino sejam diferentes entre si, mas na verdade este é precisamente o ponto mesmo que venho levantar -- muitos ateus acabam se atendo justamente às tradições judaico-cristãs, principalmente por conta de nós aqui vivermos debaixo da influência social de coisas como bancada evangélica etc., nisso resultam, por isso mesmo, se limitando muito na capacidade de compreender (e de relacionar-se-com) o Divino.
Compara isto com a mitologia judaico-cristã-islâmica. O deus dessas mitologias não tem nada a ver com os deuses acima. É descrito como algo incompreensível pelos seres humanos, uno, oniciente, onipresente, "onibondoso".
Mano Eremita, o Nous do Hermetismo é assim também. O Uno de Plotino também. O Ishvara dos vedantinos (ou Shiva, dos xaivas) também. O "Eu Absoluto" de Fichte também. O que acontece é que nesse caso aí estamos falando de uma concepção de deidade que seja, não uma "divindade" (um ente interno ao mundo, como no caso dos romanos), mas sim o próprio "Absoluto" ou "Realidade Última", no sentido de um polo unificador que tudo-sustenta.
Francamente, fingir que isto tudo é a mesma ideia "alcançada, independentemente, por místicos e sábios de vários povos antigos", é ilusão. É mais ou menos como dizer que uma cadeira e um gato são o mesmo "conceito" de quatro patas.
Pera lá, eu não falei dos japoneses nem dos romanos. Existe, sim, esse conceito aí de "divindades", assim como os Devas do budismo etc. Mas é algo diferente daquela "Unidade Transcendente" omnipresente pensada, por exemplo, por Spinoza, Schelling etc. De todo modo, tanto aquela godhead (O Absoluto) quanto essas deities que vc trouxe apontam para ainda mais formas plurais de se conceber e endereçar o sagrado. Tudo isso os ateus perdem de sequer considerar quando se limitam ao paradigma bíblico (o que é justificado em razão de ser nosso contexto histórico, mas acaba limitando a própria experiência deles).
Há muito ateu que simplesmente vê tantos motivos para acreditar em deuses (incluindo o das mitologias abraâmicas) quanto vê para acreditar na Fada dos Dentes, nos Centauros, na mboi-tatá, e por aí vai: nenhum. Não é por causa das igrejas, é rejeição aos conceitos mitológicos dos quais você fala.
A questão não é crer mas sim experienciar. Só que o ateu acaba se fechando a essas experiências justamente por se limitar ao paradigma de crença-rejeição.
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 20/01/2026, 02:25
Apelido:
eremita
Papel:
Usuário
Registrado em:
05/10/2006, 07:41
Comentários: 3824
Tópicos criados: 21
País:
Humanistavocê está supostamente tentando me corrigir que, na verdade, todas essas concepções do divino sejam diferentes entre si
Tô falando que são tão diferentes entre si, mas tão diferentes, que não há como alegar que [ipsis litteris] "A ideia de DEUS foi alcançada, independentemente, por místicos e sábios de vários povos antigos". Cada um inventou uma ideia completamente diferente do outro, e a gente só chama pelo mesmo termo por conveniência. E quando as ideias são parecidas, normalmente é porque um chupinhou a ideia do outro, ou ambos chupinharam-na de alguém mais antigo.
muitos ateus acabam se atendo justamente às tradições judaico-cristãs, principalmente por conta de nós aqui vivermos debaixo da influência social de coisas como bancada evangélica etc., nisso resultam, por isso mesmo, se limitando muito na capacidade de compreender (e de relacionar-se-com) o Divino.
Em vista do acima: compreender qual "divino"?
o Nous do Hermetismo é assim também. O Uno de Plotino também. O Ishvara dos vedantinos (ou Shiva, dos xaivas) também. O "Eu Absoluto" de Fichte também.
Isto não contradiz o que eu disse. Tudo isso é só mais uma dentre várias concepções; tão divergente e bizarra quanto as outras.
(Nota bene: as ideias de divindade do neoplatonismo, do hermetismo, e do Fichte não são desenvolvimentos independentes. No fim das contas, vem tudo daquele blablablá do Aristóteles de causa primária. Não estou bem certo quanto ao ishvara do Vedanta; o conceito de ishvara muda muito dependendo da época do hinduísmo, e o Vedanta é muito mais recente do que parece, chuta aí o século V.)
O que acontece é que nesse caso aí estamos falando de uma concepção de deidade que seja, não uma "divindade" (um ente interno ao mundo, como no caso dos romanos)
Se a concepção de deidade que você está usando não inclui entes internos ao mundo, como os deuses romanos, então a ideia de um deus não é tão universal assim como você sugere logo no começo.
Pera lá, eu não falei dos japoneses nem dos romanos.
Citei ambos como exemplos.
Mas é algo diferente daquela "Unidade Transcendente" omnipresente pensada, por exemplo, por Spinoza, Schelling etc.
Que é só mais uma.
De todo modo, tanto aquela godhead (O Absoluto) quanto essas deities que vc trouxe apontam para ainda mais formas plurais de se conceber e endereçar o sagrado.
Elas não endereçam sequer a mesma coisa. Esse conceito de "sagrado" é que nem o que falei da ideia de deus, seja os deuses romanos ou as abobrinhas do Plotino/neoplatonismo ou o deus cadavérico abraâmico: cada um aparece com uma coisa diferente, mas a gente chama tudo pela mesma palavra "sagrado" por conveniência, não por causa de similaridades.
A questão não é crer mas sim experienciar. Só que o ateu acaba se fechando a essas experiências justamente por se limitar ao paradigma de crença-rejeição.
Falar em "experenciar um deus" - e sim, incluo aqui o conceito de "unidade transcendente" - é mais ou menos como experienciar fogo endotérmico. Ou, melhor ainda: o fogo do dragão da garagem. Ou mesmo experimentar o calor do bater das asas de uma fênix, pousando na sua frente, enquanto se está chapado. Mesmo que você sinta que tem algo ali, não tem, sabe?
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 20/01/2026, 04:40

Apelido:
Fernando_Silva
Papel:
Moderador
Registrado em:
23/04/2005, 09:40
Comentários: 50054
Tópicos criados: 1299
País:
Humanista
A questão não é crer mas sim experienciar. Só que o ateu acaba se fechando a essas experiências justamente por se limitar ao paradigma de crença-rejeição.
Sua afirmação pressupõe, sem evidências, que tais experiências existam e sejam algo mais que alucinações ou vontade de acreditar.
Isto me lembra os crentelhos me dizendo para "dar uma chance a Jesus", ou seja, querem que eu finja acreditar naquilo em que não acredito.
Fui católico durante a maior parte da minha vida. Nunca "experimentei" nada a não ser tédio durante os cultos e culpa por pecados imaginários.
Nota: é de se esperar que muitas religiões tenham conceitos semelhantes. Afinal, somos todos humanos, temos as mesmas necessidades físicas e emocionais, e nosso cérebro funciona do mesmo jeito.
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 20/01/2026, 09:30
Apelido:
Humanista
Papel:
Usuário
Registrado em:
09/01/2026, 18:46
Comentários: 152
Tópicos criados: 6
País:
eremitaTô falando que são tão diferentes entre si, mas tão diferentes, que não há como alegar que [ipsis litteris] "A ideia de DEUS foi alcançada, independentemente, por místicos e sábios de vários povos antigos". Cada um inventou uma ideia completamente diferente do outro, e a gente só chama pelo mesmo termo por conveniência. E quando as ideias são parecidas, normalmente é porque um chupinhou a ideia do outro, ou ambos chupinharam-na de alguém mais antigo.
O que você disse vale para os diferentes "deuses" das mitologias, mas não para a "deidade" (Gottheit) concebida como "Fonte" ou base transcendente da qual emana o mundo fenomênico. Nesse segundo caso, mesmo que mude a palavra, o conceito a que ela se refere é o mesmo - estamos falando de uma "Realidade Última" que é o Absoluto, a Origem. Até nos sistemas politeístas, há sempre um fundamento que é primordial, diferenciado dos "seres divinos" internos à realidade manifestada. Quando você trouxe os japoneses e os romanos, você mudou o foco para as "divindades", e até mesmo o hinduísmo tem seus "Devas", mas são concebidos diferentemente daquela Unidade Primordial da qual todos (inclusive os seres divinos) derivariam.
Em vista do acima: compreender qual "divino"?
Aquilo a que se refere o que diferentes povos assim interpretam. Saia do foco no rótulo e troque pela coisa referida, o essencial que intencionam descrever.
(Nota bene: as ideias de divindade do neoplatonismo, do hermetismo, e do Fichte não são desenvolvimentos independentes. No fim das contas, vem tudo daquele blablablá do Aristóteles de causa primária. Não estou bem certo quanto ao ishvara do Vedanta; o conceito de ishvara muda muito dependendo da época do hinduísmo, e o Vedanta é muito mais recente do que parece, chuta aí o século V.)
Não. O Rigveda é muito mais antigo do que Aristóteles e já dava a entender que a multiplicidade dos divinos era uma construção humana, inclusive repeti o trecho anteriormente. O Eu Absoluto de Fichte não tem NENHUM parentesco de conteúdo com a causa primeira de Aristóteles. Você simplesmente meteu uma informação falsa aqui com a maior segurança do mundo. Ou palpitou. Agora, existe sim um ponto no qual convergem não só Fichte e Aristóteles como também Spinoza, Leibniz, Platão, Schelling e todos que citei - a busca por um "chão" ontológico, isto é, um Ser que seja verdadeiramente um "ponto final" metafísico, um fundo auto-existente (diferentemente dos múltiplos entes relativos do mundo fenomênico, os quais são sempre condicionados, originados, dependentes de outras coisas etc). Isto é, O Absoluto. E é por isso que, mesmo dando nomes diferentes (e construindo raciocínios igualmente diversos), aquilo a que se referem é, sim, o mesmo (todos estão visando alcançar esta Unidade Transcendente).
Se a concepção de deidade que você está usando não inclui entes internos ao mundo, como os deuses romanos, então a ideia de um deus não é tão universal assim como você sugere logo no começo.
Mas meu ponto é justamente a riqueza da multiplicidade de maneiras de se conceber e/ou experienciar o divino.
Falar em "experenciar um deus" - e sim, incluo aqui o conceito de "unidade transcendente" - é mais ou menos como experienciar fogo endotérmico. Ou, melhor ainda: o fogo do dragão da garagem. Ou mesmo experimentar o calor do bater das asas de uma fênix, pousando na sua frente, enquanto se está chapado. Mesmo que você sinta que tem algo ali, não tem, sabe?
Quando você vê um quadro (pintura), não tem nada ali além de madeira e tinta. Quando você ouve uma música, não tem nada ali além de frequências vibrando no ar. Quando você vê um filme, não tem nada ali na tela além de pixels. Espero que você, por uma questão de coerência, não faça nenhuma dessas coisas. Mas, se faz, é porque você admite que as qualidades da realidade fenomenológica possuem um valor que não se reduz à sua constituição quantitativa. Aliás, podemos ir além, e nos darmos conta de que essa maneira quantitativa e objetificada de se explicar o mundo nasceu desde Galileu e da ciência moderna como um "mapa" (modelo útil) e, aos poucos, foi tomando lugar do "território" (passou a ser compreendida como a própria natureza da realidade). Quando, na verdade, o modo como a realidade originalmente se revela é inerentemente subjetivo, fenomenológico. Ou seja, o mundo real, o mundo que existe mesmo, é o mundo das sensações subjetivas. Leis, modelos, quantidades, são construções que fazemos posteriormente, representando pragmaticamente aspectos que tentamos manipular, controlar, prever etc. Mas não é o que se dá originariamente. Ou seja, sim, aquilo que é realmente experiencial é sim experiencialmente real. Você pode dar uma lida em William James (As Variedades Da Experiência Religiosa) para verificar que culturas diferentes tiveram, em seu seio, sábios e místicos que relataram as mesmas características, as mesmas estruturas experienciais. Quando duas ou mais pessoas experienciam o mesmo, é justamente desta intersubjetividade que derivamos a objetividade que supomos no mundo.
Fernando Silva
Fui católico durante a maior parte da minha vida. Nunca "experimentei" nada a não ser tédio durante os cultos e culpa por pecados imaginários.
Infelizmente, como eu disse no título do post, a religião te afastou de Deus.
A Igreja não é dona de DEUS.
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 20/01/2026, 16:03

Apelido:
Gorducho
Papel:
Usuário
Registrado em:
02/06/2015, 08:08
Comentários: 6434
Tópicos criados: 4
País:
Humanistamas não para a "deidade" (Gottheit) concebida como "Fonte" ou base transcendente da qual emana o mundo fenomênico. Nesse segundo caso, mesmo que mude a palavra, o conceito a que ela se refere é o mesmo - estamos falando de uma "Realidade Última" que é o Absoluto, a Origem. Até nos sistemas politeístas, há sempre um fundamento que é primordial, diferenciado dos "seres divinos" internos à realidade manifestada. Quando você trouxe os japoneses e os romanos, você mudou o foco para as "divindades", e até mesmo o hinduísmo tem seus "Devas", mas são concebidos diferentemente daquela Unidade Primordial da qual todos (inclusive os seres divinos) derivariam.Mas a questão está proposta nos seguintes termos:
A ideia de DEUS foi alcançada, independentemente, por místicos e sábios de vários povos antigos: egípcios, indianos, chineses, gregos, persas, árabes etc.É 1 questão que me interessa subsidiariamente no meu hobby de Estudar Espiritismo: como pensavam ou pensam de fato as pessoas em geral afora dos Cultos Oficiais de cada Sociedade.
E.g., como sempre comento: crença na POSSIBILIDADE de existir Reencarnação está espraiada, independentemente de certos cultos formais a negarem.
Então: será que chegaram generalizadamente a tal tipo de conceito :think:
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 20/01/2026, 18:43