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Q-Anon
Autor: Titoff | Categoria: Teorias da conspiração | Exibições: 57290 Comentários: 31
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O mundo sinistro dos antivacina

Investigações vêm mostrando as conexões do movimento com teorias conspiratórias, golpismo antidemocrático, nazismo e vendas de falsos tratamentos que geram negócios milionários

Por Daniel Becker 16/02/2025


O movimento antivacina já é bem conhecido. Mas poucos sabem a proporção, a gravidade e o radicalismo que vem assumindo, e o mundo de negócios milionários em que se transformou. Os dados são impressionantes.

O movimento se ampliou exponencialmente durante a pandemia e o governo Bolsonaro, impulsionado pela extrema direita. Foi divulgado pelo presidente, no Ministério da Saúde e no Congresso, e também por artistas, influencers e médicos. Muitos de seus membros mais conhecidos foram eleitos e ocuparam CFM e CRMs, sob a falácia da autonomia profissional. Até mesmo o Health and Human Services americano, que corresponde ao Ministério da Saúde daquele país, será agora comandado por um dos principais nomes do movimento: Robert Kennedy Jr. Mais uma tragédia anunciada do governo Trump.

Mas é ainda pior. Investigações recentes vêm mostrando as conexões do movimento com teorias conspiratórias, golpismo antidemocrático, nazismo e vendas de falsos tratamentos que geram negócios milionários.

Reportagens do Intercept (2022) e do Núcleo (2023) mostram as ligações do universo antivax no Telegram (um campo minado de horrores, pouquíssima moderação e permissivo a crimes e ideologias do ódio) com o mundo do extremismo e da intolerância.

As dimensões são assombrosas. Segundo o Núcleo, desde a pandemia, canais de médicos negacionistas angariaram 192 milhões de visualizações. Seu canal mais popular, o Médicos pela Vida, foi suspenso em 2023 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, mas seguia acessível através de números de telefone internacionais ou VPN.

O canal “Selva & Aço” compartilha, além de mentiras sobre as vacinas, conteúdos de apoio a Bolsonaro e a teoria do QAnon, que afirma que a “esquerda” (democratas, artistas) é composta por satanistas canibais e predadores de crianças, com Trump e Bolsonaro como salvadores. O “Médicos Pela Liberdade” divulga mensagens transfóbicas e conspiratórias.

Segundo o Intercept, no Médicos Pela Vida, era possível encontrar links para outros canais, pedindo a legalização do nazismo no Brasil, falando de uma conspiração mundial dos ricos contra as pessoas “decentes”, apresentando vídeos glorificando o Terceiro Reich e propagandas nazistas. E colocando judeus como anticristãos ou donos das indústrias farmacêuticas – que fabricam as terríveis vacinas.

Mais recentemente, em janeiro deste ano, o pesquisador do IBICT Ergon Cugler publicou no ótimo The Conversation Brasil um artigo onde desvenda uma rede de quase 5 milhões de usuários envolvidos em comunidades onde desinformação e teorias conspiratórias são usadas para engajar incautos, e partir daí, promover a venda de soluções milagrosas e remédios falsos. Um modelo de negócios esperto, muito usado também no Instagram e TikTok.

Uma das principais é o “detox vacinal” com dióxido de cloro, utilizado na indústria como desinfetante e branqueador de papel, que removeria do organismo os nanorobôs inseridos pelas vacinas. Já o “MMS”, (“Mineral Miracle Solution”) promete curar alergias, câncer, Aids e autismo. É inclusive vendido para pais que desejam “prevenir o autismo” e “fortalecer a imunidade” em seus filhos recém-nascidos. Pasmem.

Os protocolos de “desparasitação” também estão em alta, e contam com a “prata e ouro coloidal”, enemas e supositórios, que “limpam” o organismo de vermes que causariam autismo e diabetes – também com versões “kids”.

Enfim: um carnaval macabro que mistura antivacinas, teorias conspiratórias, intolerância, antissemitismo, nazismo e venda de curas falsas e perigosas, que rendem milhões de dólares.

Aí está um universo do qual pessoas às quais resta um pouco de humanidade devem se afastar. E uma boa maneira de começar é atualizar a caderneta de vacinação de nossos filhos.


https://oglobo.globo.com/blogs/daniel-becker/post/2025/02/o-mundo-sinistro-dos-antivacina.ghtml
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Data da postagem: 16/02/2025, 10:16