
Clube Ceticismo
Pesquisas eleitorais
Autor: Gabarito | Categoria: Laicismo, Política e Economia | Exibições: 80386 Comentários: 101

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Cinzu
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Gabarito
Eu estou evitando entrar no debate de cunho político, mas achei importante fazer algumas observações sobre as pesquisas eleitorais, tomando por base as que ocorreram ultimamente em comparação com eleições passadas.
Em 2018, muitas delas martelaram por muito tempo o bordão de que "Bolsonaro perde para todos".
Isso foi tão repetido que ficou na cabeça de todo mundo até hoje.
Com a aproximação da data da eleição, a movimentação nas ruas já estava bastante visível, e os institutos começaram a fazer ajustes.
É um fato que a maioria dos institutos, visto o histórico deles, sempre tendem a colocar na frente o(s) candidato(s) do lado esquerdo do espectro político.
Com a aproximação da data da eleição, eles passam a fazer ajustes, de forma a não errarem tanto nas previsões. E salvar um pouco do que sobra da reputação.
A esse fenômeno, tem-se dado o nome de "aterrissagem forçada na realidade", ou seja, eles começam a corrigir os números para espelhar melhor a realidade.
Em 2018, acabaram colocando Bolsonaro na frente de Haddad alguns dias antes da eleição.
Isso não poderia ser mais falso. É uma fake news que foi tão difundida pela base Bolsonarista que acabou se tornando verdade para muitos de tanto ouví-la.
Já disse no outro tópico e repito aqui: a maioria das pesquisas eleitorais mostraram Bolsonaro na frente tanto no 1° quanto no 2° turno.
Gabarito
As pesquisas mais midiáticas têm sido encomendadas quase todas pela imprensa, que tem se mostrado francamente de oposição ao governo.
E os institutos que são divulgados são justamente aqueles que têm interesse que o presidente não se reeleja.
DataFolha é do grupo UOL, frontalmente inimiga do presidente.
BTG Pactual é de André Esteves e tem Nélson Jobim, ex-ministro de Inácio Silva e Dilma, no Conselho.
FSB mantinha contratos de mais de 300 milhões de reais nos governos do PT, segundo o Portal da Transparência.
IPEC é o antigo IBOPE, que errou tanto, perdeu a credibilidade e mudou de nome.
Felipe Nunes, da QUAEST, foi consultor das campanhas do PT no passado e também da campanha de Dilma ao Senado.
A ex-presidentA bebeu dessa fonte e sonhou se eleger ao Senado em 2018, o que todos sabemos que não aconteceu.
Vox Populi, que nem está mais no ar, tem delação de compra de resultado sobre si.
As pesquisas que dão vantagem a Bolsonaro não são divulgadas na imprensa tradicional.
Brasmarket e Sigma, por exemplo.
A Paraná Pesquisas já tem dado Bolsonaro na frente em alguns cenários/regiões/cidades.
Falso novamente.
BTG Pactual tem como um dos fundadores o Paulo Guedes. O G é de Guedes, e o próprio só se afastou da direção do banco por ocasião das eleições de 2018.
As cidades que a Paraná Pesquisas aponta vantagem de Bolsonaro são as mesmas que as demais também apontam, que é basicamente a região sul. Entretanto, no cenário nacional, a Paraná Pesquisas também aponta vantagem de Lula.
Existem vários outros institutos, principalmente privados, como XP e Genial Investimentos, que também fazem pesquisas. Empresas de investimento em geral acompanham o panorama geral das eleições para conhecerem o retrato do mercado e poderem alinhar seu posicionamento estratégico. Naturalmente, a maioria das pesquisas tendem a apontar para o mesmo cenário. Um instituto fraudar a própria pesquisa é autossabotagem, já que ela será desmentida por todas as outra empresas que realizam pesquisas independentes.
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Data da postagem: 31/08/2022, 20:09

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Cinzu
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A verdade é que Bolsonaro está perdendo para Lula em todas as pesquisas sérias e a base Bolsonarista se recusa a enxergar isso. Para contornar a situação, se encostam em uma teoria da conspiração sem sentido para depois acusarem fraude das urnas quando Bolsonaro perder.
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Data da postagem: 31/08/2022, 20:10
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GabaritoBTG Pactual é de André Esteves e tem Nélson Jobim, ex-ministro de Inácio Silva e Dilma, no Conselho.
Desde quando Bolsonaro assumiu BPAC11 subiu 300% e o lucro do banco só tem aumentado.
https://www.bancodata.com.br/relatorio/btg-pactual
E nem o de Wilson Witzel e nem o de Romeu Zema, "azarões" que puxaram o tapete das pesquisas.
Esses casos são de pessoas que mudaram o voto na última hora. Muita gente decide é na última hora.
Em 2018, o bolsonarismo estava forte. Era só um candidato demonstrar apoio a Bolsonaro que ele ganhava votos e muitos deputados foram eleitos assim.
Romeu Zema, por exemplo, era irrelevante. Então no último debate na televisão ele manifestou apoio a Bolsonaro e saiu de 1% para 15% (segundo as pesquisas) e subiu muito mais no dia da votação quando o povo estava divulgando ele. Com Witzel é a mesma coisa e o eleitor dele nem sabe pronunciar o nome. O zap-zap teve papel importante para divulgar aliados do presidente.
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Data da postagem: 31/08/2022, 20:58

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Cinzu
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Gabarito
Abaixo, trechos de reportagens de 2018:Bolsonaro perde de Haddad por 45% a 39% no 2º turno, diz [u]Datafolha[/u]
Por João Pedroso de Campos Atualizado em 10 out 2018, 15h49 - Publicado em 28 set 2018, 21h27[u]Datafolha: Bolsonaro perde todos os cenários de 2º turno; Ciro vence Haddad[/u]
Do UOL, em São Paulo
28/09/201821h24[u]DATAFOLHA, SEGUNDO TURNO: BOLSONARO PERDE EM TODOS OS CENÁRIOS[/u]
28.09.18 21:06[u]Datafolha: Haddad segue em alta, Bolsonaro para e perde no segundo turno[/u]
Publicado 28/09/2018 - 21h57Outra pesquisa realizada em setembro, entre 26 e 28, indicou que o atual presidente estava perdendo nas intenções de voto no segundo turno para todos os candidatos. Além da vantagem dos demais candidatos em relação a Bolsonaro, Haddad estava à frente, com 45%, contra 39% do presidente.
Você citou 5 (CINCO) manchetes diferentes que tratam da mesma pesquisa! Datada de antes das eleições do 1° turno, fazendo "previsões" do 2° turno. E ainda por cima postou uma notícia da época em que o candidato do PT para 2018 ainda era o Lula, sequer era Haddad.
Que coisa feia, Gabarito! Justo você cometendo uma gafe dessas em um fórum "cético" :naughty: :liar:
Nenhuma pesquisa em momento algum indicou vantagem de Haddad sobre Bolsonaro no 1° turno. E após ocorrer o 1° turno, todas as pesquisas indicaram vantagem de Bolsonaro no 2° turno.
1° turno 2018:

fonte: https://politica.estadao.com.br/eleicoes/2018/pesquisas-eleitorais/primeiro-turno/presidente/ibope
2° turno 2018:
Datafolha para presidente, votos válidos: Bolsonaro, 59%; Haddad, 41%
url=https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/noticia/2018/10/18/datafolha-para-presidente-votos-validos-bolsonaro-59-haddad-41.ghtml
Datafolha para presidente, votos válidos: Bolsonaro, 56%; Haddad, 44%
Nos votos totais, Jair Bolsonaro, do PSL, tem 48%, e Haddad, 38%. Pesquisa ouviu 9.173 eleitores na quarta-feira (24) e na quinta-feira (25).
https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/noticia/2018/10/25/datafolha-para-presidente-votos-validos-bolsonaro-56-haddad-44.ghtml
Ibope para presidente, votos válidos: Bolsonaro, 57%; Haddad, 43%
url=https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/noticia/2018/10/23/ibope-para-presidente-votos-validos-bolsonaro-57-haddad-43-segundo-turno.ghtml
No 2° turno é ainda pior: as pesquisas FAVORECERAM BOLSONARO, pois o resultado das eleições foi Bolsonaro com 55%.
Pelo argumento Bolsonarista, podemos concluir então que Ibope e Datafolha são institutos tendenciosos de direita que prejudicaram o PT.
Gabarito
Repita uma mentira.
Repita de novo.
Repita.
Mais uma vez.
Diga comigo de novo.
Essa é a técnica. Martelar a mesma mentira.
Ela acaba entrando na cabeça dos mais desavisados.
E até dos avisados também.
Acho que essa é a única verdade dita. Só esqueceu de mencionar quem são os repetidores de mentiras! :naughty: :liar:
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Data da postagem: 31/08/2022, 21:21

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Huxley
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O mundo dos testes empíricos é um lugar muito cruel com os teóricos da conspiração (sugiro a leitura especialmente atenta do parágrafo que está logo acima da Tabela 3 do artigo):
Fonte: https://pp.nexojornal.com.br/opiniao/2022/As-pesquisas-eleitorais-erram-mais-em-favor-da-esquerda
As pesquisas eleitorais erram mais em favor da esquerda?
Victor Araújo17 Ago 2022(atualizado 17 ago 2022 às 15h55)
(…)
Fonte: https://pp.nexojornal.com.br/opiniao/2022/As-pesquisas-eleitorais-erram-mais-em-favor-da-esquerda
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Data da postagem: 31/08/2022, 21:38

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Titoff
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É basicamente a versão bolsonarista do PIG (lembram dessa?).
Muita coisa causando horror a toa, como essa pesquisa de 60 pessoas. Eles descrevem como foi feito e que não é representativo da população.
E tem falta de contexto também. Eu lembro que o imbecil do witzel foi eleito de ultima hora mesmo, quando se anunciou e se espalhou via whatsapp uma semana antes da eleição que ele era o candidato cristão de direita conservador honesto patriota bolsonarista. Foi de fato um fenomeno em certo sentido. Deu a merda que deu (zero surpresa), mas foi uma jogada de marketing muito boa para o momento.
Ademais, é inegável que bolsonaro atrai mais gente. A galera gosta, chora, pede uma foto e até benção. Aquela coisa de gente que cultua político por algum motivo. "O último homem bom."
Já o movimento anti-bolsonaro não fica mesmo fazendo essas papagaiadas para político, entendeu? Não quer dizer que não seja um grupo maior. É uma galera que vota no lula desanimada, mas, se chegar a tanto, vai lá e faz o dever cívico. É como aconteceu nos EUA: não foi o biden que venceu, foi o trump que perdeu.
Ainda falta um mes para esta bosta acabar. Vamos ver se o season finale tem reviravoltas.
Muita coisa causando horror a toa, como essa pesquisa de 60 pessoas. Eles descrevem como foi feito e que não é representativo da população.
E tem falta de contexto também. Eu lembro que o imbecil do witzel foi eleito de ultima hora mesmo, quando se anunciou e se espalhou via whatsapp uma semana antes da eleição que ele era o candidato cristão de direita conservador honesto patriota bolsonarista. Foi de fato um fenomeno em certo sentido. Deu a merda que deu (zero surpresa), mas foi uma jogada de marketing muito boa para o momento.
Ademais, é inegável que bolsonaro atrai mais gente. A galera gosta, chora, pede uma foto e até benção. Aquela coisa de gente que cultua político por algum motivo. "O último homem bom."
Já o movimento anti-bolsonaro não fica mesmo fazendo essas papagaiadas para político, entendeu? Não quer dizer que não seja um grupo maior. É uma galera que vota no lula desanimada, mas, se chegar a tanto, vai lá e faz o dever cívico. É como aconteceu nos EUA: não foi o biden que venceu, foi o trump que perdeu.
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Data da postagem: 31/08/2022, 23:46

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Atenção, senhores passageiros.
Já iniciamos a nossa previsível "aterrissagem forçada na realidade".
Em mais alguns dias, estaremos nos aproximando de terra firme e os números do candidato mais bem pontuado nas nossas pesquisas, "surpreendentemente", irão cair.
Nem precisa apertar os cintos.
Já iniciamos a nossa previsível "aterrissagem forçada na realidade".
Em mais alguns dias, estaremos nos aproximando de terra firme e os números do candidato mais bem pontuado nas nossas pesquisas, "surpreendentemente", irão cair.
Nem precisa apertar os cintos.
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Data da postagem: 03/09/2022, 15:33

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Bolsonaro ganha disparado entre os eleitores mais ricos. Segundo o Ipec, o placar é de 47% a 28% entre quem ganha mais de 5 salários mínimos:
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62721442
Manisfestantes políticos de rua tem um perfil radicalmente distinto do eleitor representativo. Na época das manifestações anti-PT de 2015, 67% dos manifestantes paulistanos admitiam ter renda mensal familiar de mais de 5 salários mínimos. Porém, para a população em geral da cidade de São Paulo, 69% têm renda familiar de até cinco salários mínimos: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-08/pesquisas-revelam-retrato-social-e-racial-de-manifestantes
Usar amostras de manisfestante políticos como pesquisa eleitoral está no mesmo nível argumentativo de mostrar a população americana que joga basquete profissionalmente e dizer: “Ué, como assim a maioria da população estadunidense não é negra? Vejam as quadras de basquetes, tem pelo menos uns 80% de negros”.
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-62721442
Manisfestantes políticos de rua tem um perfil radicalmente distinto do eleitor representativo. Na época das manifestações anti-PT de 2015, 67% dos manifestantes paulistanos admitiam ter renda mensal familiar de mais de 5 salários mínimos. Porém, para a população em geral da cidade de São Paulo, 69% têm renda familiar de até cinco salários mínimos: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-08/pesquisas-revelam-retrato-social-e-racial-de-manifestantes
Usar amostras de manisfestante políticos como pesquisa eleitoral está no mesmo nível argumentativo de mostrar a população americana que joga basquete profissionalmente e dizer: “Ué, como assim a maioria da população estadunidense não é negra? Vejam as quadras de basquetes, tem pelo menos uns 80% de negros”.
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Data da postagem: 03/09/2022, 18:23

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As pesquisas se tornaram irrelevantes para o eleitor
Por Luciano Trigo
01/09/2022 17:28
Gazeta do Povo
Há dois tipos de atividade cujo principal patrimônio é a credibilidade: o jornalismo e as pesquisas de opinião. Um jornal que perde a credibilidade não tem valor algum. Uma pesquisa na qual ninguém acredita, tampouco. Grandes jornais e importantes institutos de pesquisa que, sabe-se lá com que motivação, jogaram na lata de lixo seu principal patrimônio já estão condenados, mesmo que ainda não tenham se dado conta disso. São mortos sem sepultura.
Quando são sérios, institutos de pesquisa e grandes jornais prestam importantes serviços à sociedade, podendo até influenciar o voto do eleitor. Quando se transformam em instrumentos de uma agenda política, eles se tornam, em um primeiro momento, nocivos. Em seguida, tornam-se irrelevantes, já não influenciam o voto de mais ninguém. É claro que há muito de subjetivo nessa percepção, mas acredito que ela não seja só minha.
Como alguns grandes jornais, as pesquisas já passaram da fase de causar irritação. Hoje elas simplesmente não fazem a menor diferença: ninguém liga. Digo isso com tristeza, porque eu gostava muito de acompanhar as pesquisas em ano eleitoral – quando elas faziam algum sentido. Mas os erros em série, eleição após eleição, que chegaram ao ápice nas eleições para presidente em 2018 e para prefeito de 2020, me tornaram totalmente cético.
No artigo “O Ibope deve uma satisfação aos eleitores”, aliás, apontei uma quantidade absurda de previsões bizarras e vergonhosas do famoso instituto, muito além da margem de erro, que foram desmentidas de forma humilhante pelas urnas em 2020. Escrevi, na ocasião:“Eleição após eleição, os principais institutos de pesquisa vêm passando vergonha no Brasil, e em 2020 não foi diferente. Na melhor das hipóteses, a metodologia que estão usando é frágil – e já deveria ter sido corrigida. Não vou especular sobre hipóteses piores, mas cabe a pergunta: será apenas uma coincidência que os erros favoreçam sempre os candidatos de esquerda? Torço para que seja coincidência, mas, convenhamos, para muita gente será difícil acreditar nisso.”
Você viu o Ibope pedir desculpas aos eleitores pela vergonha que passou? Nem eu.
Voltemos a 2018. Um gráfico reproduzido pela Wikipédia mostra a evolução das médias das cinco principais pesquisas para o segundo turno entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. Em maio/junho de 2018, essas pesquisas chegaram a afirmar que Haddad teria 45% dos votos, contra 20% de Bolsonaro. Só em agosto/setembro o quadro começou a mudar.
Mesmo assim, ainda em 28 de setembro daquele ano o Datafolha apostava (“apostar” é o verbo adequado) na vitória de Haddad (45% x 39%). Segundo o Datafolha, Bolsonaro perderia até para Alckmin e Ciro Gomes. Só ganharia de Marina Silva, e ainda assim por muito pouco:
[attachment=0]LTrigo - As pesquisas se tornaram irrelevantes para o eleitor (2018 - Haddad vence 2º turno).jpg[/attachment]
Ora, dá para acreditar que entre 28 de setembro de 2018 e o dia do segundo turno, exatamente um mês depois, milhões de eleitores mudaram de ideia e deixaram de votar em Haddad para votar em Bolsonaro? Isso é fazer pouco da inteligência do leitor/eleitor. Já em maio/junho o antipetismo que levaria Bolsonaro à presidência era um fator consolidado no humor do eleitorado.
O resultado final da eleição: Bolsonaro recebeu 55,13% dos votos, Haddad 44,87% – uma diferença de mais de 10 milhões de votos.
Muitos eleitores detestam Bolsonaro e gostariam de não votar nele, mas votarão assim mesmo, simplesmente porque consideram que a alternativa é pior
Também é muito difícil acreditar que um volume significativo (na casa dos milhões) de eleitores que votaram em Bolsonaro em 2018 passe a votar em Lula em 2022. Pode até acontecer de forma residual, mas mesmo os eleitores de Bolsonaro mais decepcionados tendem a não votar no PT de jeito nenhum, mesmo que não votem em Bolsonaro novamente. Vou além: muitos eleitores detestam Bolsonaro e gostariam de não votar nele, mas votarão assim mesmo, simplesmente porque consideram que a alternativa é pior.
Em 2022, o comportamento das pesquisas está se mostrando semelhante ao de 2018. Em maio/junho passados os principais institutos cravavam uma vantagem gigantesca para o candidato do PT, chegando a afirmar que ele venceria no primeiro turno. Alguém realmente acreditou nisso? Parece mais se tratar de um caso de wishful thinking, ou da tentativa de se criar um fato consumado. Se foi isso, não colou.
Estou longe de achar que a eleição está decidida, acredito que será apertada, até porque os dois principais candidatos contam com uma base enorme de eleitores incondicionais. Mas, neste momento, parece claro que o vento sopra a favor da reeleição de Bolsonaro.
Há dois fatores a considerar: a recuperação veloz da economia, com o aumento da projeção de crescimento do PIB e queda dos índices de inflação e desemprego; e o fraco desempenho de Lula no debate, quando a imagem de fragilidade que o candidato passou foi talvez mais impactante para o eleitor indeciso que sua dificuldade objetiva de responder às perguntas sobre corrupção.
Ciro Gomes, por sua vez, parece estar crescendo – e tirando votos do PT. Muitos eleitores simpáticos à esquerda podem estar pensando também na "maldição do vice", tema que abordei neste artigo, e talvez estejam cogitando dar uma oportunidade ao político do Ceará.
É claro que muita coisa ainda pode – e vai acontecer. O Sete de Setembro, inclusive.
Já ia dar o ponto final neste artigo quando li que foi divulgada mais uma pesquisa, contratada pelo Banco Modal e realizada pelo Instituto Futura Inteligência. Pela primeira vez esse instituto mostra Bolsonaro à frente de Lula: 40,1% x 36,9%. Os eleitores de Bolsonaro vão festejar, os eleitores de Lula vão desqualificar a pesquisa.
O mesmo instituto dava Lula na frente em julho, o que sugere alguma isenção, mas isso apenas reforça a tese deste artigo. A minha conclusão é a seguinte: daqui para frente cada pesquisa vai dizer uma coisa, e haverá pesquisas para todos os gostos. Ou seja: elas não servem mesmo mais para nada.
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Data da postagem: 03/09/2022, 22:21

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Huxley
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Tinha que ser do Gazeta do Povo, um panfleto bolsonarista, tal como a Jovem Pan e o Terça Livre.
Como assim milhões de eleitores não podem mudar de intenção em um mês? O que não faltam são experimentos psicológicos que mostram que as pessoas mudam de comportamento estimulados pelas coisas mais triviais; o campo da psicologia do marketing e da influência social está careca de saber disso.
Mudanças substanciais nas intenções de voto ao longo do tempo foi apresentado como argumento indestrutível que corrobora a falta de credibilidade dos institutos de opinião. Que piada!
Como assim milhões de eleitores não podem mudar de intenção em um mês? O que não faltam são experimentos psicológicos que mostram que as pessoas mudam de comportamento estimulados pelas coisas mais triviais; o campo da psicologia do marketing e da influência social está careca de saber disso.
Mudanças substanciais nas intenções de voto ao longo do tempo foi apresentado como argumento indestrutível que corrobora a falta de credibilidade dos institutos de opinião. Que piada!
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Data da postagem: 04/09/2022, 00:58
