
Clube Ceticismo
Movimento Woke, Censura do Politicamente Correto e Lacração
Autor: Gabarito | Categoria: História, Sociedade, Comportamento e Filosofia | Exibições: 1075199 Comentários: 413

Vocês estão sabendo da batalha de estátuas que está se desenrolando mundo afora?
Onda antirracismo cresce, e polícia britânica já teme batalha das estátuas
Movimento lista 80 alvos no Reino Unido, e grupos prometem contra-ataque
10.jun.2020 às 17h01
Ana Estela de Sousa Pinto
Bruxelas
Apanhados na esteira dos protestos antirracismo após a morte do americano George Floyd, 80 locais em várias cidades do Reino Unido viraram tema de uma discussão que pode ganhar contornos de batalha, na avaliação da polícia britânica.
São estátuas e bustos de personagens acusados de promover escravidão e racismo, que manifestantes querem derrubar, e edifícios, ruas e praças, que eles querem ver trocar de nome.
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A estátua do comerciante de escravos Edward Colston é jogada em rio por manifestantes em Bristol - Keir Gravil - 7.jun.20 via Reuters
O movimento, que cresceu depois que manifestantes arrancaram e jogaram no rio uma estátua do comerciante de escravos Edward Colston em Bristol no último final de semana, gerou uma contrarreação de grupos de direita e até de torcidas organizadas, que começaram a convocar seus membros para defender os locais.
O assunto acirrou os ânimos nas redes sociais e promete esquentar nas ruas, mas a discussão sobre tirar de vista personagens controversos não se limita a movimentos inflamados.
Governantes e administradores de universidades defenderam nesta semana a retirada de algumas imagens ou até mesmo se anteciparam e encaixotaram figuras antes expostas publicamente.
O Derrube os Racistas, grupo que colocou na internet um mapa interativo para marcar os seus até agora 80 alvos, diz que “estátuas são objetos de adoração pública”, o que deveria excluir proprietários de escravos e colonialistas.
"Devemos aprender com esse terrível capítulo da história colonial britânica, e não venerá-lo", afirmam.
Entre os nomes que o movimento querem ver “debatidos” estão Francis Drake (explorador do século 16), Horatio Nelson (almirante durante as Guerras Napoleônicas, no século 18) e o escocês Henry Dundas (secretário do Interior no século 18, responsável por adiar a abolição).
No topo da lista está Cecil Rhodes, supremacista branco considerado um dos mentores do apartheid na África do Sul, alvo de uma petição também na Universidade de Oxford (no país africano, suas estátuas foram derrubadas em 2015).
Como os listados pelos ativistas são muitos e com variados graus de comprometimento, cresce o espaço para que alguns vejam exagero ou considerem que os méritos dos personagens superam seus erros.
O jornal britânico Daily Mail chegou a fazer um guia para explicar os prós e contras de 16 dos nomes levantados.
Os ataques atingiram até personagens que não estão na mira dos movimentos antirracismo, como a rainha Vitória (1819-1901). Na cidade de Leeds, uma estátua dela foi pichada com a frase “proprietária de escravos”, e apoiadores da monarca saíram em sua defesa dizendo que ela chegou ao trono em 1837, quatro anos após a abolição na Inglaterra.
A maior preocupação da polícia de Londres, porém, é com o primeiro-ministro Winston Churchill (1874-1965), que também teve uma estátua pichada no norte de Londres.
Segundo a polícia, torcedores de futebol violentos, conhecidos como “hooligans”, começaram a organizar pela internet contraprotestos para defender memoriais e imagens dos que chamam de “heróis de guerra”.
Nesta terça (9), um grupo de torcedores do Millwall, time do sudeste de Londres, passou o dia guardando uma estátua de Churchill na praça do Parlamento, e torcidas do Cardiff e do Blackpool convocaram seus membros para “evitar o vandalismo com a força, se for preciso”.
Entre os que chamaram simpatizantes para defender os monumentos estão também o ativista de direita radical Tommy Robinson e o grupo Britain First.
"Está se formando uma tempestade perfeita pela frente neste fim de semana”, disse Ken Marsh, representante da Federação Metropolitana de Polícia, referindo-se a protestos planejados de um lado e trincheiras e “agitadores" do outro.
Enquanto a tempestade se forma, alguns agentes começaram a se antecipar.
O Museu da Zona Portuária de Londres retirou de sua área externa a figura de Robert Milligan (dono de escravos na Jamaica), para "reconhecer os desejos da comunidade", e os prefeitos de Londres, Sadiq Khan, e Bristol, Marvin Rees, avisaram que vão revisar todos os monumentos e locais ligados ao comércio de escravos ou à promoção do racismo.
Na Bélgica, onde ganhou força nos últimos dias uma campanha já antiga para tirar de cena o rei Leopoldo 2º, um busto do monarca que colonizou o Congo (atual República Democrática do Congo) foi para o depósito na Universidade de Mons.
“Vamos guardá-lo para sempre, para que nenhum estudante, professor ou visitante se sinta ofendido por sua presença”, afirmou a universidade numa rede social.
O secretário de Patrimônio de Bruxelas, Pascal Smet, também disse ser a favor da remoção das estátuas da capital. Ele criou uma comissão para estudar o caso com representantes da comunidade congolesa e com especialistas e, numa entrevista de rádio, disse que espera uma decisão rápida.
Os ministros da Educação das três regiões belgas também pretendem incluir no currículo a história da colonização da África. “A maioria dos nossos alunos não ouve falar dos mecanismos de exploração e dominação usados", disse à imprensa belga a ministra da região francófona, Caroline Désir.
Em Flandres, região de língua flamenga, o Ministério da Educação anunciou que vai estender para o ensino médio (e portanto cobrar nos exames para universidades) os temas imperialismo, colonialismo, neocolonialismo e descolonização.
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Data da postagem: 12/06/2020, 10:44

Para encarar a era da insanidade em que estamos mergulhados, só com um pouco de humor:
Eduardo Affonso
Bueiro
– Se já estão todas, todos e todes aí, podemos dar início a esta reunião extraordinária do Patrimônio Histórico e Cultural para decidir sobre os monumentos que merecem permanecer nos espaços públicos, os que vão para a reserva técnica dos museus e os que podem ser fundidos para fabricação de tampa de bueiro. Deixa eu ver minha lista aqui. Hmmm… estátua equestre de Pedro I, na praça Tiradentes.
– Misógino, macho tóxico e abandonou afetivamente os filhos.
– Bueiro?
– Bueiro. Mas podemos deixar o cavalo.
– Ok, a estátua equestre vira uma estátua equina. Estátua de Pedro II, na Quinta da Boa Vista.
– Escravocrata, gordofóbico…
– Gordofóbico?
– Já viu fotos da imperatriz, que ele trocou pela esbelta Condessa de Barral? Gordofobia raiz.
– Bueiro?
– Bueiro.
– Já que estamos na família imperial, temos a Princesa Isabel na avenida dela mesma. Essa fica, não é? Afinal, é mulher e...
– Sem chance. Vivia cercada de mucamas e se referia a uma de suas escravas, chamada Marta, como “negrinha de quarto”. Bueiro. E na Abolição, para aprender.
– Ok. Tiradentes, na Primeiro de Março, em frente ao palácio dele mesmo.
– Escravocrata. Perguntem pro Laurentino Gomes. Bueiro.
– Será que não vai escapar nem o Machado de Assis, ali em frente da Academia Brasileira de Letras?
– Nem pensar. Machado nunca assumiu sua negritude. Seus protagonistas são todos brancos. Capitu era quilombola? Brás Cubas era afrodescendente? Ele só tinha olhos para a burguesia da Rua do Ouvidor. Bueiro, e bem longe do Cosme Velho.
– Gente, vai faltar bueiro nesta cidade para tanta tampa! Para poupar tempo, melhor mandar fundir logo todas as estátuas de personalidades do século 19 para trás, não acham?
– Claro que não. Tem Zumbi dos Palmares, ali na Presidente Vargas. Essa fica.
– Mas Zumbi não tinha escravos? O Leandro Narloch levanta essa questão e….
– Nossa, quase quatro da tarde! Desculpe, mas marquei manicure e com essa demanda represada da pandemia, não posso me atrasar. Semana que vem a gente retoma, tá? E podemos começar pelo Drummond, ali no calçadão de Copacabana.
– Ah, tão bom passar pela orla e encontrá-lo ali, no meio do caminho…
– Esquece. Ele colaborou com o Estado Novo. Fascista.
– Bueiro?
- Bueiro. Fui!
Eduardo Affonso
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Data da postagem: 12/06/2020, 10:50

Não vi detalhes sobre essas polêmicas, mas a princípio tem tudo para perderem na mão mesmo.
Mas esta do zumbi dos palmares ter tido escravos, parece que foi uma "conclusão" tirada do chapéu do tal autor do livro lacrador.
Mas esta do zumbi dos palmares ter tido escravos, parece que foi uma "conclusão" tirada do chapéu do tal autor do livro lacrador.
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Data da postagem: 12/06/2020, 11:56

Vão entrar também na revisão do nome de ruas, praças e avenidas.
Vai ser dureza tirar todas as avenidas Getúlio Vargas do país.
Quase toda cidade tem.
Elevado Costa e Silva, Praça Mal Deodoro, Av Floriano Peixoto (milicos ditadores), etc...
Vai ser dureza tirar todas as avenidas Getúlio Vargas do país.
Quase toda cidade tem.
Elevado Costa e Silva, Praça Mal Deodoro, Av Floriano Peixoto (milicos ditadores), etc...
Ativistas derrubam estátuas confederadas nos EUA na esteira de onda revisionista
Foram removidos ao menos dez monumentos de figuras que defendiam escravidão
11.jun.2020 às 13h08
São Paulo
A onda de revisionismo histórico incitada pelos atos antirracismo que se seguiram ao assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, ganhou novo episódio com a derrubada, em Richmond, no estado da Virgínia, da estátua de Jefferson Davis (1808-1889), na noite desta quarta-feira (10).
Davis foi presidente do Exército Confederado, que defendia a manutenção da escravidão na Guerra Civil Americana (1861-1865). Sua estátua já tinha sido alvo de discussões em âmbito municipal.
O grupo de manifestantes que derrubou a estátua se antecipou ao projeto de lei que o prefeito de Richmond, Levar Stoney, disse que apresentaria em 1º de julho, propondo a remoção de quatro monumentos que homenageiam os confederados em uma das principais avenidas da cidade.
"Richmond não é mais a capital da Confederação —está cheia de diversidade e amor por todos—, e precisamos demonstrar isso", disse o prefeito, em um comunicado.
Também em Richmond, na terça-feira (9), uma estátua de Cristóvão Colombo foi derrubada, incendiada e jogada em um lago.
[attachment=2]Estátua 1.jpg[/attachment]
Estátua de Jefferson Davis, militar americano que defendia a manutenção da escravidão nos EUA, foi derrubada em Richmond, na Virgínia - Parker Michels-Boyce - 10.jun.20/AFP
Em todos os EUA, pelo menos dez monumentos aos confederados e outras figuras históricas controversas foram removidos. Estátuas e memoriais também estão sendo questionados em mais de 20 cidades americanas, de acordo com levantamento do jornal The New York Times.
Nesta quarta (10), a Nascar, categoria do automobilismo americano, baniu a bandeira confederada de suas corridas, eventos e propriedades, atendendo a um pedido de Bubba Wallace, único piloto negro da categoria.
A presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, exigiu que 11 estátuas de confederados que se opunham ao fim da escravidão sejam removidas do Capitólio, sede do Legislativo americano.
"Os monumentos de homens que defenderam a crueldade e a barbárie para alcançar um fim puramente racista são uma afronta grotesca aos ideais americanos de democracia e liberdade", escreveu Pelosi em carta a uma comissão bipartidária nesta quarta.
Membros do Partido Democrata, de oposição ao presidente Donald Trump, também pediram mudanças nos nomes de dez bases militares do país que homenageiam antigos generais escravocratas.
Na terça, o secretário de Defesa, Mark Esper, e o secretário do Exército, Ryan McCarthy, disseram "estar abertos à discussão" caso houvesse um consenso entre democratas e republicanos no Congresso.
Trump, entretanto, foi categórico ao afirmar que seu governo "nem sequer vai considerar" a renomeação.
Em uma publicação no Twitter, o líder republicano escreveu que as instalações militares são "magníficas e fabulosas" e representam o "patrimônio americano de vitória e liberdade".
Em outra publicação, nesta quinta-feira (11), o presidente afirmou que "aqueles que negam a história estão condenados a repeti-la".
Na Europa, atos contra monumentos históricos ganharam força em Bristol, no Reino Unido, no domingo (7), quando manifestantes usaram cordas para derrubar uma estátua de Edward Colston, feita de bronze e erigida em 1895. Ela foi jogada em um rio que corta a cidade.
O homenageado era traficante de escravos e membro do Parlamento britânico no século 17. Dados históricos o relacionam às mortes de cerca de 19 mil negros escravizados nas Américas e no Caribe.
Nesta quinta, o monumento foi retirado da água e será levado para um museu, anunciou a prefeitura.
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Estátua de Edward Colston é retirada de rio em Bristol, na Inglaterra - AFP
Os prefeitos de Bristol, Marvin Rees, e Londres, Sadiq Khan, avisaram que vão revisar todos os monumentos e locais ligados ao comércio de escravos ou à promoção do racismo.
Autoridades das cidades de Bournemouth e Poole, na costa sul do Reino Unido, planejavam seguir o conselho da polícia e remover, nesta quinta-feira (11), uma estátua de Robert Baden-Powell (1857-1941), tenente-general do Exército britânico e fundador do movimento escoteiro, antes que ela tivesse o mesmo destino da de Colston.
"Embora famoso pela criação dos escoteiros, também reconhecemos que existem alguns aspectos da vida de Robert Baden-Powell que são considerados menos dignos de comemoração", disse a líder do conselho municipal, Vikki Slade.
Baden-Powell é acusado de racismo, homofobia e ligações com nazistas.
Dezenas de manifestantes brancos, entretanto, reuniram-se ao redor da estátua para impedir a remoção, destacando a importância dos 54 milhões de escoteiros em todo o mundo.
Mulher segura cartaz que diz 'História britânica importa' durante ato para impedir a remoção da estátua de Robert Baden-Powell - Glyn Kirk - 11.jun.20/AFP
A nova onda antirracismo no Reino Unido ganha contornos de batalha, na avaliação da polícia britânica.
O grupo Derrube os Racistas, que colocou na internet um mapa interativo para marcar os seus até agora 80 alvos, diz que “estátuas são objetos de adoração pública”, o que deveria excluir proprietários de escravos e colonialistas.
Do outro lado, estão, segundo a polícia, torcedores de futebol violentos, conhecidos como “hooligans”, que começaram a organizar pela internet contraprotestos para defender memoriais e imagens dos que chamam de “heróis de guerra”.
Em Londres, a estátua de Robert Milligan, que chegou a ter 526 negros escravizados em suas duas fazendas de plantação de açúcar na Jamaica, foi removida pelo Museu das Docas.
Na Bélgica, onde ganhou força nos últimos dias uma campanha já antiga para tirar de cena monumentos do rei Leopoldo 2º, um busto do monarca que colonizou o Congo (atual República Democrática do Congo) foi para o depósito na Universidade de Mons.
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Mulher segura cartaz que diz 'História britânica importa' durante ato para impedir a remoção da estátua de Robert Baden-Powell - Glyn Kirk - 11.jun.20/AFP
A retirada de monumentos históricos ligados à opressão dos negros é uma das demandas dos manifestantes que participam de atos antirracismo.
Os protestos começaram nos EUA e se espalharam pela Europa após a morte de George Floyd, homem negro assassinado por um policial branco, que prensou com o joelho o pescoço da vítima contra o chão durante quase nove minutos.
Protestos contra morte de George Floyd em cidades da Europa
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Data da postagem: 12/06/2020, 15:18

Censuraram também o clássico E O Vento Levou...
Ativistas negros veem censura e não reparação em veto de 'E o Vento Levou'
Especialistas criticam retirada do filme do catálogo da HBO na onda de protestos antirracismo nos Estados Unidos
11.jun.2020 às 16h59
Marina Lourenço
São Paulo
“Este é um dos momentos mais felizes de minha vida, e quero agradecer cada um de vocês”, disse a atriz Hattie McDaniel quando subiu ao palco da 12ª edição do Oscar, em 1940, para receber o prêmio de melhor atriz coadjuvante. “Espero sinceramente ser sempre motivo de orgulho para a minha raça e para a indústria cinematográfica. Meu coração está pleno demais para lhes dizer como me sinto, e posso dizer ‘obrigada’. Que Deus os abençoe.”
Diferentemente de todos os outros premiados daquela noite, McDaniel era uma pessoa negra e se tornou, naquele momento, a primeira atriz com a sua cor de pele a receber uma estatueta da cerimônia.
O prêmio foi entregue devido ao seu trabalho no filme “E o Vento Levou”, de Victor Fleming, inspirado na trama do livro de mesmo nome, escrito por Margaret Mitchell, que narra uma história de romance, marcada por encontros e desencontros, vivida pela personagem Scarlett O'Hara, papel de Vivien Leigh, uma jovem branca filha de um latifundiário, no sul dos Estados Unidos durante a Guerra de Secessão.
No longa, McDaniel, filha de um casal ex-escravo, interpreta Mammy, uma empregada doméstica da família O’Hara, sarcástica, engraçada e amorosa com seus patrões. Além dela, os outros atores negros que compõem o elenco também interpretam criados.
Sempre doces, obedientes e ingênuos, os negros de “E o Vento Levou”, no entanto, são uma representação deturpada da realidade existente no sul dos Estados Unidos durante a época representada, o início da década de 1860, marcada por horrores da escravidão, responsável pela comercialização, estupro, tortura e assassinato de povos negros.
Militantes negros criticaram o filme quando lançado, em 1939, mas isso não impediu que a obra levasse oito prêmios no Oscar, incluindo o de melhor filme, e se tornasse um clássico. Agora, oito décadas depois do lançamento, “E o Vento Levou” está envolvido numa nova polêmica, e dessa vez, intensificada pelas redes sociais.
Em meio aos recentes protestos contra o racismo nos Estados Unidos —motivados pelo assassinato de George Floyd— John Ridley, roteirista de “12 Anos de Escravidão”, escreveu na segunda-feira um artigo no jornal Los Angeles Times dizendo que o filme de Fleming “perpetua alguns dos estereótipos mais dolorosos das pessoas de cor" e, por isso, deveria ser urgentemente retirado da plataforma de streaming recém-lançada HBO Max.
No dia seguinte, a empresa anunciou que retirou a obra e pretende devolver o longa ao catálogo, no futuro, acompanhado de um material de contextualização histórica que promova a discussão sobre as problemáticas em questão, como Ridley já havia sugerido.
Diversas obras artísticas ao longo da história já foram acusadas de promover algum tipo de opressão e geraram uma série de críticas. Entre textões no Facebook, trending topics no Twitter e vídeos no Instagram, as polêmicas ganham agora um ritmo cada vez mais frenético na era da internet.
A decisão da HBO Max, por exemplo, teve grande repercussão, que foi desde as acusações de censura até o destaque que “E o Vento Levou” conquistou ocupando o topo das vendas de best-sellers da Amazon.
O professor e cineasta Dodô Azevedo, que mantém um blog neste jornal, diz que a atitude da HBO não só é um tipo de censura à arte como também uma propaganda “de sua parte tóxica”.
”Esse filme é e será lembrado como a prova de que melhoramos como seres humanos. Isso faz parte da nossa história e não merece censura”, diz ele. “Muitos filmes foram usados para propaganda nazista e é muito importante analisar para que isso não se repita.”
A retirada temporária do filme da plataforma é também criticada por Thiago Amparo, especialista em direito e colunista deste jornal. “A censura pode acontecer por razões moralmente aceitáveis ou não, mas o ato é o mesmo. E isso pode até ter um efeito contrário e incentivar um interesse pela obra desacompanhado de qualquer contextualização.”
O livro “Racismo Recreativo”, de Adilson Moreira, publicado no ano passado, sugere como alternativa que o consumo de produtos artísticos que contenham discursos e ideias opressoras sejam realizados sempre alinhados a um material capaz de expor as problemáticas em questão, ação prometida pela HBO, mas ainda sem data definida.
“O racismo continua presente na nossa sociedade devido à ausência de debate sobre ele”, diz Moreira. “Esse pode ser um ponto de partida para nós entendermos o momento presente e não reproduzirmos certas narrativas. Esse é um bom exemplo de letramento racial.”
No caso do Brasil, a escritora Djamila Ribeiro, colunista deste jornal, considera que livros como o “Sítio do Picapau Amarelo”, de Monteiro Lobato, que segundo ela, não só disseminam discursos racistas, como também os estimulam, não devem constar numa grade educacional infantil. “Se adultos quiserem ter [o livro] nas suas estantes, tudo bem. Mas uma criança está em processo de formação.”
Quando questionada sobre a decisão da HBO, Ribeiro diz que não considera o caso como censura. “Isso é só uma plataforma retirando um filme que romantiza a violência racial. Censura seria se ele não fosse exibido nunca mais em nenhum lugar.”
Diante de tantas discussões e protestos contra o racismo, é preciso ter em mente a necessidade de promover mudanças significativas, e não sentir só uma "mea culpa". É o que diz Amparo, que interpreta a decisão da HBO Max como uma "censura temporária", ao analisar os acontecimentos atuais envolvendo a luta antirracista.
Ele diz ainda que além de promover o material prometido, a empresa deveria aproveitar a preocupação para investir em mais produções culturais negras.
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Data da postagem: 12/06/2020, 15:23

Mais batalha de estátuas:
Estátua do padre Antônio Vieira é vandalizada em Lisboa
salvar
Mundo 12.06.20 15:10
A estátua do padre Antônio Vieira que fica no centro de Lisboa foi vandalizada na madrugada desta quinta (11), informa a repórter Giuliana Miranda, da Folha.
O jornal paulistano descreve o vandalismo como parte do “movimento global de protestos contra estátuas associadas ao racismo é à escravidão”. O monumento recebeu um banho de tinta vermelha e teve a palavra “descoloniza” pichada em sua base. A Câmara Municipal lisboeta já fez a limpeza.
Chamado de “imperador da língua portuguesa” por Fernando Pessoa, Vieira (1608-1697), que viveu e pregou no Brasil, é o maior prosador do barroco português. Seus “Sermões” são obra-prima da língua. Mas, para alguns historiadores, ele foi condescendente com o trabalho escravo dos africanos.
Pelo visto, basta isso para que idiotas vandalizem a sua memória.
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Data da postagem: 12/06/2020, 16:32

Um pouco de Ruy Goiaba:
Bem-vindos à Idade Média 2.0
Ruy Goiaba
12.06.20
Vamos fingir que somos um país civilizado, sem coronavírus bombando graças a quarentenas meia-boca e sem metade da população desprovida de saneamento básico? Vamos. E um bom modo de fazer isso é importar GRANDES DEBATES do exterior — já que fazer o isolamento direito, colocar rede de esgoto para todo mundo etc. é trabalhoso, chato e não rende likes nas redes sociais.
Nem estou falando mal, não, longe disso: Deus abençoe o Debate Idiota. Ele pode render textos de humor e me ajudar a preencher este espaço semanal na Crusoé – nesse caso, quanto mais idiota melhor. Uma das grandes discussões virtuais da semana que passou foi se a gente deve derrubar monumentos a gente malvada. Vocês devem ter visto: manifestantes em Bristol, no Reino Unido, derrubaram a estátua de um traficante de escravos chamado Edward Colston. Dias depois, no estado americano da Virgínia, uma estátua de Cristóvão Colombo teve destino parecido; foi derrubada, incendiada e jogada em um lago.
Não demorou muito para aqueles brasileirinhos que amam estar por dentro das TRENDS gringas sugerirem fazer a mesma coisa com o Monumento do Empurra-Empurra do Brecheret lá no Ibirapuera ou com o Borba Gato, já que eles retratam bandeirantes (escravizadores de índios, assassinos etc.) como heróis. É claro que é fácil defender a derrubada do Borba Gato por razões puramente estéticas, já que o símbolo do bairro de Santo Amaro é aquele troço 100% medonho. Mas, ao mesmo tempo, ele é a cara do Brasil — quase tanto quanto o Cocozão de Ponta Grossa, que infelizmente não está mais entre nós.
E existem problemas práticos que têm de ser enfrentados por quem quiser praticar a “depredação com justiça”. Por exemplo, Tiradentes, como apontou Laurentino Gomes, tinha seis escravos quando foi enforcado. Segundo historiadores, havia escravidão em quilombos — inclusive o de Palmares, liderado por Zumbi. Como fazer? E há casos como o de Getúlio Vargas, fascista e signatário de leis eugenistas no Estado Novo, depois bonzinho e “progressista” nos anos 50. Depreda quanto das estátuas dele? 50%, só da cintura para baixo?
(Há um monumento no Rio, merecidamente conhecido como Cabeção do Getúlio, em que não dá para fazer isso, porque a parte de baixo já não existe. Mas aí é só ressignificar: ou a gente diz que é dom Paulo Evaristo Arns ou coloca uma cartola de bronze para virar estátua do Chacrinha. “Terezinhaaa!”)
Nem é preciso lembrar que Colston, o traficante de escravos de Bristol, também doava dinheiro a escolas e instituições de caridade para perceber que não é simples traçar um limite nesses casos — nem tudo é uma decisão tão fácil quanto suprimir monumentos a Hitler ou a Stálin. O Coliseu, por exemplo, foi erguido com mão de obra escrava. Vira pó? O mesmo vale para as pirâmides do Egito: vamos transformar numa pilha de tijolos? Ou não é preciso porque, nesses casos, a escravidão é “muito antiga”? E as obras de arte ligadas a essa instituição opressora que é a Igreja Católica, como a Pietà e a Capela Sistina? Martelo nelas? Passamos a achar bacana o que o Taleban fez com os Budas do Afeganistão?
Não estou dizendo aqui que a derrubada da estátua do traficante de escravos “leva” à destruição das pirâmides; seria apelar ao que os especialistas chamam de falácia da ladeira escorregadia (slippery slope). Só que o limite entre as primeiras coisas e as últimas é essencialmente arbitrário. E no fundo essa iconoclastia, assim como a queima de livros, é uma tentativa de reescrever o passado editando aquelas partes que hoje nos envergonham. Não adianta, porque é um recalque malfeito e o passado sempre retorna — inclusive nessas tradicionais modalidades de derrubada de estátuas e queima de livros.
(Iconoclastia, aliás, é termo que remonta ao Império Bizantino, quando Leão 3º proibiu a veneração de ícones e o pessoal saiu destruindo estátuas de santos, mosaicos e pinturas. Juntando isso à pandemia e aos novos “aldeões com tochas” dos linchamentos virtuais, já podemos dar as boas-vindas à Idade Média 2.0.)
[attachment=0]Estátua Getulio.jpg[/attachment]
Fábio Motta/Estadão Conteúdo
O Cabeção do Getúlio é facilmente transformável em dom Paulo ou em Chacrinha
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Data da postagem: 12/06/2020, 16:42

E tem quem criticava os antigos faraós ao mudarem o nome dos autores de monumentos...e tem quem ache Orwell um lunático. A história se repete.
“O tempora! O mores!”: até quando seremos forçados a viver tempos deploráveis?
“O tempora! O mores!”: até quando seremos forçados a viver tempos deploráveis?
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Data da postagem: 12/06/2020, 19:14
GabaritoAtivistas derrubam estátuas confederadas nos EUA na esteira de onda revisionista
Foram removidos ao menos dez monumentos de figuras que defendiam escravidão
[...]
Estátua de Jefferson Davis, militar americano que defendia a manutenção da escravidão nos EUA, foi derrubada em Richmond, na Virgínia - Parker Michels-Boyce - 10.jun.20/AFP
Em todos os EUA, pelo menos dez monumentos aos confederados e outras figuras históricas controversas foram removidos. Estátuas e memoriais também estão sendo questionados em mais de 20 cidades americanas, de acordo com levantamento do jornal The New York Times.
Nesta quarta (10), a Nascar, categoria do automobilismo americano, baniu a bandeira confederada de suas corridas, eventos e propriedades, atendendo a um pedido de Bubba Wallace, único piloto negro da categoria.
A presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, exigiu que 11 estátuas de confederados que se opunham ao fim da escravidão sejam removidas do Capitólio, sede do Legislativo americano.
"Os monumentos de homens que defenderam a crueldade e a barbárie para alcançar um fim puramente racista são uma afronta grotesca aos ideais americanos de democracia e liberdade", escreveu Pelosi em carta a uma comissão bipartidária nesta quarta.
[...]
Concordo plenamente com o juízo de valor da Nancy Pelosi : "Os monumentos de homens que defenderam a crueldade e a barbárie para alcançar um fim puramente racista são uma afronta grotesca aos ideais americanos de democracia e liberdade"
Não faz sentido uma sociedade democrática e não racista continuar a homenagear um racista.
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Data da postagem: 12/06/2020, 20:48

Titoff
Não vi detalhes sobre essas polêmicas, mas a princípio tem tudo para perderem na mão mesmo.
Mas esta do zumbi dos palmares ter tido escravos, parece que foi uma "conclusão" tirada do chapéu do tal autor do livro lacrador.
Zumbi era um líder autoritário e tinha escravos? Veja as polêmicas sobre a escravidão no Brasil
https://educacao.uol.com.br/noticias/2011/05/13/zumbi-era-um-lider-autoritario-e-tinha-escravos-veja-as-polemicas-sobre-a-escravidao-no-brasil.htm
Como os bandeirantes paulistas destruíram o Quilombo dos Palmares e mataram Zumbi
https://www.socialistamorena.com.br/como-os-bandeirantes-paulistas-destruiram-o-quilombo-dos-palmares
O Quilombo dos Palmares (Edison Carneiro - 1958)
https://web.archive.org/web/20150317131526/http://www.brasiliana.com.br/obras/o-quilombo-dos-palmares/pagina/5/texto
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Data da postagem: 13/06/2020, 21:06

Descolonizar é preciso: abaixo o Borba Gato!
https://www.socialistamorena.com.br/descolonizar-e-preciso-abaixo-o-borba-gato

https://www.socialistamorena.com.br/descolonizar-e-preciso-abaixo-o-borba-gato

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Data da postagem: 13/06/2020, 21:27