
Clube Ceticismo
Federação Russa
Autor: Agnoscetico | Categoria: História, Sociedade, Comportamento e Filosofia | Exibições: 511993 Comentários: 97

O governo Putin parece uma mescla do tal Eurasianismo, saudosismo da grandiosidade da Rússia como potência durante a URSS, mas, ao mesmo tempo anti-esquerdismo (como questão doa gays, etc)
De um tempo pra cá há manifestações de oposição, alguns pode ser motivados pela busca pir liberdade apenas e outros por um novo tipo de socialismo:
De um tempo pra cá há manifestações de oposição, alguns pode ser motivados pela busca pir liberdade apenas e outros por um novo tipo de socialismo:
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Data da postagem: 25/07/2020, 17:34

Comunista na economia, conservador nos costumes.
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Data da postagem: 25/07/2020, 22:07

Cinzu
Comunista na economia, conservador nos costumes.
Os comunistas defendem o vale-tudo nos costumes quando estão tentando chegar ao poder.
Isto serve para dividir a sociedade em facções inimigas e enfraquecê-la.
Quando chegam ao poder, tornam-se tão ao mais conservadores que as sociedades do mundo livre.
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Data da postagem: 26/07/2020, 08:39
6 maravilhas capitalistas russas que vão fazer seu país parecer comunista
ECONOMIA17 DE MARÇO DE 2015MARINA DARMAROSDMÍTRI GOLUB
País tem serviços que irão acabar com a ideia de que o socialismo possa ter resistido ao colapso da União Soviética
Foto: PhotoXPress
Lojas de eletrônicos 24 horas, contas bancárias em moeda estrangeira, lojas virtuais que fazem qualquer negócio, caronas pagas... A Rússia já não é mais a mesma, e a batalha selvagem dos comerciantes para ganhar clientes vai fazer você babar de inveja de alguns serviços!
Se você ainda tem forças para discutir com aquele tio que sonhava em estudar na Patrice Lumumba ou com o colega de "facul" que veste todo santo dia a camiseta do Che vendida aos milhões em barraquinhas mundo afora, seus problemas acabaram! Segue aqui uma lista de seis conquistas capitalistas "mais que selvagens" da Rússia que comprovam que o comunismo já não tem vez na terra de Lênin!
Horário de atendimento estendido nos bancos
Foto: Maksim Blinov/RIA Nóvosti
Os banqueiros russos não perdem tempo. No país, as agências bancárias abrem das 8h às 21h e também nos finais de semana - e não estou falando do caixa eletrônico, mas dos guichês de atendimento com gente em carne e osso. E, ah, todo caixa eletrônico é 24h.
Fazemos qualquer negócio (pela internet)
Quer comprar algo pela internet mas não tem cartão crédito e não quer pagar boleto? Não tem problema, as lojas virtuais aceitam dinheiro vivo no ato da entrega, mesmo que você esteja comprando nada menos que um computador (o que dá uma porção de notas em rublos!). Quer comprar roupas, sapatos e acessórios, mas, assim pela internet, não sabe se caem bem? Então escolha um monte de peças que o portador trará para você provar em casa - e só levar o que escolher! Eis aqui a tradução mais pura do "fazemos qualquer negócio" para a vida real. Além disso, você pode marcar de encontrar o entregador no metrô mais próximo ou em um ponto de ônibus... Entregador de loja virtual, aliás, é - ou era antes da crise? - uma profissão em ascensão no país.
Conta em moeda estrangeira
O dólar chegou a quase três reais e você está aí, se descabelando? Não pode viajar, não pode comprar no eBay, não pode, não pode, não pode? Pois os russos mais precavidos contra a flutuação da moeda não têm o mesmo problema, já que no país é possível ter conta - corrente ou poupança - em rublo, dólar, euro, ou todas as alternativas anteriores. Não que seja tão comum alguém entrar na sua casa e roubar suas verdinhas de debaixo do colchão... Além disso, muitos caixas eletrônicos também liberam moedas estrangeiras - e os limites de saque são estratosféricos, se comparados aos do Brasil, na casa das dezenas de milhares.
Moscow Never Sleeps
Fonte: YouTube
Como diz um poperô famosérrimo na terra da vodca, Moscow Never Sleeps! Isso quer dizer que você não vai apenas encontrar algumas farmácias em plantão no bairro e lojas de conveniência abertas 24 horas na capital, mas supermercados inteiros, lojas de decoração, de roupas, eletrônicos (eu sei que você está se perguntando que diabos de pessoa precisaria comprar um gravador às 2h da manhã, mas, acredite, essas pessoas existem e continuam a trabalhar na Gazeta Russa!) etc.
Transferência de dinheiro por cartão bancário
Foto: Shutterstock
Transferir dinheiro para outras pessoas é realmente algo muito chato e burocrático. É preciso dar o nome completo de quem receberá, CPF, CNPJ, nome do banco, número do banco, número da agência, número da conta, saber se é corrente ou poupança e o raio que o parta - e ai de você se errar um dígito! Na Rússia, porém, você anota o número do cartão Visa ou Master do recebedor e faz uma transferência "intercartões". Assim. Fácil, rápido e não põe em risco nenhuma conexão por falta - ou excesso - de dados.
Taxistas de ocasião
Foto: PhotoXpress
Todo mundo que tem alguma curiosidade sobre a Rússia já ouviu falar dos táxis ciganos. Para quem deixou essa escapar, no país todo carro pode ser táxi, por isso, quando você estiver buscando um só precisa se postar diante do meio-fio e estender o braço: quem parar e negociar o melhor preço, leva o passageiro. Acontece que não são só os ladinhas velhos e caindo aos pedaços que aderem à ação de "taksovat" (sim, na Rússia existe um verbo para "trabalhar como taxista"), mas carros bem decentes da classe média também. Esses taxistas de ocasião, obviamente, não têm licença para trabalhar no ramo e o fazem ilegalmente, mas a prática é tão comum que é difícil alguém buscar um táxi de outra forma. Afinal, os taxistas ciganos geralmente levam pessoas que estejam indo para o mesmo lado que eles - e, se ele já estava indo para lá mesmo, por que ir de graça? É o capitalismo russo, bebê!
https://br.rbth.com/economia/2015/03/17/6_maravilhas_capitalistas_russas_que_vao_fazer_seu_pais_parecer_comu_29719
ECONOMIA17 DE MARÇO DE 2015MARINA DARMAROSDMÍTRI GOLUB
País tem serviços que irão acabar com a ideia de que o socialismo possa ter resistido ao colapso da União Soviética
Foto: PhotoXPress
Lojas de eletrônicos 24 horas, contas bancárias em moeda estrangeira, lojas virtuais que fazem qualquer negócio, caronas pagas... A Rússia já não é mais a mesma, e a batalha selvagem dos comerciantes para ganhar clientes vai fazer você babar de inveja de alguns serviços!
Se você ainda tem forças para discutir com aquele tio que sonhava em estudar na Patrice Lumumba ou com o colega de "facul" que veste todo santo dia a camiseta do Che vendida aos milhões em barraquinhas mundo afora, seus problemas acabaram! Segue aqui uma lista de seis conquistas capitalistas "mais que selvagens" da Rússia que comprovam que o comunismo já não tem vez na terra de Lênin!
Horário de atendimento estendido nos bancos
Foto: Maksim Blinov/RIA Nóvosti
Os banqueiros russos não perdem tempo. No país, as agências bancárias abrem das 8h às 21h e também nos finais de semana - e não estou falando do caixa eletrônico, mas dos guichês de atendimento com gente em carne e osso. E, ah, todo caixa eletrônico é 24h.
Fazemos qualquer negócio (pela internet)
Quer comprar algo pela internet mas não tem cartão crédito e não quer pagar boleto? Não tem problema, as lojas virtuais aceitam dinheiro vivo no ato da entrega, mesmo que você esteja comprando nada menos que um computador (o que dá uma porção de notas em rublos!). Quer comprar roupas, sapatos e acessórios, mas, assim pela internet, não sabe se caem bem? Então escolha um monte de peças que o portador trará para você provar em casa - e só levar o que escolher! Eis aqui a tradução mais pura do "fazemos qualquer negócio" para a vida real. Além disso, você pode marcar de encontrar o entregador no metrô mais próximo ou em um ponto de ônibus... Entregador de loja virtual, aliás, é - ou era antes da crise? - uma profissão em ascensão no país.
Conta em moeda estrangeira
O dólar chegou a quase três reais e você está aí, se descabelando? Não pode viajar, não pode comprar no eBay, não pode, não pode, não pode? Pois os russos mais precavidos contra a flutuação da moeda não têm o mesmo problema, já que no país é possível ter conta - corrente ou poupança - em rublo, dólar, euro, ou todas as alternativas anteriores. Não que seja tão comum alguém entrar na sua casa e roubar suas verdinhas de debaixo do colchão... Além disso, muitos caixas eletrônicos também liberam moedas estrangeiras - e os limites de saque são estratosféricos, se comparados aos do Brasil, na casa das dezenas de milhares.
Moscow Never Sleeps
Fonte: YouTube
Como diz um poperô famosérrimo na terra da vodca, Moscow Never Sleeps! Isso quer dizer que você não vai apenas encontrar algumas farmácias em plantão no bairro e lojas de conveniência abertas 24 horas na capital, mas supermercados inteiros, lojas de decoração, de roupas, eletrônicos (eu sei que você está se perguntando que diabos de pessoa precisaria comprar um gravador às 2h da manhã, mas, acredite, essas pessoas existem e continuam a trabalhar na Gazeta Russa!) etc.
Transferência de dinheiro por cartão bancário
Foto: Shutterstock
Transferir dinheiro para outras pessoas é realmente algo muito chato e burocrático. É preciso dar o nome completo de quem receberá, CPF, CNPJ, nome do banco, número do banco, número da agência, número da conta, saber se é corrente ou poupança e o raio que o parta - e ai de você se errar um dígito! Na Rússia, porém, você anota o número do cartão Visa ou Master do recebedor e faz uma transferência "intercartões". Assim. Fácil, rápido e não põe em risco nenhuma conexão por falta - ou excesso - de dados.
Taxistas de ocasião
Foto: PhotoXpress
Todo mundo que tem alguma curiosidade sobre a Rússia já ouviu falar dos táxis ciganos. Para quem deixou essa escapar, no país todo carro pode ser táxi, por isso, quando você estiver buscando um só precisa se postar diante do meio-fio e estender o braço: quem parar e negociar o melhor preço, leva o passageiro. Acontece que não são só os ladinhas velhos e caindo aos pedaços que aderem à ação de "taksovat" (sim, na Rússia existe um verbo para "trabalhar como taxista"), mas carros bem decentes da classe média também. Esses taxistas de ocasião, obviamente, não têm licença para trabalhar no ramo e o fazem ilegalmente, mas a prática é tão comum que é difícil alguém buscar um táxi de outra forma. Afinal, os taxistas ciganos geralmente levam pessoas que estejam indo para o mesmo lado que eles - e, se ele já estava indo para lá mesmo, por que ir de graça? É o capitalismo russo, bebê!
https://br.rbth.com/economia/2015/03/17/6_maravilhas_capitalistas_russas_que_vao_fazer_seu_pais_parecer_comu_29719
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Data da postagem: 26/07/2020, 20:21
A lista de bilionários da revista Forbes e o crescimento da desigualdade na Rússia
Por Vladimir Volkov
23 Mayo 2006
Utilice esta versión para imprimir | Enviar por e-mail | Comunicar com o autor
A revista de negócios americana Forbes publicou recentemente sua lista de bilionários de 2005, que inclui 33 cidadãos russos, ilustrando uma vez mais como a vida política da Rússia contemporânea, sob a liderança do presidente Putin, visa primordialmente à satisfação dos interesses dos grandes negócios e dos oligarcas pós-soviéticos.
A riqueza das pessoas mais ricas do planeta aumenta numa velocidade sem precedentes. Em 2005, o número de bilionários alcançou 793, contingente este acrescido de 102 indivíduos sobre o total do ano precedente, e seus valores líquidos excederam 2,3 trilhões de dólares, elevando-se, assim, em 18%. A riqueza média de cada membro do privilegiado elenco dos super-ricos da lista é de 3,3 bilhões de dólares.
Os indicadores do "setor russo" na lista, que aumentou em seis indivíduos desde o ano passado, correspondem exatamente a esta tendência geral, e por vezes até a excede. O montante líquido de recursos dos nouveauxx riches(a) quase que dobrou no curso de um ano, passando de 91 bilhões de dólares para 172 bilhões de dólares. Doze deles figuram no topo dos 100 mundiais. No pico, acha-se Roman Abramovich, o governador da Chukotka(b) proprietário do clube de futebol britânico Chelsea(c). Sua fortuna cresceu—especialmente por causa da venda da companhia Sibneft(d)—aproximadamente $5 bilhões, e é estimada em $18,2 bilhões. Ele passou do 21º para o 11º lugar na lista mundial.
Depois dele vem o presidente da Lukoil(e) Vagit Alekperov, ex-vice-ministro da indústria estatal de petróleo russa, cuja riqueza mais do que dobrou, alcançando 11 bilhões de dólares.
Em seguida, vêm Vladimir Lisin, diretor da aciaria Novolipetsk; Viktor Vekselberg, comprador da Faberge(f) e pretendente ao governo da Kamchatka, diretor da Sibéria-Ural Aluminium Company-SUAL e da empresa petrolífera TNK-BP; Mikhail Fridman, diretor principal do consórcio Alfa Group Consortium; e outros conhecidos e não bem conhecidos "heróis".
Como referido em editorial do periódico Gazeta, a maioria dos novos membros da "Lista Russa" tinha de dar informações sobre sua faixa de renda (income public), inclusive sobre as vendas iniciais de ações ordinárias. Como resultado, verificou-se que o montante da riqueza do vice-presidente do Gupo Evraz, Alexandr Frolov, representava 2,3 bilhões de dólares, enquanto que o gerente geral da Novatek, Leonid Mikhelson, é de 2,5 bilhões de dólares.
A Rússia subiu para o terceiro lugar no mundo, após os Estados Unidos e a Alemanha, no número de bilionários. Além disto, Moscou elevou-se para a classe de cidades com o segundo maior número de bilionários, após Nova Iorque: nesta última, há 40 deles; em Moscou, 25; em Londres, 23.
O número de russos fazendo parte da lista da Forbes podia ser maior se muitas empresas dessa nacionalidade já tivessem realizado uma venda inicial de ações ordinárias ao público, e, de acordo com a "tradição", preferissem não revelar seus verdadeiros donos e suas receitas. Ademais, representantes do Gazprom e do Sistema Único de Energia russos, monopólios gigantescos pertencentes ao Estado, estão ausentes da lista. A lista Forbes documenta uma tendência mundial que se manifesta com agudo vigor nos anos recentes.
Consiste na maciça acumulação de riquezas em poucas mãos, adquiridas não tanto por aquisições no campo produtivo como também pela constante redistribuição da riqueza nacional da base para o topo por meio da redução de impostos dos ricos e favorecimento de novos privilégios aos grandes negócios e, simultaneamente, destruindo mecanismos e estruturas sociais criados no pós-Segunda Guerra Mundial.
O caráter especulativo e profundamente parasítico das riquezas mundiais dos bilionários é acentuado pelo fato de que a riqueza de muitos dos figurantes na lista incrementou devido ao crescimento dos mercados financeiros. Na Índia, onde o índice das ações elevou-se 54% no período de 12 meses, 10 novos bilionários surgiram. Na China, que atrai uma significativa fatia dos investimentos internacionais, graças à mão-de-obra barata e ao regime burocrático repressivo, o número de bilionários era de apenas oito, quatro vezes superior ao de 2004. Todavia, o mais impressionante aumento no número de ricos foi registrado nos Estados Unidos, onde 44 novos milionários apareceram no ano passado. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos são o maior devedor do mundo, pois que detentor de tremendo saldo negativo de sua balança comercial e financeira, mantendo a estabilidade de sua economia num grau significativo por causa do influxo diário de 2 bilhões de dólares vindos do exterior e da crescente bolha de transações especulativas imobiliárias.
De que forma a oligarquia russa amontoou tanto dinheiro no ano passado? Principalmente através da pilhagem dos recursos naturais, e como resultado da expansão do mercado financeiro. Quase todos os bilionários russos controlam a exportação de matérias primas—petróleo, gás e metais básicos. As elevadas cotações mundiais das matérias primas propiciaram a esses exportadores receitas recordes. Noutras palavras, a incrementada riqueza dos russos abastados não é reflexo do crescimento real da economia e da elevação do padrão de vida, mas na verdade evidencia a permanência da situação geral do pais como exportador de matérias-primas e também de apêndice do mercado capitalista mundial, além de manter-se sua condição de miserabilidade da maioria absoluta da população.
O histórico da venda no último ano da Sibneft, comprada pela Gazprom por 13 bilhões de dólares, constitui um exemplo instrutivo de como a oligarquia russa enriquece sob o governo de Putin. Lembramos ao leitor que a privatização da Sibneft num esquema de leilão para aquisição de ações por meio de empréstimos ("loans-for-shares") custou aos proprietários da companhia—B. Berezovsky(g) e R. Abramovich -, à época, 100 milhões de dólares. Às vésperas da venda à Gazprom, a Sibneft foi uma das mais "opacas" companhias, implementando os esquemas de sonegação de impostos similares aos implementados pela Yukos.
Por exemplo, a taxa de lucro efetiva (effective tax rate) da Sibneft em 2003 foi somente 7% (na primeira metade do ano apenas 4,8%), enquanto a taxa básica foi de 24%.
Por vários anos, a Câmara de Auditagem da Federação russa tem sido constantemente advertida das violações praticadas em larga escala pela Sibneft. Assim, em 2001 a Sibneft subtraiu pagamentos no montante de 10 bilhões de rublos. Em 2003, auditores da Câmara de Auditagem anunciaram que a Sibneft tinha desviado 14 bilhões de rublos através de sucursais ultramarinas componentes do feudo de Roman Abramovich, a Chukotka. Ao mesmo tempo, o débito da Chukotka Corporation para com o estado era de 9,3 bilhões de rublos (quantia que excede em duas vezes e meia a capacidade geradora de receitas do orçamento regional).
Vários meses antes de a transação da Gazprom-Sibneft começar a ser delineada, a Inspetoria Federal de Tributação (Federal Tax Service) detinha ainda um certo número de queixas contra a companhia, totalizando cerca de 1 bilhão de dólares. Às vésperas da transação todas as reclamações respeitantes à empresa foram retiradas, e, de acordo com informação que circulou na mídia, a Sibneft esperneou e conseguiu pagar apenas 300 milhões de dólares em lugar do bilhão exigido.
A compra da Sibneft foi efetuada de acordo com o "esquema cinza". Um registro de acionistas da companhia Millhouse Capital, cujas contas absorveram o valor intergral, nunca foi publicado. Dessa forma, os titulares recebedores dos fundos da Gazprom permanecem desconhecidos do grande público.
Sabe-se que até a época da venda, o volume de petróleo extraído pela companhia diminuía como resultado da catastrófica deterioração de seus ativos físicos e por causa da exaustão de suas reservas e da queda da prospecção geológica. Os analistas do mercado petrolífero predizem que é improvável que tal tendência seja afastada, pelo menos em futuro próximo, uma vez que os investimentos das companhias petrolíferas russas para renovação de suas infraestruturas e das explorações geológicas são completamente inadequados.
É também necessário mencionar que em 2001 Abramovich adquiriu de B. Berezovsky metade das ações da empresa - isto é, toda participação deste acionista na companhia—por 1,3 bilhão de dólares. Então, Abramovich considerou o valor de sua aquisição um "preço justo".
Resumindo estes dados, pode-se supor que o preço pago pela aquisição da Sibneft foi essencial e propositalmente exagerado. Em particular, peritos do Instituto de Estratégias Nacionais (National Strategy Institute), sob direção do cientista político nacional-liberal Stanislav, chegaram a esta conclusão espelhada num relatório intitulado "O Poder do Dinheiro. A Estratégia Decisiva da Elite Dirigente Russa", publicado em dezembro do ano passado.
A realidade é que a os oligarcas russos continuam a determinar integralmente as decisões parlamentares e governamentais, e, mesmo que eles estejam dispostos a desistir do domínio dos mais lucrativos setores da economia russa, ainda assim receberão enormes compensações. Todos os problemas restantes são deixados por conta do orçamento—i.é, serão pagos pelos contribuintes comuns. Paralelamente às orgias do enriquecimento, a condição da maioria dos habitantes do país agrava-se a cada instante, o que é demonstrado pelos protestos maciços contra a monetarização dos serviços sociais no último ano (a monetarização reduziu drasticamente o dispêndio global do estado com as camadas sociais mais vulneráveis da população), e igualmente os protestos contra as reformas dos serviços sociais urbanos residenciais (home utilities) este ano.
O objetivo da reforma dos encargos residenciais urbanos é transferir a totalidade de seus custos públicos para seus usuários, ao mesmo tempo em que estes dispêndios se elevam. Os custos dos serviços públicos elevaram-se entre 30% e 40% exatamente no começo do ano, enquanto a inflação para janeiro e fevereiro, de acordo com dados oficiais, elevou-se em apenas 4%. Isto é, a metade do percentual que o governo estimou para todo ano.
As condições educacionais, de saúde pública, auxílio moradia, e demais serviços assistenciais para os idosos têm piorado sensivelmente. O jornal Izvestiya em 10 de março publicou um artigo de acordo com o qual o sistema de pensões russo está ameaçado de colapso. Simultaneamente ao fracasso do sistema privado de pensões, essencialmente por causa da falibilidade das instituições financeiras privadas russas, o déficit do Fundo Estatal de Pensões alcançou 112 bilhões de rublos no ano passado. Uma redução de apenas uma única taxa de impostos é apontada como uma das causas básicas—uma dentre uma série das medidas das reformas de mercados "institucionalizadas" pelo governo de V. Putin.
De acordo com estimativas da Câmara de Auditagem, o déficit orçamentário do Fundo de Pensão em 2008 alcançaria 1,3 bilhões de dólares, e por volta de 2012, na opinião de especialistas, será de 23 bilhões de dólares. Isto poderia significar o colapso de um sistema de pensões incapaz de reagir adequadamente a uma situação macroeconômica desfavorável diante de uma queda das receitas petrolíferas estatais. A despeito dos esforços dos ideólogos do Kremlin e de todos aqueles a insistirem que as políticas do governo de Putin constituem a restauração parcial da justiça social e a prática de alguma oposição às condições vigentes sob Boris Yeltsin na década de 1990, seu conteúdo real representa a garantia ainda maior dos ilimitados privilégios estabelecidos de uma minoria insignificante ao próprio enriquecimento às expensas da maioria da sociedade. O chamado nacionalismo é exatamente uma outra forma assumida pela crescente desigualdade social.
Tradução de Odon Porto de Almeida.
https://www.wsws.org/pt/2006/may2006/port-m22.shtml
Por Vladimir Volkov
23 Mayo 2006
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A revista de negócios americana Forbes publicou recentemente sua lista de bilionários de 2005, que inclui 33 cidadãos russos, ilustrando uma vez mais como a vida política da Rússia contemporânea, sob a liderança do presidente Putin, visa primordialmente à satisfação dos interesses dos grandes negócios e dos oligarcas pós-soviéticos.
A riqueza das pessoas mais ricas do planeta aumenta numa velocidade sem precedentes. Em 2005, o número de bilionários alcançou 793, contingente este acrescido de 102 indivíduos sobre o total do ano precedente, e seus valores líquidos excederam 2,3 trilhões de dólares, elevando-se, assim, em 18%. A riqueza média de cada membro do privilegiado elenco dos super-ricos da lista é de 3,3 bilhões de dólares.
Os indicadores do "setor russo" na lista, que aumentou em seis indivíduos desde o ano passado, correspondem exatamente a esta tendência geral, e por vezes até a excede. O montante líquido de recursos dos nouveauxx riches(a) quase que dobrou no curso de um ano, passando de 91 bilhões de dólares para 172 bilhões de dólares. Doze deles figuram no topo dos 100 mundiais. No pico, acha-se Roman Abramovich, o governador da Chukotka(b) proprietário do clube de futebol britânico Chelsea(c). Sua fortuna cresceu—especialmente por causa da venda da companhia Sibneft(d)—aproximadamente $5 bilhões, e é estimada em $18,2 bilhões. Ele passou do 21º para o 11º lugar na lista mundial.
Depois dele vem o presidente da Lukoil(e) Vagit Alekperov, ex-vice-ministro da indústria estatal de petróleo russa, cuja riqueza mais do que dobrou, alcançando 11 bilhões de dólares.
Em seguida, vêm Vladimir Lisin, diretor da aciaria Novolipetsk; Viktor Vekselberg, comprador da Faberge(f) e pretendente ao governo da Kamchatka, diretor da Sibéria-Ural Aluminium Company-SUAL e da empresa petrolífera TNK-BP; Mikhail Fridman, diretor principal do consórcio Alfa Group Consortium; e outros conhecidos e não bem conhecidos "heróis".
Como referido em editorial do periódico Gazeta, a maioria dos novos membros da "Lista Russa" tinha de dar informações sobre sua faixa de renda (income public), inclusive sobre as vendas iniciais de ações ordinárias. Como resultado, verificou-se que o montante da riqueza do vice-presidente do Gupo Evraz, Alexandr Frolov, representava 2,3 bilhões de dólares, enquanto que o gerente geral da Novatek, Leonid Mikhelson, é de 2,5 bilhões de dólares.
A Rússia subiu para o terceiro lugar no mundo, após os Estados Unidos e a Alemanha, no número de bilionários. Além disto, Moscou elevou-se para a classe de cidades com o segundo maior número de bilionários, após Nova Iorque: nesta última, há 40 deles; em Moscou, 25; em Londres, 23.
O número de russos fazendo parte da lista da Forbes podia ser maior se muitas empresas dessa nacionalidade já tivessem realizado uma venda inicial de ações ordinárias ao público, e, de acordo com a "tradição", preferissem não revelar seus verdadeiros donos e suas receitas. Ademais, representantes do Gazprom e do Sistema Único de Energia russos, monopólios gigantescos pertencentes ao Estado, estão ausentes da lista. A lista Forbes documenta uma tendência mundial que se manifesta com agudo vigor nos anos recentes.
Consiste na maciça acumulação de riquezas em poucas mãos, adquiridas não tanto por aquisições no campo produtivo como também pela constante redistribuição da riqueza nacional da base para o topo por meio da redução de impostos dos ricos e favorecimento de novos privilégios aos grandes negócios e, simultaneamente, destruindo mecanismos e estruturas sociais criados no pós-Segunda Guerra Mundial.
O caráter especulativo e profundamente parasítico das riquezas mundiais dos bilionários é acentuado pelo fato de que a riqueza de muitos dos figurantes na lista incrementou devido ao crescimento dos mercados financeiros. Na Índia, onde o índice das ações elevou-se 54% no período de 12 meses, 10 novos bilionários surgiram. Na China, que atrai uma significativa fatia dos investimentos internacionais, graças à mão-de-obra barata e ao regime burocrático repressivo, o número de bilionários era de apenas oito, quatro vezes superior ao de 2004. Todavia, o mais impressionante aumento no número de ricos foi registrado nos Estados Unidos, onde 44 novos milionários apareceram no ano passado. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos são o maior devedor do mundo, pois que detentor de tremendo saldo negativo de sua balança comercial e financeira, mantendo a estabilidade de sua economia num grau significativo por causa do influxo diário de 2 bilhões de dólares vindos do exterior e da crescente bolha de transações especulativas imobiliárias.
De que forma a oligarquia russa amontoou tanto dinheiro no ano passado? Principalmente através da pilhagem dos recursos naturais, e como resultado da expansão do mercado financeiro. Quase todos os bilionários russos controlam a exportação de matérias primas—petróleo, gás e metais básicos. As elevadas cotações mundiais das matérias primas propiciaram a esses exportadores receitas recordes. Noutras palavras, a incrementada riqueza dos russos abastados não é reflexo do crescimento real da economia e da elevação do padrão de vida, mas na verdade evidencia a permanência da situação geral do pais como exportador de matérias-primas e também de apêndice do mercado capitalista mundial, além de manter-se sua condição de miserabilidade da maioria absoluta da população.
O histórico da venda no último ano da Sibneft, comprada pela Gazprom por 13 bilhões de dólares, constitui um exemplo instrutivo de como a oligarquia russa enriquece sob o governo de Putin. Lembramos ao leitor que a privatização da Sibneft num esquema de leilão para aquisição de ações por meio de empréstimos ("loans-for-shares") custou aos proprietários da companhia—B. Berezovsky(g) e R. Abramovich -, à época, 100 milhões de dólares. Às vésperas da venda à Gazprom, a Sibneft foi uma das mais "opacas" companhias, implementando os esquemas de sonegação de impostos similares aos implementados pela Yukos.
Por exemplo, a taxa de lucro efetiva (effective tax rate) da Sibneft em 2003 foi somente 7% (na primeira metade do ano apenas 4,8%), enquanto a taxa básica foi de 24%.
Por vários anos, a Câmara de Auditagem da Federação russa tem sido constantemente advertida das violações praticadas em larga escala pela Sibneft. Assim, em 2001 a Sibneft subtraiu pagamentos no montante de 10 bilhões de rublos. Em 2003, auditores da Câmara de Auditagem anunciaram que a Sibneft tinha desviado 14 bilhões de rublos através de sucursais ultramarinas componentes do feudo de Roman Abramovich, a Chukotka. Ao mesmo tempo, o débito da Chukotka Corporation para com o estado era de 9,3 bilhões de rublos (quantia que excede em duas vezes e meia a capacidade geradora de receitas do orçamento regional).
Vários meses antes de a transação da Gazprom-Sibneft começar a ser delineada, a Inspetoria Federal de Tributação (Federal Tax Service) detinha ainda um certo número de queixas contra a companhia, totalizando cerca de 1 bilhão de dólares. Às vésperas da transação todas as reclamações respeitantes à empresa foram retiradas, e, de acordo com informação que circulou na mídia, a Sibneft esperneou e conseguiu pagar apenas 300 milhões de dólares em lugar do bilhão exigido.
A compra da Sibneft foi efetuada de acordo com o "esquema cinza". Um registro de acionistas da companhia Millhouse Capital, cujas contas absorveram o valor intergral, nunca foi publicado. Dessa forma, os titulares recebedores dos fundos da Gazprom permanecem desconhecidos do grande público.
Sabe-se que até a época da venda, o volume de petróleo extraído pela companhia diminuía como resultado da catastrófica deterioração de seus ativos físicos e por causa da exaustão de suas reservas e da queda da prospecção geológica. Os analistas do mercado petrolífero predizem que é improvável que tal tendência seja afastada, pelo menos em futuro próximo, uma vez que os investimentos das companhias petrolíferas russas para renovação de suas infraestruturas e das explorações geológicas são completamente inadequados.
É também necessário mencionar que em 2001 Abramovich adquiriu de B. Berezovsky metade das ações da empresa - isto é, toda participação deste acionista na companhia—por 1,3 bilhão de dólares. Então, Abramovich considerou o valor de sua aquisição um "preço justo".
Resumindo estes dados, pode-se supor que o preço pago pela aquisição da Sibneft foi essencial e propositalmente exagerado. Em particular, peritos do Instituto de Estratégias Nacionais (National Strategy Institute), sob direção do cientista político nacional-liberal Stanislav, chegaram a esta conclusão espelhada num relatório intitulado "O Poder do Dinheiro. A Estratégia Decisiva da Elite Dirigente Russa", publicado em dezembro do ano passado.
A realidade é que a os oligarcas russos continuam a determinar integralmente as decisões parlamentares e governamentais, e, mesmo que eles estejam dispostos a desistir do domínio dos mais lucrativos setores da economia russa, ainda assim receberão enormes compensações. Todos os problemas restantes são deixados por conta do orçamento—i.é, serão pagos pelos contribuintes comuns. Paralelamente às orgias do enriquecimento, a condição da maioria dos habitantes do país agrava-se a cada instante, o que é demonstrado pelos protestos maciços contra a monetarização dos serviços sociais no último ano (a monetarização reduziu drasticamente o dispêndio global do estado com as camadas sociais mais vulneráveis da população), e igualmente os protestos contra as reformas dos serviços sociais urbanos residenciais (home utilities) este ano.
O objetivo da reforma dos encargos residenciais urbanos é transferir a totalidade de seus custos públicos para seus usuários, ao mesmo tempo em que estes dispêndios se elevam. Os custos dos serviços públicos elevaram-se entre 30% e 40% exatamente no começo do ano, enquanto a inflação para janeiro e fevereiro, de acordo com dados oficiais, elevou-se em apenas 4%. Isto é, a metade do percentual que o governo estimou para todo ano.
As condições educacionais, de saúde pública, auxílio moradia, e demais serviços assistenciais para os idosos têm piorado sensivelmente. O jornal Izvestiya em 10 de março publicou um artigo de acordo com o qual o sistema de pensões russo está ameaçado de colapso. Simultaneamente ao fracasso do sistema privado de pensões, essencialmente por causa da falibilidade das instituições financeiras privadas russas, o déficit do Fundo Estatal de Pensões alcançou 112 bilhões de rublos no ano passado. Uma redução de apenas uma única taxa de impostos é apontada como uma das causas básicas—uma dentre uma série das medidas das reformas de mercados "institucionalizadas" pelo governo de V. Putin.
De acordo com estimativas da Câmara de Auditagem, o déficit orçamentário do Fundo de Pensão em 2008 alcançaria 1,3 bilhões de dólares, e por volta de 2012, na opinião de especialistas, será de 23 bilhões de dólares. Isto poderia significar o colapso de um sistema de pensões incapaz de reagir adequadamente a uma situação macroeconômica desfavorável diante de uma queda das receitas petrolíferas estatais. A despeito dos esforços dos ideólogos do Kremlin e de todos aqueles a insistirem que as políticas do governo de Putin constituem a restauração parcial da justiça social e a prática de alguma oposição às condições vigentes sob Boris Yeltsin na década de 1990, seu conteúdo real representa a garantia ainda maior dos ilimitados privilégios estabelecidos de uma minoria insignificante ao próprio enriquecimento às expensas da maioria da sociedade. O chamado nacionalismo é exatamente uma outra forma assumida pela crescente desigualdade social.
Tradução de Odon Porto de Almeida.
https://www.wsws.org/pt/2006/may2006/port-m22.shtml
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Data da postagem: 26/07/2020, 20:26
14.06.2018 / 9:00
Dinheiro é pouco! Conheça 4 bilionários russos com times de futebol para chamar de seus
No clima da Copa do Mundo|| Créditos: Getty Images
É hoje! Logo mais será dado o start da Copa do Mundo na Rússia e dentre as várias incertezas que rondam o mundial desse ano uma das mais preocupantes diz respeito à lista de dignatários que estarão na abertura na cerimônia de abertura do evento multibilionário da FIFA. É que nestes tempos de polêmicas envolvendo o Kremlin por tudo que é lado, muitos chefes de Estado acharam melhor dizer “Não, obrigado” ao convite de Vladimir Putin para estarem ao lado dele quando o pontapé inicial da competição for dado no Luzhniki Stadium de Moscou.
Mas caso poucos políticos compareçam, Putin terá como consolo o fato de que muitos bilionários farão fila para lhe cortejar na ocasião, já que se tornou uma espécie de “must have” entre os membros do clube dos dez dígitos da Rússia ter um time de futebol para chamar de seu. A seguir, confira quatro desses “czares” das finanças que contam com sua próprias equipes de boleiros. Continua lendo…
Alisher Usmanov || Créditos: Getty Images
Alisher Usmanov, patrimônio pessoal de US$ 12,8 bilhões (R$ 46,4 bilhões)
Usmanov já foi o homem mais rico da Rússia e fez fortuna nos setores de aço e de telecomunicações de lá. Mas ele só se tornou um nome amplamente conhecido depois que comprou uma fatia de 30% do time inglês Arsenal FC, que mantém até hoje. Apesar de relativamente pequeno em relação aos negócios com os quais está acostumado, Usmanov considera o investimento como um de seus melhores em toda a carreira.
Roman Abramovich || Créditos: Getty Images
Roman Abramovich, patrimônio pessoal de US$ 11,6 bilhões (R$ 42 bilhões)
Apesar de não ser o mais rico, Abramovich certamente é o empresário mais famoso da Rússia aos olhos do resto do mundo. E isso graças ao futebol, já que ele começou a render manchetes internacionais em 2003, justamente quando comprou o Chelsea, também da Inglaterra. Graças aos investimentos milionários que fez na equipe inglesa, os “Blues” ganharam várias competições nacionais e europeias e conta com milhões de fãs. Em tempo: ele é ex de Naomi Campbell.
Dmitry Rybolovlev || Créditos: Getty Images
Dmitry Rybolovlev, patrimônio pessoal de US$ 6,8 bilhões (R$ 24,6 bilhões)
Há tempos que Mônaco é um dos points favoritos de bilionários do mundo inteiro, mas no caso de Rybolovlev as idas ao principado tem a ver com uma de suas joias da coroa: o time AS Monaco, que comprou em 2012. Na época a equipe penava na segunda divisão, mas logo se recuperaram para o olimpo do futebol por conta dos investimentos feitos pelo russo, que sonha em torná-la uma das melhores da Europa.
Suleiman Kerimov || Créditos: Getty Images
Suleiman Kerimov, patrimônio pessoal de US$ 5,1 bilhões (R$ 18,5 bilhões)
De origem humilde, Kerimov até pensou em ser jogador de futebol quando era criança. Mas a paixão por ganhar dinheiro acabou falando mais alto, e hoje ele é um dos oligarcas mais conhecidos da Rússia. Em 2011, o empresário decidiu comprar o time de sua cidade natal, o Anzhi Makhachkala, com a promessa de transformá-lo numa potência, e na mesma época contratou o camaronês Samuel Eto’o a peso de ouro. (Por Anderson Antunes)
https://glamurama.uol.com.br/dinheiro-e-pouco-conheca-4-bilionarios-russos-com-times-de-futebol-para-chamar-de-seus/
Dinheiro é pouco! Conheça 4 bilionários russos com times de futebol para chamar de seus
No clima da Copa do Mundo|| Créditos: Getty Images
É hoje! Logo mais será dado o start da Copa do Mundo na Rússia e dentre as várias incertezas que rondam o mundial desse ano uma das mais preocupantes diz respeito à lista de dignatários que estarão na abertura na cerimônia de abertura do evento multibilionário da FIFA. É que nestes tempos de polêmicas envolvendo o Kremlin por tudo que é lado, muitos chefes de Estado acharam melhor dizer “Não, obrigado” ao convite de Vladimir Putin para estarem ao lado dele quando o pontapé inicial da competição for dado no Luzhniki Stadium de Moscou.
Mas caso poucos políticos compareçam, Putin terá como consolo o fato de que muitos bilionários farão fila para lhe cortejar na ocasião, já que se tornou uma espécie de “must have” entre os membros do clube dos dez dígitos da Rússia ter um time de futebol para chamar de seu. A seguir, confira quatro desses “czares” das finanças que contam com sua próprias equipes de boleiros. Continua lendo…
Alisher Usmanov || Créditos: Getty Images
Alisher Usmanov, patrimônio pessoal de US$ 12,8 bilhões (R$ 46,4 bilhões)
Usmanov já foi o homem mais rico da Rússia e fez fortuna nos setores de aço e de telecomunicações de lá. Mas ele só se tornou um nome amplamente conhecido depois que comprou uma fatia de 30% do time inglês Arsenal FC, que mantém até hoje. Apesar de relativamente pequeno em relação aos negócios com os quais está acostumado, Usmanov considera o investimento como um de seus melhores em toda a carreira.
Roman Abramovich || Créditos: Getty Images
Roman Abramovich, patrimônio pessoal de US$ 11,6 bilhões (R$ 42 bilhões)
Apesar de não ser o mais rico, Abramovich certamente é o empresário mais famoso da Rússia aos olhos do resto do mundo. E isso graças ao futebol, já que ele começou a render manchetes internacionais em 2003, justamente quando comprou o Chelsea, também da Inglaterra. Graças aos investimentos milionários que fez na equipe inglesa, os “Blues” ganharam várias competições nacionais e europeias e conta com milhões de fãs. Em tempo: ele é ex de Naomi Campbell.
Dmitry Rybolovlev || Créditos: Getty Images
Dmitry Rybolovlev, patrimônio pessoal de US$ 6,8 bilhões (R$ 24,6 bilhões)
Há tempos que Mônaco é um dos points favoritos de bilionários do mundo inteiro, mas no caso de Rybolovlev as idas ao principado tem a ver com uma de suas joias da coroa: o time AS Monaco, que comprou em 2012. Na época a equipe penava na segunda divisão, mas logo se recuperaram para o olimpo do futebol por conta dos investimentos feitos pelo russo, que sonha em torná-la uma das melhores da Europa.
Suleiman Kerimov || Créditos: Getty Images
Suleiman Kerimov, patrimônio pessoal de US$ 5,1 bilhões (R$ 18,5 bilhões)
De origem humilde, Kerimov até pensou em ser jogador de futebol quando era criança. Mas a paixão por ganhar dinheiro acabou falando mais alto, e hoje ele é um dos oligarcas mais conhecidos da Rússia. Em 2011, o empresário decidiu comprar o time de sua cidade natal, o Anzhi Makhachkala, com a promessa de transformá-lo numa potência, e na mesma época contratou o camaronês Samuel Eto’o a peso de ouro. (Por Anderson Antunes)
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Data da postagem: 26/07/2020, 20:28
Na Rússia capitalista, até o comunismo está à venda
Comércio local assimilou que a revolução poderia ser capitalizada
04 DE JULHO - QUARTA-FEIRA - 12:41
O país que recebe a Copa do Mundo passou por uma transformação completa desde o fim da União Soviética, em 1991. E esse processo se acelerou ainda mais com a chegada de Putin ao poder, onde se mantém até hoje e ficará pelos próximos anos. De berço do comunismo a potência capitalista, a Rússia se abriu para o mundo e para o mercado. Cause repulsa em uns, fascínio em outros, os rastros dos tempos de Lênin, Stálin e companhia estão por todos os lados e estão à venda para quem quiser adquirir.
Os russos não querem esconder essa parte de sua história, e sim fazer dinheiro com ela. O comércio local assimilou rapidamente a ideia de que a revolução poderia ser capitalizada. Artigos do período soviético, originais ou reproduções, podem ser encontrados em qualquer feira ou loja de souvenir que se preze. E tem de tudo: broches, uniformes militares, cartazes com propagandas da época, matrioscas com os rostos de seus principais líderes.
Além das lembranças para levar para casa, os turistas ainda têm um arsenal de opções para experienciar o estilo de vida da antiga URSS. Nós já mostramos aqui no SuperFC uma série de locais repensados justamente para isso, como o museu que funciona como réplica de um apartamento dos anos 70 ou o esconderijo que seria usado pelo sanguinário Stálin durante a invasão nazista em Moscou. Até o corpo embalsamado de Lênin pode ser apreciado pelos olhos dos mais curiosos.
UM SEGUNDO NA PELE DE STÁLIN
Líder mais polêmico do comunismo russo, Stálin é produto tipo exportação por aqui. Nem mesmo o peso de ter tirado milhares de vida sob seu regime impede que os russos tentem capitalizar em cima da imagem do bigodudo. Uma das opções é “fantasiar-se” com as vestimentas do ditador, com direito a chapéu militar e até um bigode postiço para registrar a figura em uma foto. O preço: 200 rublos.
SORVETE SABOR CCPP
Produtos do dia a dia dos russos, como um simples picolé, traz estampada na embalagem a inscrição CCPP, sigla em cirílico para URSS. Encontrado em todas as cidades e em qualquer freezer de mercados e padarias, é um dos mais populares do país. Sem grandes efeitos, é só um picolé com cobertura de chocolate e recheio de baunilha – tipo o nosso Eskibon.
FEBRE AMERICANA COM JEITO SOVIÉTICO
As máquinas de fliperama fizeram muito sucesso nos anos 80 na antiga União Soviética, onde ganharam sua própria versão. Em clima de nostalgia, elas são encontradas hoje nos principais espaços dedicados a games nos grandes shoppings e são as atrações mais disputadas pelos locais.
LÊNIN DE UM LADO, GRIFES DE OUTRO
É na antiga Loja de Departamento Estatal, cuja sigla em russo é GUM, que funciona um dos centros comerciais mais caros, se não o mais caro, do mundo. Localizado na Praça Vermelha, que abriga o Kremlin moscovita, possui mais de 200 metros de comprimento e as lojas mais inacessíveis ao cidadão comum russo. Logo na fachada, para se ter uma ideia, a vitrine é ocupada pela marca de relógios Cartier. O que deve pensar o morto Lênin, dentro de seu mausoléu, que fica estrategicamente posicionado bem em frente ao GUM? Bom, que o comunismo não morreu, só virou produto made in Rússia para ser comercializado ao mundo.
https://www.otempo.com.br/superfc/blogs/superfc-na-copa-19.1376343/na-russia-capitalista-ate-o-comunismo-esta-a-venda-19.1392211
Comércio local assimilou que a revolução poderia ser capitalizada
04 DE JULHO - QUARTA-FEIRA - 12:41
O país que recebe a Copa do Mundo passou por uma transformação completa desde o fim da União Soviética, em 1991. E esse processo se acelerou ainda mais com a chegada de Putin ao poder, onde se mantém até hoje e ficará pelos próximos anos. De berço do comunismo a potência capitalista, a Rússia se abriu para o mundo e para o mercado. Cause repulsa em uns, fascínio em outros, os rastros dos tempos de Lênin, Stálin e companhia estão por todos os lados e estão à venda para quem quiser adquirir.
Os russos não querem esconder essa parte de sua história, e sim fazer dinheiro com ela. O comércio local assimilou rapidamente a ideia de que a revolução poderia ser capitalizada. Artigos do período soviético, originais ou reproduções, podem ser encontrados em qualquer feira ou loja de souvenir que se preze. E tem de tudo: broches, uniformes militares, cartazes com propagandas da época, matrioscas com os rostos de seus principais líderes.
Além das lembranças para levar para casa, os turistas ainda têm um arsenal de opções para experienciar o estilo de vida da antiga URSS. Nós já mostramos aqui no SuperFC uma série de locais repensados justamente para isso, como o museu que funciona como réplica de um apartamento dos anos 70 ou o esconderijo que seria usado pelo sanguinário Stálin durante a invasão nazista em Moscou. Até o corpo embalsamado de Lênin pode ser apreciado pelos olhos dos mais curiosos.
UM SEGUNDO NA PELE DE STÁLIN
Líder mais polêmico do comunismo russo, Stálin é produto tipo exportação por aqui. Nem mesmo o peso de ter tirado milhares de vida sob seu regime impede que os russos tentem capitalizar em cima da imagem do bigodudo. Uma das opções é “fantasiar-se” com as vestimentas do ditador, com direito a chapéu militar e até um bigode postiço para registrar a figura em uma foto. O preço: 200 rublos.
SORVETE SABOR CCPP
Produtos do dia a dia dos russos, como um simples picolé, traz estampada na embalagem a inscrição CCPP, sigla em cirílico para URSS. Encontrado em todas as cidades e em qualquer freezer de mercados e padarias, é um dos mais populares do país. Sem grandes efeitos, é só um picolé com cobertura de chocolate e recheio de baunilha – tipo o nosso Eskibon.
FEBRE AMERICANA COM JEITO SOVIÉTICO
As máquinas de fliperama fizeram muito sucesso nos anos 80 na antiga União Soviética, onde ganharam sua própria versão. Em clima de nostalgia, elas são encontradas hoje nos principais espaços dedicados a games nos grandes shoppings e são as atrações mais disputadas pelos locais.
LÊNIN DE UM LADO, GRIFES DE OUTRO
É na antiga Loja de Departamento Estatal, cuja sigla em russo é GUM, que funciona um dos centros comerciais mais caros, se não o mais caro, do mundo. Localizado na Praça Vermelha, que abriga o Kremlin moscovita, possui mais de 200 metros de comprimento e as lojas mais inacessíveis ao cidadão comum russo. Logo na fachada, para se ter uma ideia, a vitrine é ocupada pela marca de relógios Cartier. O que deve pensar o morto Lênin, dentro de seu mausoléu, que fica estrategicamente posicionado bem em frente ao GUM? Bom, que o comunismo não morreu, só virou produto made in Rússia para ser comercializado ao mundo.
https://www.otempo.com.br/superfc/blogs/superfc-na-copa-19.1376343/na-russia-capitalista-ate-o-comunismo-esta-a-venda-19.1392211
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Data da postagem: 26/07/2020, 20:33
Tópico para informações gerais sobre a Rússia, juízos de fato, juízos de valor, notícias, comentários, análises, etc.
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Data da postagem: 04/09/2020, 13:24
Alexei Navalny: as duas horas dramáticas em que russo envenenado foi salvo em pleno voo
Da BBC News Russia (serviço em russo da BBC)
Moscou
Há 3 horas
Direito de imagemREUTERS
O líder da oposição na Rússia, Alexei Navalny, está em coma em um hospital em Berlim e a Alemanha revelou que ele foi envenenado por um agente químico chamado Novichok.
Ele passou mal durante um voo da Sibéria para Moscou e o avião precisou fazer um pouso de emergência na cidade de Omsk. Dois dias depois autoridades russas foram convencidas a permitir que ele fosse levado para a Alemanha.
A BBC News Russian (serviço em russo da BBC) reuniu informações para entender como comissários de bordo e médicos lutaram para salvar a vida de Navalny nos céus da Sibéria. Essa é a reconstituição das duas horas desta perigosa viagem.
Por que envenenamento de opositor russo é teste de fogo para o Ocidente
Alexei Navalny: quem é o líder opositor russo hospitalizado por suspeita de envenenamento
O que aconteceu naquela manhã
No dia 20 de agosto, Alexei Navalny estava pegando o voo da companhia aérea S7 de Tomsk para Moscou. Ele não havia comido e bebido nada naquela manhã, tirando uma xícara de chá que tomara no aeroporto de Tomsk Bogashevo, de acordo com sua assessora de imprensa, Kira Yarmysh.
Direito de imagemILYA AGEEV
Image caption
Ilya Ageev tirou foto de um sorridente Alexei Navalny no aeroporto de Tomsk
Outro passageiro no avião, Ilya Ageev, também viu Navalny bebendo chá uma hora antes da decolagem. O crítico do governo russo estava sorrindo e fazendo piadas com passageiros que o reconheciam.
8:01 no horário de Tomsk
Durante a primeira meia hora do voo, Navalny começou a passar mal. Comissários de bordo estavam distribuindo água para os passageiros, mas ele recusou. Ele então se levantou para ir ao banheiro.
8:30 no horário de Tomsk
Outro passageiro tentou usar o banheiro na mesma hora, mas Alexei Navalny ocupou o toalete por cerca de 20 minutos. Uma fila começou a se formar.
8:50 no horário de Tomsk
A esta altura, quatro comissários de bordo sabiam que um de seus passageiros estava passando mal.
9:00 no horário de Tomsk
Minutos depois, um comissário de bordo fez um anúncio perguntando se havia algum médico a bordo. Foi quando os demais passageiros perceberam que algo grave estava acontecendo.
O resto da tripulação informou ao piloto sobre o ocorrido e tentou administrar os primeiros socorros em Navalny.
Seu assistente, Ilya Pakhomov, caminhou entre as fileiras de assentos perguntando se havia alguém que pudesse prestar atendimento médico. Uma mulher, que não foi identificada, se apresentou como enfermeira.
Durante a próxima hora, ela e os comissários de bordo se concentraram em manter Navalny consciente, até que o piloto pudesse fazer uma aterrissagem de emergência, segundo a companhia aérea S7.
Sergey Nezhenets, um advogado, estava sentado perto de onde Navalny recebia tratamento. Ele faria conexão em Moscou para seguir para Krasnodar, no sul da Rússia.
"Comecei prestando atenção no que acontecia quando um comissário de bordo pediu que profissionais de medicina se apresentassem", disse Nezhenets para a BBC.
"Poucos minutos depois, o piloto anunciou que aterrissaria em Omsk, porque um passageiro estava passando mal. Eu só percebi que o passageiro em questão era Navalny quando aterrissamos, quando chequei meu Twitter e vi os posts de sua porta-voz."
"Poucos minutos depois do anúncio perguntando por algum médico, Alexei começou a gemer e berrar. Ele estava claramente sofrendo. Ele estava deitado no chão na parte do avião reservada para a tripulação. Ele não falava palavra alguma — só berrava."
Direito de imagemILYA AGEEV
Foi quando a enfermeira se apresentou para ajudar, conta o passageiro.
"Eu não sei o que eles estavam fazendo, eu não vi", ele diz. "Mas eu ouvi eles dizendo 'Alexei, beba, beba, Alexei, respire!'"
"Quando ele gemia, todos nós nos sentíamos melhor, porque podíamos ver que pelo menos ele estava vivo. Eu quero ressaltar que, naquele momento, eu não sabia que se tratava de Navalny."
Dois dos assistentes de Navalny estavam de pé próximos a ele; uma era a assessora de imprensa, Kira Yarmysh.
"Ela estava muito nervosa", diz Nezhenets. "O médico indagou o que havia acontecido com ele e Kira disse: 'eu não sei, ele provavelmente foi envenenado'."
8:20 no horário de Omsk (uma hora de diferença em relação a Tomsk)
A tripulação foi rápida em pedir permissão para o pouso de emergência em Omsk, segundo a companhia aérea. O pedido foi atendido imediatamente.
Foram necessários pouco mais de 30 minutos para que o avião aterrissasse após os passageiros serem avisados que haveria um pouso de emergência.
Mas a tripulação "seguiu checando as janelas e reclamando que, por conta do tempo nublado, estava demorando mais tempo para que se aterrissasse, enquanto Alexei passava muito mal".
O advogado conta que ouvia sons de vômito quando tentavam dar alguma bebida a Alexei.
Direito de imagemILYA AGEEV
Não ficou claro se a tripulação chegou a realizar uma limpeza estomacal. Se a tripulação suspeitou de intoxicação alimentar, ela pode ter realizado o procedimento, segundo o especialista em atendimentos de emergência Mikhail Fremderman. Mas, diz ele, isso não ajudaria no caso de envenenamento por um composto como o que foi informado pelas autoridades alemãs.
E se a comida de Navalny tivesse sido envenenada, o vômito dele colocaria em risco as pessoas que estavam prestando atendimento médico, além dos faxineiros que limparam a aeronave em seguida.
9:01 no horário de Omsk
O avião aterrissou.
9:03 no horário de Omsk
A equipe médica no aeroporto entrou na aeronave apenas dois minutos após a aterrissagem.
Eles examinaram Navalny e disseram que "não era um caso para nós — ele precisa de cuidado intensivo", lembra Nezhenets.
Ele ouviu um dos médicos chamar por uma ambulância pelo telefone. Ele pediu que o carro parasse na área de aterrissagem, dizendo que o paciente estava em estado grave.
Ele então ouviu o médico dando instruções sobre a cor da aeronave e sobre onde parar a ambulância.
"Nós esperamos por outros 10 minutos para que a ambulância chegasse", ele diz. "Durante esse tempo, os doutores mediram a pressão de Navalny e deram a ele um soro intravenoso — e acho que estava claro para eles que isso seria inútil."
Direito de imagemSIBIR.REALII
Vasily Sidorus, médico-chefe do aeroporto de Omsk, disse que não tratou pessoalmente de Alexei Navalny, mas que seus colegas fizeram de tudo para salvar sua vida.
"Era difícil entender o que estava acontecendo, já que ele não conseguia falar", diz ele. "Eles fizeram tudo que precisavam fazer, salvaram a vida dele e se certificaram de que ele seria levado a um hospital adequado."
Os passageiros com quem falamos acreditam que os médicos examinaram Navalny por cerca de 15 a 20 minutos ainda dentro do avião.
9:37 no horário de Omsk
Navalny foi retirado do avião e colocado, com uma maca, dentro da ambulância, que o levou ao hospital de Omsk.
O avião foi abastecido e, depois de meia hora, seguiu seu curso para Moscou, segundo Nezhenets.
Direito de imagemDJPAVLIN
"Quando aterrissamos no aeroporto Moscou Domodedovo, vários policiais e outras pessoas entraram no avião."
"Eles pediram que os passageiros que estavam nas fileiras próximas a Alexei ficassem onde estavam, enquanto o resto podia sair. Alexei estava sentado em algum lugar no meio do avião, entre as filas 10 e 11."
Para o advogado, foi estranho ver policiais a bordo. "Em algum momento, não parecia se tratar de um problema criminal. No entanto, ali estavam os serviços de segurança."
Durante dois dias, o hospital de Omsk manteve Navalny na unidade para envenenamento agudo. Inicialmente, os médicos não permitiram que ele viajasse à Alemanha, alegando que seria perigoso por causa de sua condição instável de saúde.
No entanto, no dia 22 de agosto, ele foi levado para a clínica Charité, em Berlim. Dois dias depois, médicos alemães anunciavam que exames confirmaram que ele havia sido envenenado.
Médicos em Omsk, incluindo o diretor do hospital e o diretor toxicólogo, insistem que não havia substâncias venenosas no corpo de Navalny quando ele esteve sob os cuidados do hospital russo. Eles disseram que um diagnóstico alternativo seria algum transtorno de metabolismo.
A BBC News Russian pediu que as autoridades de Omsk dessem um relato detalhado da internação de Navalny, mas não recebeu resposta.
Reportagem de Anna Pushkarskaya, Elena Berdnikova, Timur Sazonov, Andrei Soshnikov e Ksenia Churmanova.
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54024050
Da BBC News Russia (serviço em russo da BBC)
Moscou
Há 3 horas
Direito de imagemREUTERS
O líder da oposição na Rússia, Alexei Navalny, está em coma em um hospital em Berlim e a Alemanha revelou que ele foi envenenado por um agente químico chamado Novichok.
Ele passou mal durante um voo da Sibéria para Moscou e o avião precisou fazer um pouso de emergência na cidade de Omsk. Dois dias depois autoridades russas foram convencidas a permitir que ele fosse levado para a Alemanha.
A BBC News Russian (serviço em russo da BBC) reuniu informações para entender como comissários de bordo e médicos lutaram para salvar a vida de Navalny nos céus da Sibéria. Essa é a reconstituição das duas horas desta perigosa viagem.
Por que envenenamento de opositor russo é teste de fogo para o Ocidente
Alexei Navalny: quem é o líder opositor russo hospitalizado por suspeita de envenenamento
O que aconteceu naquela manhã
No dia 20 de agosto, Alexei Navalny estava pegando o voo da companhia aérea S7 de Tomsk para Moscou. Ele não havia comido e bebido nada naquela manhã, tirando uma xícara de chá que tomara no aeroporto de Tomsk Bogashevo, de acordo com sua assessora de imprensa, Kira Yarmysh.
Direito de imagemILYA AGEEV
Image caption
Ilya Ageev tirou foto de um sorridente Alexei Navalny no aeroporto de Tomsk
Outro passageiro no avião, Ilya Ageev, também viu Navalny bebendo chá uma hora antes da decolagem. O crítico do governo russo estava sorrindo e fazendo piadas com passageiros que o reconheciam.
8:01 no horário de Tomsk
Durante a primeira meia hora do voo, Navalny começou a passar mal. Comissários de bordo estavam distribuindo água para os passageiros, mas ele recusou. Ele então se levantou para ir ao banheiro.
8:30 no horário de Tomsk
Outro passageiro tentou usar o banheiro na mesma hora, mas Alexei Navalny ocupou o toalete por cerca de 20 minutos. Uma fila começou a se formar.
8:50 no horário de Tomsk
A esta altura, quatro comissários de bordo sabiam que um de seus passageiros estava passando mal.
9:00 no horário de Tomsk
Minutos depois, um comissário de bordo fez um anúncio perguntando se havia algum médico a bordo. Foi quando os demais passageiros perceberam que algo grave estava acontecendo.
O resto da tripulação informou ao piloto sobre o ocorrido e tentou administrar os primeiros socorros em Navalny.
Seu assistente, Ilya Pakhomov, caminhou entre as fileiras de assentos perguntando se havia alguém que pudesse prestar atendimento médico. Uma mulher, que não foi identificada, se apresentou como enfermeira.
Durante a próxima hora, ela e os comissários de bordo se concentraram em manter Navalny consciente, até que o piloto pudesse fazer uma aterrissagem de emergência, segundo a companhia aérea S7.
Sergey Nezhenets, um advogado, estava sentado perto de onde Navalny recebia tratamento. Ele faria conexão em Moscou para seguir para Krasnodar, no sul da Rússia.
"Comecei prestando atenção no que acontecia quando um comissário de bordo pediu que profissionais de medicina se apresentassem", disse Nezhenets para a BBC.
"Poucos minutos depois, o piloto anunciou que aterrissaria em Omsk, porque um passageiro estava passando mal. Eu só percebi que o passageiro em questão era Navalny quando aterrissamos, quando chequei meu Twitter e vi os posts de sua porta-voz."
"Poucos minutos depois do anúncio perguntando por algum médico, Alexei começou a gemer e berrar. Ele estava claramente sofrendo. Ele estava deitado no chão na parte do avião reservada para a tripulação. Ele não falava palavra alguma — só berrava."
Direito de imagemILYA AGEEV
Foi quando a enfermeira se apresentou para ajudar, conta o passageiro.
"Eu não sei o que eles estavam fazendo, eu não vi", ele diz. "Mas eu ouvi eles dizendo 'Alexei, beba, beba, Alexei, respire!'"
"Quando ele gemia, todos nós nos sentíamos melhor, porque podíamos ver que pelo menos ele estava vivo. Eu quero ressaltar que, naquele momento, eu não sabia que se tratava de Navalny."
Dois dos assistentes de Navalny estavam de pé próximos a ele; uma era a assessora de imprensa, Kira Yarmysh.
"Ela estava muito nervosa", diz Nezhenets. "O médico indagou o que havia acontecido com ele e Kira disse: 'eu não sei, ele provavelmente foi envenenado'."
8:20 no horário de Omsk (uma hora de diferença em relação a Tomsk)
A tripulação foi rápida em pedir permissão para o pouso de emergência em Omsk, segundo a companhia aérea. O pedido foi atendido imediatamente.
Foram necessários pouco mais de 30 minutos para que o avião aterrissasse após os passageiros serem avisados que haveria um pouso de emergência.
Mas a tripulação "seguiu checando as janelas e reclamando que, por conta do tempo nublado, estava demorando mais tempo para que se aterrissasse, enquanto Alexei passava muito mal".
O advogado conta que ouvia sons de vômito quando tentavam dar alguma bebida a Alexei.
Direito de imagemILYA AGEEV
Não ficou claro se a tripulação chegou a realizar uma limpeza estomacal. Se a tripulação suspeitou de intoxicação alimentar, ela pode ter realizado o procedimento, segundo o especialista em atendimentos de emergência Mikhail Fremderman. Mas, diz ele, isso não ajudaria no caso de envenenamento por um composto como o que foi informado pelas autoridades alemãs.
E se a comida de Navalny tivesse sido envenenada, o vômito dele colocaria em risco as pessoas que estavam prestando atendimento médico, além dos faxineiros que limparam a aeronave em seguida.
9:01 no horário de Omsk
O avião aterrissou.
9:03 no horário de Omsk
A equipe médica no aeroporto entrou na aeronave apenas dois minutos após a aterrissagem.
Eles examinaram Navalny e disseram que "não era um caso para nós — ele precisa de cuidado intensivo", lembra Nezhenets.
Ele ouviu um dos médicos chamar por uma ambulância pelo telefone. Ele pediu que o carro parasse na área de aterrissagem, dizendo que o paciente estava em estado grave.
Ele então ouviu o médico dando instruções sobre a cor da aeronave e sobre onde parar a ambulância.
"Nós esperamos por outros 10 minutos para que a ambulância chegasse", ele diz. "Durante esse tempo, os doutores mediram a pressão de Navalny e deram a ele um soro intravenoso — e acho que estava claro para eles que isso seria inútil."
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Vasily Sidorus, médico-chefe do aeroporto de Omsk, disse que não tratou pessoalmente de Alexei Navalny, mas que seus colegas fizeram de tudo para salvar sua vida.
"Era difícil entender o que estava acontecendo, já que ele não conseguia falar", diz ele. "Eles fizeram tudo que precisavam fazer, salvaram a vida dele e se certificaram de que ele seria levado a um hospital adequado."
Os passageiros com quem falamos acreditam que os médicos examinaram Navalny por cerca de 15 a 20 minutos ainda dentro do avião.
9:37 no horário de Omsk
Navalny foi retirado do avião e colocado, com uma maca, dentro da ambulância, que o levou ao hospital de Omsk.
O avião foi abastecido e, depois de meia hora, seguiu seu curso para Moscou, segundo Nezhenets.
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"Quando aterrissamos no aeroporto Moscou Domodedovo, vários policiais e outras pessoas entraram no avião."
"Eles pediram que os passageiros que estavam nas fileiras próximas a Alexei ficassem onde estavam, enquanto o resto podia sair. Alexei estava sentado em algum lugar no meio do avião, entre as filas 10 e 11."
Para o advogado, foi estranho ver policiais a bordo. "Em algum momento, não parecia se tratar de um problema criminal. No entanto, ali estavam os serviços de segurança."
Durante dois dias, o hospital de Omsk manteve Navalny na unidade para envenenamento agudo. Inicialmente, os médicos não permitiram que ele viajasse à Alemanha, alegando que seria perigoso por causa de sua condição instável de saúde.
No entanto, no dia 22 de agosto, ele foi levado para a clínica Charité, em Berlim. Dois dias depois, médicos alemães anunciavam que exames confirmaram que ele havia sido envenenado.
Médicos em Omsk, incluindo o diretor do hospital e o diretor toxicólogo, insistem que não havia substâncias venenosas no corpo de Navalny quando ele esteve sob os cuidados do hospital russo. Eles disseram que um diagnóstico alternativo seria algum transtorno de metabolismo.
A BBC News Russian pediu que as autoridades de Omsk dessem um relato detalhado da internação de Navalny, mas não recebeu resposta.
Reportagem de Anna Pushkarskaya, Elena Berdnikova, Timur Sazonov, Andrei Soshnikov e Ksenia Churmanova.
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54024050
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Data da postagem: 04/09/2020, 13:26

"Ameaça russa" leva Suécia a aumentar orçamento da defesa
Rússia excluída de competições esportivas | AFP
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Data da postagem: 18/12/2020, 16:47

Só falta saber se há relação entre governo russo e esses hackers
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Data da postagem: 18/12/2020, 20:20