
Clube Ceticismo
Discutindo o significado de palavras
Autor: Tutu | Categoria: Papo Furado | Exibições: 16384 Comentários: 18

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A língua portuguesa já é muito rica e não há necessidade de complicar mais o nosso vocabulário com estrangeirismos.
Palavras como "insight", "mindset", "call", "deadline", "feedback" e outras são frequentes no meio corporativo. No entanto, já temos correspondentes em português para todos estes termos.
É compreensível que, devido à globalização, palavras estrangeiras eventualmente sejam usadas no dia a dia. Mas quando esse uso se torna excessivo para "parecer descolado", isso revela uma pobreza linguística e falta de autenticidade de quem apenas segue as modinhas do momento.
Palavras como "insight", "mindset", "call", "deadline", "feedback" e outras são frequentes no meio corporativo. No entanto, já temos correspondentes em português para todos estes termos.
É compreensível que, devido à globalização, palavras estrangeiras eventualmente sejam usadas no dia a dia. Mas quando esse uso se torna excessivo para "parecer descolado", isso revela uma pobreza linguística e falta de autenticidade de quem apenas segue as modinhas do momento.
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Data da postagem: 21/12/2024, 12:29

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Apelidos romanos que viraram nomes:
- Cláudio: manco (claudicante)
- Cícero: com verruga (ou seja, com uma ervilha na cara)
- Flávio: louro
- César: que nasceu de cesariana (por causa da cisão).
- Calígula: caliga (sandália) pequena, ou seja, "sandalinha".
Os romanos nomeavam até o quarto filho. Daí em diante, era "quinto", "sexto" etc.. "Otávio" vem de "Octavius" (oitavo).
- Cláudio: manco (claudicante)
- Cícero: com verruga (ou seja, com uma ervilha na cara)
- Flávio: louro
- César: que nasceu de cesariana (por causa da cisão).
- Calígula: caliga (sandália) pequena, ou seja, "sandalinha".
Os romanos nomeavam até o quarto filho. Daí em diante, era "quinto", "sexto" etc.. "Otávio" vem de "Octavius" (oitavo).
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Data da postagem: 21/12/2024, 15:32
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Tutu
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Lucrativo em inglês é profitable, o que literalmente significa lucrável.
O sufixo -ativo significa coisa que produz efeito enquanto -ável significa possibilidade de produzir efeito. Em outras palavras, o primeiro é ativo e o segundo é passivo.
Quem acredita na influência linguística na cultura. O brasileiro tem visão de curto prazo e quer ganhos rápidos, então vê lucrativo como uma forma de ganhar dinheiro. Por outro lado, o americano tem mais visão de longo prazo e vê profitable como uma possibilidade de ganhar. O americano vê como instrumento e que o esforço depende de si mesmo enquanto o brasileiro valoriza o objeto lucrativo e depende dele.
[spoiler](ironicamente passivo é o que dá renda e passivo é o que dá despesa)[/spoiler]
O sufixo -ativo significa coisa que produz efeito enquanto -ável significa possibilidade de produzir efeito. Em outras palavras, o primeiro é ativo e o segundo é passivo.
Quem acredita na influência linguística na cultura. O brasileiro tem visão de curto prazo e quer ganhos rápidos, então vê lucrativo como uma forma de ganhar dinheiro. Por outro lado, o americano tem mais visão de longo prazo e vê profitable como uma possibilidade de ganhar. O americano vê como instrumento e que o esforço depende de si mesmo enquanto o brasileiro valoriza o objeto lucrativo e depende dele.
[spoiler](ironicamente passivo é o que dá renda e passivo é o que dá despesa)[/spoiler]
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Data da postagem: 01/09/2025, 00:34
Apelido:
eremita
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TutuE mestre?
Etimologicalmete falando, "mestre" = "o maior".
A palavra foi herdada do latim, era "magister"; esse "magis" é o mesmo que deu origem a "mais".
Fernando Silva
Apelidos romanos que viraram nomes:
- Cláudio: manco (claudicante)
- Cícero: com verruga (ou seja, com uma ervilha na cara)
- Flávio: louro
- César: que nasceu de cesariana (por causa da cisão).
- Calígula: caliga (sandália) pequena, ou seja, "sandalinha".
Os romanos nomeavam até o quarto filho. Daí em diante, era "quinto", "sexto" etc.. "Otávio" vem de "Octavius" (oitavo).
"Cicer" é grão-de-bico, mas a associação com verrugas é correta. Só que não é do Cícero que a gente normalmente fala, o Marcus Tullius Cicero; é de algum antepassado dele.
A etimologia de "César" é bem disputada. Pode ser devido a
- Cesariana, como você falou. No latim, a caeso matris utero = ao corte do útero da mãe.
- Uma palavra fenícia para elefante. O próprio Júlio César defendia essa alternativa, já que seria por causa dum ancestral dele que teria matado um elefante. Não boto fá, o mesmo cara falava ser descendente da deusa Vênus, poxa.
- Por causa do cabelo; caesaries era usado para cabelo arrumadinho, bonitinho, sabe? Talvez usado ironicamente contra o César porque ele tava ficando bem calvo.
Tutu
Lucrativo em inglês é profitable, o que literalmente significa lucrável.
O sufixo -ativo significa coisa que produz efeito enquanto -ável significa possibilidade de produzir efeito. Em outras palavras, o primeiro é ativo e o segundo é passivo.
Quem acredita na influência linguística na cultura. O brasileiro tem visão de curto prazo e quer ganhos rápidos, então vê lucrativo como uma forma de ganhar dinheiro. Por outro lado, o americano tem mais visão de longo prazo e vê profitable como uma possibilidade de ganhar. O americano vê como instrumento e que o esforço depende de si mesmo enquanto o brasileiro valoriza o objeto lucrativo e depende dele.
[spoiler](ironicamente passivo é o que dá renda e passivo é o que dá despesa)[/spoiler]
Embora a cultura influencie a língua (a sociolinguística é só sobre isso), não acho que esse seja um bom exemplo. O português não cunhou essa palavra, só re-emprestou do latim (lucrativus).
E, no latim, esse "-ivus" é basicamente só um sufixo para converter verbo em adjetivo do agente. Funciona bem parecido com o -dor do português:
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Note que em português a palavra "lucrável" existe, e em inglês há o empréstimo "lucrative".
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Data da postagem: 12/01/2026, 19:35

Apelido:
Fernando_Silva
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Deonísio Da Silva · 11/06/2026
"GRAMÁTICA DO FILHO DA PUTA
Filho da puta é adjunto adnominal quando a frase for: ”Conheci um político filho da puta”.
Se a frase for: “O político é um filho da puta”, daí é predicativo.
Agora, se a frase for: “Esse filho da puta é um político”, é sujeito.
Porém, se o cara aponta uma arma para a testa do político e diz: “Agora nega o roubo, filho da puta!” - daí é vocativo.
Finalmente, se a frase for: “O ex-ministro, aquele filho da puta, desviou o dinheiro para o mensalão”, daí é aposto.
Que língua a nossa, não?
COMPLETANDO: Se estiver escrito: “Saiu da presidência em janeiro”, o filho da puta é sujeito oculto.
Se a frase for: Pior é que a Lei não permite matar o filho da puta. Nesse caso, é objeto direto.
O pior de todos: Lamento que dei ao filho da puta o meu voto. Daí é objeto indireto.
Quando se trata de vozes verbais: O filho da puta roubou o dinheiro do povo. – Aqui temos voz ativa e o sujeito safado é chamado de sujeito agente.
Muda a frase, mas não o sentido quando tivermos: O dinheiro do povo foi roubado pelo filho da puta. Nesse caso é voz passiva e o safado é chamado de “agente da passiva”.
Se for: “O filho da puta acalmou-se” É voz reflexiva
Quando usamos os numerais, muda também alguma coisa. Ele é o filho da puta número 1. (significa que é o maior dos filhos da puta). O numeral vindo pós-posto, ou seja, na frente do filho da puta, nós devemos usar o numeral cardinal como foi feito na frase.
Quando o numeral vier no começo da frase, o numeral usado deve ser o ordinal, como se segue: Ele foi o primeiro filho da puta que apareceu para depor.
No período composto temos o seguinte: A mãe dele é uma santa, mas ele é um filho da puta. – Esta segunda oração é chamada “Oração coordenada sindética adversativa”.
No período composto: de uma coisa eu tenho certeza: ele é um filho da puta. Neste caso, com dois pontos, é chamada “oração subordinada substantiva apositiva”.
Se o período composto for: “Ele mente, engana, rouba, por isso é um filho da puta”. Então é “oração subordinada substantiva explicativa”.
Veja esta: Fingiu-se indignado quando foi chamado de filho da puta. Neste período, ele aparece numa oração subordinada adverbial de tempo.
Minha gente, eu paro por aqui porque a lista de filhos da puta não acaba, assim como na língua portuguesa haverá lugar para todos eles.
Viu só: filho da puta também é cultura e conhecimento".
Publicado por Idelnicio Vieira dis Reis, em 11.06.2013, no Facebook.
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Data da postagem: 12/06/2026, 13:58
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Ainda tô encafifado com os números etruscos. Lembram-me reconstruções do proto-indo-europeu um pouco demais, mas não consigo achar mudança de som regular "séria" entre os dois. Vou mostrar aqui:
[table]
[tr][td]Etrusco[/td][td]PIE (Beekes)[/td][td]Português[/td][/tr]
[tr][td]t⁽ʰ⁾u(n)[/td][td]*Hoi(H)nos[/td][td]um[/td][/tr]
[tr][td]tsal[/td][td]*du̯oh₁[/td][td]dois[/td][/tr]
[tr][td]k⁽ʰ⁾i[/td][td]*trei̯es[/td][td]três[/td][/tr]
[tr][td]hut⁽ʰ⁾[/td][td]*kʷétu̯ōr[/td][td]quatro[/td][/tr]
[tr][td]makʰ~muw[/td][td]*penkʷe[/td][td]cinco[/td][/tr]
[tr][td]ʃa~sa[/td][td]*(s)u̯éks[/td][td]seis[/td][/tr]
[tr][td]ʃempʰ[/td][td]*septḿ̥[/td][td]sete[/td][/tr]
[tr][td]*ketsp[/td][td]*h₃eḱteh₃[/td][td]oito[/td][/tr]
[tr][td]nurpʰ[/td][td]*(h₁)néun[/td][td]nove[/td][/tr]
[tr][td]ʃar~tsar[/td][td]*déḱm̥t[/td][td]dez[/td][/tr]
[/table]
Tô usando IPA para o etrusco; principalmente porque aspiração é bem variável. Notem haver discussões se o 4 e o 6 estão invertidos, e se ʃar~t͡sar seria 12, mas não vou levá-las em conta. E tenho quase certeza que ʃar é uma forma que só aparece em compostos, como kiʃar "13". A forma "muw" para cinco aparece em muwalkʰ 50.
Observem os padrões:
Pode ser coincidência? Pooooode. Talvez eu esteja procurando pelo em ovo. Mas tem cheiro suspeito, sabe? Quase como se o etrusco (ou melhor, o proto-tirsênico, ancestral direto do etrusco) fosse lateralmente aparentado ao PIE. Talvez sendo uma ramificação anterior ao anatólico (o etrusco não é anatólico nem a pau).
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[tr][td]Etrusco[/td][td]PIE (Beekes)[/td][td]Português[/td][/tr]
[tr][td]t⁽ʰ⁾u(n)[/td][td]*Hoi(H)nos[/td][td]um[/td][/tr]
[tr][td]tsal[/td][td]*du̯oh₁[/td][td]dois[/td][/tr]
[tr][td]k⁽ʰ⁾i[/td][td]*trei̯es[/td][td]três[/td][/tr]
[tr][td]hut⁽ʰ⁾[/td][td]*kʷétu̯ōr[/td][td]quatro[/td][/tr]
[tr][td]makʰ~muw[/td][td]*penkʷe[/td][td]cinco[/td][/tr]
[tr][td]ʃa~sa[/td][td]*(s)u̯éks[/td][td]seis[/td][/tr]
[tr][td]ʃempʰ[/td][td]*septḿ̥[/td][td]sete[/td][/tr]
[tr][td]*ketsp[/td][td]*h₃eḱteh₃[/td][td]oito[/td][/tr]
[tr][td]nurpʰ[/td][td]*(h₁)néun[/td][td]nove[/td][/tr]
[tr][td]ʃar~tsar[/td][td]*déḱm̥t[/td][td]dez[/td][/tr]
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Tô usando IPA para o etrusco; principalmente porque aspiração é bem variável. Notem haver discussões se o 4 e o 6 estão invertidos, e se ʃar~t͡sar seria 12, mas não vou levá-las em conta. E tenho quase certeza que ʃar é uma forma que só aparece em compostos, como kiʃar "13". A forma "muw" para cinco aparece em muwalkʰ 50.
Observem os padrões:
- 2, 10: PIE usa *d onde o etrusco usa [ts]. Se os dois forem aparentados, é quase certo que o etrusco passou por algo tipo [ b d g]→[p t k], já que não tem consoantes vozeadas; daí você tem [t]→[ts], palatalização beeeem comum. (compare e.g. latim ⟨fortiam⟩ → português ⟨força⟩, esse ⟨ç⟩ hoje em dia é [s] mas costumava ser [ts].)
- 9: esse [n] do djanho. [n] inicial é uma consoante extremamente estável, então se os dois forem aparentados não é surpresa que seja mantida. Se a laringeal *h₁ for algo como [ʔ], [h] ou similar (as hipóteses tradicionais), faz sentido que seu correspondente tenha caído do etrusco, especialmente num encontro consonantal. Reparem também no [ u] vs. *u.
- 6, 7: sibilante vs. sibilante. Reparem que o 7 mostra até [m] e [pʰ] no etrusco e [m] [p] no PIE, embora em ordem diferente.
- Aquele *kʷétu̯ōr do PIE é muito provavelmente desenvolvimento tardio, independentemente de qualquer ligação com o etrusco. Ou seja, mesmo se os idiomas forem aparentados, deste mato não sai cachorro.
Pode ser coincidência? Pooooode. Talvez eu esteja procurando pelo em ovo. Mas tem cheiro suspeito, sabe? Quase como se o etrusco (ou melhor, o proto-tirsênico, ancestral direto do etrusco) fosse lateralmente aparentado ao PIE. Talvez sendo uma ramificação anterior ao anatólico (o etrusco não é anatólico nem a pau).
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Data da postagem: 15/09/2026, 14:01

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Ainda tô encafifado com os números etruscos. Lembram-me reconstruções do proto-indo-europeu um pouco demais, mas não consigo achar mudança de som regular "séria" entre os dois. Vou mostrar aqui:
[...]
Pode ser coincidência? Pooooode. Talvez eu esteja procurando pelo em ovo. Mas tem cheiro suspeito, sabe? Quase como se o etrusco (ou melhor, o proto-tirsênico, ancestral direto do etrusco) fosse lateralmente aparentado ao PIE. Talvez sendo uma ramificação anterior ao anatólico (o etrusco não é anatólico nem a pau).
Pode ser coincidência, mas também influência do grego. Afinal, o alfabeto etrusco se baseia no grego e o nome dos números pode ter vindo junto.
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Data da postagem: 15/09/2026, 15:56
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Ainda tô encafifado com os números etruscos. Lembram-me reconstruções do proto-indo-europeu um pouco demais, mas não consigo achar mudança de som regular "séria" entre os dois. Vou mostrar aqui:
[...]
Pode ser coincidência? Pooooode. Talvez eu esteja procurando pelo em ovo. Mas tem cheiro suspeito, sabe? Quase como se o etrusco (ou melhor, o proto-tirsênico, ancestral direto do etrusco) fosse lateralmente aparentado ao PIE. Talvez sendo uma ramificação anterior ao anatólico (o etrusco não é anatólico nem a pau).
Pode ser coincidência, mas também influência do grego. Afinal, o alfabeto etrusco se baseia no grego e o nome dos números pode ter vindo junto.
Repare nos numerais etruscos para 6 e 7, e compare-os com os do grego:
- 6: ἕξ /heks/
- 7: ἑπτᾰ́ /hep.ta/
O grego debucalizou [s] para [h]. Se o etrusco tivesse emprestado os numerais do grego, não haveria [ʃ] (o som de chá) neles; seria [h].
Outros detalhe é aquele 3. Faz mais sentido se tanto o PIE como o etrusco pegaram o numeral de uma fonte anterior a ambos, do que um do outro. Porque daí pode-se alegar que o PIE passou por **kr→*tr e o etrusco por **kr→k, ou algo assim.
Deixando claro que isso tudo é só pseudo-linguística de boteco, peço para que ninguém aqui leve essa hipótese muito a sério, porque pode ser furada.
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Data da postagem: 15/09/2026, 22:55